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02 setembro, 2010

Pontapé de saída...

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Como dizia John Lennon, "a vida é o que nos acontecer quando pensamos nela", o que quer dizer muito simplesmente, que não esperava a inclusão no plantel do programa Pontapé de Saída da RTP N.

Depois de 40 “jogos” no limite durante o Mundial de 2010, o impacto criado pelo modelo integração/agregação foi de facto inesperado, de tal forma, que se sentiu de imediato a ”pressão alta”, e se colocou a possibilidade de versões viradas para a luso realidade futebolística, como afinal veio a acontecer, embora com alguma e visível surpresa minha. Muitos de vós, mais do que outras comunidades, conhecem a minha paixão pelo futebol, o que e apesar dos anos de Liga dos Últimos, só deixou de ser surpresa , após o efeito Á Noite o Mundial

Com uma nova página facebook e com a gestão de tempos de antena e a coordenação dos elementos show biz do Pontapé de Saida, e porque não com os deveres de rigor e linhas de orientação que me imponho a mim próprio, fica claro que não posso continuar a emitir opiniões apaixonadas sobre o meu e vosso clube. Tão simples como isto, ou tão complicado como isto: nas funções que desempenho na Liga dos Últimos que regressa esta semana, e com o papel sazonal que tive durante o Á Noite o Mundial, não vi, nem podia ver qualquer impedimento. Com as novas funções , ainda por cima integrado num programa dedicado ao futebol profissional lusitano, tão conflituoso e doentio, vejo muitos impedimentos. Com pena minha, vi-me obrigado a recusar um convite que muito me agradaria aceitar, por parte de um diário desportivo, o que quer dizer que coloco este blogue apaixonado e vibrante ao mesmo nível do que a imprensa desportiva tradicional, e que ao despedir-me hoje da vossa companhia (como analista, não como leitor), estou a demonstrar o respeito que tenho por esta malta e pelo seu trabalho dedicado e “profissional”…

Creio que agora talvez entendam porque desapareci das páginas dos jornais diários e desportivos como comentador ligado ao FCPorto. Acredito que, ser Portista, pelo menos como o meu pai me ensinou, também é isto: saber aceitar o que a vida nos exige, e com essa atitude, seguir em frente, convicto que como ele dizia, para “ganharmos alguma coisa, temos de ser melhores do que os outros umas 10 vezes...”, e nem isso chegava por vezes, como os mais velhos bem sabem...

Até breve!

Álvaro Costa

22 julho, 2010

7 de Agosto

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Confesso: não sou um grande fan dos resultados de pré-epoca, muito menos em epoca pós- Mundial, em tempo de vacas muito magrinhas, e uma esperada letargia de mercado, com sinais amarelos e já alaranjados no que diz respeito à saude financeira de algumas ligas, inflacionadas ao longo da década pelo crescimento (in)sustentavel das redes de cabo e respectivos canais especializados.

Embora atento aos sinais da equipa que tem equipado de amarelos com riscas azuis, para mim tudo começa com a festa de apresentação e com os primeiros 25, que até 31 de Agosto próximo são ainda, relativamente provisórios.

Bruno Alves? se calhar vai ter que se contentar com o dobro do salário, mais as habituais benesses dos petro-euros, e arrumar a vida futura, longe de uma das principais ligas da Europa. O que estou a escrever neste momento, poderá não fazer qualquer sentido daqui a umas horas, mas o palpite é esse: não estou a ver os big 6 (Real, Barça, Chelsea, MU, Inter, Bayern M) a investir num grande jogador, mas já sem grande margem de progressão.

Fucile? se pensarmos que terá custado menos de um milhão de euros, tudo o que vier à rede é mesmo peixe e do bom (!), e ao contrário do que se tornou num facto, desta vez, o jogador foi atrás do Mundial e não o contrário, o que permitiu uma subida do seu valor de mercado, após uma época de pouco brilho interno e externo.

Raul Meireles? poderá ser, e dos três, o que possa encontrar um destino, digamos médio-alto, e integrar-se num campeonato de topo, embora sob a reserva da sua resistência fisica a 50 jogos de alto rendimento, o que uma maior motivação poderá ajudar a superar. Creio que foi isso que lhe faltou na última época, ou talvez mesmo algum desencanto com as apostas aparentemente caras em alguns dos seus companheiros de zona de terreno, pelo menos 2 deles já com guias de marcha sem retorno.

Por falar em rendimento: ia eu a caminhar pelas Caxinas, quando vejo do outro lado da rua, um dos meus herois e um dos simbolos do que era o Porto, do que era sentir a camisola, jogar mais de 14 minutos com a canela aberta: chama-se André, e para mim basta, não preciso de explicar mais nada!

ps - venha daí o dia 7 de Agosto!

pps - no passado mês de Abril, passei algumas horas, e por motivos digamos show biz, à conversa com João Loureiro: fiquei com a impressão que a vingança se iria servir muito fria... como portuense com ligações familiares ao lendário sócio número 1 do clube do Bessa, o ourives Antonio Monteiro, já falecido, fico muito feliz com a possibilidade que se abre de o Boavista voltar ao lugar que merece.

08 julho, 2010

Sexy is back

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Como alguns se deverão recordar, respondi recentemente a uma espécie de inquérito do jornal Record, sobre a próxima época.

Então, as noticias sobre João Moutinho eram ainda um segredo muito bem guardado, e à boa maneira Trotskysta, embrulhado numa ideia que a "bomba" que apesar de tudo já circulava à boca muito pequena, poderia ter origem na Segunda Circular, mas ligeiramente ao lado...

Kléber de quem gosto muito, e tenho um feeling como o outro que irá muito longe, ainda não é jogador do FCPorto, e a minha aposta manté-se, tal como outras que como as vindimas, e os famosos cestos, enquanto não fecharem as inscrições, a pré-epoca não acaba mesmo...

No entanto, e a propósito de uma pergunta sobre o que já se podia detectar de diferente, é obvio que se está a levar esta epoca bem mais a sério e à Porto:

  1. Colocando de lado as manigãncias empresariais, e as especulações, e o negócio em si, já está claro que com James el bandido Rodriguez e Moutinho, o orçamento esticou. O que na época passada não terá permitido a vinda de Pastore, por ser "caro", o que se acredita tinha também a ver com alguma sobranceria ou até excesso de confiança face ao rival. Um Pastore valeri(a) os médios contratados na época passada.


  2. As ambições do ex-responsavel pela área financeira já eram conhecidas, mas a sua saída algo antecipada, poderá também ter a ver com esta estratégia de recuperação de tempo perdido em apostas de risco, que especialistas internacionais definem como o jogador 3 milhões de euros, um totobola que pode "inventar" Cissokhos, mas também pode produzir Predigers...


