24 setembro, 2008
23 setembro, 2008
Entrevista com um dos heróis de Novara 86
Víctor Bruno, agora retirado da modalidade, é o habitual comentador na RTP2 dos jogos de hóquei em patins que a televisão pública nos concede de vez em quando. Victor Bruno foi campeão nacional pelo FC Porto por 7 vezes sendo ainda Campeão da Europa pelo nosso clube em 1986 numa final memorável que se decidiu em Novara e ainda em 1990 numa final que se decidiu em Noia. Foi também campeão da Europa e do Mundo pela Selecção Nacional (1987 e 1991).
Foi destaque num capítulo das glórias do passado em 29 de Abril (aqui) e agora é com todo o prazer que publico esta entrevista exclusiva que o Victor nos concedeu na última semana.
ENTREVISTA EXCLUSIVA
Victor Bruno, ex-jogador de hóquei em patins do FC Porto1. Qual foi o momento mais emocionante que viveste com a camisola do FC Porto?
Felizmente foram muitos pelo que é difícil escolher só um. Vou no entanto indicar dois que, decorridos todos estes anos ainda me estão bem frescos na memória. O 1º campeonato Nacional que ganhamos. Na penúltima jornada jogamos nas Antas contra o Benfica com o pavilhão completamente cheio num final de Julho. O ambiente era espectacular mas o ar irrespirável, pelo calor, n.º de pessoas e porque ainda se podia fumar dentro dos pavilhões. Valeu a pena, no final a festa foi para jamais esquecer. O 2º momento foi a 1ª Taça dos Campeões Europeus que ganhamos em Novara (1986). Relativamente a esta não faço comentários porque a melhor descrição está no vosso blog (aqui).
2. Ainda consegues recordar os momentos vividos nas finais da Taça dos Campeões diante do Novara (1986) e Noia (1990)?
Claro que sim. Foram duas finais completamente diferentes. A de Novara é inesquecível pelo facto de levarmos do Porto uma vantagem de dois golos e ao intervalo em Novara perdíamos por 1-5. Na 2ª parte viramos para 7-5 e o jogo nem terminou porque o árbitro a cerca de 5 minutos do final entendeu não haver condições para o prosseguir. Na final de Noia foi diferente porque levamos das Antas um resultado confortável o que nos permitiu gerir essa vantagem e fazer um grande jogo com mais uma vitória. Foi na véspera de S. João pelo que o festejámos em Barcelona.
3. Qual o campeonato ganho pelo Porto que mais gozo te deu?
De uma forma geral todos eles deram-me um enorme gozo porque cada um teve a sua história, umas vezes com o Benfica outras com o Sporting só mais tarde apareceu o Barcelos.4. Qual o treinador e jogador que mais te marcou em toda a tua carreira?
De uma forma geral ao longo da minha carreira tive o privilégio de ter tido bons treinadores, no entanto queria realçar dois em especial, quer pela sua qualidade quer pelo que me marcaram a mim e ao hóquei. O António Livramento e o Cristiano. Quanto ao jogador, a nível nacional o Vitor Hugo, a nível internacional o Daniel Martinazo.
5. A dupla Victor Bruno/Vitor Hugo entendia-se praticamente de olhos fechados, era assim?
De certa forma. Foram tantos anos a jogar e treinar juntos que praticamente sabíamos os movimentos e os espaços que cada um ocupava.
6. Foi difícil a decisão de terminar a carreira como jogador? E agora quando e como se consuma o teu regresso à modalidade, apesar de te ouvirmos assiduamente nos comentários na RTP2?
Depois de estar tantos anos ligado ao hóquei, ter feito parte de uma geração de jogadores e de uma equipa que tantos títulos ganhou não foi fácil tomar a decisão. Foi tomada com muita ponderação e hoje não estou arrependido do seu timing. Um dia destes ainda vouregressar !!!
7. Nunca te aconteceu estares a comentar na RTP2 e um golo do Porto quase te deixar fora de controlo?
Já, mas tenho-me conseguido controlar. Como já faço comentários há vários anos a experiência adquirida ajuda-me.
8. Peço-te uma opinião sobre os seguintes nomes, Ilídio Pinto, Franklim Pais, Cristiano Pereira, Tó Neves e Vitor Hugo.
O Sr. Ilídio Pinto é o melhor Dirigente Desportivo do Hóquei Português de todos os tempos. Só conheço um dirigente comparável a ele a nível Nacional e provavelmente a nível mundial, o Presidente Pinto da Costa. Quanto aos outros quatro, são todos símbolos do desporto Português, do Hóquei em Patins em particular, e já agora grandes amigos com quem tive o privilégio de partilhar os melhores momentos da minha vida desportiva e pessoal.
