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FC PORTO-BORUSSIA DORTMUND, 0-1
Liga Europa, 16 avos de final, 2ª mão
qui, 25 Fevereiro 2016 • 20:05
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: -
Árbitro: Mark Clattenburg (Inglaterra).
Assistentes: Simon Beck e Jake Collin; Anthony Taylor e Andre Marriner (adicionais).
4.º Árbitro: Stuart Burt.
FC PORTO: Casillas, Maxi Pereira, Layún, Marcano, José Ángel, Rúben Neves (c), Danilo, Evandro, Marega, Aboubakar, Varela.
Suplentes: Helton, Brahimi (65' Varela), Sérgio Oliveira, Herrera (71' Evandro), Corona, André André, Suk (56' Aboubakar).
Treinador: José Peseiro.
BORUSSIA DORTMUND: Bürki, Ginter, Bender, Hummels (c), Schmelzer, Gündogan, Weigl, Kagawa, Mkhitaryan, Aubameyang, Reus.
Suplentes: Weidenfeller, Subotic (46' Hummels), Leitner, Sahin (46' Gündogan), Adrián Ramos (70' Reus), Gonzalo Castro, Durm.
Treinador: Thomas Tuchel.
Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Aubameyang (23').
Disciplina: cartão amarelo a Evandro (14'), Rúben Neves (56'), Bürki (58'), Sahin (59'), Maxi Pereira (90').
Há uma semana, após ser derrotado em Dortmund, tinha previsto que o FC Porto sairia da Liga Europa tão depressa como entrou. E assim foi. O FC Porto não foi capaz de inverter a desvantagem de dois golos na eliminatória e remete-se à sua condição de equipa nacional porque esta equipa actualmente não tem dimensão europeia.
Por isso, ao FC Porto resta lutar dignamente pelo campeonato nacional mesmo que seja bastante complicado alcançar o título e tentar minimizar a 3ª época desastrosa com a conquista da Taça de Portugal. Sim, desastrosa porque no dia em que ficar contente e satisfeito por o FC Porto vencer numa época apenas uma taça de Portugal, então não estarei bom da cabeça de certeza.
Mas estou resignado em termos de ambições na presente época. O plantel e a equipa não dão para mais. A falta de qualidade é notória e ontem viu-se um Dortmund superior em quase todos os capítulos do jogo. Já na 1ªmão essa diferença tinha ficado bem patente.
Ainda ontem em conversa no Estádio com um amigo estávamos a comparar a equipa do ano passado com a equipa deste ano e a diferença é abismal. Se formos a analisar enquanto equipa, é comparar um Fiat 600 a um BMW e se formos analisar jogador a jogador, por posição, a presente equipa perde claramente para a da época passada. Ou seja, o FC Porto decresceu de qualidade de uma forma assombrosa, perdeu valores incontornáveis e a política desportiva não foi bem delineada, nomeadamente na questão dos empréstimos.
E se formos comparar o plantel que iniciou a presente época com o actual plantel, apetece dizer que o FC Porto formou dois plantéis diferentes numa só época. Quantos jogadores saíram em Dezembro e Janeiro? Cissokho, Lichnovsky, Maicon, Osvaldo, Tello, Gudiño e mais uns poucos da equipa B que poderiam ser opções na equipa A. Por outro lado entraram Marega, Suk, Sá e da equipa B Chidozie. Muitas trocas e baldrocas para um mercado de inverno.
E se alargarmos a situação à mudança de treinador e ao timing que foi escolhido para o seu despedimento bem como os quinze dias necessários para a contratação de um novo treinador que não foi primeira, nem segunda, nem terceira, nem quarta opção, o que dizer da época 2015-16? É ou não é um desastre? Há condições para trabalhar, para formar um bom plantel? Há condições para formar uma equipa boa de dimensão europeia e candidata séria ao título?