  3. O mito urbano que o Prof. Jesualdo Ferreira não gostaria de brasileiros em quantidade, ao velho estilo do Mestre e da escola de samba. A bússola parece estar de novo apontada para Vera Cruz e para alem de Walter, é possivel que venha ainda um reforço defensivo sólido. Sem Bruno Alves e com Rolando a não convencer por inteiro, há lugar para mais um, e Stepanov parece-me estar integrado para fazer número nos treinos enquanto não chegam Rolando e eventualmente Bruno Alves. Do Chelsea poderia vir Ricardo Carvalho, apenas e só um desejo meu... ou talvez não...


  4. Finalmente, a presença auto confiante e jovem do novo líder: impressões apenas, e sem bola na rede, fiquemos por elas. Boas e pelo que sei, a confirmar a aposta...


  5. Com um futebol mais sexy e criativo, um público a apoiar desde o inicio, e a voltar a jogar, ele tambem à Porto, e uma comunicação global que saiba vender o espectáculo, e que oriente as energias globais para o que interessa e não no sentido de velhos fantasmas e filmes repetidos numa espécie de canal memória, só temos razões para estarmos confiantes que os erros da época 2009/2010, são já uma recordação a preto e branco.

24 junho, 2010

FCPorto 2010/2011; PARTE 1

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Com o Mundial ao rubro, e com as energias pessoais e profissionais completamente gastas, na produção de um alucinante programa diário de Televisão, não me resta de facto muito combustivel para absorver a pré-epoca do FCPorto.

E sem plantel minimamente formado, entradas e saidas esclarecidas, resta-nos a todos confiar, e aguardar um pouco mais.

Mas, e acaso dos acasos cruzei-me com o Presidente e com o nosso novo Mister, numa festa de São João, à beira Foz do Douro plantada. Nao revelo nenhum segredo particular, nem sequer se trata de uma espécie de primeira mão significativa, a não ser por uma razão e essa sim meramente interpretativa, e ao mesmo tempo, interessante para os tempos duros que se aproximam: ambos e à sua maneira, me pareceram em boa forma, e com um ar de quem tem novos desafios à espera. E permitam-me dizer que achei o Presidente em excelente momento pessoal, agora que as nuvens negras processuais parecem definitivamente afastadas e as sucessivas vitórias legais, um bálsamo para o que aí vem!

Que seja um bom sinal e como o outro diz, um bom feeling.

S. João, S. João!

13 maio, 2010

Comicio à Antas da Costa

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Adeus 2009/2010... chega, basta, venha a próxima época.

Com todo o respeito pelo Desportivo, ainda por cima amplificado pela minha costela transmontana, o jogo de domingo é uma festa e claro, a não ser que existam milagres, magias negras ou brancas, ou um filme de ficção cientifica, venha de lá a Taça de Portugal e mais um troféu para a conta.

Como palavra final, um cliché: não se pode ganhar sempre e ate é capaz de cansar ou pelo menos aburguesar como vimos esta época. O problema neste caso, é como se perde, o que parecendo a mesma coisa e como diz o célebre anúncio, é ligeiramente diferente. Como diferentes serão as opiniões sobre as percentagens respectivas, uma espécie de jogo que proponho:

    a. tuneis e quejandos;
    b. staff, treinador e jogadores.
    c. gerência presidencial e directiva.
    d. alcatruzes das noras, sortes e azares e outras.
Para mim, vão 25% para o item a., 35% para o b., 30% para o c., e 10% para o d., o que quer dizer que, e tentando resumir ao máximo, houve falta de talento, atitude, e competência, e alguma sobranceria, e vá lá, excesso de confiança de quem dirige a estratégia, e claro, o campeonato fora das 4 linhas que este ano também foi ganho pelos nossos arqui-rivais...

Uma palavra para explicar o que quero dizer com a forma como se perde: lembram-se do campeonato ganho pelo espirito do Feher (que Deus o tenha), pelo Estádio do Algarve, mais os livres do Simão Sabrosa, a ratice aprendida na Universidade das Antas pelo Senhor Veiga, mais a competência do velhaco Trap?

Deixou de fazer sentido logo que se percebeu que era uma excepção, e que não tinha significante, mas o mesmo não acontece desta vez, e nem eu precisaria de falar com o que é para mim, o principal responsável pelo êxito do SLB, alguem que sei, respeita e gosta genuinamente do nosso clube, para entender que temos luta e adversário para os próximos anos, e que atitudes burguesas e indulgentes de futuros ex-capitães, grupinhos e mais grupinhos, gestão tipo piloto automático e excesso de zelo de comedores de pipocas e salgadinhos, e assobiadores profissionais, não podem fazer parte da "linha editorial" para a próxima época.

E fans, adeptos, sócios: como disse numa emissão da RTPn , depois do célebre do jogo do Chelsea de Mourinho, que me lembre, esta foi a primeira vez que o Dragão "ganhou" um jogo, regressando para o "bem e para o mal", o espirito das Antas de que tantas vezes falei.

É este o AMBIENTE para 2011...

p.s. - tenho uma enorme estima e admiração pessoal por Jorge Jesus, que recordo ainda como jogador excêntrico, de grande cabeleira e já com enorme atitude. Conheci-o na RTP nos tempos em que treinava o Belenenses, e ja à altura, tive oportunidade de lhe dar, e como se diz na gíria, "moral"; gosto de quem sobe à sua maneira como a canção dos Xutos e Pontapés, e segue o seu rumo, num País onde o direito à diferença é uma miragem. Tal como o Presidente do FCPorto, considero que o mister foi o factor x, numa cirúrgica vitória do SLB; e os elogios de Pinto da Costa não são inocentes: criticam os que não desataram o "nó" interno provocado e no fundo pelo Tetra, exibição de Manchester e vendas de jogadores, alguns deles, há que dizê-lo, "burilados" pelo nosso actual mister, e aplaudem o perfil do treinador campeão, acrescentando mais uns "venenosos" pontos à campanha já em marcha para a sua "exportação" o mais brevemente possivel.

p.p.s. - embora o arranque das crónicas dedicadas à epoca 2010/2011 só arranquem para a semana, os meus espiões concentrados no Bairro da Pasteleira, até já me indicaram a casa do futuro mister; mas como ele, ao melhor estilo das aparições de Fátima, já foi visto em toda a cidade, aguardemos mais uns dias...

29 abril, 2010

Heróis de Maio de 1978

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A profecia barata que o titulo se poderia decidir (formalmente) no Dragon, verificou-se mesmo, criando à volta de um FCPorto vs SLBenfica de final de (malfadada) época, um interesse suplementar por todos e mais alguns motivos que já foram amplamente discutidos. Não há mais a nada a acrescentar da minha parte a não ser que a bola role e bem, e que não seja necessário ligar os mecanismos de rega, como vimos muito "recentemente", num estádio grande, velhinho e histórico.

