10 setembro, 2011

Uma questão de nervos

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

FC Porto 3-0 Vitória Setúbal

Liga 2011/12, 4ª jornada
9 de Setembro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência: 36.511 espectadores.


Árbitro: Marco Ferreira (AF Madeira).
Assistentes: Sérgio Serrão e Cristóvão Moniz.
Quarto árbitro: Manuel Oliveira.

FC PORTO: Helton «cap.»; Fucile, Rolando, Maicon e Alvaro; Souza, Defour e Belluschi; James, Kléber e Cristian Rodríguez.
Substituições: Souza por João Moutinho (46m), Kléber por Hulk (71m) e Cristian Rodríguez por Djalma (81m).
Não utilizados: Bracali, Walter, Mangala e Fernando.
Treinador: Vítor Pereira.

V. SETÚBAL: Diego; Peter Suswam, Ricardo Silva, Anderson do Ó e Miguelito; Hugo Leal, Bruno Amaro, e Zé Pedro; Jorge Gonçalves, Cláudio Pitbull «cap.» e Neca.
Substituições: Hugo Leal por João Silva (59m) e Jorge Gonçalves por Rafael Lopes (71m).
Não utilizados: Ricardo, Tengarrinha, Igor, Michel e Bruno Severino.
Treinador: Bruno Ribeiro.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores: João Moutinho (53m), James (75) e Belluschi (88m).

Disciplina: cartão amarelo para Maicon (17m), Anderson do Ó (40m), Neca (44m), Cristian Rodríguez (52m) e Alvaro (54m).

Com uns meros três dias de intervalo entre o último jogo a contar para o campeonato, o FC Porto entrou com um onze retocado, sendo o meio-campo o sector com maior número de modificações, com Defour e Souza a entrarem para os lugares de João Moutinho e Fernando, respectivamente. Talvez por esse motivo, os dragões entraram algo lentos na circulação de bola, com dificuldades em ultrapassar um adversário que apostara em duas linhas de quatro jogadores, com Neca atrás de Pitbull, na frente.

Com Bruno Amaro a encostar em Belluschi e Hugo Leal em Defour, os azuis e brancos denotavam dificuldades em fazer chegar a bola aos extremos James e Cristian Rodríguez, ambos com tendência para flectir para o meio. Se, na esquerda, Álvaro Pereira ia assumindo algumas das despesas ofensivas, o mesmo não se podia dizer de Fucile do lado contrário, graças a uma relação tradicionalmente mais difícil com bola.

A partida foi decorrendo nestes moldes até ao minuto 21, altura em que Souza e Rolando enviaram a bola por duas vezes à trave, na sequência da mesma jogada. A partir desse momento, os campeões nacionais pareceram acordar definitivamente para o jogo, proporcionando mais velocidade à circulação da bola e maior dinâmica nas movimentações. Ao 28º minuto, Kléber fez tremer novamente a barra da baliza de Diego após excelente passe de James e, seis minutos depois, foi o próprio James que quase marcava num cruzamento-remate. O FC Porto chegava ao intervalo com oportunidades suficientes para se adiantar no marcador, mas com algumas dificuldades em descobrir espaços em jogadas de bola corrida.

A segunda parte trouxe João Moutinho e, com ele, uma equipa transfigurada. Com o antigo sportinguista no lugar de Souza, o futebol portista ganhou outra velocidade em posse e outra agressividade na recuperação da bola. Como tal, foi sem surpresa que o próprio João Moutinho assistiu Defour para uma grande defesa de Diego e, 9 minutos volvidos, se encarregou de abrir as portas da vitória com um remate colocado de fora de área, depois de mais uma acção de pressão na saída de bola setubalense.

Sucederam-se então uma mão-cheia de oportunidades de golo (falhadas pelos azuis e brancos ou defendidas pelo guardião do Vitória de Setúbal), que culminaram com duas assistências de golo de Hulk (que havia entrado aos 71' para o lugar de Kléber) para os golos de James e Belluschi, respectivamente.