9. Peço-te agora o cinco ideal da história do FC Porto.
- Franklim, Alves, Vale, Cristiano e Vitor Hugo
10. O FC Porto acabou de garantir o hepta. Como viveste mais este título do FC Porto? Até onde chegará esta equipa Portista?
Em Portugal, vai ser difícil a curto prazo o Porto perder a hegemonia. Falta a esta equipa afirmar-se a nível internacional.
11. O que representa para ti o FC Porto e o hóquei em patins?
Eu diria que quase tudo. Passei os melhores anos da minha vida a jogar hóquei ao serviço do FC Porto e com um grupo fantástico de pessoas, desde os Dirigentes até aos colegas de equipa. Foram momentos inesquecíveis.
12. Neste blog damos espaço às modalidades e recordamos também as suas glórias do passado. Qual a tua opinião sobre esta iniciativa? Peço-te uma mensagem final para os nossos leitores.
Acho estas iniciativas fantásticas. Dão a conhecer um pouco das glórias do passado e permitem o avivar de momentos inesquecíveis.
Um grande abraço para todos os leitores com saudações Portistas.
Viva o F.C. Porto.
Victor Bruno.
(1º FC PORTO - 11 pts/4 jgs; 2º Benfica - 11 pts/4 jgs; 3º Belenenses - 9 pts/4 jgs)
Uma boa casa na Póvoa de Varzim numa tarde de sábado que se tornou subitamente chuvosa. Nas bancadas do magnífico pavilhão vislumbrei o nosso amigo Dragão Vila Pouca e acomodei-me para 60 minutos de bom andebol. O FC Porto durante a 1ª metade encontrou sempre na juventude do adversário um factor de dificuldade acrescida mas nos últimos 5 minutos da 1ª metade os Dragões aproveitaram algum desnorte defensivo e ofensivo dos Aveirenses e adquiriram uma vantagem de 19-13 ao intervalo. Este São Bernardo que nos eliminou no play-off da época transacta estava, desta vez, a levar com um FC Porto determinado e confiante.
Na 2ª metade Eduardo Filipe continuou certinho e muito eficaz na longa distância mas foi também muito bem acompanhado pelos pontas Sérgio Martins (principalmente na 1ª parte) e Ricardo Moreira. Em bom nível estiveram também Filipe Mota (excelente início de época), Inácio Carmo, Tiago Rocha e Wilson Davyes. Na defesa há pormenores ainda a corrigir mas Manuel Arezes (na foto em cima), Inácio Carmo, Filipe Mota e Eduardo Filipe formam ali um muro de betão que em breve será reforçado pelo Álvaro Rodrigues.
Os Aveirenses ainda chegaram aos 3 golos de diferença mas o Porto soube sempre tomar as melhores decisões no ataque e por isso nunca a vitória esteve em causa. Arbitragem com muitos exageros a nível disciplinar (13 exclusões, 7 para o FC Porto...). Este Porto está mais seguro de si mesmo, mais confiante e o técnico Carlos Resende tem-me surpreendido pela positiva não rodando exageradamente a equipa, apostando em Filipe Mota a central, e acima de tudo tem passado serenidade para dentro do campo. Isto promete!
O FC Porto joga na próxima ronda na Madeira no dia 4 de Outubro (17h). Este fim de semana o Sporting depois de perder na Luz (30-25) voltou a ser derrotado pelo Belenenses (29-32) enquanto o ABC voltou a perder diante do Benfica (26-25), tendo este último subido ao 2º lugar com os mesmos pontos do líder FC Porto.DRAGÃO DE OURO: Eduardo Filipe
Voltou a brilhar este fim de semana. 11 golos com remates de longa distância mas também outros pormenores excelentes com golos de 2ª linha, organização de jogo, belas assistências para os colegas de equipa, 100% de eficácia nos livres de 7 metros. Enfim, encheu-me as medidas. Realce ainda para os 6 golos de Ricardo Moreira e de Sérgio Martins, jovem ponta esquerda do FC Porto. Grande golo marcou Wilson Davyes num remate do meio da rua.
Saudações Portistas,
Lucho.
Faleceu Adolfo Roque!
Faleceu esta segunda-feira, vítima de doença, Adolfo Roque. Foi um dos fundadores da Revigrés, Main Sponsor dos Dragões, e ocupava até à data a presidência dos Conselhos Fiscais do Clube e da Futebol, SAD. À sua família, o FC Porto endereça as mais sentidas condolências... [momento ao qual o blog BiBó PoRtO, carago!!, e em nome de todos os seus colaboradores, também se associa].