O que move no FC Porto tantas saídas e tantas entradas nos últimos anos? O que motivou tantas contratações e tantas vendas de uma época para a outra? Porque não tem o FC Porto uma base e uma equipa que possa consolidar-se por um período de dois/três/quatro anos? Porque contrata o FC Porto jogadores de duvidosa qualidade que dispensa meses depois ou um ano depois, andando a suportar salários, quando tem jogadores da cantera que podem ser muito bem boas opções?
Vou dar um ou dois exemplos que são apenas a ponta do iceberg. O FC Porto tem nos quadros e da cantera um defesa esquerdo que já vem a ser falado há uns dois anos. Passa nos juniores, passa na equipa B como titularíssimo e é unânime que está ali um jogador de futuro, com capacidade para integrar a equipa A. Se não para ser titular no imediato, pode ser uma boa alternativa. Falo obviamente de Rafa.
O FC Porto, em Agosto passado forma um plantel com dois defesas esquerdos. Um espanhol de nome José Angel, vindo da época transacta, que serve bem para jogar no Rayo Vallecano e vai buscar por empréstimo Cissokho, investindo dinheiro em salários, prémios e uma verba para pagar o empréstimo. Tem Alex Sandro, em vias de sair. Quem acaba por ser titular é Layún inicialmente para concorrer com Maxi. Expliquem-me porquê. Os referidos defesas esquerdos são melhores do que Rafa e reúnem mais condições para integrar o actual plantel? Claramente que não. Então porquê isto? Que interesse há por detrás disto? Pois Rafa sai em Janeiro por empréstimo para a Académica e fica no FC Porto um grande José Angel e Cissokho tem guia de marcha para o clube de origem.
Outro caso. O FC Porto inicia a época com 4 defesas centrais, sendo que o 4º central (Lichnovsky) é recrutado para jogar regularmente na equipa B. Chega Janeiro, Lichnovsky é emprestado e fica uma vaga por preencher. Não é preenchida. Sobram Verdasca e Chidozie, trinco adaptado a central, ambos da equipa B. É esse o caminho? Tudo bem! Janeiro termina e com ele o mercado fecha.
O que acontece a seguir? Maicon é dispensado e colocado noutro clube por um comportamento inaceitável durante um jogo de futebol e por uma atitude jamais admitida num jogador que enverga a camisola deste clube. Errou, é certo! Não pode nem deve envergar novamente a camisola do FC Porto porque demonstrou mesmo não merecer. Mas vamos raciocinar. Fica o plantel com dois defesas-centrais disponíveis e mais dois da equipa B que não têm qualquer experiência, sendo que um deles nem sequer está inscrito nas competições europeias?
Coincidência das coincidências, novo revés na equipa. Marcano lesiona-se antes da viagem a Dortmund e quem está disponível para jogar no eixo da defesa? Apenas Martins Indi. Que grande chatice!
Soluções?
Colocar Verdasca? Não. Recuar Danilo Pereira para defesa-central e abrir um buraco no meio-campo portista ou desviar Miguel Layún da lateral esquerda ou, neste caso, da lateral direita (Maxi castigado) para junto de Indi e perder capacidade ofensiva e assistências para o golo. Que faz José Peseiro? Coloca Layún a central. Conclusão: Verdasca não conta em Dortmund ao contrário de Chidozie na Luz e no Dragão frente ao Moreirense. Ou seja menos um central. Fica o FC Porto a contar no plantel com dois centrais e mais um recurso da equipa B muito verdinho como se viu frente aos verdes de Cónegos. Eu pergunto: É uma boa gestão?
Chidozie e Verdasca são chamados à equipa A (o segundo para fazer número no banco) e Rafa não foi porquê? Tem menos condições?
O que acontece no jogo desta noite? Marcano recupera da lesão e é titular frente ao Dortmund no Dragão e Indi vai para o estaleiro com uma lesão contraída na primeira mão. Novamente o problema a bater à porta. Centrais onde estão? Apenas um. Marcano ocupa uma posição no eixo e Layún volta a sacrificar-se para fazer o outro lugar. O que acontece? O FC Porto frágil e novamente em desvantagem perante um adversário claramente superior.