Depois do primeiro golo, os forasteiros tentaram reagir, transformando-se num 4x3x3, com Helton a ter de fazer uma intervenção apertada aos 71', a remate de João Silva. Ainda assim, viu-se pouca intenção ofensiva por parte dos visitantes e uma aparente desorganização após o primeiro golo.

Em suma, uma vitória bem conseguida do FC Porto, que aproveitou o intervalo para definir ideias, tendo feito uma segunda parte de boa qualidade, tanto ao nível da pressão na recuperação de bola como da dinâmica que imprimiu na etapa complementar - atributos suficientes para vencer o adversário e poupar esforços para o próximo jogo, já na próxima terça-feira, a contar para a Liga dos Campeões.

Positivo: Defour. O médio belga é de facto quase um clone de Moutinho. Eficaz na pressão ao portador da bola, simples no passe e desmarcação, ainda que vá acusando alguma falta de entrosamento, como seria expectável.

Negativo: Souza. O pivot defensivo brasileiro continua sem conseguir convencer adeptos e treinador, não obstante as oportunidades concedidas. O seu posicionamento defensivo continua a deixar a equipa vulnerável e a saída de bola peca quase sempre por ser excessivamente complicativa.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Colectivo e individualidades
“O FC Porto vive fundamentalmente de um colectivo forte e depois, dependendo da inspiração, sobressaem alguns jogadores. Temos muitos atletas com qualidade técnica e é natural que surjam lances e golos bem conseguidos.”

Ideias próprias
“Sou um adepto de um jogo de posse, bem jogado, de toque, que proporcione muitos golos. Essas ideias eram partilhadas pelo André [Villas-Boas] e por mim, na época passada. Para além disso, tenho ideias próprias, em termos de dinâmica e de questões defensivas. O FC Porto ainda vai crescer, mas, mais do que o trabalho do treinador, é importante dizer que temos um plantel com jogadores muitíssimo talentosos, que, quando têm liberdade para decidirem, exprimem a sua qualidade. Assim, surgem momentos de espectáculo que eu gosto de ver e os adeptos também.”

Substituição ao intervalo
“Numa primeira parte bem conseguida, faltou um golo para dar tranquilidade à posse de bola, que nos desse a paciência para esperar pelo momento certo para penetrar nos espaços. A substituição ao intervalo não tinha a ver com a exibição do Souza, mas com uma dinâmica diferente que o Moutinho proporciona, pelas características que tem. Este jogo pedia-nos outra coisa e, tendo em conta essa dinâmica, decidimos entrar desta forma na segunda parte e as coisas saíram como perspectivávamos.”

Equipa a crescer
“Esta equipa vai crescer naturalmente, para mais qualidade e agressividade. É uma questão de tempo. Os resultados que conseguimos até agora foram normais, nada do outro mundo, mas sim o que nos competia. Vamos crescer ainda para mais qualidade de jogo.”

O elogio de Hulk
“Todos os jogadores estão dentro dos objectivos colectivos e a qualquer momento podem ser chamados e têm de corresponder. Queria sublinhar uma coisa: o Hulk é um craque, mas da cabeça aos pés. Tem humildade, espírito de sacrifício e não tem problema nenhum em sentar-se no banco. Não é só craque pelo que produz, mas pelo que nos dá em termos de grupo. É um líder que tem essa liderança pelas acções e pela humildade. Estou agradecido pelo que nos dá e todos estamos agradecidos como grupo.”

Apelo aos adeptos
“Queria pedir à nossa grande massa associativa, que, com sentimento Porto, de orgulho, encha um estádio lindíssimo como o Dragão e dê à Europa um grande espectáculo, contra uma grande equipa europeia como o Shakhtar. Precisamos de uma casa cheia e de um calor enorme vindo de fora e estamos a contar com o apoio da massa associativa.”



RESUMO DO JOGO

12 comentários:

  1. possa :) 8 golos numa semana de trabalho :)

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  2. De acordo com a crónica do nosso “Oculto”. Parabéns pelo texto.

