10 março, 2017

ESTE SENTIMENTO… NÃO PODE PARAR!!


Recepção ao Nacional da Madeira na 24ª jornada do campeonato nacional. Cheirou a Vigo no Sábado ao final da tarde na Invicta, 7-0 ao clube madeirense, uma exibição de gala. Embora jogando contra o último classificado, a verdade é que não demos a mínima hipótese, a equipa entrou em campo focadíssima nos três pontos e nem quando os garantiu abrandou o ritmo. Raça do início ao fim, talvez para copiar o que estava ser feito nas bancadas.

Pois claro, nas bancadas também não faltou raça. Mais de 90 minutos a apoiar o FC Porto na conquista de mais três pontos. 24º jogo do campeonato, 24ª presença, sempre ao lado da equipa e assim continuará a ser nos dez jogos que ainda faltam. No conjunto dos dois jogos, despachamos o Nacional com um 11-0.

Estádio Do Dragão com mais de 40 mil pessoas num jogo disputado num bom dia e numa boa hora, propícia a que muita gente se deslocasse para assistir. O andebol ao ínicio da tarde serviu para aquecer as gargantas e saímos todos de futebol de papo cheio, como já não se via desde 1999.

A mancha azul e branca preencheu por completo as bancadas do estádio mais bonito do mundo. Os adeptos das centrais acompanharam em vários momentos do jogo os Super Dragões e o Colectivo nos seus cânticos de incentivo. E é assim que deve de ser. Canta-se seja em que bancada for, sem vergonhas de nada, há que fazer a diferença, estejas no sector da claque ou num outro sector qualquer do estádio.


A equipa soube agradecer mais uma vez o fantástico apoio prestado. À semelhança do que aqui escrevi recentemente, destaque para os agradecimentos aos ultras, que agora também se estendem ao Colectivo e não só aos Super Dragões. Lindo ouvir o estádio inteiro a cantar "eu quero o Porto campeão!".

Os nossos ultras estão num momento muito forte, vivem uma boa época, assíduos e audíveis onde quer que jogue o FC Porto. Que as invasões que fizemos a Setúbal, Estoril e mais recentemente, Guimarães e Bessa se continuem a repetir, nomeadamente já na próxima sexta-feira com o Arouca!! Todos a Arouca!!! TODOS!! Vamos invadir Arouca, faltam dez jogos para o final e este campeonato tem de ser nosso!! Sai de casa, levanta-te do sofá, desliga a TV e faz-te a estrada!! Anda a Arouca apoiar o FC Porto neste jogo difícil onde só os três pontos interessam!!

Mesmo sabendo que é uma sexta-feira, dia de trabalho para quase toda a gente e que o bilhete é a 17 euros (?!?!?), vamos fazer mais um esforço, com o Porto sempre, pelo Porto tudo!

Um abraço ultra.

09 março, 2017

OS MÉRITOS DE NES.


Se há 2 meses atrás, após aquele traumático empate em Paços de Ferreira (estávamos a 6!!! pontos do líder), me dissessem que o FC Porto ganharia os 8 jogos seguintes, entre receções ao clube do mestre da tática e visitas sempre “simpáticas” a Bessa e Guimarães, admito que provavelmente não acreditaria.

Se há 2 meses atrás, me dissessem que por exemplo o Boavista roubava pontos na luz, estando a ganhar por 3/0 antes da meia hora inicial ou que o Setúbal lhes ganharia com um golo de um jogador contratado pelo FC Porto de seu nome Zé Manuel, admito que provavelmente não acreditaria.

Se há 2 meses atrás, me dissessem que à 24ª jornada o FC Porto estaria a “apenas” 1 ponto (sendo que 1 ponto pode até ser muito numa liga como a portuguesa) da liderança, com o melhor ataque, melhor defesa ou que Soares marcaria 7 golos em apenas 6 jogos, após ter marcado 9 golos em 22 jogos ao serviço do Vitória, admito que provavelmente não acreditaria.

Não sei, porque se o soubesse estaria rico, que desfecho é que vai ter este campeonato. Não sou daquele tipo de adeptos que passa do 8 para o 80 em apenas 2 meses, que acha tudo horrível numa semana, e que considera tudo ótimo apenas 2 ou 3 semanas depois, não creio, como nunca considerei, que este tipo de raciocínio leve a lado algum.

É verdade que o calendário do FC Porto até final da época é terrível, não há uma forma mais simpática ou eufemística de o dizer. Sendo certo que nos últimos anos não nos temos dado mal na luz, uma análise séria tem de nos levar a admitir que aquele será o jogo teoricamente mais difícil de toda a competição. Depois há a visita a braga, um terreno hostil e uma equipa treinada por ordinário de meia-tigela anti-Portista até à espinha e o habitual "calvário" chamado barreiros, provavelmente um dos estádios mais temíveis para o FC Porto nas últimas décadas.

Apesar de tudo isso, há que dizer com clareza, quando era suposto já estarmos arredados da luta pelo título, a equipa reergueu-se, foi à luta, venceu jogos difíceis e outros em que recorrentemente falhou nas últimas épocas. Existe garra, cooperação mas também existe qualidade e um fio de jogo bem definido. Há planos alternativos ao principal, há opções diferenciadas consoante o adversário, há apostas em jovens jogadores de forma descomplexada e há também uma grande valorização de jogadores que estão "espremidos" até ao "tutano".

Durante as últimas épocas, uma das críticas mais recorrentes do universo Portista era de que grande parte dos jogadores pareciam pior do que aquilo que realmente eram. Este ano, é com toda a propriedade que se pode dizer que alguns jogadores parecem bem melhores do que realmente são. Acho que existe um aproveitamento ao máximo da matéria-prima que se tem.

Neste momento, nenhum de nós sabe o que vai acontecer, muitos de nós fazem contas de cabeça e não podem deixar de ficar preocupados com tantas saídas difíceis, mas há um homem a quem te de ser creditado o facto de neste momento todos nós termos mais ou menos esperança na conquista do título: Nuno Espírito Santo.

Não é exagero dizer que Espírito Santo herdou uma tarefa complexa, dispõe de um plantel com todos os problemas mas que debatidos no universo Portista, apesar disso tudo, o técnico em que muitos poucos acreditavam (incluído eu!) nos meses que leva de trabalho, arregaçou as mangas, não se queixou, nem entrou em lamúrias, fez até agora um trabalho mais do que válido com a matéria-prima que tem. Mas sem dúvida o principal mérito de NES é o facto de ele nos ter posto a todos a acreditar em algo que há apenas 2 meses era uma miragem longe e utópica. Este mérito deve ser creditado a NES, independentemente do desfecho final.

E o futuro de médio e longo prazo do FC Porto irá depender de uma análise séria e completa de tudo aquilo que se tem passado, não pode ser uma análise que dependa apenas da bola que vai à barra, ou do ponto pelo qual se possa eventualmente perder um campeonato. Contra quase todas as expetativas, NES e este grupo de jogadores recuperou os valores fundamentais que fizeram do FC Porto o grande clube europeu dos últimos 30 anos, a cooperação, o espírito de grupo e de sacrifício, a união, o esforço até à última gota de suor. Porque depois a qualidade faz o resto, mas haver qualidade, sem nenhum destes ingredientes não serve de rigorosamente nada. O Real Madrid há décadas tem plantéis com muita qualidade, mas títulos foram poucos exatamente por causa disso, porque a qualidade apenas não chega.

Resta aos adeptos fazer o que têm feito e muito bem até aqui, ou seja, apoiar incondicionalmente a equipa, acompanhando-a pelo país inteiro, fazendo do Dragão uma autêntica fortaleza. As probabilidades e a lógica jogam contra nós, o cenário teoricamente não nos e favorável, mas pergunto: a história do grande FC Porto não foi feita de uma soma de improbabilidades que depois redundaram num enorme sucesso durante décadas?!?!

08 março, 2017

EU VOU A AROUCA... E VOCÊS??


A atualidade tem sido fértil em incidências, mas por estes dias nada é mais importante do que ganhar na próxima sexta-feira em Arouca, e para tal, é fundamental a presença de todos.
A mole humana que tem acompanhado a equipa desde o início do ano e que tem vindo a crescer com a melhoria dos resultados, tem que ter nova resposta à altura daqui a dois dias.
Perante o momento importante da época que vivemos, em que a perda de pontos pode significar uma descolagem irreversível, mas a vitória seguramente representará novo fator de pressão sob o nosso principal rival, lanço aqui um forte apelo a que todos se desloquem a Arouca.
O Porto, o mágico Porto, o nosso Porto, aquele que todos amamos (cada um à sua maneira!), aquele que tanto idolatramos e veneramos, precisa de nós, do nosso apoio da nossa presença.