A poucas horas/dias do embate, sinto-me em estágio: mas atenção, os velhos ditos, que aconteciam de quinta a domingo, alguns deles à frente da minha janela, na Baltazar do Couto, de Vila do Conde. Um dos desportos favoritos dos jogadores do FCPorto da época, era a tentativa de engate de algumas das minhas vizinhas, que pelo que sei, nunca foram coroadas de êxito. Valdemar, Pavão, Atraca e outros, bem mandavam piropos, às escondidas do grande Zé do Boné que e para o delírio da criançada da época, lá aparecia nos jardins circundantes, para alguma partidas e, "magias" de bolso confirmando que nem a feijões, leia-se às cartas, ou a jogos lúdicos gostava de perder... os antigos deste local de "cumbibio" digital, pelos nomes que escolhi mais a referência ao Mestre, captam que se trata da histórica época de 1968/1969, a que ditou a sua "expulsão" do clube, e a perca do título a 3 jornadas do fim: os 2 pontos de avanço, transformaram-se num ponto de atraso, após os bizarros jogos caseiros com o União de Tomar e com a Académica, para depois tudo ficar selado com o empate a 0 na Luz, já sem Pedroto no banco e com uma invasão de cerca de 20.000 portistas que não chegou para, e após mais uma trapalhada (a repetição do Sanjoanense-Benfica), vencer o título que já escapava há 10 anos, aos quais se juntaram mais 8, como todos bem sabem..



Era onde queria chegar, ao meu Porto-Benfica de sempre. O de 1978. O dos 80.000 em oração, em comunhão, em delírio, unidos num grito de revolta que nunca mais escutei, fosse onde fosse, mesmo nos grandes concertos de rock e pop a que tenho assistido por esse mundo fora. Era Maio, mais um Maio maduro como diz o poeta. O calor era febril, o céu azul e mais azul, azul que ia desbotando à medida que o relógio avançava para o ponto final: Shéu ganha uma bola a meio campo, abre para Diamantino (o louro, não o de Sarilhos Pequenos) que, e na, linguagem actual, assiste em diagonal para o espaço vazio, que Humberto Coelho ocupa; como um autêntico comboio, em linha recta, o Homem de Ramalde, dirige-se para a "estação" de Campanha, leia-se para as redes defendidas pelo Fonseca...

Creio que o "Tribunal" inteiro ocupou as redes, e que se fizeram magias, e se rogaram pragas durante os infernais segundos que nos condenavam a mais uma desgraça. Da minha parte, apertado à saída de um dos Túneis de acesso, fiz o que pude: chamei-lhe todos os nomes, fechei os olhos, implorei a Deus e ao Diabo e devo ter mandado o bom do Humberto um milhão de vezes para o c******... tudo, francamente tudo o que coube nos segundos que pareciam minutos, à beira do precipício. Uma vez mais...

Isolado, Humberto prepara o tiro de misericórdia, tal e qual um carrasco de Louis XIV: milagrosamente, até porque o número 3 raramente falhava em momentos como este, mas desta vez a bola embateu na base da trave, saltou para o coração da pequena área onde apareceu o Enorme Rodolfo: não sei ainda hoje como foi possível, e o próprio capitão ainda não me conseguiu explicar como resolveu um lance que parecia "infernal"; quem sabe levará o segredo para a eternidade, ou e mais provavelmente, como todos os outros 80.000 não faz a mínima ideia como foi possível um milagre deste quilate, e desculpem-me os católicos a semi blasfémia, de recorte Mariano, no seu respectivo mês...



Só sei que uns minutos depois, o golo de Ademir, alterou a História, e como Portistas, as nossas vidas. 22 anos depois, um outro Maio, um outro FCPorto vs SLBenfica, talvez menos importante, mas não menos simbólico. Lembrei-me desta história e dos 80.025 heróis dessa tarde, e ainda do repenicado beijo que dei num policia que era quem estava ao lado naquele minuto 83. Em respeito por eles, não estou a ver o nosso adversário a celebrar o que quer que seja em território sagrado. Que o façam na sua casa: nada contra, com ou sem túneis, respeitemos os campeões, algo que pequenamente não têm feito, mas na nossa casa... NÃO!!

p.s. Momentos de vida de um simples Portista como eu, dedicados à memoria do meu Pai.

15 abril, 2010

Contas à moda do (FC) Porto

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Para já, muitos parabéns ao Desportivo de Chaves. A minha costela transmontana assim o obriga, mas igualmente a forma como o team se concentrou para concretizar um sonho, arriscando em troca uma eventual descida de divisão...

E ainda por cima, afastando a equipa que menos condições tem para integrar uma prova de topo europeu: nada contra ninguém, muito menos contra a sempre bela e burguesa Figueira da Foz, mas num outro patamar, onde o acesso a uma prova de elite incluísse cadernos de encargos como audiência, instalações desportivas, etc, a simpática e abandonada Naval não poderia competir.

E agora, a primeira dúvida de mais um comício deste vosso amigo: vamos voltar à semântica estádio de Oeiras? vamos requestionar o local (tradicional) da final? seria necessário um contraditório e escutar a opinião dos flavienses, e saber se levariam os pastéis e restantes papinhas para as matas adjacentes?

Ontem ao ler os jornais desportivos, onde o faço habitualmente, perto da bela igreja de Cristo Rei, na lendária casa Bacelar, lembrei-me da conferência de Mourinho em 2002: “para o ano vamos ser campeões!” a quente e ainda sobre os despojos dos Kaviedes, Pizzi, Esnaider , Pavlin, Soderstrom, entre outros... e acreditem, nada tinha a ver com 8 anos depois, Mourinho ser uma personagem da Disney ou fazer, a tempo e horas, as pazes, com o pensador argentino Valdano, e ser indiscutivelmente uma das celebridades mais famosas do planeta.

Tem simplesmente a ver com uma interessante nota de comentário de Antonio Jose Saraiva no Record, e a utilização digamos excessiva , mas hiperbólica ou mesmo delirante da dicotomia Pinto da Costa - Pedroto, com a eventual, próxima futura Vieira - Jesus: mais do que a ampla liberdade, ou até e aparentemente a alucinação provocada pela tromba de água lisboeta, leituras tácticas muito interessantes, lá entre linhas ou à frente delas.

Isto é: como diz o poeta, uma andorinha não faz a Primavera, o que e traduzindo quer dizer, uma vitoria pode não durar mais do que uma época: assim foi em 2005, e uma vitória não fez mais do que o confirmar; no entanto e neste caso até pelo poder político/ mediático/ financeiro do complexo " industrial/ militar"( parece um filme do Oliver Stone) do sistema SLB, nunca fiar e muito menos comparar esta andorinha 2010 com a prima de 2005. Em breve, vão provar do nosso veneno, isto é vender os 3 ases, e recomeçar de novo, mas e no entanto, mãos à obra, arregaçar as mangas, menos "pipocas" no Dragon, isto da nossa parte... em relação à parte dos senhores que mandam, haverá tempo para começar a reflectir, já na próxima semana.