O funeral de Adolfo Roque realiza-se esta terça-feira, às 18h00, na Igreja de Barrô, em Águeda.
Engenheiro de formação, Adolfo Roque integrou o grupo de empresários que, em 1977, fundaram a Revigrés, empresa à qual o FC Porto se associou em 1983, numa iniciativa inédita em Portugal. Os Dragões foram o primeiro clube português a celebrar contrato com um patrocinador e a inserir publicidade nas camisolas.
Em parceria há 25 anos, FC Porto e Revigrés são hoje praticamente indissociáveis. A marca de material cerâmico carimbou presença em quase todas as grandes conquistas azuis e brancas, incluindo o pentacampeonato (1995 a 1999), a Taça UEFA (2002/03), a UEFA Champions League (2003/04) e Taça Intercontinental (2004/05).
O contrato entre Dragões e Revigrés foi redefinido em 2003/04, ano a partir do qual a marca deixou de aparecer nas camisolas utilizadas nas competições nacionais, passando a figurar apenas nas camisolas utilizadas nas provas internacionais.
Em 2007/08, face à excelente e sólida relação entre as duas partes, o FC Porto distinguiu a Revigrés como seu Honorarium Sponsor, título até então inexistente (e ainda exclusivo da Revigrés) na história do clube.
in fcporto.pt
Parabéns, Fokinha!
[ são os votos do bLuE bOy, Lucho, Estilhaço, Paulo Pereira, MrCosmos,
Bruno Pinto, Heliantia, PortoMaravilha, Tiago, Sodani, RCBC, Bruno Rocha, Dragon Soul e CJ ]
- sei que a 21 já chegou... bem mais célere que aqui a tua prendinha do dia 21... mea culpa; perdoado? -
22 setembro, 2008
E tudo a intempérie levou...
21 de Setembro de 2008
Liga Sagres 2008/2009
Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde
assistência: --- espectadores
árbitros: Pedro Proença (AF Lisboa), Tiago Trigo e André Campos; Vasco Santos.
Rio Ave: Paiva; Miguel Lopes, Gaspar, Bruno Mendes e Sílvio; André Vilas Boas, Niquinha «cap.», Livramento e Delson; Chidi e Evandro
Substituições: Livramento por Tarantini (65m), Chidi por Semedo (70m) e Niquinha por André Carvalhas (92m)
Não utilizados: Mora; Jorge Humberto, Wires e Ronaldo
Treinador: João Eusébio
F.C. Porto: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Fucile; Fernando, Lucho «cap.» e Raul Meireles; Mariano, Lisandro e Rodríguez
Substituições: Mariano por Hulk (60m), Fucile por Lino (60m) e Raul Meireles por Candeias (78m)
Não utilizados: Nuno; Pedro Emanuel, Farías e Tomás Costa
Treinador: Jesualdo Ferreira
Disciplina: cartão amarelo para Rolando (21m), Fucile (23m), Livramento (29m), Lucho (47m), Hulk (81m) Rodríguez (90m).
Golos: ---.
Estamos de regresso às competições internas, depois da sabática paragem para ver jogar a Selecção e que serviu de ressuscitamento dos críticos de Queiroz, espécie de guarda pretoriana deixada por Scolari para defender o seu legado…
Esquecidas já as emoções europeias, ao Porto cabia realizar nova deslocação, depois de na pretérita jornada se ter deslocado a paragens sulistas. A viagem, desta feita, bem mais curta, em direcção à terra que serve de residência a um dos indefectíveis defensores portistas deste blog, Lucho himself, juntando a sua garganta a milhares de outras, num apoio nunca regateado à paixão azul e branca. Os pupilos de Jesualdo sabiam de antemão que não iriam ter vida fácil. Apesar de primodivisionário, o Rio Ave tem currículo na primeira Liga, tendo recebido um balão de motivação com o empate na ronda inaugural, frente aos comandados de Quique Flores…
Afastada a questão lateral que marcou aparentemente a agenda azul e branca, durante a semana, com os assobios dos “profissionais” do costume a ganharem uma inusitada visibilidade, o início do jogo provou quão prematura foi a discussão nas páginas da imprensa sobre o tema. Uma imensa legião de apoiantes, dispostos a amparar a equipa, como sempre, em qualquer altura, numa nova e repetida manifestação de fé clubista, mesmo debaixo da intempérie que assolou o País.