Pouco importa quem vai ou porque razão vai... temos é que ir todos!
Aqueles que vão sempre “porque sim”, seguramente que vão lá estar!
Aqueles que não costumam ir “porque não”, desta vez têm que ir!
Aqueles que vão de vez em quando, desta vez têm que marcar presença!
Aqueles que só vão (mas vão sempre!) ao Dragão, têm que ir porque estes 3 pontos valem tanto como qualquer jogo em casa!
Aqueles que não vão porque é longe, também têm que ir porque é perto e bom caminho!
Aqueles que não vão porque os jogos são à noite, vão ter que ir desta vez porque o jogo sexta-feira por isso têm o fim de semana para recuperar!
Aqueles que acham que isso já não é para eles, que vão os mais jovens, têm que marcar presença porque todos, sem excepção, fazem falta!
Aqueles que dantes iam muito, mas agora perderam a rotina, está na hora de voltarem!

E tudo isto porquê? PORQUE O PORTO PRECISA DE CADA UM DE NÓS!
O Porto precisa de entrar forte e motivado!
O Porto precisa de entrar e sentir que tem a confiança dos que o seguem!
O Porto tem que sentir que se algo não começar a correr bem, estão bem acompanhados!
O Porto tem que sentir que quem o ama não o abandona!

E o Porto tem que ganhar...
O Porto tem que ganhar porque sim!
O Porto tem que ganhar porque é o Porto!
O Porto tem que ganhar porque os nossos corações precisam disso!
O Porto tem que ganhar porque tem que colocar pressão no adversário que joga apenas segunda-feira!
O Porto tem que ganhar porque está na fase de consolidar confiança, e tal só sucede com vitórias!
O Porto tem que ganhar para reforçar processos e acreditar em si próprio!
O Porto tem que ganhar para colocar temor nos que enfrentaremos posteriormente!

VAMOS TODOS A AROUCA... eu vou, e vocês?

Até sexta, no sítio do costume!

07 março, 2017

PADRES & MERETRIZES.


Bafienta, decrépita, em decomposição, dirão alguns desta minha crónica. Contudo, apesar deste meu exercício literário estar mais fora de tempo do que uma entrada do Talocha, não resisti a voltar ao lugar do crime mais comum no nosso futebol. O crime da falta de verticalidade que alguns actores persistem em abusar e tresandar.


Como primeiro personagem desta farsa, elejo um tal de Pedro Carmona, treinador espanhol de méritos ainda por reconhecer, que orienta a formação da Amoreira. Da recente visita portista ao campo do Estoril, se bem se recordam, o tópico principal de conversa dos diversos comentadores, paineleiros e bitaiteiros centrou-se na tracção meio-campista de NES, desabrochada pela abertura das alas a meio da segunda parte, que acabou por resultar na construção da vitória azul e branca. Da habitual hostil e persecutória comunicação social apenas a reprimenda para o apoio mais (demasiado) exaltado das nossas claques. Do nada, e sem razão ou suporte que o justificasse, aparece um tal de Sr. Carmona a apontar baterias para a arbitragem, clamando por penaltys imaginários e negando os verdadeiros, afiançando que "o árbitro e os assistentes não estiveram nos seus dias". Desculpas de mau perdedor, pensei eu na minha ingénua inocência.

Para minha surpresa, no último Estoril - benfica, um jogo de taça onde está em causa o acesso à final, renhido, em que a vitória cai para os encarnados ao cair do pano num lance tão mentiroso e falso, que até foi admitido implicitamente pelo próprio treinador benfiquista, quando se esperava que o Sr. Carmona exigisse a reintrodução da Santa Inquisição em Portugal com o árbitro amarrado à estaca, eis que a abordagem deste senhor às incidências do jogo conseguiu ultrapassar a benevolência das intervenções do Papa Francisco nas suas homilias. Relembrando as palavras do dito senhor "...os jogadores estavam a criticar pelo último golo, mas isso é o futebol. Evito perder tempo com as questões das arbitragens, senão vou estar todas as semanas a falar disso. Não é a minha função estar a comentar isso...".

Então porque raio se atirou à inócua arbitragem do Estoril - FCP?

Antes de prosseguir, e como manifesto de consciência, confesso que sou daqueles que acredita que a preferência clubística de um treinador ou jogador não interfere com o seu profissionalismo. Como exemplo, entre outros, temos o Prof. Jesualdo Ferreira, que apesar de assumido benfiquista, orientou com distinção o FCP, trazendo para o nosso museu 3 títulos de campeão entre outros troféus. Do outro lado da barricada, temos Luís Castro, treinador que iniciou a temporada com o nosso emblema, sendo inclusivamente ele o último treinador a ser campeão por uma equipa sénior do FCP, e no entanto, isso não o impediu de bater-se estoicamente com o seu agora Rio Ave em pleno Dragão, estando muito perto de nos roubar pontos. Isto são homens de carácter.


Em sentido contrário, temos um tal de Pepa, ex-jogador que militou obscuramente no slb, e que num aleivo de nostalgia, procurou como técnico de uma equipa da I Liga, obter o protagonismo que nunca teve no balneário encarnado. Vergonhosamente, em vez de trajar o fato de treinador Tondelense, preferiu o de adepto vermelho, proferindo um chorrilho de alarvidades e de fel surrealista, para gáudio dos seus correlegionários, mas absolutamente desfasadas do que verdadeiramente se passou em campo.

Mais uma vez, estranha-se que um par de semanas antes, em pleno estádio da Luz, o mesmo Pepa não tenha achado nada surreal no mergulho do André Almeida, sentido apenas uma orgulhosa "azia" por ser batido pelo seu poderoso benfica, quando até os próprios assumiram que estiveram numa tarde menos inspirada.

Se o treinador de Tondela se sente com ligeireza suficiente para lançar suspeitas ao vento, eu, como simples cronista, sinto a pluma das teclas cavalgar a minha vontade. O meu enfoque de análise é muito simples. A performance do Tondela frente aos ditos grandes desde que atingiu o patamar mais elevado do futebol nacional. Assim, nesta curta aventura tondelense, temos:


Se uns acham surreal penaltys efectivos serem marcados, outros acham incrivelmente surreal que uma equipa capaz de cerrar dentes e vender muito caro as raras derrotas com dois grandes do futebol português, se transfigure numa simpática e inofensiva equipa sempre que defronta o nosso rival encarnado. Em vésperas de subir ao parlamento um projecto-lei sobre a despenalização da prostituição, temos que concordar que nenhuma questão legal se levanta neste comportamento. Contudo a questão ética é deveras reprovável.

Encomendadas, avençadas, negociadas ou seguir o chamamento da cor do coração, a verdade é que são estas e outras situações semelhantes que permitem perpetuar a cortina de fumo mitológica em torno de frutas e apitos, enquanto que na sombra, obstáculos são combinados e atirados para a nossa frente, focados apenas na nossa queda. Seria assim no Bessa. Seria assim no Dragão no último sábado. A diferença destes jogos, para a nossa fase de nulos no campeonato chama-se competência. Competência da SAD que, apesar da parcimónia, finalmente dá mostras de ter despertado para defender os nossos interesses. Competência de NES que, para o bem ou para o mal, tem-se mantido fiel à sua filosofia desde que retornou ao Dragão, conseguindo formar um grupo coeso e unido com sede de conquistas.

Contra tudo e todos...

04 março, 2017

NOITE DE GALA.


FC PORTO-NACIONAL, 7-0

O Dragão está bem e recomenda-se vivamente. Continua na luta pelo título e apresenta-se de jogo para jogo em grande forma. Os portistas mostram ter fio de jogo, ideias claras e com várias soluções para todas as posições. Isto apesar de nos andarem a lesionar alguns jogadores e a expulsar outros indevidamente.


Foi uma noite de barriga cheia, com sete golos para todos os gostos. Com uma moldura humana bastante apreciável, o FC Porto alcançou a oitava vitória consecutiva (record da prova), a maior goleada da Liga e tem o melhor goal-average de todos os clubes envolvidos na competição com o melhor ataque e a melhor defesa. Para ser perfeito, falta só alcançar a liderança, a qual só depende de si para lá chegar.

Mas uma coisa de cada vez. Desde que a época começou, o FC Porto já sofreu oscilações. Teve alguns altos e também baixos que deixaram dúvidas no comum adepto do futebol. Mas actualmente, a equipa portista parece ter atingido um patamar de estabilidade que lhe permite, quiçá, discutir o título até à última jornada.

Um caminho impressionante regista o Dragão que não perde qualquer ponto desde a penúltima jornada da 1ª volta quando se deslocou à Mata Real em Dezembro do ano passado. Daí para cá, os Dragões só conhecem o sabor da vitória, conquistando 24 pontos em 24 possíveis. Escrevi aqui há umas semanas que seria importante o FC Porto não perder pontos até à visita à Luz. Para atingir esse objectivo, o Dragão terá que vencer em Arouca na próxima jornada e depois o V. Setúbal em casa.


Com 65 pontos, o FC Porto apresentar-se-á frente ao Benfica com todos os argumentos para lutar pela vitória e catapultar a equipa para a liderança definitiva na Liga NOS. No entanto, alerto os mais eufóricos (normalmente os mais derrotistas nos piores momentos) de que é fundamental pensar jogo a jogo e esse próximo é em Arouca.