PARTE II

Para terminar, fiz contas e mais contas, e Deus queira que não, mas pode acontecer um golpe de Opera Bufa: o SLB, celebrar definitivamente o seu titulo no nosso Lar... ou talvez não, se a equipa do Special 3, e o nosso Bicho ajudarem nos próximos jogos. Pessoalmente, sei que o eterno número 2, é danado para a brincadeira, e que como nem quer a coisa, já lhe disse que é um feeling meu, com golos do Ukra e do Castro... mas somente a ideia de o próximo DERBY poder vir a ser matematicamente o jogo do titulo (deles) me faz pensar e à distancia de 3 semanas, regressar imediatamente a Los Angeles! Falta ainda acrescentar que o FCP poderá e ainda adiar para o último jogo na Luz, a festa (deles), com coiratos e as outras iguarias que eles gostam... do mal, o menos: tudo, menos celebrarem o título na nossa casa.

E segundo, a dança dos treinadores: referi claro e em avanço total num comment que fiz aqui, a 3 de Abril, o nome de Mano Menezes. Tinha as minhas fontes, o que não queria dizer mais do que isso, um nome citado. A seguir, surgiram noticias digamos na imprensa tradicional, às quais sou alheio, até porque se tivesse certeza absoluta, e isso não prejudicasse os superiores interesses do clube, não hesitaria em o ter revelado. Continuo a pensar que seria uma solução interessante face a algumas das características da próxima época: um velhinho familiar disse-me que Menezes lhe recorda Yustrich em estilo actual; com o apoio leal de alguém de "dentro", e se trouxesse o Dentinho no bolso, podíamos ter algum bombo, mas muito mais violino; quanto à peta de 1 de Abril: agora é que são elas, alguém me confirmou pelo menos a indagação de moradias para um treinador para o FCPorto, muito perto da minha zona de residência: juntei Paulo Bento e pronto, fez-se uma história de ficções e realidades… venha quem vier, que se prepare.

A Guerra já vai começar....!

01 abril, 2010

Sinais de fumo na TV

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foi uma verdadeira terça feira europeia, champions league do futebol falado, woodstock de estudio; vou ser sincero: prefiro as "outras" noites europeias , e o cheiro (fresco) do relvado, mas e como tantos de nós, lá estive no "peão" digital, até porque aceitei o convite do jornal Record para dar uma opinião sobre um dos " jogos", concretamente o que mais nos interessava.

ou talvez não, até porque diz-se por ai, que convém ter os amigos bem perto, mas e prudentemente, ter os inimigos ainda mais.

não, não vou perder mais tempo com as questões jurídicas, as doutas opiniões de quem sabe da matéria, ou provavelmente não, a que posso acrescentar às especulaçoes sobre o pós-túnel, e o que esta eépoca poderia ter sido, até porque ainda nao terminou; apesar da compreensivel diplomacia presidencial para com o sp braga, o facto é que basta um empate e uma derrota dos nossos adversários, para ainda se chegar ao essencial: poder entrar na champions 2010/11.

estou à vontade para o dizer: comunicar pode ser uma ciência do detalhe, ou um equilibrio indefinivel entre o que se diz e a forma como se o diz, e claro, sem relação com a expressão aplicada aos movimentos no relvado, as chamadas entrelinhas, leitura táctica em que jnpc é mais do que mestre diplomado.

  1. deixando de lado, a "tunologia", ciência aplicada que é tao velha como o próprio futebol, e que pelo menos este ano teve, e segundo o líder, apreciáveis melhorias "técnicas" lá para os lados da luz, foi bem mais interessante a referência a jorge jesus, em especial e terá passado despercebido a muitos a ideia, que foi a empatia e entusiasmo criados entre o " bruxo" da amadora e o público, mais do que questões táctico/técnicas, que estiveram na base da segunda melhoria do nosso eterno adversário: a importância desta referência torna-se mais clara quando uns minutos mais tarde marca um "golo" ao recordar que jesualdo nunca caiu em graça, apesar das vitórias, fazendo ainda a "assistência" a si próprio ao dizer que são as equipas que puxam pelos adeptos e nao o contrário... a cada um, a sua interpretaçao, mas a minha é e presumo a de todos: ao falar de jesus, estava e com precisão cirurgica e fria como o aço, a definir por contraste nunca assumido verbalmente, o que pensa do seu actual mister, e particularmente desta época.


  2. retirando estrategicamente meritos à epoca do slb, nao deixa de e na altura certa, de revelar o que pensa desta equipa, ao usar cirurgicamente as expressões "sangue novo" e " mais garra", e anunciando subtilmente alterações de fundo, e apostas no lançamento de novos líderes de balneário como falcao, alvaro pereira, varela e ruben micael, e o fim de linha para o "sangue velho", isto é, bruno e raúl, e ao mesmo tempo e por ausência, criticando os valeris e belluschis desta época, e dando a entender que são os ukras, castros, sérgios oliveiras, diogos e outros, e quem sabe uns "izmailovs" a formar a base do novo fcp 2010/2011.


  3. mas ainda mais importante é o anúncio ao estilo mourinho 2002, que para o ano é para ganhar de novo, dentro e fora, como fez questão de anunciar de uma forma subtil mas efectiva nos sinais de fumo guerreiros que indicam, que a indulgência, desleixo e vá lá algum excesso de confiança na abordagem do "inimigo", já lá vai... ou seja, está desenterrado o machado de "guerra", a que se junta mais um dos sonhos/objectivos com que costuma embrulhar esta declarações, e justificar mais uma re-eleição: neste caso, o muito anunciado e necessário museu do clube, ainda por concretizar.


  4. o que nos leva desde já a apreender o perfil do próximo mister, e a não ser que haja um trunfo na manga, um ás de copas, estilo "roubar" jesus ao benfica (nao se riam, embora seja semana do 1 de abril...), ou um estrangeiro a passar "férias " no dubai, mas que a começar por alguns ex-jogadores que agora ocupam cargos directivos e técnicos, seria sempre uma aposta de risco, apesar de conhecer bem as estradas para espinho e para o golfe, esse perfil corresponde a um cidadão portugues, nascido em lisboa a 20 de junho de 1969, e que segundo um vizinho meu sempre bem informado, já teria com algum secretismo procurado casa lá para as minhas bandas...
ac

17 março, 2010

Taça da quê?

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Apresento-me: sou do tempo em que uma vitória num torneio júnior de Limoges, era justificação para uma ida a São Bento para uma demonstraçao de Portismo; sei que o meu Pai esteve lá, como eu, já puto reguila, estive na tórrida tarde de Verão em que o FCPorto ganhou o seu único troféu nacional da década de 60: a Taça de Portugal de 1967, frente ao então poderoso, Vitória de Setubal. Tinha 7 anos, e foram precisos mais 11 épocas, para que, e finalmente, se quebrasse o enguiço, a maldição, e tudo o mais que fui ouvindo em rodas de amigos, família, ou mesmo nas "Antas". Estou, portanto, apresentando, e chamo-me Álvaro Costa.