Alguém sabe responde a tudo isto? Muito sinceramente, vejo no FC Porto o Sporting e o Benfica dos anos 90 e da primeira década de 2000. Anos em que chegámos a vencer campeonatos com 4, 5 e 6 derrotas no campeonato. Tenho muito receio do futuro próximo.
As eleições no clube são em Abril e para haver continuidade, ela terá que mudar radicalmente de estratégia. Caso contrário vamos assistir ao desmoronamento do que começou a ser construído há mais de 30 anos, regressando às travessias no deserto. Alguém tem dúvidas? Eu não tenho nenhumas.
José Peseiro, esta noite, optou por um onze com algumas poupanças (e bem) pois viu que a eliminatória está praticamente perdida e o destino traçado. Então deu prioridade ao jogo do próximo Domingo em Belém. Mas o FC Porto não tem qualidade para se manter na Liga Europa nem para ombrear com outros clubes de dimensão europeia. Mesmo com o seu melhor onze. É actualmente uma equipa muito desequilibrada.
No jogo jogado esta noite, vi alguma entrega, querer e vontade de vencer o jogo pelo menos mas é visível das bancadas a impotência e a incapacidade dos jogadores e da equipa portista. Não chegam para dar respostas e para serem felizes. E depois o azar quando acompanha uma equipa, nada há a fazer.
O FC Porto saiu da Liga Europa com toda a lógica depois de dois jogos em que ficou claro que muito há a fazer no reino do Dragão. Esta noite não mereceria perder o jogo mas a vitória ainda estava muito longe de alcançar. Quando ninguém tem a sagacidade necessária para furar uma linha defensiva que se limitou a fazer o seu papel sem grande esforço, não há hipóteses de sucesso.
Aos 22 minutos, o FC Porto já estava a perder por 1-0. Apesar do golo marcado em fora-de-jogo por Aubameyang, na recarga a uma grande defesa de Casillas, cedo o Dortmund traçou o destino e definiu a eliminatória. Foi o xeque-mate alemão.
O FC Porto, poupando unidades do meio-campo e os extremos, jogou claramente com o pensamento no Belenenses mas José Peseiro tentou uma equipa equilibrada. Só a espaços o FC Porto incomodou os alemães. Evandro teve uma arrancada perto do fim da primeira parte com um remate a rasar o poste e logo a seguir Varela num cabeceamento obriga o guarda-redes contrário à defesa da noite.
Na etapa complementar, o FC Porto teve uma oportunidade por Aboubakar após centro de Marega. Depois Suk num remate de ângulo reduzido permite a defesa do guardião da equipa alemã e Brahimi perto do fim remata estrondosamente à trave.
Pelo lado do Dortmund, os alemães viram dois golos bem anulados por fora de jogo e ainda enviaram uma bola ao poste de Casillas em resposta ao lance na trave de Brahimi.
O FC Porto perdeu bem a eliminatória, não merece nem tem condições de continuar em prova e só tem que pensar muito bem no futuro e no que resta da época.
Domingo regressa o campeonato com a vista do FC Porto ao Restelo e a partir de 6 de Março passará a jogar uma vez por semana. Nessa altura, José Peseiro terá muito tempo para trabalhar com a equipa e talvez melhorar algumas coisas para tentar um final de época de forma a minimizar os estragos.

DECLARAÇÕES
José Peseiro: “A equipa mostrou um grande caráter e abnegação”
Reconhecendo que o Borussia Dortmund mereceu passar no conjunto da eliminatória, José Peseiro considerou que a exibição do FC Porto no jogo da segunda mão justificava outro resultado que não a derrota (0-1), ainda por cima tendo o golo dos germânicos surgido num lance irregular. O treinador dos azuis e brancos destacou a forma como a equipa acreditou e lutou “até ao fim”, não esquecendo o apoio dos adeptos, “que foram fantásticos”.