Não posso deixar de enaltecer dois aspectos no FC Porto actual. Primeiro, a grande união que existe no seio do plantel, reforçada com as alterações fundamentais entretanto operadas na estrutura da direcção do clube. Segundo, o apoio incondicional e maciço dos adeptos em casa e fora, com grande destaque para os Super Dragões e os Colectivo 95, grandes dinamizadores de mobilização de massas. Se o FC Porto não vencer este campeonato, não será claramente por falta de apoio.

O Nacional da Madeira, adversário desta noite e a besta do Dragão e das Antas na história de confrontos com os azuis e brancos, entrou no relvado num sistema ultra-defensivo, com o propósito de retardar unicamente o golo do FC Porto. Só fez o primeiro remate do jogo na segunda parte, já depois do FC Porto alcançar o 3-0.


A primeira meia hora de jogo revelou-se algo chata e os pupilos de NES tiveram que ter paciência e calma para chegar ao golo. Depois do golo inaugural de Óliver aos 31 minutos, o Nacional manteve a postura chata de quem não quer jogar futebol. Só depois do 2º golo de Brahimi, a terminar o primeiro tempo, é que vimos futebol bonito.

Foi então que os Dragões partiram para uma das melhores exibições da temporada. Neste capítulo realço o meio-campo portista e Brahimi. Principalmente o argelino, o jogador com mais talento no plantel azul e branco. Confesso que já não me lembrava que existiu o Brahimi desta noite no Dragão. Mas foi há tanto tempo que começava a pensar que tinha sido um flop. O FC Porto pode beneficiar muito da grande forma de Brahimi para o último terço do campeonato.

O Brahimi que todos queremos, é um jogador altamente desequilibrador e causador de grandes aflições para as equipas adversárias. Ora, acredito mesmo que o melhor Brahimi vai resolver o campeonato a favor do FC Porto. Por isso, força Brahimi! Vamos a isso!

Depois Óliver. O médio espanhol regressa em grande, depois de durante alguns meses apresentar uma condição intermitente. O 30 portista é o jogador com mais classe do plantel, acompanhado muito de perto pelo desaproveitado João Carlos Teixeira. Com Óliver em forma, A. André a subir e o muro de betão Danilo, o FC Porto fica com um meio-campo bastante reforçado.


Na segunda parte, festival de golos e de futebol jogado. André Silva e Soares bisaram e Layún, que substituiu o castigado Maxi, provou estar pronto e de regresso para a ponta final da prova com um golo de belo efeito na cobrança de um livre directo.

Pouco depois de entrar no último terço do jogo, houve oportunidade para ver em acção Octávio, Diogo Jota e João Carlos Teixeira. Os três jogadores mostraram que são opções bastante válidas para esta equipa.

O FC Porto contabiliza 59 pontos, menos um que o líder da prova. A importância de não ceder pontos até ao fim do campeonato é cada vez mais determinante para a definição de quem vencerá a presente edição da Liga NOS. Os jogadores estão comprometidos com a missão de levar o clube ao título. E nós, adeptos, também!

Bem hajas, Dragão!




DECLARAÇÕES

Nuno: “O Dragão também merece desfrutar com a sua equipa”

Manter o rumo
“O coletivo diz-me que para a semana há mais jogo. O trabalho hoje acabou aqui, foi uma boa vitória e merecida. O Dragão também merece desfrutar com a sua equipa. Agora vamos ver o nosso jogo e melhorar para o próximo. Há que manter o rumo, o trabalho diário, acreditar no talento que os jogadores têm e que podem demonstrá-lo. Concentração, dedicação, exigência máxima, isto é o fruto de tudo isso.”

Pressão sobre o Benfica
“Só pensamos no nosso jogo. Fizemos o nosso trabalho, mas como equipa técnica o nosso trabalho não acaba aqui, há que ver, refletir e encontrar formas de melhorar, o crescimento tem de ser sustentado e continuado. Cumprimos, três pontos, continuamos.”

A luta pelo título
“Já sabíamos que ia ser até ao fim, competir numa liga tão exigente como a nossa e conseguir vitória atrás de vitórIa exige muito trabalho. Estamos nessa luta e conscientes do nosso dia a dia, que é o fundamental.”

A oitava vitória consecutiva e os 15 golos de André Silva
“Temos dito que esta sequência de vitórias significa apenas e só que o próximo jogo é o mais importante. É isso que vamos fazer esta semana, trabalhar com a máxima exigência para o jogo em Arouca. O André Silva fez um bom jogo, fez golos e está de parabéns.”

Muitos golos nos últimos jogos
“A importância que têm é que significam vitórias. Não mudou absolutamente nada, o fundamental é que mantemos o rumo, a dedicação e sabíamos que o talento dos jogadores iria aparecer naturalmente.”

Uma equipa que nunca deixou de procurar o golo
“É importante a ambição dos jogadores, que querem mais. A melhor maneira de respeitar o adversário é manter a intensidade, não relaxar e continuar o nosso jogo, porque assim potencia-se o crescimento e aproveita-se cada minuto da competição para melhorar. Nisso os jogadores estão de parabéns e é fundamental que assim seja, a ambição tem de estar sempre presente num jogador do FC Porto.”



RESUMO DO JOGO

03 março, 2017

ORGULHO DA INVICTA.


Derby da Invicta contra os traidores da cidade do Porto. Deslocação ao Bessa a fazer lembrar velhos tempos em que a rivalidade estava no expoente máximo. Jogo contra os remendados, que talvez por não serem grandes e estarem muito longe de lá chegar, se inclinam para os vermelhos da capital na hora de terem de escolher uma preferência para campeão nacional. É por demais evidente que odeiam o FC Porto. E como também não precisamos que gostem de nós, porque isso nunca aconteceu e foi deste forma que sempre chegámos onde chegámos, fomos com a equipa ao Bessa, como não poderia deixar de ser.

Esta temporada está claramente marcada por grandes deslocações, deslocações em massa, em peso, deslocações que ressaltam à vista de todos, não só dos próprios adeptos, como da comunicação social e mesmo dos jogadores.

O apoio por nós protagonizado tem sido fortíssimo e os jogadores retribuem, não só no fim dos jogos com as habituais palmas e acenos, como muitas vezes utilizam as redes sociais para reforçar esse agradecimento e gratidão.


Domingo no Bessa foi dia de enchente… azul e branca! A cidade é nossa e não temos rival nestas bandas. O Bessa teve uma grande casa, apenas a bancada central onde fica a comunicação social, na parte de cima, estava vazia, e na bancada onde ficam os Panteras Negras, atrás de uma das balizas, tinha como habitualmente panos gigantes a cobrir todo o anel inferior. Diria que estavam preenchidos, à vontade, dois terços do estádio, o que se traduziu em cerca de 20 mil espectadores. Desse número, cerca de 12 mil, ou mais, eram portistas.

Lembro-me de uma deslocação, a última antes de desceram aos escalões inferiores, em que levámos muita gente ao Bessa com bilhetes a cinco euros, mas desta vez a adesão foi maior. Bilhetes a 12 euros esgotados, nova remessa a 15, também esgotados e ainda uma última remessa, desta feita já para a bancada central, piso superior, a 17,5 euros.

Embora o jogo fosse tarde, um Domingo às 20h30, a nossa equipa contou com um apoio estrondoso proporcionado por tamanha massa adepta. Apoio elogiado por toda a crítica. Orgulhoso de ver a forma como os portistas se unem em torno das dificuldades, das injustiças e acima de tudo do objectivo comum: a conquista do campeonato nacional.

Durante toda a tarde os Dragões concentraram-se nas imediações do estádio, a pantera foi tomada de assalto, o FC Porto jogava em casa. Milhares e milhares de cachecóis e camisolas azuis e brancas pairavam nas redondezas. A cerveja saía a bom ritmo e a hora aproximava-se. Entrámos.


Dois sectores atrás da baliza sobre-lotados mais um sector na central. À entrada das equipas uma “tochada” protagonizada pelos melhores ultras nacionais. Situação que se repetiu mais duas ou três vezes até ao apito final. Apoio intenso em mais de 90 minutos, numa união entre as duas claques e os restantes adeptos.

Do outro lado, os Panteras Negras eram um décimo dos ultras do FC Porto presentes. Ouviram-se a espaços, principalmente quando mudávamos o cântico. A ordem estava mesmo invertida e eles é que jogaram fora.

Três pontos muito importantes, desejo ver esta raça, este espírito, este portismo praticante até ao final, e se assim for, acredito plenamente que seremos compensados.

Um abraço ultra.

02 março, 2017

LIÇÕES.


Há uns dias lia um texto curioso sobre um interessante episódio da história do Real Madrid. A época era a de 1991/92 e o Real Madrid lutava por reconquistar o título que lhe tinha fugido na temporada anterior para o Barcelona de Johann Cruijff, após um Penta Campeonato conquistado entre 1986 e 1990.