E digo-vos que, ironias à parte, para quem, como quase todos nós, se esteve a borrifar para a Taça da Liga, a que alguns chamam de Lucilio ou Herminio, pessoalmente não quero saber da final de Loulé, até porque não gostaria de repetir agora em tons azuis e brancos, as provincianas e delirantes manifestações de alegria bacoca, que embrulharam a vitória dos nossos rivais no ano passado.

Ao revê-las, quase por acaso, pensei cá com os meus botoes: estes gajos... só faltou ver o Presidente Vieira em cuecas no balneário do futsal... e foi aí que se fez luz: já andam a fazer desta final, coisas que não cabem no nosso ADN, como salvações de época, honra para o futuro ex-mister, tira-teimas da derrota no túnel , melhor vitória nos pontapés no "adversário", e quejandos que apenas valorizam tudo o que de mau se passou, e que isso sim, só se combate com uma profunda reflexão a fazer, do Presidente ao mais humilde dos adeptos, "obrigação" que tambem passará, e em breve, por esta coluna.

A malfadada época 2009/2010, nao se recupera com Taças da Liga, e vitórias de pirro sobre os eventuais novos campeões, cuja atitude perante o jogo será certamente influenciada pela partida do Velódrome, ou então pela "loucura" por vezes cinematográfica do Jorge Jesus, que bem conheço, e que a esta hora, ja estará a pensar como nos fará "sofrer", citando o que me disse há tempos... o cenário está montado para se fazer desta final, algo a que devemos estar atentos: como tetracampeões, e donos do melhor currículo deste século e do final do anterior, não podemos cair em ratoeiras de clube esfomeado e provinciano.

E o que eu faria, técnico de bancada diplomado, seria enviar a equipa que se passeou, assinalemos com pouco brilho , mas que chegou com todo o merito à final da competiçao, deixando no banco para o que desse e viesse, alguns dos chamados titulares, que gostei de ver abraçados no final do jogo de Coimbra, e a demonstrar a união que raramente vimos durante a época, e não apenas no relvado.

A resposta para o ambiente que querem fazer à volta de uma final tão modesta é, recorda-me Maria Antoinette, que e quando o rei ja estaria sem cabeça, dizia para o povo faminto: "deixem-nos comer umas migalhitas de vez em quando"...

ps - tenho consciência de um outro campeonato, o dos troféus, e mais um seria bem vindo, mas apenas isso...

21 dezembro, 2009

Detesto perder com o Benfica

Melhor: não consigo perder com o Benfica. Traumas de outros tempos, aqueles que o Américo Lopes, referiu no vosso jantar? Pois, concerteza. O trauma de regressar aos medos, papões, e que tais, o ”inferno” (parece que as leis de segurança não se aplicam às claques dos nossos rivais…), e pior de regressar às vitorias morais, dos tempos em que o Lemos, marcava 4 golos, vínhamos todos para a baixa e no final do campeonato, ganhavam “eles”. Longe disso, apenas e somente um pesadelo de infância, até porque convenhamos ainda estão perto de 50 pontos em disputa.

O que não quer dizer que se estranha declarações do estilo, e passo a citar, “lição para os mais novos, instabilidade emocional, falta de inteligência…”, um clipe dos pensamentos do nosso mister, que pelo vistos e perdoem me a franqueza, eu que até publicamente o tenho defendido, não se libertou, ele sim de fantasmas de outros tempos.

Não sei quem são os “mais novos”. Presumo, que sejam o Sérgio Oliveira, o Yero, o Engin, o Dias, o Ukra, o Castro, porque Falcao não deve ser: habituado aos escaldantes River vs Boca, não ia tremer com uma fotócopia já amarelecida do ambiente desse dérbi; que a bola não lhe chega ou seja presumível que não chegue, aí já estamos noutro campo que não a aprendizagem, até pelo que vimos, o R9F é guloso por balizas, mesmo que sejam as nossas; a expressão aplica-se ao Hulk? Pelo que vemos continua a ser um jovem, isto é uma criança grande, parecida com o meu amigo Lixandre que na nossa infância, já que ele era o dono da bola, decidia jogar sozinho: chegou mesmo a decidir que marcar na própria baliza contava a favor! Pudera, a bola era dele. Também é do Givanildo que é capaz de fazer um sprint de 30 metros, estilo “Aníbal Comboio”, o famoso e irradiado jogador do Rio Ave e passar a bola quando os amiguinhos Falcão e Rodriguez já estão 30 metros fora de jogo. Seria o Guarin o mais novo? Já o era sempre que perdemos: no Arsenal, no Chelsea, em Braga… mas o Hulk já tem 2 anos de alta-roda. Não chega? Pois, parece que não.

Instabilidade emocional? De quem, dos que como o Varela ficam no banco, sem que se perceba? Afinal de quem é a instabilidade emocional ou o medo, ou outra coisa qualquer? Ou seria do Fucile que levou com o “bluff” Urreta, inventado pelo novo JJ, escultor de uma forma estranha de falar português, mas alguém que anda à chuva, que se molha e que pelo menos parece ser de um planeta de emoções, as tais emoções sem emoção alguma com que o nosso bem-falante mister abordou um jogo tão importante como este. Claro que Urreta ou Viscaya para o Hulk isso é samba. Para o Garrinhcha eram todos Josés, para o nosso artista nem existem, são tão invisíveis como o José Zhirkov ou o José Malouda

Seria fácil ser desonesto e “bitaitar” facilmente sobre o leite derramado: afinal, temos 3 títulos seguidos, 3 novas esquipas, milhões no banco, mas uma pergunta simples, objectiva e honesta: algum dia, a não ser em meia dúzia de jogos facilmente assinaláveis, será que algum dia nos entusiasmamos com o style? Será que o ambiente que se vive no Dragão, que já critiquei varias vezes não se deve igualmente a uma saturação de estilo de estar, de ser, que nada tem a ver com competência, savoir faire, capacidade técnica e currículo, do mister? São os tais ciclos ou a vida como diria o outro. Perdoem o desabafo, mas ontem, ingratidão à parte, por quem esteve à frente do nosso clube em momentos tão difíceis da sua história, e azia provocada por a derrota que mais mexe comigo à parte, senti que chegou um ciclo ao fim, e que o tempo dirá se tenho ou não razão, este prolongamento justo e humano, não será o chamado erro de casting…

Álvaro Costa

P.S.1. Todos percebemos o que o Presidente quis dizer sobre o plantel e o elogio que por omissão à crítica directa aos adversários, se faz à sua gestão. De acordo, mas este plantel , equilibrado e variado talvez tenha um “piqueno” problema: precisa de um outro sistema, um que encaixe um número 10, ou se quisermos um 9 e meio; e se, e vamos acreditar ,que os 2 anos são para cumprir, há que encontrar e rapidamente um Lucho e um Lisandro, para que as duas épocas tragam vitorias. Mas vamos acreditar Gente! Bom Natal.