“Tenho de dar os parabéns à equipa e aos jogadores, que acreditaram até ao fim, tal como os nossos adeptos, que foram fantásticos na forma como nunca deixaram de nos apoiar. Parabéns também ao nosso adversário, que no cômputo geral da eliminatória mereceu passar, mas creio que este jogo éramos nós que merecíamos vencer. Sofremos um golo quando estávamos a dominar, na primeira transição ofensiva deles e ainda por cima em fora de jogo, e isso acabou por perturbar um pouco a equipa, dando maior conforto e tranquilidade ao nosso adversário. O empate talvez fosse um resultado mais justo, mas a vitória também nos assentaria bem por aquilo que fizemos. Merecíamos pelo menos o empate”, afirmou José Peseiro após o desafio com o Borussia Dortmund, no Estádio do Dragão, que ditou o afastamento do FC Porto das competições europeias na presente temporada.
Enaltecendo a “força anímica tremenda” demonstrada pela equipa mesmo em desvantagem, o treinador portista insistiu na injustiça do desfecho com que terminou o segundo duelo entre FC Porto e Borussia Dortmund. “Entrámos muito bem na segunda parte, com uma força anímica tremenda e, mesmo a perder 3-0 na eliminatória, lutámos, quisemos e criámos oportunidades de golo que não conseguimos concretizar. A equipa mostrou um grande caráter e abnegação, tal como os nossos adeptos, que estiveram sempre connosco. Acusámos algum desgaste na parte final e eles criaram-nos mais dificuldades, também porque procurámos chegar rápido ao ataque e por vezes precipitámo-nos. O Borussia Dortmund é uma grande equipa e no conjunto da eliminatória mereceu passar, mas hoje deveríamos ter sido nós a vencer”, prosseguiu José Peseiro.
Garantindo que escolheu os jogadores que entendeu serem “os melhores” para este jogo, o técnico dos Dragões apontou desde já ao desafio que se segue, marcado para domingo, às 19h15, no Estádio do Restelo, frente ao Belenenses. “Temos um plantel com qualidade e escolhi aqueles que entendi serem os melhores para este jogo. Além disso, tínhamos trunfos no banco para lançar. Foi um jogo intenso, no qual nunca nos entregámos e que nos fez gastar muita energia. Agora vamos procurar recuperar e começar a preparar o próximo jogo, que é muito importante na nossa luta no campeonato. Perder nunca é bom e sair desta competição nesta fase também não, mas neste jogo a nossa prestação foi melhor do que o resultado”, finalizou José Peseiro.
ARBITRAGEM

RESUMO DO JOGO
Liga Europa, 16 avos de final, 2ª mão
qui, 25 Fevereiro 2016 • 20:05
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: -
Árbitro: Mark Clattenburg (Inglaterra).
Assistentes: Simon Beck e Jake Collin; Anthony Taylor e Andre Marriner (adicionais).
4.º Árbitro: Stuart Burt.
FC PORTO: Casillas, Maxi Pereira, Layún, Marcano, José Ángel, Rúben Neves (c), Danilo, Evandro, Marega, Aboubakar, Varela.
Suplentes: Helton, Brahimi (65' Varela), Sérgio Oliveira, Herrera (71' Evandro), Corona, André André, Suk (56' Aboubakar).
Treinador: José Peseiro.
BORUSSIA DORTMUND: Bürki, Ginter, Bender, Hummels (c), Schmelzer, Gündogan, Weigl, Kagawa, Mkhitaryan, Aubameyang, Reus.
Suplentes: Weidenfeller, Subotic (46' Hummels), Leitner, Sahin (46' Gündogan), Adrián Ramos (70' Reus), Gonzalo Castro, Durm.
Treinador: Thomas Tuchel.
Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Aubameyang (23').