Nesse ano, embora estivesse na liderança da Liga e ainda vivo nas restantes competições, o treinador Radomir Antic viu-se surpreendentemente despedido após uma… vitória! As alegadas fragilidades exibicionais e a crítica feroz de uma massa adepta habituada a ganhar despoletaram o despedimento no final de Janeiro, num cenário muito pouco habitual.

A época continuou com Leo Beenhakker ao leme (um dos técnicos do Penta), mas os resultados foram absolutamente desastrosos. Com um balneário que não aceitou a decisão da direcção, o holandês não evitou o declínio da formação merengue, numa temporada que culminou com a eliminação da Taça UEFA às mãos do Torino de Walter Casagrande, a derrota na final da Taça do Rei com o Atl. Madrid de Paulo Futre e com a estrondosa derrota em Tenerife que entregou de bandeja o bicampeonato ao Barcelona na última jornada do campeonato.

Uma decisão estranha, tomada para acalmar uma massa associativa “mal-habituada” e demasiado exigente, foi portanto um erro colossal. Sendo fácil colocar as culpas no então presidente Ramón Mendoza a verdade é que a mesma surge num contexto de excesso de ambição de adeptos a quem não bastava ganhar, também exigia que o fizesse com um futebol de filigrana.

Esta temporada marcou o início de um período marcado por uma enorme instabilidade no clube, que vive sobretudo de projectos de curto prazo com resultados pouco consentâneos com os anteriores pergaminhos: nas 24 temporadas seguintes o Real Madrid “apenas” ganhou 7 títulos, mesmo tendo do seu lado uma máquina mediática e um poderio financeiro que dificilmente encontra par no mundo do futebol.

Recordei aqui esta história pelo paralelismo que senti ao lê-la e compará-la com os últimos anos no FC Porto. Onde antes existiu um sentido prático e uma fome quase insaciável de sucesso passamos a observar um comportamento algo burguês, com exigências estéticas e até comportamentais que noutras ocasiões pareceriam impossíveis.

Mesmo descontando que também tivemos alguns percalços no passado (a “perseguição” a Ivic numa época quase perfeita em 1987/88…) e que o sucesso traz necessariamente uma subida dos padrões normais de exigência, não é no entanto recomendável que treinadores campeões sejam ridicularizados ou que equipas na liderança do campeonato sejam enxovalhadas em casa, sob pena que a reconquista de troféus se torne numa quimera quase inalcançável.

Após um período de alguns anos onde nos deixamos adormecer os sinais passaram a ser outros, como ainda ontem o Norte aqui abordou. Isso por si só garantirá a reconquista dos troféus que nos tem fugido? É evidente que não, no entanto ter o universo Portista focado no essencial e a remar para o mesmo lado é sinónimo de que estamos paulatinamente a voltar a ser o que fomos durante os últimos 30 anos – um clube guerreiro, formado por gente apaixonada e com um único foco: ganhar tudo o que houver para ganhar.

01 março, 2017

O PORTO ESTÁ NA RUA.


Não temos manto sagrado, colinho, nem culpa de nada!
Não somos 6 milhões, muito menos 14, nem temos adeptos no Burundi ou na Giné Equatorial!
Não crescemos com base em regimes ditatoriais, nem nos desenvolvemos graças a lobbies!
Não temos uma comunicação social de cócoras, nem subserviente, e muito menos um centralismo que nos faça secar tudo à volta!

Não temos nada disto, mas temos Amor, Paixão e Orgulho nas nossas raízes!
Temos Amor por um clube e por uma cidade que faz parte da nossa identidade!
Temos uma Paixão louca que nos faz viver diariamente a pensar no FC Porto!
Temos um Orgulho imenso em ser o que somos e a lutar como lutamos!

Nunca ninguém nos deu nada, nunca ninguém nos facilitou nada!
Sempre tivemos que lutar por cada metro de terreno, por minuto de palavra!
Sempre tivemos que lutar arduamente por cada conquista, largar todas as gotas de suor por um título!
Nunca ninguém nos defendeu, nunca ninguém nos elogiou, nunca ninguém fez nada por nós!

Tudo o que somos, fizemos e conquistamos, foi com base na luta diária, na determinação de antes quebrar que torcer, na união de remarmos todos para o mesmo lado, na fusão de ideais e interesses, na guerra contra tudo e contra todos!
A palavra de incentivo na saída do campo de treinos, a exigência colocada no parque de estacionamento, a disponibilidade do sr. Luís César no departamento de futebol, a paixão da D. Graça quando uma loja azul era apenas e só isso mesmo, a loucura do Jorge Gomes a querer “bater” em toda a gente, a dedicação do sr. Salvador quando um motorista era suficiente... um sem número de sons, cheiros, sabores e odores que fizeram de nós o que somos hoje!

Não me interessa o hiato de tempo de Portismo que perdemos nos últimos anos.
Foi um caminho tumultuoso e muitas pedras do qual só os enormes se conseguem reerguer.
E eis senão, quando nos davam como mortos, aí estamos nós como sempre fomos... loucos e apaixonados!
Sem likes, sem hastags, sem seguidores de facebook ou comments improdutivos.
Não... estamos de volta com a garra do povo tripeiro, do povo que se identifica com os valores deste clube, cidade e região.
O Porto do povo, o Porto apaixonado, o Porto desinteressado, o Porto da mística, o Porto do amor, o Porto que é Porto... esse Porto, este Porto está vivo, está na rua!

Este Porto está mais vivo do que nunca!
Este Porto no qual nos revemos, pelo qual somos loucos, pelo qual somos cegos, está na rua, está ao rubro.
Este Porto que nos consume a alma, que nos devora o coração, que nos faz chorar, que nos faz vibrar, este Porto está a reerguer-se e a crescer!
Este Porto que sou EU, és TU, somos NÓS, somos TODOS NÓS no estádio, na net, nas redes sociais, no café e na tasca... este Porto do dia a dia, está mais vivo do que nunca!

Este ano, o Portismo tem estado com uma militância como há muito não se via... de Setúbal ao Estoril, de Guimarães ao Bessa, temos batido os nossos próprios recordes, temos mostrado a massa de que somos feitos e o amor transbordante que sentimos.

Mas as principais batalhas estão a chegar, pois serão aquelas que nos podem transformar o sonho em realidade, um sonho que muitos nos querem roubar, mas pelo qual só nós podemos lutar.
Ninguém nos vai ajudar, mas com esta união, muito ainda podemos conquistar.

O final do jogo com a Juventus foi o paradigma da União que nada nem ninguém pode deter.
Mais do que aplaudir o esforço, o Povo fortaleceu a confiança que tem em quem enverga as nossas cores.
Não sabemos se vamos ganhar, podemos até nem o fazer, mas o caminho que percorremos nos últimos meses de recuperação do que é SER PORTO, esse é um ganho que jamais poderemos desperdiçar.
Nem hoje, nem nunca mais, poderemos regredir no tempo, regressando ao marasmo.
Esta mole humana que tem suportado a equipa jogo após jogo, semana após semana, não pode parar... tem que crescer ainda mais, tem que se refletir já no sábado no Dragão e na sexta-feira seguinte em Arouca.
Este tem que ser um caminho sem retorno, um caminho sem colinho, mas apenas e só com Amor, Paixão e Orgulho.

Como diria o nosso saudoso Dr. Sardoeira Pinto, e VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!!!

Até sábado, no sítio do costume!

28 fevereiro, 2017

TANTA GENTE NERVOSA.


Apenas uma semana depois da gritaria de um treinador, a quem só faltava o cachecol de outro clube no pescoço, após um jogo com resultado limpo e esclarecedor, em que um penaltie supostamente mal assinalado afinal não foi tão mal assinalado quanto isso, porque depois surgiram imagens (não da Sporttv) que mostram um puxão claro a Soares, achei imensa piada à forma silenciosa, obediente e extremamente simpática com que todos os elementos do Chaves reagiram à arbitragem ocorrida na 6ª feira.

Achei também imensa piada ao habitual branqueamento e desvalorização da comunicação social (sobretudo os canais de televisão) perante os lances polémicos ocorridos no jogo do Chaves. Enquanto os jornais desportivos foram quase unânimes na falta do avançado grego no lance do 1º golo, bem como de um penaltie claro por marcar a favor do Chaves, as reportagens televisivas por parte dos vários canais com sede em Lisboa foram de ir às lágrimas. “Lances de dúvida” e “imagens pouco esclarecedoras” foram algumas das pérolas que ouvi. Que diferença entre as certezas da semana passada e as dúvidas deste fim-de-semana. Que diferença entre o berreiro do pateta disfarçado de treinador após ter levado 4 no Dragão e a forma parola e acanhada com que o treinador do Chaves até teve a distinta lata de dizer apenas “o Nuno é um grande árbitro”.

Não fosse o “Dragões Diário” ter feito e bem a referência ao “ferrari vermelho”, e este fim-de-semana a arbitragem teria estado na paz de Deus e dos anjos. Provavelmente, se calhar, esta arbitragem também foi ser motivo de conversa na reunião recentemente marcada com o Conselho de Arbitragem.