Sabendo-se de antemão que Jesualdo é um técnico convencional na preparação dos jogos, não eram de esperar alterações na composição do onze inicial, que subiria ao relvado do Estádio dos Arcos. O 4-3-3 habitual subiu ao campo, com a alteração previsível na ala esquerda, saindo o apagado Benitez para a entrada do fulgurante Fucile. Compreende-se o porquê da mudança operada pelo técnico portista. Sendo Rodriguez um puro-sangue genuíno, arma letal no ataque, Jesualdo necessitava de alguém capaz de cobrir na perfeição o flanco, disponível fisicamente para um apoio consistente ao ataque, mas capaz de se desenvencilhar solitariamente numa porfiada defesa do lado esquerdo. Alguns estranharão a opção, clamando contra a permanência a titular de Sapunaru, o romeno que tem vindo, paulatinamente, a desiludir as boas impressões deixadas na pré-temporada. Como não é possível a substituição de ambos, e tendo o jovem oriundo da terra de Drácula as costas quentes pelo posicionamento táctico de Mariano, a fava saiu a Benitez…
Do outro lado, também não existiram surpresas. O esperado 4-1-3-2, com dois jogadores que fazem da mobilidade a principal característica colados à defesa portista, e um trinco, respaldando as costas ao tridente do meio-campo.
O ritmo, pouco elevado de início, na denominada fase de estudo, apenas ajudou a clarificar que os vila-condenses iriam ser um adversário incómodo. Bem organizados em duas linhas defensivas, com uma pressão bem sustentada e que impedia o normal funcionamento do meio-campo azul e branco, conseguiram manter, ao longo da primeira metade, o Porto bem longe da zona de perigo.
Uma das raras excepções aconteceu num raide de Sapunaru, esquema perfeito do que se espera, e exige, a um lateral moderno e que enverga a camisola de um clube grande. Subida no flanco, tabelinha com Lucho, incursão na área adversária, capacidade de choque, sustendo a carga, para rematar já em esforço em cima de Paiva, guardião das redes do Rio Ave.
E foi só. Um jogo de luta, onde o fato-macaco substituiu os trajes de gala, mas sem brilhantismo, numa confrangedora falta de ideias. Esperava-se, nesta fase, que o intervalo fosse um bom conselheiro. O que se viu, nos primeiros 45 minutos, foi muito mau…
A segunda metade, iniciada sem alterações, trouxe a mesma toada de jogo vivo, com o domínio a ser claramente do Porto. No entanto, as dificuldades encontradas na primeira metade mantinham-se imutáveis. Jesualdo, exasperado com a gritante incapacidade de romper a defensiva vila-condense, resolve mexer na equipa. De uma assentada, faz a tradicional troca de extremos, penalizando novo jogo apagado de Mariano, fazendo entrar o possante Hulk, e retirando Fucile por troca directa com Lino.
Finalmente, o colete-de-forças começava a fechar-se, como uma tenaz, sobre o último reduto adversário. Rodriguez, até então a realizar o seu pior jogo de Dragão ao peito, agradece o beneplácito do treinador, que o deixou permanecer em campo, e mostra algumas centelhas do seu futebol raçudo e explosivo. Era um Porto autoritário que procurava agora, com enorme afã, chegar ao golo. E ele esteve perto. Tão perto. Várias vezes.- aos 57’ Sapunaru, novamente em incursão ofensiva, efectua um cruzamento-remate que causa calafrios aos anfitriões;
- Aos 63’, grande intervenção de Paiva, correspondendo com uma bela estirada ao remate de Lisandro, direccionado ao ângulo superior;
- 64’ e Rodriguez, de cabeça, perto de marcar;
- Aos 76’, depois de um cruzamento de Rodriguez, tenso, Sapunaru remate com estrondo ao poste;
- Na marcação de um livre, aos 80 minutos, remate perfeito de Bruno Alves. Paiva, quase de forma sobrenatural, toca no esférico desviando-o para o poste.
A asfixia vilacondense era total. Procurando resistir, no último estertor, os jogadores da casa cerravam os dentes. Já em desespero de causa, num futebol anárquico, Lisandro mostra como anda dissociado dos golos, nesta temporada. 88 minutos. O canto do cisne para os Dragões. A única falha de Paiva, saindo em falso num canto, deixa a baliza deserta, propícia ao empurrão de cabeça de Licha. O golo cantado ficou sufocado na garganta, por mílimetros. Caía o pano sobre o Estádio dos Arcos. Com um travo amargo na boca. Frustração. Perante um opositor mediano, que faz da bravura e estoicismo as principais armas, os pupilos de Jesualdo deram 45 minutos de avanço. E, quando começaram a jogar, mesmo nunca ultrapassando a classificação de suficiente, viram os esforços esbarrarem numa finalização desastrada, em sofreguidão que toldava os espíritos e em postes que, nesta temporada, teimam em impedir as bolas de entrar. 4 pontos de atraso à 3ª jornada, do líder Sporting, não podem deixar ninguém descansado.