P.S.2. Na quinta-feira passada desejei um bom natal irónico ao Sr. Baptista. E desejei mais ironicamente que deixasse saudades e aproveitasse bem a prenda do Pai Natal dos árbitros. Disse no record, que apenas podia publicar umas linhas; que a segunda parte teria tido uns 20 m de jogo útil e falei, sem espaço para publicação em circo, truques mais velhos do que a Sé de Braga e as habilidades do artista convidado. Caros, os jogos inclinados ganham se com os detalhes, e não com os erros grosseiros.

06 abril, 2009

Não há duas, sem três...

A pedido de um dos nossos leitores (VIP) muito especial, Álvaro Costa, profissional da TV e rádio, tanto na Liga dos Últimos e Antena 3, respectivamente, publicamos com imenso prazer mais um «desabafo» que nos foi endereçado via e-mail e terminado de redigir quando batiam já as 3h35 da madrugada, deste último sábado, dia 04 Abril de 2009:
    (Não) era uma manha como as outras. Era Abril de 1984. Cimbalinos e bagaços aviados no bar da Faculdade de Letras, aulas ignoradas: "vamos até lá!", virei-me decidido para o meu amigo Leal, o feliz proprietário de uma 4L branca estimada e mais do que isso, muito útil para as actividades "extra curriculares" dos estudantes universitários da época... e "lá", era a aerogare de Pedras Rubras, o lendário apeadeiro internacional, aparentemente transformada, e segundo as notícias que corriam rápido, numa espécie de campanha dos céus, incapaz de suster o entusiasmo febril dos milhares de Portistas que a invadiam freneticamente

    Já não sei onde estacionamos a carripana, mas lembrei-me de Woodstock e dos hippies a caminhar na estrada, transformada em parque de estacionamento psicadélico, mas sei que, e como multidão enlouquecida, invadimos a pista da aerogare, como se os nossos ídolos e heróis pudessem conseguir mais um milagre: aterrar no nosso meio e acenar das janelas do Boeing "azul e branco" que, e segundo os bitaiteiros mais bem informados, estaria em todos os pontos possíveis e imaginários dos céus da Europa, menos onde deveria estar: próxima do espaço aéreo nacional!!!

    Em Setembro de 1983, o panorama era mais ou menos, o do costume. Evitar a eliminação à primeira ou segunda, e acreditar que tragédias gregas ao estilo das ocorridas contra o Anderlecht ou o Hamburgo não se repetissem, e os habituais juízes do leste europeu, temidos pela sua "simpatia" por marcos, dólares ou libras, ou então uns casacos de pele, uma meninas ou meninos conforme as preferências, um cenário Circo Chen, que os veteranos das campanhas europeias da época já conheciam de côr e salteado.

    Por 3 minutos, a maldição não se cumpriu, e somente por "protecção divina", não refracturei o braço que tinha ao peito: Gomes, ao estilo Muller das Antas, enfiava a bola no buraco dos então jugoslavos do Dynamo de Zagreb, após mais uma daquelas teias tecidas pelo "brujo" Frasco que deixou os matulões todos torcidos e fora da europa; com os mesmos resultados e drama semelhante, foi a vez dos poderosos Rangers de Glasgow fecharem a loja: Jacques no ruidoso Ibrox, fazia o 1-2, que, e após uma das noites made in Antas de mais sacrifício que algum dia terei visto, seria ultrapassado com mais uma preciosa bola a zero

    Lembro a data sem ajudas, porque a mesma marcou um dos grandes alicerces da minha carreira profissional: ainda hesitei e estive para não aceitar o convite, o primeiro da RTP, para participar como convidado no novo talk show da Ivone Ferreira que se estreava nessa noite de 07 de Março: tudo se devia à tal movida portuense dos anos 80, a uma reportagem de João Gobern no Jornal das 7 e ao empreendedorismo pop do outro convidado: João Loureiro, esse mesmo, então mais rock and roll e activista da viragem cultural do Porto dos anos 80. Entrei no estúdio, com 0-2, mas saí da porta do estúdio, que ainda hoje existe e onde se fazem os programas desportivos da RTP N, com 3-2, perante os coriáceos e "chatos" mineiros do Shaktior, resultado "perigoso", controlado na Ucrânia pela sagacidade do very british, Mike Walsh, e uma "daquelas" noites do saudoso Zé Beto...

    De todos os jogos internacionais que vi nas Antas (calculo que, exceptuando os 4-0 nas Antas contra o Manchester, que não vi por castigo paternal, deva ter visto quase todos até finais de 80). Destaco 5: os 4 a 1 à Lazio; os 2-1 (super injustos e cruéis) frente a uma das melhores equipas de todos os tempos, o Dymano de Kyev de Lobanovski, os 4-1 ao AEK, após 1-6 na Grécia, e ainda 0-1 ao intervalo, transformados em 4-1, que chegariam aos 6, se o jogo durasse mais uns 5 minutos, e ainda a portentosa e nem sempre lembrada exibição contra o Aberdeen, então cheia de internacionais como por exemplo, Strachan, detentora de troféus internacionais e por via do dinheiro petrolífero que começava a jorrar, a tornar-se num grande da Europa.

    Recordo-me claramente na forma como os escoceses e o seu jovem técnico, já se viam na final de Basileia e já citavam a vechia mas nem sempre impoluta signora, a Juventus, como o alvo a abater: parece que o baile das Antas, não chegou para os ensinar, e era ler nas entrelinhas, que a minha educação britânica aprendia facilmente, o excesso de confiança, e a ideia que agora a música do baile seria dominada pelas gaitas de foles.

    Ainda hoje devem estar a pensar na magia criada por Vermelhinho; nas chicuelinas de Frasco; nas muralhas fernandinas criadas por Eurico, Lima Pereira, João Pinto e Inácio, enfim, numa espantosa, personalizada e imponente equipa, cujo ADN se começou a formar como me contou, nos momentos de "balneário" pós gravação da Liga dos Últimos, o encantador de histórias que se chama, Hernâni Gonçalves, no primeiro dia em que o Senhor José Maria Pedroto chegou ao departamento de futebol e iniciou a revolução que ainda hoje perdura.