Não me surpreende, nem creio que possa surpreender alguém minimamente atento ao fenómeno desportivo em Portugal, os nervos crescentes bem visíveis em vários paineleiros nas várias sessões de tolice e insulto com que semanalmente os canais televisivos presenteiam o público (pelo menos aquele que perde tempo a ver esses programas).

E não é só apenas os paineleiros que estão nervosos, é visível um desconforto na massa adepta do clube com o qual estamos a disputar o título. Todas as previsões, inclusivamente de muitos Portistas, apontavam para que nesta altura o FC Porto estivesse aflitivamente a lutar com o braga pelo 3º lugar do campeonato. É uma enorme surpresa que haja um “chato” a tentar intrometer-se no desígnio nacional do “tetra”, algo que toda a gente dava como adquirido há apenas umas semanas atrás.

Não espanta por isso os nervos instalados, quando era suposto que, nesta altura, o líder tivesse uns 7 ou 8 pontos de vantagem sobre toda a concorrência direta, entretida entre si na luta pelo 3º lugar. O passeio até ao campeonato da “treta”, afinal, não irá ser tranquilo quanto isso!

Não deixa de ser curioso verificar que o FC Porto de NES, tem mais pontos à 23ª jornada (56 pontos hoje vs 52 pontos em 15/16, 55 pontos em 14/15, 46 pontos em 13/14) e uma menor diferença para o 1º classificado (-1 ponto hoje vs -6 pontos em 15/16, -4 pontos em 14/15, -12 pontos em 13/14) do que nas últimas 3 épocas. É curioso e revelador dos nervos que por aí vão surgindo.

Podemos acusar e criticar tudo no atual FC Porto, mas há algo indesmentível: ao contrário dos últimos 3 anos, o FC Porto está a competir pelo título e conta para o totobola. Há um fio de jogo, um modelo com diferentes variantes e soluções diferentes para adversários com diversos graus de dificuldade. Campeonatos perdidos a dezenas de pontos do 1º lugar é nem sequer contar para o totobola, vamos entrar em março e continuamos na luta. Mas continuo a dizer: a nossa luta será hercúlea, contra vários poderes instalados e um desígnio indisfarçável! Temos de estar juntos, todos nós, jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos. Só unidos, levaremos o barco a bom Porto!

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.


JOGO DA SEMANA

A escolha para jogo da semana recai sobre o HÓQUEI EM PATINS que se deslocou a Turquel para defrontar os «brutos dos queixos» onde na época passada o resultado não tinha sido o desejado.

A equipa entrou determinada em conseguir um bom resultado para continuar na esperança de resgatar o título de campeão nacional. Essa boa entrada da equipa rendeu frutos e aos 5 minutos a vantagem era já de 3 golos. A meio da primeira parte, os ribatejanos reduziram para 2 golos de diferenças, mas de seguida, Vítor Hugo voltou a colocar a diferença em 3 golos. Antes do intervalo ainda se verificou mais 1 golo para cada equipa.

A 2ª parte foi marcada pelo desperdício de bolas paradas e por 2 golos para a nossa equipa a selarem a vitória por 7-2.

O fim de semana traria ainda a boa notícia de voltarmos a depender apenas de nós, uma vez que os de carnide escorregaram em Barcelos, conseguindo 1 ponto já nos últimos segundos. O jogo foi marcado por 3 expulsões, e esperamos para ver as consequências disciplinares desses atos.

A nossa equipa volta a competir no próximo domingo (15h00) na receção ao Sporting Tomar.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de BASQUETEBOL regressava à competição, depois de garantir o 1º lugar na 1ª fase do campeonato, com a receção ao Maia Basket de Nuno Marçal. A diferença entre as 2 equipas era tão grande que qualquer resultado que não a vitória do FC Porto, seria a surpresa.

O primeiro período terminou com 17 pontos de vantagem para a nossa equipa, que seriam 20 ao fim dos primeiros 20 minutos, e 50 no final da partida.

O próximo jogo do campeonato será a deslocação a Oliveira de Azeméis no próximo domingo (19h00). A equipa jogou entretanto hoje ao final da tarde para a Taça de Portugal, na receção ao Illiabum, e perdeu por 77-78, falhando assim o apuramento para a Final 8.

A equipa de ANDEBOL deslocou-se ao pavilhão Flávio Sá Leite em Braga e venceu por contundentes 45-27, não sobre o ABC, habitual adversário naquele recinto, mas sobre o Arsenal da Devesa.

A equipa volta a jogar para o campeonato nacional no dia 01/03 na deslocação à ilha da Madeira para defrontar o Madeira SAD. O próximo jogo no Dragão Caixa, será a receção ao Granollers, sábado, pelas 15h00.



Abraco,
Delindro

26 fevereiro, 2017

A VITÓRIA CONTRA O “ROUBO”.


BOAVISTA-FC PORTO, 0-1

Mais uma jornada, mais uma vitória e mais três pontos. O FC Porto não desarma e continua a um ponto da liderança, perseguindo o primeiro classificado de uma forma determinada, tendo em mente a reconquista do título que lhe foge há quatro anos.

Mas não vai ser nada fácil. Não pelo valor do principal adversário. Mas sim pelas forças externas que a cada jornada procuram desvirtuar o que se passa dentro das quatro linhas. E no Bessa foi exactamente o que se tentou fazer. O protagonista: o homem do apito.

O artista sonegou duas grandes penalidades a favor do FC Porto e conseguiu bater todos os recordes do que se apelida de absurdo. Maxi Pereira ficará para a história como o jogador que sofreu grande penalidade não assinalada e acabou por ser expulso de uma forma anedótica.

Por isto tudo, os portistas têm que se salvaguardar. De que forma? Serem mais eficazes durante os jogos. Não desperdiçarem oportunidades claras como as que se registaram na primeira parte, nomeadamente por Soares, Alex Telles, Óliver e Brahimi. Se o FC Porto concretizar as oportunidades soberanas de que dispõe em cada jogo, não há apito que nos impeça de chegar ao nosso objectivo.


O FC Porto apresentou um novo figurino no Bessa, depois do jogo da Champions league. Nuno Espírito Santo apostou num clássico 4x3x3 com um meio-campo de três elementos (Danilo-A. André-Óliver) no apoio a um tridente ofensivo com dois alas bem abertos (Brahimi-Corona) e com Soares como ponta-de-lança. André Silva ficou no banco, tal como eu já vinha defendendo há algumas jornadas atrás. Na defesa, Boly substituiu o castigado Felipe. Apesar de não comprometer, Boly ainda deu para assustar os adeptos azuis e brancos com um corte defeituoso.

O golo de Soares abriu o jogo. Muito cedo, com 7 minutos de jogo, Óliver trabalhou, segurou e rodou sobre um axadrezado, serviu Jesus Corona e este fez um centro rasteiro para a área onde surgiu Soares a encostar para as malhas. Estava aberto o marcador. Um lance muito bonito, simples e que poderia adivinhar um jogo interessante em termos de qualidade.

Mas quando se tem pela frente um adversário que, por tradição, bate em tudo o que mexe e para quem do pescoço para baixo é tudo canela, o jogo fica irremediavelmente estragado. E foi o que aos poucos começou a acontecer. Quando não se tem qualidade nem argumentos para disputar o jogo pelo jogo, vale tudo.

Apesar disto, o FC Porto continuava a tentar fazer o seu jogo com bola de pé para pé, num relvado algo irregular que dificultava a circulação e privilegiava a equipa que pretendia destruir as jogadas.

Em destaque, estiveram Óliver, muito inspirado e a pautar o jogo do Dragão, e Brahimi dos velhos tempos, desequilibrador e talentoso. Ambos apresentaram-se com um rendimento de altíssimo nível, acompanhados bem de perto por Corona, A. André e Soares.


Principalmente por estes jogadores passou o jogo ofensivo portista. Os Dragões poderiam ter chegado ao fim da primeira parte com 3 ou 4 golos facturados mas a precipitação e algum azar impediram que a vantagem não fosse além do 1-0. Isto sem esquecer uma boa oportunidade para o Boavista que proporcionou a Casillas a defesa da noite.

Depois começaram os erros do apito. Soares é derrubado na área, aos 15 minutos, por um defesa axadrezado quando se preparava para rematar à baliza. O árbitro assinala falta ao contrário. Ou seja, o árbitro viu o que não aconteceu. Fantástica decisão! Primeiro duplo erro.

Segunda situação: antes de terminar o primeiro tempo, registo para a primeira grande calinada do artista do apito. Numa jogada de combinação a meio-campo, Corona recebeu a bola, desmarcou A. André que ficou numa posição privilegiada de ir para a baliza com Brahimi e Soares. O árbitro interrompeu o jogo para assinalar uma entrada assassina de Talocha sobre Corona e exibiu o cartão amarelo ao boavisteiro.

Amarelo?! Com uma entrada por trás que poderia ou poderá (ainda não sabemos) atirar Corona para o “estaleiro” longas semanas? Entenderia que o artista interrompesse uma jogada de grande perigo se fosse para exibir a cartolina vermelha, como deveria ter sido devidamente exibida. Mal disciplinarmente.