Disciplina: cartão amarelo a Evandro (14'), Rúben Neves (56'), Bürki (58'), Sahin (59'), Maxi Pereira (90').
Por isso, ao FC Porto resta lutar dignamente pelo campeonato nacional mesmo que seja bastante complicado alcançar o título e tentar minimizar a 3ª época desastrosa com a conquista da Taça de Portugal. Sim, desastrosa porque no dia em que ficar contente e satisfeito por o FC Porto vencer numa época apenas uma taça de Portugal, então não estarei bom da cabeça de certeza.
Mas estou resignado em termos de ambições na presente época. O plantel e a equipa não dão para mais. A falta de qualidade é notória e ontem viu-se um Dortmund superior em quase todos os capítulos do jogo. Já na 1ªmão essa diferença tinha ficado bem patente.
Ainda ontem em conversa no Estádio com um amigo estávamos a comparar a equipa do ano passado com a equipa deste ano e a diferença é abismal. Se formos a analisar enquanto equipa, é comparar um Fiat 600 a um BMW e se formos analisar jogador a jogador, por posição, a presente equipa perde claramente para a da época passada. Ou seja, o FC Porto decresceu de qualidade de uma forma assombrosa, perdeu valores incontornáveis e a política desportiva não foi bem delineada, nomeadamente na questão dos empréstimos.
E se formos comparar o plantel que iniciou a presente época com o actual plantel, apetece dizer que o FC Porto formou dois plantéis diferentes numa só época. Quantos jogadores saíram em Dezembro e Janeiro? Cissokho, Lichnovsky, Maicon, Osvaldo, Tello, Gudiño e mais uns poucos da equipa B que poderiam ser opções na equipa A. Por outro lado entraram Marega, Suk, Sá e da equipa B Chidozie. Muitas trocas e baldrocas para um mercado de inverno.
E se alargarmos a situação à mudança de treinador e ao timing que foi escolhido para o seu despedimento bem como os quinze dias necessários para a contratação de um novo treinador que não foi primeira, nem segunda, nem terceira, nem quarta opção, o que dizer da época 2015-16? É ou não é um desastre? Há condições para trabalhar, para formar um bom plantel? Há condições para formar uma equipa boa de dimensão europeia e candidata séria ao título?
O que move no FC Porto tantas saídas e tantas entradas nos últimos anos? O que motivou tantas contratações e tantas vendas de uma época para a outra? Porque não tem o FC Porto uma base e uma equipa que possa consolidar-se por um período de dois/três/quatro anos? Porque contrata o FC Porto jogadores de duvidosa qualidade que dispensa meses depois ou um ano depois, andando a suportar salários, quando tem jogadores da cantera que podem ser muito bem boas opções?
Vou dar um ou dois exemplos que são apenas a ponta do iceberg. O FC Porto tem nos quadros e da cantera um defesa esquerdo que já vem a ser falado há uns dois anos. Passa nos juniores, passa na equipa B como titularíssimo e é unânime que está ali um jogador de futuro, com capacidade para integrar a equipa A. Se não para ser titular no imediato, pode ser uma boa alternativa. Falo obviamente de Rafa.
Outro caso. O FC Porto inicia a época com 4 defesas centrais, sendo que o 4º central (Lichnovsky) é recrutado para jogar regularmente na equipa B. Chega Janeiro, Lichnovsky é emprestado e fica uma vaga por preencher. Não é preenchida. Sobram Verdasca e Chidozie, trinco adaptado a central, ambos da equipa B. É esse o caminho? Tudo bem! Janeiro termina e com ele o mercado fecha.
O que acontece a seguir? Maicon é dispensado e colocado noutro clube por um comportamento inaceitável durante um jogo de futebol e por uma atitude jamais admitida num jogador que enverga a camisola deste clube. Errou, é certo! Não pode nem deve envergar novamente a camisola do FC Porto porque demonstrou mesmo não merecer. Mas vamos raciocinar. Fica o plantel com dois defesas-centrais disponíveis e mais dois da equipa B que não têm qualquer experiência, sendo que um deles nem sequer está inscrito nas competições europeias?