Melhor do Porto: Lucho. Pode parecer redundante. Será, talvez. El Comandante não fez um jogo brilhante. Longe do fulgor de outras partidas, denotou no entanto uma inteligência acima da média, procurando bastas vezes servir os colegas, lutando por linhas de passe, aparecendo em zonas de finalização. O prémio poderia ser também de Sapunaru. Mais seguro a defender, apareceu algumas vezes no apoio ao ataque. E, sempre que o romeno se libertava dos demónios interiores que o tolhem, o perigo rondou a área vilacondense.
Rodriguez, mesmo com a última meia hora realizada, onde conseguiu alguns cruzamentos venenosos, esteve muito longe do esperado, raramente conseguindo soltar-se do seu adversário directo. E, por sinal, foi mesmo no seu flanco que Miguel Lopes, um lateral-direito de pelo na venta, procurou o contra-ataque, de forma desinibida, nada receoso por encontrar um Cebola pela frente. Fernando, deslumbrado pelas críticas positivas, esteve em dia-não, com perdas de bola em zonas proibidas, passes errados acima do expectável, nunca conseguindo articular o roubo da bola com a saída rápida para o ataque.
Arbitragem: Gosto da imagem de Pedro Proença. Do seu ar moderno. Do visual cuidado. Do esmero do cabelo. Do sorriso sincero. Da agilidade física. Ele é, provavelmente, o primeiro árbitro metrosexual do futebol português. Tem qualidade inatas à prática isenta do juízo de campo. Mas, numa daquelas bifurcações do destino, quiçá atormentado por coincidências, tem sempre a tendência de prejudicar o Porto. Não pretendendo transformar a perda de dois pontos na culpa exclusiva do homem do apito, geralmente o saco de pancada predilecto de muitos, não deixo passar em claro o erro, crasso, cometido aos 80 minutos. Na sequência do livre de Bruno Alves, que leva a bola a embater no poste, o esférico é claramente afastado pelo braço de um defesa da casa, perante a proximidade de um atleta portista na recarga. Penalty claro. Indiscutível. E um erro com previsível influência no resultado final. E assim, paulatinamente, este campeonato longo vai coleccionando erros que ajudam um contendor a isolar-se dos demais. Perante o silêncio cúmplice de todos…
21 setembro, 2008
Assobiar com educação…
Recém-promovido, o Rio Ave é o senhor que se segue, após duas épocas a militar no patamar inferior do futebol profissional e após as épocas de 03/04 e 04/05, onde sob a batuta de Carlos Brito, obteve um sétimo e um oitavo lugar.
Os Vila-condenses regressam ao convívio da principal Liga Tuga, e nem se pode dizer que o inicio de calendário tenha sido favorável, ao cimentar das pretensões e anseios de permanência. Com um ponto no alforge, fruto do resultado final frente às Gaivotas encarnadas, ocupam na tabela classificativa e ao fim de duas jornadas o 14º posto, logo acima da linha de água, a par de Belenenses e Paços de Ferreira.Parafraseando os entendidos do meio futebolístico, as estatísticas valem o que valem, a resenha histórica dos embates caseiros entre os emblemas em confronto no Estádio dos Arcos, dita dezasseis jogos em análise, onde consta uma vitória caseira, seis empates e nove derrotas, com clara supremacia na diferença de golos marcados (6/27), em favor dos Portistas. Nos últimos sete confrontos o Rio Ave apenas perdeu dois, sendo que do total dos dezasseis apenas venceu um, em 2004, um zero foi então o resultado final.
A visita ao Estádio dos Arcos surge na ressaca europeia do Dragão. Dessa partida ecoam assobios acossadas diatribes da revolução no sector defensivo Azul, e aparente debacle física da zona intermediária portista. Para quem entende um pouco dos meandros tácticos do futebol, pode bem correlacionar os factores e perceber o porquê deste Porto ainda não apresentar consistência capaz de suportar altos índices nas dinâmicas da partida e controlo dos ritmos de jogo.