Mas depois quando exibiu a cartolina amarela, interrompendo o jogo, beneficiando claramente o infractor, foi, o que se chama, pior a emenda do que o soneto. Erros atrás de erros deste internacional-proveta. Aliás, o segundo duplo erro no mesmo lance a prejudicar grandemente o FC Porto.


Isto não ficou por aqui. Como a primeira parte estava a terminar, os Dragões viram-se privados de um extremo que estava a jogar bastante bem, a contribuir para um espectáculo muito interessante e que justificava a grande moldura humana com mais de 12.000 portistas nas bancadas. Mas os axadrezados, experts em estragar jogos, principalmente quando o adversário é o FC Porto, faziam das suas.

Vêm depois os analistas feitos por encomenda e os jornalistas pouco sérios dizer que isto é rivalidade e que a rivalidade é apanágio entre os dois clubes. Isto a propósito das análises de um pseudo-especialista em arbitragens, dizer que o árbitro tecnicamente esteve muito bem, só pecando disciplinarmente.

Seja sério, sr. especialista. Tenha vergonha!

Ter a distinta desfaçatez de dizer que o FC Porto não foi prejudicado pela arbitragem e justificar os lances com argumentos do que não se viu ou não aconteceu, não é sério. E depois mais tarde justificar e desculpar, no jogo do clube dele, o encosto de cabeça de Luisão ao árbitro é bater mesmo no fundo. É assim que o clube do regime vai vencendo jogos e campeonatos. Uma mentira dita muitas vezes, passa a ser verdade. Repito: tenha vergonha!

Isto que aconteceu hoje no Bessa é tudo menos rivalidade. Na rivalidade há virilidade, há jogo intenso, há agressividade, mas há respeito. Não se compadece nada com violência e com entradas assassinas como se viu no Bessa e que teve tratamento vulgar da parte do árbitro como se de uma jogada normal se tratasse.

Uma “talochada” encarada como um lance habitual de um jogo de futebol, terminou a primeira parte, momento em que houve um sururu com encontrões e insultos entre elementos das duas equipas. Daqui resultaram as expulsões de Nuno Espírito Santo e de Alfredo, adjunto axadrezado.


O segundo tempo teve menos futebol porque o espectáculo já estava estragado. E mais estragado ficou quando o artista voltou a cometer erros de palmatória. Maxi é derrubado pelo joelho de um defesa contrário dentro da área axadrezada. Mas o juiz de campo, muito enérgico, correu para o uruguaio portista, exibiu-lhe o cartão amarelo por suposta simulação. Duplo erro no lance. Mais outro. O terceiro num só jogo.

De resto, mais iniciativa do Boavista e mais controlo de jogo da parte do FC Porto. Boly ainda assustou com um corte para a zona de remate dentro da grande área que, depois, foi salvo por Marcano. Mas os Dragões foram levando a água ao seu moinho perante um Boavista que joga tudo, menos futebol e um árbitro que não tem estatuto, nem estaleca para dirigir um jogo como este, recorrendo constantemente aos cartões para segurar um jogo que por si só já estava estragado.

Foi desta forma vergonhosa que expulsou Maxi por uma falta perfeitamente normal, exibindo o segundo cartão amarelo, depois de já ter errado na admoestação ao mesmo jogador momentos antes na área boavisteira.

Continuem a promover internacionais-proveta, a fazer deles o que não são e a enviar os dois melhores árbitros portugueses para arbitrar nas arábias que assim a arbitragem portuguesa estará no caminho certo.

O FC Porto sai mais forte deste jogo, consciente de que terá de resolver os seus jogos com mais assertividade e com maior eficácia, de forma a evitar decisões patéticas e tendenciosas de quem está dentro do rectângulo de jogo com esse fim.

Na próxima jornada, os Dragões recebem o Nacional da Madeira no Dragão. Mais três pontos obrigatórios para conquistar, rumo ao objectivo final.




DECLARAÇÕES

Rui Pedro Silva: “Cumprimos o plano que tínhamos para este jogo”

Análise a uma “vitória importante”
“Foi uma vitória importante e mais uma demonstração da nossa força e da tranquilidade que temos neste caminho que estamos a fazer. Acima de tudo penso que entrámos bem no jogo e que na primeira parte poderíamos ter marcado mais golos e ter resolvido a partida. Obviamente que na segunda parte há uma reação do Boavista, mas sinceramente não senti quebras físicas da nossa equipa. Acho que se manteve sempre lucida e pressionante. Demonstrou essa serenidade após o jogo da última quarta-feira e cumpriu o plano estabelecido para este.”

Plantel está sempre disponível e motivado
“A mensagem que nós passamos sempre é que temos um plantel que todo ele está disponível e motivado para jogar. Montámos uma equipa para tentar ter o controlo do jogo e acho que isso foi conseguido. A rotação e as substituições foram normais.”

A lesão de Corona e a expulsão de Nuno
“A lesão do Corona é uma falta que coloca a integridade física do jogador em causa, mas depois disso, mesmo saindo rapidamente, não vi nenhuma situação que motivasse a expulsão do mister.”



RESUMO DO JOGO

25 fevereiro, 2017

FINO ALLA FINE!!!


Muito difícil? Sim. Completamente impossível? Óbvio que não. O futebol está reservado a momentos históricos, momentos esses que podem surgir quanto menos se espera. Defrontamos, quanto a mim, o melhor plantel do mundo. Não em termos de equipa em si nem treinador, mas o melhor plantel, o plantel com mais soluções actualmente, que com substituições nunca fica pior, o que naturalmente dá origem a uma equipa fortíssima e dificílima de derrotar.

Jogo grande no estádio do Dragão, a nossa casa. 22 de Fevereiro, um dia esperado desde sorteio em Dezembro. Estádio lotado, adeptos que viajaram de todo o lado para apoiar o FC Porto. De Itália, os ultras da Juventus deslocaram-se também em peso. Todos os ingredientes estavam lançados para um grande jogo. E se dentro das quatro linhas, independentemente dos motivos, a Juventus esteve claramente por cima, nas bancadas foi exactamente ao contrário.

Embora com o sector visitante completamente cheio, o estádio do Dragão e os adeptos portistas que o preencheram portaram-se à altura do evento. Os adeptos “normais” juntaram-se às claques antes, durante e após o final do encontro. Num clima que parece estar a voltar felizmente, um clima característico do nosso clube, um espírito guerreiro, combativo, de união e entreajuda entre todos, o FC Porto não se pode queixar mais uma vez de falta de apoio.


À entrada das equipas destaque natural para a coreografia dos Super Dragões. Um pano gigante estendido pela bancada sul onde se destacou a palavra “ultras”. O resto do estádio acompanhou o momento com o agitar de milhares de bandeiras distribuídas por todos os lugares. Um efeito visual extraordinário.

Apoio também extraordinário tanto por parte dos Super Dragões como por parte do Colectivo. Vocalmente, os italianos deixaram a desejar.

Impressionante foi, a jogar com 10, a perder 0-2 e nos minutos finais o estádio todo a cantar como se de uma vitória se tratasse. Ficou provado que não somos nenhuns ingratos e mesmo, perdendo, sabemos reconhecer quando lutam até ao final. Foram acarinhados até depois do apito final e com as bancadas despidas de público foi perfeitamente audível os resistentes a cantar “nós só queremos o Porto campeão!”. Essa sim é a nossa guerra e temos de a ganhar.

Uma crítica aos adeptos que se levantaram e saíram do estádio após os golos da Juventus, não era necessário terem ido. E um grande elogio ao Felipe, ao Danilo e ao Rúben Neves. Incrível como de um plantel inteiro e staff técnico, apenas três jogadores se deslocam à superior Norte para agradecer ao Colectivo, como fazem ultimamente com os Super Dragões. São tão ultras como os SD, lutam todos pelo mesmo, estão exactamente nos mesmos jogos e mexeu comigo vê-los a caminhar sozinhos em direcção ao Colectivo, quando o resto da equipa já tinha entrado no túnel de acesso aos balneários.


Quarta-feira foi só o último de cinco jogos em seis dias.

Sexta-feira a saga começou com a recepção ao Tondela e uma goleada importante que nos mantém colados ao primeiro lugar. Sábado à hora de jantar era tempo de apoiar o hóquei na liga Europeia. E Domingo praticamente à mesma hora apoiar o andebol na taça EHF, no mesmo palco, o Dragão Caixa. Segunda foi dia de descanso mas terça à noite os mesmos de sempre estavam no Dragão Caixa no andebol com a Académica de S. Mamede.

Gratos pelas palavras de um elemento da equipa técnica que durante os tradicionais cumprimentos aos adeptos nos disse “por vocês o pavilhão estava sempre cheio”.

Continuamos na luta. Um abraço ultra.

24 fevereiro, 2017

TIQUINHO, O ESTRIPADOR.