Coincidência das coincidências, novo revés na equipa. Marcano lesiona-se antes da viagem a Dortmund e quem está disponível para jogar no eixo da defesa? Apenas Martins Indi. Que grande chatice!
Soluções?
Colocar Verdasca? Não. Recuar Danilo Pereira para defesa-central e abrir um buraco no meio-campo portista ou desviar Miguel Layún da lateral esquerda ou, neste caso, da lateral direita (Maxi castigado) para junto de Indi e perder capacidade ofensiva e assistências para o golo. Que faz José Peseiro? Coloca Layún a central. Conclusão: Verdasca não conta em Dortmund ao contrário de Chidozie na Luz e no Dragão frente ao Moreirense. Ou seja menos um central. Fica o FC Porto a contar no plantel com dois centrais e mais um recurso da equipa B muito verdinho como se viu frente aos verdes de Cónegos. Eu pergunto: É uma boa gestão?
Chidozie e Verdasca são chamados à equipa A (o segundo para fazer número no banco) e Rafa não foi porquê? Tem menos condições?
O que acontece no jogo desta noite? Marcano recupera da lesão e é titular frente ao Dortmund no Dragão e Indi vai para o estaleiro com uma lesão contraída na primeira mão. Novamente o problema a bater à porta. Centrais onde estão? Apenas um. Marcano ocupa uma posição no eixo e Layún volta a sacrificar-se para fazer o outro lugar. O que acontece? O FC Porto frágil e novamente em desvantagem perante um adversário claramente superior.
Alguém sabe responde a tudo isto? Muito sinceramente, vejo no FC Porto o Sporting e o Benfica dos anos 90 e da primeira década de 2000. Anos em que chegámos a vencer campeonatos com 4, 5 e 6 derrotas no campeonato. Tenho muito receio do futuro próximo.
José Peseiro, esta noite, optou por um onze com algumas poupanças (e bem) pois viu que a eliminatória está praticamente perdida e o destino traçado. Então deu prioridade ao jogo do próximo Domingo em Belém. Mas o FC Porto não tem qualidade para se manter na Liga Europa nem para ombrear com outros clubes de dimensão europeia. Mesmo com o seu melhor onze. É actualmente uma equipa muito desequilibrada.
No jogo jogado esta noite, vi alguma entrega, querer e vontade de vencer o jogo pelo menos mas é visível das bancadas a impotência e a incapacidade dos jogadores e da equipa portista. Não chegam para dar respostas e para serem felizes. E depois o azar quando acompanha uma equipa, nada há a fazer.
O FC Porto saiu da Liga Europa com toda a lógica depois de dois jogos em que ficou claro que muito há a fazer no reino do Dragão. Esta noite não mereceria perder o jogo mas a vitória ainda estava muito longe de alcançar. Quando ninguém tem a sagacidade necessária para furar uma linha defensiva que se limitou a fazer o seu papel sem grande esforço, não há hipóteses de sucesso.
Aos 22 minutos, o FC Porto já estava a perder por 1-0. Apesar do golo marcado em fora-de-jogo por Aubameyang, na recarga a uma grande defesa de Casillas, cedo o Dortmund traçou o destino e definiu a eliminatória. Foi o xeque-mate alemão.
O FC Porto, poupando unidades do meio-campo e os extremos, jogou claramente com o pensamento no Belenenses mas José Peseiro tentou uma equipa equilibrada. Só a espaços o FC Porto incomodou os alemães. Evandro teve uma arrancada perto do fim da primeira parte com um remate a rasar o poste e logo a seguir Varela num cabeceamento obriga o guarda-redes contrário à defesa da noite.
Na etapa complementar, o FC Porto teve uma oportunidade por Aboubakar após centro de Marega. Depois Suk num remate de ângulo reduzido permite a defesa do guardião da equipa alemã e Brahimi perto do fim remata estrondosamente à trave.