    Não gostei da primeira parte do FC Porto, ainda que houvesse 3 bolas na barra. A segunda parte foi de luxo! Equipa mais subida e pressão alta, foram as chaves da nova dinâmica. Realces para Défour (temos jogador), Belluschi (que visão de jogo! Esteve nos 3 golos), Moutinho (joga sempre bem…), Hulk (duas assistências para golo com 20 minutos em campo…!), Christian Rodriguez (muito esforçado, batalhador), James (que pés, que perfume o seu futebol!) e… Helton (os guarda-redes são poucas vezes designados; Helton está lá e bem).

    A saída de Souza (sobre ele estou plenamente em sintonia com o “Oculto”) coloca uma questão que, a partir de hoje, se torna de uma importância capital na equipa: poderemos jogar sem Fernando e/ou Souza? Se sim então quem deve desempenhar o papel de trinco? Moutinho, Defour, Guarin? Eu apostava num dos dois primeiros com incidência no Moutinho. Seja como for uma vantagem evidente: será um trinco muto mais desenvolto que Fernando ou Souza para despoletar jogadas ofensivas. Vítor Pereira, só ele, saberá o que fazer; mas é uma questão interessante que eu gostaria de ver lançada em debate neste blogue.

    Em suma: FC Porto com uma excelente 2.ª parte, num jogo muito difícil ante uma equipa do Vitória de Setúbal bem organizada e com alguns bons executantes.

    E lá vamos, de vento em popa!

    Um abraço.
    BIBÓ PORTO!
    Fernando Moreira (Dragão Azul Forte)

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  3. Boa noite,

    Hoje fizemos um excelente jogo, sufocamos o Setúbal, e houve magia no sobre o relvado do Dragão.

    O nosso meio campo esteve muito bem, sobretudo após a entrada de Moutinho, a criar muitas situações de golo.

    O tridente Moutinho/Defour/Belluschi vai dar muito que falar. Grande dinâmica deste trio. Defour faz carrinhos!!!! e tem uma excelente capacidade de passe! Este jovem belga em pouco tempo poderá agarrar um lugar mais habitual na equipa.

    O Setúbal só não saiu goleado do Dragão devido à exibição de Diego e à nossa falta de sorte.

    Efectuamos perto de 30 remates em cerca de 60 ataques. Foi um caudal ofensivo tremendo.

    Destaques individuais para Defour, Belluschi e Moutinho. Um dos três pode ser o melhor em campo.
    Hulk em 20 minutos fez duas assistências para golo ... fantástico. James ... bem este menino se tiver cabecinha vai ser a revelação da época.

    O Setúbal só por uma ocasião incomodou Helton.
    Este Setúbal tem equipa para mais e melhor. O seu treinador estacionou o autocarro, traçando uma estratégia ultra defensiva. Na minha opinião vai ser a próxima chicotada psicológica da época.

    Nota negativa para o árbitro. Uma galinha com capacidade de assoprar fazia melhor trabalho.

    Realce para o fantástico apoio do público.

    Abraço e bom fim de semana

    Paulo

    pronunciadodragao.blogspot.com

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  4. Viva !

    Mais uma Vitória mais uma Alegria!

    Não perder pontos em casa parece-me essencial.

    Todavia, foi um jogo aborrecido tal a supremacia do Porto foi evidente.

    Com um relvado em boas condições e um estádio de futebol digno, o Porto parece fazer parte dum outro planeta no âmbito do futebol Português. Fica a saber se, duma certa maneira, o campeonato Português não tira competitividade ao Porto ?

    Gostei de Defour. Parece-me ser da escola dos "Diables Rouges"/ nome da equipa Belga. Discreto, útil
    e que trabalha para o colectivo.

    E Viva o Porto !

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  5. Defour !!
    bien bien

    Temos jogador.

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  6. caríssimo,

    ainda estou belluschiado® com a exibição de hoje ;)
    penso que paulatinamente o nosso mister está a conduzir a água ao seu moinho.


    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo II

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  7. Depois de um período que durou 15 a 20 minutos, em que a equipa pareceu desorganizada, lenta, previsível e sem encontrar as melhores soluções para desmontar a teia sadina, o F.C.Porto arrancou para uns 25 minutos finais da 1ª parte de grande domínio, excelente dinâmica, encostou o Vitória lá atrás e só não chegou ao intervalo a vencer por manifesta falta de sorte. Se a diferença mínima, seria escassa, o nulo era uma grande injustiça.