Trabalho gráfico realizado por Bruno Sousa, a quem o BPc e eu próprio muito agradecemos.
Encontrava-me em Londres quando soube da contratação de Soares, também conhecido por Tiquinho. Como sempre nestas situações, tratei logo de averiguar quem era e como era o jogador, junto de um grande amigo de infância, vitoriano de gema.

Os vitorianos, diga-se de passagem porque conheço uns quantos e bons, são gente que ama o Vitória e, salvo raras excepções, não sofrem da maleita que atinge meio Portugal, isto é, não têm nenhum segundo clube. São do Vitória e ponto. Nem simpatizam com Porto, nem com benfica nem com sporting. São do Vitória e acabou. Goste-se ou não se goste, são merecedores de respeito, pois não há muitos como eles.

Relato em primeira mão o que me foi dito na altura:

“O Soares é o tosco com mais técnica que conheço. Ao lado dele, qualquer manco parece jogador, a começar pelo Marega. O gajo é um cão de fila, nunca vai ser por ele que o Porto vai deixar de ganhar algum jogo. É jogador e chega na altura certa a um grande, já casado, com 26 anos, não se vai iludir. É daqueles que não vai jogar para dar o salto, vai ficar no Porto muitos anos e, depois dos 30, faz o contrato da vida dele na Rússia. O tipo é daqueles que sozinho consegue esquartejar uma defesa, de tão bruto que é.”
Esta descrição deixou-me, naturalmente, a salivar por Soares. Isso e aquelas pequenas curiosidades/coincidências que quem acompanha o FC Porto gosta de registar: as semelhanças físicas e de atitude com Derlei ou o facto de ser original do mesmo estado brasileiro que Hulk. E, claro, o próprio nome Tiquinho, bem melhor que o (mais respeitável, mas menos gracioso) Francisco. Tiquinho remete-nos para o imaginário das telenovelas do sertão brasileiro, para os criminosos das estradas poeirentas do interior das Terras de Vera Cruz, para aqueles bandoleiros sem eira nem beira que aterrorizam populações indefesas e assaltam bancos de província, como Butch Cassidy ou Sundance Kid. Tiquinho parece nome de criança, mas mete medo, oh se mete!

Mas voltemos a Londres. Passei duas semanas em Whitechapel, que hoje pertence àquilo que se pode considerar o centro de Londres, a meio caminho de Tower Hill e da City londrina. Whitechapel transformou-se nos últimos anos numa zona trendy da cidade britânica, multiplicando-se os restaurantes indianos, turcos, tailandeses, libaneses, etc. O Brick Lane Market é hoje, por exemplo, uma grande atracção aos fins-de-semana, onde milhares de locais e de turistas se deslocam para provar as iguarias da world food. Como diria alguém: fui muito feliz por lá!

Mas isto é nos dias de hoje. Nem sempre foi assim. Por mero acaso, nas redondezas de Brick Lane, dei por mim a entrar numa livraria vintage. Entre muitos álbuns sobre o East End antigo, um pequeno livro sobre o famoso Jack, The Ripper despertou-me a atenção. Peguei no livro e comecei a folhear com interesse a história desse famoso assassino inglês dos finais do século XIX.

Mas então que Whitechapel era essa? Bem diferente da actual. Os relatos indicam uma zona bastante lamacenta, sem qualquer sistema de saneamento básico, sem iluminação pública, pejada de emigrantes recém chegados à metrópole londrina, a grande maioria sem esperanças numa vida melhor, aprisionados que estavam numa área onde o crime proliferava e a prostituição era bastante comum.

Corria o ano de 1888 quando uma série de trágicos incidentes agitaram a cidade. Vários assassinatos, do mesmo género e circunstância contra prostitutas, ocorreram pois então na nossa Whitechapel. O assassino, dizia-se, ou era talhante ou cirurgião, tal a precisão dos golpes que desferia na traqueia das vítimas o que, comentava-se, as impediria de gritar prontamente por socorro. As autópsias demonstravam também que, após as mortes, as vísceras das vítimas eram remexidas e muitas vezes retiradas, sugerindo conhecimentos anatómicos avançados ou pelo menos não ao alcance do comum mortal.

A identidade do assassino (ou dos assassinos) nunca chegou a ser descoberta, proliferando ainda hoje as mais variadas teses sobre o assunto, que continua a apaixonar os fanáticos da capital britânica. O que é certo é que uma estranha carta aterrou no escritório da Central News Agency, sendo depois reencaminhada para a Scotland Yard, escrita por alguém que reclamava ser o autor dos assassinatos e que assinava como Jack The Ripper. É nesse momento que termina a realidade e começa a lenda.

Ainda antes do jogo do Sporting, veio-me à cabeça um bom nome para Soares. Podia ser Presidente Soares, claro está, mas atendendo à descrição do meu grande amigo vitoriano (um abraço com saudades para ti, Zé Guilherme, e boa sorte para o teu Vitória!), ficou para mim claro que teria que ser Tiquinho The Ripper, ou melhor ainda, em português açucarado: Tiquinho, O Estripador.

Ora esta ideia foi claramente reforçada pela explosiva estreia de Tiquinho com as nossas cores, seguida do golo em Guimarães e do fantástico golo frente ao Tondela. Todos sabemos que Soares É Fixe, mas o que gostamos mesmo é que ele rasgue, esventre e dilacere defesas, tal como fez perante os pobres Schelotto, Coates e Ruben Semedo, que foram completamente esquartejados pela desmarcação explosiva do homem de Paraíba, que atacou directo às vísceras da defensiva sportinguista.

O contorno a Rui Patrício fez lembrar as célebres incisões do homem que atacava em Whitechapel nos finais do século XIX: uma degolação perfeita, rápida e agressiva, sem dar hipótese sequer para um ai ou para um ui.

Já temos, pois, alcunha para o homem:

Tiquinho, o Estripador.
Um agradecimento especial, em meu nome e do BPc ao designer Bruno Sousa, cujo magnífico trabalho vem sendo cada vez mais reconhecido no seio do universo portista. Tê-lo a colaborar connosco, como nesta crónica, enche-nos necessariamente de orgulho. Esperemos que, depois da arte gráfica realizada para o Rei Bakar, tenhamos mais sorte com o Tiquinho O Estripador! OBRIGADO!

Rodrigo de Almada Martins

22 fevereiro, 2017

NOITE PARA ESQUECER.


FC PORTO-JUVENTUS, 0-2

Conformado. Assim me sinto após o jogo no Dragão onde estive presente. Por causa de um ou outro lance, foi preciso rever este jogo no conforto do sofá para fazer esta crónica. Mas, fora isso, não há contestação no resultado final.

Confesso que ao intervalo mantinha a secreta esperança de obter um nulo, mesmo reduzido a 10 unidades. E a segunda parte, apesar do domínio avassalador da Juventus, acreditava que a boa organização portista pudesse alcançar um resultado para decidir tudo em Turim.


Mas, infelizmente, não aconteceu. A intensidade da equipa italiana, o desgaste da equipa portista e as substituições operadas, principalmente pela equipa de Turim, vieram a definir a história do jogo.

No entanto, o que foi determinante para o desfecho do resultado, foi a expulsão de Alex Telles ao minuto 27. Após ter sido admoestado com a cartolina amarela no primeiro lance – para mim exageradamente castigador, atendendo a outros lances bem mais perigosos e faltosos da parte do adversário – Alex Telles mostrou ingenuidade e imaturidade que, no fundo, espelha um pouco do que é esta equipa do FC Porto.

Apesar disto, a Juventus tomou conta do jogo depois dos 15 minutos iniciais. Só faltou colocarem uma placa no meio-campo portista a dizer “aluga-se”. A tendência do jogo estava definida.


A estratégia de NES passou por defender, se possível o mais longe possível da baliza, e depois tentar o contra-golpe. À excepção de um lance de André Silva que resultou num livre convertido por Brahimi, o FC Porto não se viu mais em termos ofensivos na primeira parte.

Depois da expulsão, o domínio transalpino foi sufocante. O FC Porto não conseguia sair para o ataque e remeteu-se à sua insignificância, ou seja, a defender o melhor que podia.

No primeiro tempo, a Juventus criou três situações de golo. Duas por Dybala, com um dos lances a bater estrondosamente no poste, e outro por Cuadrado.


Na segunda parte, a Juventus intensificou o ataque a baliza portista. NES tentou responder com a entrada de Corona e depois Diogo Jota mas as opções saíram-lhe furadas. A Juventus respondeu com dois homens que haveriam de fazer o resultado final.

Pjaca e Dani Alves, entrados para os lugares de Cuadrado e Lichtsteiner, fizeram dois golos em três minutos. Ambos os golos surgiram pelo lado esquerdo da defesa azul e branca.

Desânimo, conformismo e resignação evidentes no Dragão perante um desfecho justo. Não há por que pegar, apesar da dualidade de critérios do árbitro alemão (mais um depois de Prokop, Markus Merk, entre outros).


Importa agora é olhar em frente e apontar todas as baterias para a Liga NOS onde se joga uma época com a possibilidade de vencer a prova, desde que a equipa mantenha os pés no chão e os olhos no horizonte. Esqueçam a Champions!