    Mas, e acreditem para além do Leal e da sua 4L, da viagem para Pedras Rubras, da multidão em delírio, da chegada da equipa, 12 horas depois da hora prevista em autocarro fretado em Lisboa, das cores que brotavam em todos os cantos da (nossa) cidade sépia, dedico, e no momento em que escrevo esta singela crónica (3h21 da madrugada de 4 de Abril), estas palavras a 3 figuras:

    - à memoria do malogrado Zé beto, que acredito não mais ter recuperado integralmente das peripécias da final batoteira de Basileia, orquestrada pelo Adolfo (Prokop) e ganha pela Juventus do arauto da verdade, o Senhor Platini, que e tenho fé, seja obrigado a entregar-nos as medalhas em Roma;

    - à memoria do meu Pai, destroçado nessa noite, mas que ainda viveu o suficiente para celebrar Viena;

    - e finalmente, ao personagem que em grande parte, inspirou esta história. E quem é essa personagem? Tem um currículo rico, embora não tão "dourado" como os meios que sempre teve à sua disposição o exigiriam; tenta ser especialista em mind-games, mas um bom pique mental, pode chegar para o deixar para trás; esse mesmo, o que foi afastado pela equipa que comprava títulos no supermercado: Sir Alex Ferguson, o mesmo que há 25 anos, sentado no banco de um clube escocês chamado Aberdeen, seja por soberba, estilo, táctica psicológica, ou por acreditar mesmo no Pai Natal dos sorteios, pensou estar a comer um tenrinho cordeiro natalício antecipado.

    Como diz o povo, não há duas sem três: haja alguém que lhe lembre Abril de 1984 e Março de 2004: por agora, Sir Alex Ferguson 1-2 FC Porto!!!

    PS - “bamos” a eles que nem “tarzões”, como dizia o outro!

03 novembro, 2008

Sou do tempo...

Entrei no Estádio das Antas, pela mão do meu Pai, a quem devo a paixão pelo Futebol e pelo meu Clube.

Sou do tempo em que uma vitória no torneio de juniores de Limoges, os 4 golos do Lemos, ao SLB, que vi da pista de ciclismo, ou a conquista da Taça de Portugal de 1967, eram os poucos motivos de festa

Sou do tempo em que cada nova época, era mais uma esperança de tom azul, que e invariavelmente, se tornava cinzento, uns meses mais tarde: o mesmo tom que cobria a tragédia grega ocorrida a 16 de Dezembro de 1973, aos 13 minutos da jornada 13, tarde de silêncio sepulcral, de comunhão perante a morte de um artista, o meu ídolo de infância, Fernando Pascoal das Neves, Pavão.

Sou do tempo dos roubos de igreja, catedral, dos campos inclinados, ou e porque não dos “suicídios colectivos” como o que se verificou na famosa época de 68/69, que poderia ter antecipado numa década, o inicio da “revolução”, que e no entanto viria a ocorrer numa das tardes mais alucinadas, espirituais e de celebração de identidade e expressão: a que mudou o futebol português a 8 minutos do final do épico FCP vs SLB de Maio de 1978, cuja (minha) história já contei por varias vezes…

Sou desse tempo e dos seguintes, que culminaram nas “impossíveis” vitórias europeias, e na transformação de um “pequeno” clube de uma cidade periférica, num dos grandes clubes da Europa e do mundo. Sejamos claros: numa cidade com a dimensão, demografia e massa critica como a do Porto, existir um clube com a dimensão do nosso, é ou seria, partindo apenas de realidades económicas e sociais, uma quase impossibilidade, mas se existe um clube assim na cidade do Porto e não colocando em causa a quase sobre humana contribuição de Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, e a estratégia a la Maquiavel e o Príncipe de José Maria Pedroto, por vezes sub dimensionado na sua gigantesca contribuição para o FCP de hoje, se esse clube existe numa cidade como a do Porto, é porque existe um espírito, uma forma de estar, um ADN mental, e uma força colectiva que o possibilitaram…

Em crónica recente, escrita e lida aos microfones da Antena 3, onde colaboro, sugeria com evidente ironia, e após a estrondosa derrota de Londres, que os jogadores actuais, deveriam ser obrigados a ver pelo menos durante 24 horas, e ao estilo do filme Laranja Mecânica, vídeos dos grandes momentos do clube que representam: a final de Basileia, ganha pelo “honesto” Platini, a mesma que e possivelmente destruiu a carreira do meu vizinho montado num cavalo branco, Zé Beto; o João Pinto e a Taça dos Campeões de Viena; a cidade em festa nessa noite, em que me esqueci por completo da minha namorada de então; os joelhos do Jorge costa; os pés dos heróis de Tóquio, quase congelados, uma das grandes manifestações de ser FC PORTO, noite de Dezembro de 1988, que acabou de manhã num muro da velha 109, perto da Granja, onde me despistei (por uma boa causa) e tantos outros momentos, que deixo à vossa consideração preencher…

Não vou atirar mais achas para a fogueira, isto é, não vou acrescentar mais nada ao que se tem dito: que as contratações são bizarras, ou pelo menos “azaradas”, e que os especialistas da matéria que aconselham, decidem, fecham os negócios respectivos não parecem ser muito talentosos; que o Prof. Jesualdo Ferreira parece aquele lendário ministro da informação do Iraque; que o presidente da SAD e do clube, focado dezenas de vezes pela realização da Sporttv, parecia estar a ver um filme de terror no fantasporto; que os jogadores não estão “cá”, ou estão “lá”, ou em lado algum…

Só escrevi para desabafar, e dizer o seguinte: se o meu querido Pai, pudesse voltar ao mundo dos vivos, certamente não reconheceria o seu Clube.

E como ps, independentemente do business do futebol, dos cargos, das mordomias (justas ou não, os resultados são os únicos árbitros, e as vitorias recentes o poderão justificar) dos S.inais, A.ctuais D.esportivos, é a alma, é o espírito do FC Porto que urge recuperar antes que seja tarde.

ÁLVARO COSTA; Liga dos Últimos e Antena3

# «desabafo» enviado via email para publicação.

25 julho, 2008

«Liga dos Últimos» em directo no BiBó PoRtO

Respondendo ao desafio do nosso leitor "Oporto", consegui contactar esse ilustre Portista de nome Álvaro Costa, locutor da Antena 3 (programa «bons rapazes») e apresentador do programa da RTP «Liga dos últimos» onde neste último beneficia dos «bitaites» do nosso bem conhecido Hernâni Gonçalves.

Álvaro Costa tem já uma carreira muito diversificada no que respeita à Rádio e TV e não só em Portugal pois chegou a trabalhar para a BBC e Music Box em Londres. Natural de Vila do Conde (até que enfim, consegui entrevistar um meu conterrâneo), onde ainda tem casa, é com muito gosto que publico esta entrevista onde este Portista convicto nos abre o seu livro de memórias.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

- Desde quando surgiu essa sua paixão pelo F.C. Porto?

Antes de nascer, já era Portista. O meu falecido pai, levou-me às Antas, para aí com 3 anos de idade. E ainda menino conheci jogadores como o Américo, Francisco Baptista, Pavão, entre outros, que o meu pai, Artur Costa, conhecia. A maioria deles frequentava o mítico Café Mucaba, em VN Gaia, e na altura eu morava ali perto.