Pelo lado do Dortmund, os alemães viram dois golos bem anulados por fora de jogo e ainda enviaram uma bola ao poste de Casillas em resposta ao lance na trave de Brahimi.
O FC Porto perdeu bem a eliminatória, não merece nem tem condições de continuar em prova e só tem que pensar muito bem no futuro e no que resta da época.
Domingo regressa o campeonato com a vista do FC Porto ao Restelo e a partir de 6 de Março passará a jogar uma vez por semana. Nessa altura, José Peseiro terá muito tempo para trabalhar com a equipa e talvez melhorar algumas coisas para tentar um final de época de forma a minimizar os estragos.
DECLARAÇÕES
José Peseiro: “A equipa mostrou um grande caráter e abnegação”
Reconhecendo que o Borussia Dortmund mereceu passar no conjunto da eliminatória, José Peseiro considerou que a exibição do FC Porto no jogo da segunda mão justificava outro resultado que não a derrota (0-1), ainda por cima tendo o golo dos germânicos surgido num lance irregular. O treinador dos azuis e brancos destacou a forma como a equipa acreditou e lutou “até ao fim”, não esquecendo o apoio dos adeptos, “que foram fantásticos”.
“Tenho de dar os parabéns à equipa e aos jogadores, que acreditaram até ao fim, tal como os nossos adeptos, que foram fantásticos na forma como nunca deixaram de nos apoiar. Parabéns também ao nosso adversário, que no cômputo geral da eliminatória mereceu passar, mas creio que este jogo éramos nós que merecíamos vencer. Sofremos um golo quando estávamos a dominar, na primeira transição ofensiva deles e ainda por cima em fora de jogo, e isso acabou por perturbar um pouco a equipa, dando maior conforto e tranquilidade ao nosso adversário. O empate talvez fosse um resultado mais justo, mas a vitória também nos assentaria bem por aquilo que fizemos. Merecíamos pelo menos o empate”, afirmou José Peseiro após o desafio com o Borussia Dortmund, no Estádio do Dragão, que ditou o afastamento do FC Porto das competições europeias na presente temporada.
Enaltecendo a “força anímica tremenda” demonstrada pela equipa mesmo em desvantagem, o treinador portista insistiu na injustiça do desfecho com que terminou o segundo duelo entre FC Porto e Borussia Dortmund. “Entrámos muito bem na segunda parte, com uma força anímica tremenda e, mesmo a perder 3-0 na eliminatória, lutámos, quisemos e criámos oportunidades de golo que não conseguimos concretizar. A equipa mostrou um grande caráter e abnegação, tal como os nossos adeptos, que estiveram sempre connosco. Acusámos algum desgaste na parte final e eles criaram-nos mais dificuldades, também porque procurámos chegar rápido ao ataque e por vezes precipitámo-nos. O Borussia Dortmund é uma grande equipa e no conjunto da eliminatória mereceu passar, mas hoje deveríamos ter sido nós a vencer”, prosseguiu José Peseiro.
Garantindo que escolheu os jogadores que entendeu serem “os melhores” para este jogo, o técnico dos Dragões apontou desde já ao desafio que se segue, marcado para domingo, às 19h15, no Estádio do Restelo, frente ao Belenenses. “Temos um plantel com qualidade e escolhi aqueles que entendi serem os melhores para este jogo. Além disso, tínhamos trunfos no banco para lançar. Foi um jogo intenso, no qual nunca nos entregámos e que nos fez gastar muita energia. Agora vamos procurar recuperar e começar a preparar o próximo jogo, que é muito importante na nossa luta no campeonato. Perder nunca é bom e sair desta competição nesta fase também não, mas neste jogo a nossa prestação foi melhor do que o resultado”, finalizou José Peseiro.
ARBITRAGEM
RESUMO DO JOGO