Frente aos Vila-condenses não auguro nem prevejo uma defesa porfiada por parte dos donos da casa, até porque o seu timoneiro é adepto da marcação zonal em detrimento da individual, mas estou certo que escudados na habitual tenacidade das gentes do mar, (afinal Vila do Conde é terra de pescadores), o Porto de Jesualdo vai viver com a dúbia sensação de falta de ar, as zonas de pressão serão intensificadas sob o miolo e, ou muito me engano, ou os pupilos de João Eusébio vão parecer ser mais de onze. Ninguém espera por parte do Rio Ave uma atitude que não a de complicar a vida ao adversário, secundados pela ideia de pontuar, sem darem o corpo às balas, mas ávidos de dar o corpo ao manifesto. O sentimento de roubar pontos ao campeão nacional norteia a equipa, pois tudo o que seja para lá da derrota é bom resultado.
Para dar expressão a estas premissas importa lembrar que no plantel verde estão jogadores experientes, mantendo a base de outros anos constam no grupo jogadores como Niquinha, Evandro, Mora, Rogério Matias, Gaspar e André Vilas Boas, estes últimos com passagens inclusive pelo FCPorto.
Antever no adversário muito mais que isto confesso ser hercúlea tarefa, organizados ao ponto de terem agendado uma sessão de trabalho para as 21h, espécie de apuro nocturno afim de se adaptarem à iluminação artificial do estádio, metódicos na utilização da velocidade que põem no futebol pelas alas, existe normalmente um bom antídoto para estas armas adversárias. Marcar cedo!...Voltando um pouco atrás e ao deficit físico, nesta fase da época os tempos de recuperação e capacidade de regeneração do organismo permitem pelo menor índice de fadiga acumulada que o cansaço não se reflicta de forma tão evidente nos jogadores, no entanto e contrariando o pressuposto anterior fisiologicamente nesta altura da época o corpo convive pior com a sensação de cansaço provocado pelas cargas. Talvez por isso este Porto viva de coração nas mãos muito por força do binómio na relação do controlo dos tempos/ritmos de jogo.
Se opta pelo controlo de jogo, com os jogadores mais reféns do sentido posicional, a dinâmica parece de burguês, entregando o domínio territorial para depois saírem em elevados ritmos onde a moralidade e a superior iniciativa atacante, leva ao êxtase as bancadas do Dragão.
Se não veja-se os Azuis há muito que nos habituaram a ser uma equipa de posse de bola e de rápida incidência pela conquista da mesma, não variadas vezes sobem as suas linhas de pressão para a zona 3/4, o problema começa logo nessa vertente da reconquista da bola. Lisandro é um lutador nato, Rodriguez um ala de natureza incisiva na procura do um para um e mormente pela conquista da linha de fundo, mas tudo isto se desarticula como um fole de uma concertina mal tocada, pois se no flanco esquerdo reza assim a táctica, à direita manqueja.
Mormente a basculação entre sectores, fica vezes sem conta refém dos inúmeros espaços entre linhas, a zona nevrálgica do sector intermédio carece do poder de síntese e morte da posse de bola adversária, que Fernando ainda não acrescenta ao futebol Azul e branco. Se na direita Mariano invectiva por ser um apoio a Sapunaru, o romeno espartilhado pelo fantasma de Bosingwa, vê-se ultrapassado vezes sem conta pelo opositor nomeadamente quando a intenção deste é cruzar na área, obrigando ao desdobrar múltiplo dos mecanismos de compensação por parte dos centrais, também eles acometidos pelo hiato competitivo que lhes dificulta o entrosamento permitindo deste modo veleidades na cara do golo, outrora omissas.
Calafrios à parte, outra das incidências de jogo que não vejo ninguém referir é marcação à zona, nas bolas aéreas feitas pelo último reduto portista, com laterais que se posicionam e obstam mal aos cruzamentos a reacção as bolas cruzadas quer em cantos quer em bola corrida é deficitária, apanhando quase sempre em contra pé os defensores Azuis.