    Se a 1ª parte foi muito boa, se excluirmos os referidos minutos iniciais, a 2ª foi fantástica. Tirando Souza - não estava a jogar mal...- e fazendo entrar J.Moutinho, o técnico portista disse ao que ia. O pequeno grande jogador, que ainda não tinha aparecido ao nível da temporada anterior, entrou muito bem, começou a "pegar" mais à frente, arrastou com ele Defour, Belluschi e a equipa, para uma exibição de grande qualidade, com períodos de grande fulgor, empolgamento e galvanização, que entusiasmaram os mais de 36 mil espectadores que se deslocaram ao Dragão.

    Como corolário e naturalmente, o golo apareceu e por quem tinha feito por isso, o inspirado nº 8 do F.C.Porto. A ganhar a equipa não baixou, nem o ritmo, nem a qualidade e numa jogada belíssima que meteu toque de calcanhar de Hulk, James fez o 2-0 e sentenciou o jogo. A perder por dois golos de diferença e sem nada a perder, o Setúbal reagiu, incomodou por duas vezes Helton, mas o capitão portista evitou a alteração do resultado com duas belas defesas. O terceiro, por F.Belluschi, deu outro colorido a um marcador, que, mesmo assim, ficou aquém do que a equipa campeã nacional merecia.
    Resumindo: uma bela noite de futebol e uma exibição que convenceu o mais exigente dos adeptos. Estamos no caminho certo, temos qualidade e quantidade para mais uma época à altura dos pergaminhos do melhor clube português.

    Notas finais:
    Moutinho foi grande, mas não foi o único. Houve vários, mas apenas vou abrir outra excepção e referir outro que me encheu as medidas: S.Defour.
    Quem joga pela primeira vez a titular e perante a exigente plateia do mais belo estádio do mundo, mostra tanto à vontade e qualidade, como se estivesse no F.C.Porto há muitos anos, só pode ser um grande jogador e uma grande aquisição.

    Pela negativa, tenho pena, mas só pode ser Maicon. Mas também esperava mais de Kléber...

    Abraço

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  8. Faltam 26... rumo ao 26º!

    Temos equipa!

    Abraço

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  9. Se os "ferros" não jogassem , seria outra chapa 5 , ao menos ! Mas chegou !
    BIBOPORTO CAMPIOM DESTA EPOCA EM JOGO!
    (ps-o meu avô não gramou nada essa de lhe chamar "ex-lagarto" ao NOSSO J.M.)

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  10. Jogo com algumas dificuldades iniciais, sobretudo na conquista de espaços da manobra ofensiva, de algum modo superadas depois dos vinte minutos iniciais.

    Depois foi uma exibição em crescendo, com belos nacos de futebol fluído, dinâmico, inteligente e por vezes belo.

    O segundo golo foi, para mim, o corolário do melhor, explanado em campo. Lance corrido, simples, muito bonito e eficaz, ao melhor estilo do famoso Tiki-Taka catalão.

    O 3-0 final acaba por não reflectir a gritante diferença de nível das equipas nem faz jus à qualidade do futebol ofensivo portista bem como às enumeras oportunidades desperdiçadas. Só a barra desfez três dessas oportunidades!

    Um abraço

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  11. parecia estar a preparar-se para ser uma noite de sofrer até ao último suspiro, se pensarmos que só nos primeiros 45m, poderíamos ter matado o jogo... mas foi preciso a entrada da artilharia sentada no banco para arrebentar com a resistência dos sadinos... e golo ante golo, só parou aos 3.

    4 jogos, 4 vitórias, 12 pontos, liderança isolada!!! melhor? nem na farmácia.

    Defour... humm, temos ali jogador e pa brilhar... vai uma aposta?!

    ps - parabéns Oculto por esta crónica... comungo totalmente.

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  12. Queria apenas agradecer não só as vossas palavras de incentivo, mas, acima de tudo, as inúmeras dicas e opiniões de quem insiste em ter uma visão crítica dos jogos do FCP. Também para mim este espaço é muito útil, pois já aprendi bastante nestes (ainda curtos) tempos.

    Um abraço colectivo

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