Nunca o revelei antes, mas o meu Tio António Frade da Costa, radicado no Lobito, era um dos responsáveis, juntamente com os irmãos Ruben, pela vinda de jogadores como o Seninho, Malagueta, Chico Gordo, Ricardo, os irmãos Helder e Rui Ernesto, Freitas entre outros... portanto, desde a mais tenra infância que fui "educado".

- Qual a personagem do futebol Português que classificaria ao nível do «Capitão Moura»?

Honesto, justo, "coirente" e leal? Só ele, o herói de todos nós, o agora promovido a Coronel, pelo prof. Hernâni, Coronel Moura!

- O Álvaro vê-se de alguma forma a desempenhar no futuro um cargo no FC Porto?

Boa pergunta... e a resposta é sim.

- Qual a sua opinião sobre a frieza e indiferença com que Rui Rio trata o FC Porto? Sendo o FC Porto um dos maiores vectores de afirmação da Cidade Invicta não há aqui uma ingratidão absoluta?

Em 2009, talvez seja possível entender a estratégia num contexto mais amplo. Mas recordo que essa postura não se iniciou com a sua (legitima), embora triste vitória eleitoral. Tenho dúvidas que o Sr. Dr. Rui Rio goste sequer da cidade que dirige. Possivelmente, gostaria de a transferir por completo para Viana do Castelo.

- Como são as horas seguintes do Álvaro Costa depois de uma derrota num jogo importante? E durante os seus compromissos na Rádio e na TV, como procura seguir as novidades dos jogos do FC Porto?

Já fui pior, mas era do género de dar pontapés em tudo o que me aparecia pela frente, ou não falar com ninguém vários dias. Uma das derrotas mais marcantes foi a que ocorreu nos anos 70 com o famigerado Schalke 04. Depois do 2-2 na Luz (as Antas tinham sido interditadas devido a incidentes com outra besta negra, o Hamburgo), o FC Porto de Pedroto a ganhar por 2-0 a 15 minutos do fim, acabou por perder por 3-2... ainda me lembro onde e como escutei o relato: num velho BASF, que creio ainda tenho na minha casa de Vila do Conde.

Em 1979, numa noite de Outubro, viajava num comboio nocturno entre Genebra e Paris. E apesar das boas companhias, mal cheguei a Gare du Nord, corri Seca e Meca, para encontrar o L' Equipe, para saber o resultado do Milan 0-1 FC Porto. Uma outra vez, percorri dezenas de milhas para encontrar um exemplar de A Bola em Los Angeles. Curiosamente, um outro Milan-FC Porto, desta vez com o resultado de 3-0 para os Italianos...

- Concorda comigo quando digo que a Comunicação Social tem encetado nos últimos tempos uma perseguição ao FC Porto e ao seu Presidente como nunca havíamos assistido? Quais os verdadeiros interesses desta gente?

As vitórias incomodam e colocam em causa o antigo clube do País, o que ia às finais europeias em 60. E basta ver, e aliás muito bem, uma série como o «Conta-me como foi», para o entender, tal como eu, que tenho agora 48 anos, posso confirmar, o que eram os campos inclinados, o Eusébio, a inventar livres e um pouco mais tarde o Humberto Coelho, ao estilo árbitro internacional sempre de braços levantados... por outro lado, criou-se a verdade mentirosa que o FC Porto apenas ganhava fora das quatro linhas, e uma espécie de obsessão nacional em o provar...

- Qual a vitória do FC Porto que mais o entusiasmou ?

Maio, 1978. A 8 minutos do fim, Ademir empata. 80.000 gargantas soltaram um grito de alegria e revolta, contido durante 18 anos de frustrações e tristezas, um poderoso trovão colectivo, que nem os 6 concertos juntos dos Rolling Stones que já vi conseguiriam gerar, tal foi a sua dimensão humana. O futebol português mudou nessa tarde única. A vitória de Viena, não seria possível sem esse momento litúrgico.

- Escreva-nos o seu onze ideal da história do Porto.

Vítor Baía, João Pinto, Eurico, Lima Pereira, Branco, Rodolfo, Madjer, Oliveira, Gomes, Cubillas e Futre.
Sobre este onze devem-se algumas explicações:
a) Eurico e Lima Pereira eram colectivamente inseparáveis. O que um não tinha o outro tinha e vice versa. Aqui a escolha não é individual...
b) Imagino apenas o que Branco faria com as novas bolas...
c) Rodolfo, pela dedicação...
d) Cubillas porque foi o maior artista que algum dia vi num relvado...

- Dê-nos a sua opinião sobre estes 6 nomes da nossa história: Pinto Costa, Pedroto, Vítor Baía, Jorge Costa, Jesualdo Ferreira e José Mourinho.

Se Pinto da Costa , é o Príncipe, José Maria Pedroto é Maquíavel. Juntos criaram, ali para os lados da Júlio Diniz, a estratégia palaciana que fez do complexado e trágico FC Porto de 60 e 70, um dos maiores clubes do mundo.

Basta dizer, Vítor e Jorge, para que os Portistas entendam. Não existe mais nenhum "Vítor" ou "Jorge" na nossa história. E espero vê-los juntos muito em breve, noutras "posições" no terreno ...

Foi no FC Porto que Jesualdo Ferreira conseguiu os primeiros títulos da sua carreira. Mérito ao prof. porque assumiu o leme em momento difícil, e foi capaz de introduzir o ADN azul branco, no seu modelo pessoal. Foi no FC Porto que Mourinho construiu os alicerces para hoje falar italiano, e vestir Prada. Um dos piores jogadores que pude ver ao vivo (era ele o Mourinho jr. do Rio Ave) transformou-se num dos mais ricos desportistas do mundo. Há quem diga que se Costinha não estivesse em seu sitio, e se a linha lateral de Old Trafford fosse menos mediática, a história seria outra e paralela. Mas o futebol é um jogo e nesse jogo, Mourinho é um ás. Por (alguma) culpa própria, deixou o FC Porto pela porta pequena. Nem ele, nem nós merecíamos, uma redução tão grande da escala. Mas, e independentemente das feridas estarem ou não saradas, o FC Porto do século XXI, não seria o mesmo sem o José Mário...

- Um comentário a este tricampeonato ganho esta época.

Será possível, numa Europa Global, pedir a adesão à Real Federação Espanhola?

- Acha que toda esta envolvência do apito dourado tem condicionado as arbitragens dos jogos do FC Porto?

Para se ganhar, dizia-me o meu falecido pai, é preciso jogar muito mais do que eles. Respondi à pergunta.

- Costuma visitar blogs desportivos? Já conhecia o nosso? Uma palavra para os nossos leitores.

Sim. Existe paixão, que é sinónimo de futebol. A palavra é: FC Porto!

Um abraço,
Álvaro Costa.