Este é um Porto de novas sinergias, onde apesar de tudo não se perdeu a herança das transições rápidas e fluentes, o futebol aveludado onde pontifica Lucho e os seus movimentos de ruptura configuram um futebol de cariz e pendor marcadamente ofensivo, mas onde o cartel sul-americano denota dificuldade de apreensão dos movimentos trabalhados, os 25m iniciais da noite europeia provam que apesar de um futebol ainda prematuro para noventa minutos existe capacidade para, com pulmão com trocas ininterruptas posicionais, deslocar qualquer densidade de jogo e de jogadores adversários.E como vai ser voraz essa densidade sob o relvado, com os espaços sobredimensionados em função dos pares que se vão criar, vai imperar o futebol de barba rija no sempre difícil terreno dos Vila-condenses, é necessário pois que o coração não se sobreponha a razão. Domingo no Estádio dos Arcos apoiados por certo por uma franja enorme de adeptos, certos de uma equipa de corpo são em mente sã, capaz de amealhar três pontos tão ou mais importantes para o objectivo máximo da época, é de importância maior encurtar distâncias para o topo da Liga sob pena de a perigosidade de ver-mos afastarem-se rivais comece a corroer psicologicamente a dimensão de líder que normalmente ostentamos, até porque se o andamento do campeonato levar o curso normal daqui a duas jornadas novos mil dias de liderança se iniciarão…
Na noite de Vila do Conde e no que concerne ao onze apresentar julgo não ser de todo errado apostar na equipa que defrontou os turcos, contudo Fucile poderá regressar aos eleitos após cumprir castigo uefeiro, seja para que flanco se equacione a sua entrada, Lino também espreita a titularidade, sendo também previsível e face a todas as nuances tácticas ao dispor do Mister que Guarin, Tarik e Tomas Costa tenham fortes possibilidades de serem acrescentados como soluções. Com todo o plantel a disposição eu apostaria em Helton, Sapunaru, B. Alves, Rolando, Fucile, Fernando Meireles, Lucho, Rodriguez, Mariano e Lisandro.
Não será propriamente um dérbi, não terá sequer a conotação de clássico, mas para os Dragões na Liga Sagres!!!... o resultado tu já sabes!!!
Guarda-redes: Helton e Nuno.
Defesas: Sapunaru, Bruno Alves, Rolando, Pedro Emanuel, Lino, Fucile e Benítez.
Médios: Lucho González, Raul Meireles, Fernando, Tomás Costa e Mariano González.
Avançados: Lisandro López, Cristian Rodríguez, Candeias, Farías e Hulk.
O dia a dia... em «super flash»
Nuno: «Queremos que a massa associativa nos apoie»
A dois dias de defrontar o Rio Ave, num campo «tradicionalmente complicado», Nuno diz-se «confiante» de que o F.C. Porto vai conseguir um «bom resultado» em Vila do Conde e deixa um apelo à massa associativa azul e branca: «Queremos que esteja do nosso lado e nos apoie».
Na «super flash» de antevisão do desafio da 3ª jornada da Liga 2008/09 (com início marcado para as 20h15 de domingo), que teve lugar esta sexta-feira de manhã, no CTFD PortoGaia, o guarda-redes afirmou ainda que os Tricampeões Nacionais esperam regressar à liderança do campeonato «o mais rápido possível», pois acreditam ser aí o seu lugar.
«Não sei se vou ser titular em Vila do Conde, mas sei que o facto de ser eu a falar na «super flash» não tem nada a ver com isso. Não passa por aí.»
«Esperamos um jogo difícil frente ao Rio Ave, num campo tradicionalmente complicado, mas estamos confiantes de que vamos conseguir um bom resultado.»
«O F.C. Porto tem uma defesa diferente, é verdade, mas continua a ter uma boa defesa. Estamos numa fase de entrosamento e conhecimento e tenho a certeza de que vamos melhorar e voltar a caracterizar-nos por sermos uma equipa que sofre poucos golos e que consegue fazer da sua estabilidade defensiva um grande ponto forte.»
«O Rio Ave é uma equipa que subiu de divisão, que faz dos jogos frente aos ditos grandes um momento de grande ilusão [provou isso contra o Benfica] e é, portanto, uma equipa que nos vai certamente dificultar a vida.»
«Um guarda-redes de uma equipa grande tem de estar constantemente concentrado, uma vez que, apesar de se encontrar pouco em jogo, os momentos em que é obrigado a intervir são sempre decisivos.»
«Jogar no Estádio do Dragão com os assobios dos nossos adeptos é como jogar em casa do nosso pior adversário. Não nos fortalece minimamente. Lamentamos que isso às vezes aconteça, mas vamos tentar inverter essa tendência.»
«É lógico que não gostamos que nos assobiem, até porque, por vezes, isso faz com que o nosso rendimento não seja o ideal, mas não podemos ir por aí. Jogar no Dragão é sempre um teste de fogo para qualquer jogador. Temos uma massa associativa que é caracterizada pela exigência, pois está habituada a vencer, sabemos que gosta de ver bom futebol e, acima de tudo, ganhar, e só queremos é que esteja do nosso lado e nos apoie.»
«Os que representam o clube há mais tempo procuram fazer ver aos que chegaram agora que o jogo não são os assobios [ele passa-se dentro das quatro linhas]. Todos sabem que têm a confiança extrema da equipa e do técnico e é disso que têm de fazer o seu futebol.»