Sim, esqueçam! Há prestígio a defender na 2ª mão em Turim, mas não se iludam. A eliminatória está mais do que sentenciada.

Ainda ontem, na viagem a caminho de casa ouvia na TSF, João Nuno Coelho dizer que o FC Porto está numa posição muito difícil, mas lembrou que não há impossíveis no futebol. Lembrou ele uma eliminatória do Barcelona em 1984-85 quando venceu fora por 1-3 (foram 2-4 na realidade) o Metz para a Taça das Taças e depois foi derrotado em casa pelos franceses por 2-4 (1-4 foi o resultado).


Eu lembrei-me do Inter que foi vencer a Munique o Bayern por 2-0 na edição da Taça UEFA 88-89 e depois foi derrotado em casa por 3-1, sendo estrondosamente eliminado.

Mas não se iludam, repito! Defendam o prestígio em Turim, mas metam a carne toda no assador na Liga NOS, a começar já no Estádio do Bessa no próximo Domingo.



DECLARAÇÕES

Nuno: “A eliminatória está muito difícil, mas não está fechada”

Expulsão determinante
“A expulsão foi determinante, porque tivemos que reequilibrar a equipa. É de realçar que a equipa deu tudo e a maneira como ela trabalhou e conseguiu aguentar até aos 72 minutos as investidas do adversário. Manteve a consistência defensiva, lidou bem com a inferioridade numérica e com o domínio do jogo que a Juventus naturalmente assumiu. Fomos para intervalo com 0-0 e, quando sentíamos que era possível chegar ao golo - havia situações de remate exterior e de cruzamentos e nós respondíamos bem -, aconteceram os dois golos.”

As entradas de Corona e Jota
“Começámos muito bem o jogo, com saídas, com posse, com chegadas. A estratégia pensada foi executada pelos jogadores, que estiveram sempre dentro daquilo que projetámos para o jogo. Quando sofremos os golos, estávamos a controlar bem o jogo defensivamente, estávamos bem e equilibrados. A Juventus procurava chegar à nossa baliza através do jogo exterior e nós queríamos algo mais, apesar de estarmos a jogar com menos um elemento, queríamos tentar o golo que era fundamental para nós e por isso lançámos o Jesús Corona e o Diogo Jota.”


Tudo é possível
“Agora temos que ir a Turim competir. É verdade é que a eliminatória está muito, muito difícil, mas não está fechada. O futebol já demonstrou que ao longo dos anos que tudo é possível. Esse será o nosso espírito até ao fim.”

O árbitro podia ter tomado outra decisão
“Sem querer melindrar o trabalho do árbitro, o árbitro podia ter contemporizado e ter tomado outra decisão, porque a falta não é agressiva nem pôs em causa a integridade física do adversário. Isso não invalida o erro e a precipitação que tivemos, mas é o erro que nos faz crescer individual e coletivamente.”

Obrigado, Dragão
“Um palavra de agradecimento ao Dragão, que mais uma vez apoiou a equipa durante todo o jogo, mesmo quando o resultado era adverso. O carinho dos adeptos é fundamental para nós e personifica o espírito que temos, de união entre todos.”

Foco no Boavista
“Neste momento tiramos a Juventus das nossas cabeças, projetamos o próximo jogo do campeonato, frente ao Boavista. O desgaste provocado por este jogo vai requerer de nós um bom trabalho de recuperação, com a consciência de que este resultado não pode em nada melindrar a forma como vamos encarar o próximo jogo no Estádio do Bessa. Temos que mostrar, como equipa, que somos capazes de nos levantar após este resultado adverso e competir no nosso campeonato, que é o grande objetivo.”



RESUMO DO JOGO

TUDO MALTA BEM COMPORTADA!


Ao longo das últimas semanas, coincidindo com a nossa aproximação ao topo de tabela, temos vindo a assistir a uma sucessiva criação de factos relativos ao nosso clube, todos eles com um só propósito: criar ruído e perturbação!

Um desses factos, foi a possibilidade de interdição do estádio do Dragão por um jogo ou eventual realização de jogo à porta fechada, em virtude do pseudo mau comportamento dos nossos adeptos. De repente, foram recuperar ao fundo do baú aquela velha tese de que no Norte são todos uns arruaceiros e malcriados, tudo gente sem carácter e de má índole, uns verdadeiros criminosos que vivem à margem da lei. Nesta guerra, tudo serve para atingir o FC Porto!

Os doutos especialistas na matéria, jornalistas e/ou comentadores com muitos anos de bancada e kms nas pernas a apoiar o seu clube, caem mais uma vez no ridículo, pois esquecem-se que, historicamente, todos os casos mais graves associados a violência ou crime no nosso país, tiveram sempre um fio condutor: os adeptos do benfica!

Comecemos por fazer uma breve resenha das ocorrências mais marcantes:
  • Na final da taça de Portugal de 1996, um adepto do Sporting é morto depois do lançamento de um very-light por parte de um lampião. O que aconteceu ao slb? Nada!
  • Na época seguinte, o autocarro que transportava a nossa equipa de hóquei em patins, é alvo de uma emboscada na saída da luz, com toda a comitiva a ser agredida e Filipe Santos a ter corrido risco de vida. Dadas as irrelevantes punições, o FC Porto abdica do resto do campeonato, portanto, o que aconteceu ao slb? Nada!
  • Saltamos até 2008, onde um autocarro da claque Super Dragões é incendiado às portas da luz enquanto decorria um slb-FC Porto de hóquei em patins. O que aconteceu ao slb? Nada!
  • Ainda em 2008, rebenta o único processo em massa relativo a violência no desporto. Protagonistas? A ilegal claque do slb, no name boys. Várias dezenas de elementos são detidos sob a acusação, entre outros, de associação criminosa e posse de armas proibidas. Esses crimes aconteciam e eram programados, na sua maioria, nas instalações do slb, onde o seu presidente mantinha (e mantém!) o apoio a uma claque ilegal, o que viola a legislação em vigor (* ver vídeo abaixo). O que aconteceu ao slb? Nada!
Após estes 4 casos que fazem parte daquilo que de mais negro alguma vez ocorreu, vamos viajar até factos mais recentes. Obviamente que todos nos recordamos do sporting-slb de 2015, onde adeptos lampiões lançaram diversas tochas e petardos na direção da lagartada, isto, após no dia anterior num jogo de futsal, terem aberto uma tarja a comemorar o “Very Light 96” ao som dos cânticos “Amanhã há mais”. Ou seja, há aqui uma clara relação causa/efeito. O que aconteceu ao slb? Nada!

Até a nível europeu, todos se recordam de factos idênticos que ocorreram num célebre Atlético Madrid vs slb, onde foram lançadas diversas tochas para a bancada dos adeptos colchoneros, tendo uma delas caído precisamente junto de uma criança.

Julgo eu que estamos conversados sobre o histórico e percurso dos adeptos lampiões... tudo malta bem comportada!

Mas falemos daquilo que está a ocorrer precisamente neste campeonato.

Quem não está a dormir, vê e ouve bem, e está atento a estas coisas, percebe que a lampionagem já é a grande vencedora do campeonato da pirotecnia dos estádios portugueses, a tal pirotecnia proibida, e que de repente alguns se lembraram de, por factos isolados, quererem atingir os adeptos do FC Porto e inerentemente o clube.

Para não apelarmos à memória fotográfica de cada uma das pessoas (é óbvio que todos se lembrariam de muitas mais tochas e petardos nos jogos do slb do que nos do FCP), vamos a factos concretos que são avaliados, semana após semana, pela entidade que organiza os campeonatos: a Liga Portuguesa de Futebol Profissional!

Semana após semana, às terças feiras, a LPFP publica o mapa de castigos a aplicar a cada um dos clubes. Neste particular, o slb é o campeão incontestável. E para não se pensar que estamos perante uma situação pontual:
Ora, o acabado de retratar, são os factos objetivos que resultam da análise de quem regula o futebol. Não são campanhas de paineleiros, programas da CM TV, notícias ou editoriais encomendados. Não... são factos! Perante isto, é preciso ter muita lata para ainda se falar que o FC Porto pode ser alvo de penalizações adicionais por mau comportamento dos adeptos. Quando isso acontecer, seguramente que nessa altura o slb já jogou 3 jogos em Marte e outros 3 em Júpiter!

Até logo, no sítio do costume!

(*) Recomenda-se o visionamento deste VÍDEO, em particular do minuto 2:25 em diante. A legislação proíbe os clubes de apoiarem grupos organizados de adeptos que não estejam legalizados. Na luz, nenhum grupo é legalizado, logo o slb não poderia conceder apoio a ninguém. Que o fazem e violam a lei, todos ia-mos sabendo pelo que se dizia. Aliás, há escutas em que Luís Filipe Vieira é apanhado a dizer que teve reuniões com elementos dos no name boys a prometer a devolução da “casinha”. Mas aquilo que se dizia, agora tem provas! O vídeo é esclarecedor e prova que mais uma vez estes senhores vivem à margem da lei.