«Ainda só disputámos duas jornadas e só não estamos na frente por causa de um resultado menos conseguido no Estádio da Luz. De qualquer forma, acreditamos que é aí o nosso lugar, pelo que vamos tentar chegar à liderança o mais rápido possível.»
«Não me sinto mais perto da titularidade. Sinto é que sou mais um jogador que trabalha neste plantel, que tem a convicção de que a sua oportunidade chegará, e vou tentar agarrá-la.»
«O meu papel no balneário é exactamente igual ao da época passada. Tenho a mesma responsabilidade, o mesmo sentido de ajuda e o mesmo companheirismo que sempre tive e sempre terei.»
in fcporto.pt
20 setembro, 2008
Corria o ano de 1996...
- Vamos para casa, o jogo deve estar quase a começar e ainda não jantamos.
- Já ligaste ao Jorge e à Sara? Eles vêm ver o jogo connosco.
- É isso. Liga, e diz-lhes para trazerem pizza, assim janta-se mais depressa. Ou melhor, não ligues, há uma pizzaria excelente perto de casa.
(…)
- Então, pá?!! Ainda temos de jantar e vocês não chegam?
- Estamos a chegar. Voltei para trás por causa do cachecol.
- Até já.
E eis que chegam: o Jorge devidamente engalanado com as cores encarnada e branca…
Jantar encomendado e ala que se faz tarde: rumo à sala de estar, escolher os melhores lugares e ver aqueles onze magnificos, com a camisola mais linda do mundo a entrar no relvado daquele antro: Wosniak, João Manuel Pinto, Lula, Jorge
Ainda eu não tinha tido tempo para me sentar, já a Sara gritava goooooooooooolo, perante o olhar incrédulo dos dois adeptos benfiquistas. Se bem me recordo, nem sequer reagiram. Os comentários entre eles eram mais que muitos e francamente muito animadores… até porque tinham na baliza, e passo a citar: um guarda-redes que era um “senhor”.
Seguem-se os restantes minutos da primeira parte, quando já bem pertinho do intervalo, o Futebol Clube do Porto, volta a marcar.
(sorrisos)
- Assim, não pode ser!!! Vêm estes Andrades à Catedral, e ao intervalo já nos estão a ganhar por dois?!!
- Deixa-os voltar… o Autuori no intervalo vai pôr a equipa a funcionar.
Os quinze minutos de intervalo são suficientes para ir ao café comprar tabaco, ouvir as lamúrias do dono do mesmo que tendo a infelicidade de ter numa das paredes colado um poster do SLB foi alvo de piadas, daquelas com sarcasmo à imagem de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Lamentei, nem eu nem a Sara termos um cachecol, uma camisola, o que quer que fosse do Porto. Mas para quem nós olhasse, não tinha como enganar: éramos adeptas do Futebol Clube do Porto! Orgulhosas dos “andrades” que foram à Luz marcar cinco golos sem direito a resposta.
Os jornais no dia seguinte, não deixavam marcas para duvidas: a superioridade do Futebol Clube do Porto fora por demais evidente.
É dos jogos do FC Porto que guardo com mais carinho,
Heliantia.
19 setembro, 2008
Meia equipa nova, igual exigência!
Foram contratados para 2008-09 Sapunaru, Benítez, Rolando, Fernando, Pelé, Guarín, Tomás Costa, Cristian Rodríguez e Hulk, além de podermos incluir nas novidades os jovens Candeias e Rabiola. Exceptuando Rolando e Rodríguez, cujo valor já conhecia, assim como Pelé e Fernando, de quem já tinha uma pequena ideia, a verdade é que a generalidade dos reforços chegaram ao clube como autênticas incógnitas, pelo menos para mim, sendo que alguns não foram nada baratos. Após os primeiros jogos oficiais efectuados, com Sporting, Belenenses, Benfica e Fenerbahçe, a minha perspectiva acerca dos novatos (Pelé e Rabiola serão 'esquecidos' pois ainda não jogaram) é a seguinte:
Sapunaru: é um lateral que tem defraudado as minhas expectativas até ao presente momento. O facto de ser internacional romeno e o seu elevado preço, fizeram-me acreditar que estávamos na presença de um jogador de assinalável craveira. Sem prejuízo de o seu rendimento poder melhorar no futuro e de eu poder mudar de opinião, até agora as suas performances foram insuficientes. A nível defensivo tem cometido algumas falhas e tem-se revelado algo permissivo e indulgente, precisamente o aspecto que se dizia ser o seu ponto mais forte. Ofensivamente, já se viu que não é muito rápido nem dá a profundidade desejada ao seu flanco, subindo raras vezes e nem sempre da melhor forma (curiosamente, contra os turcos, até deu o golo a Lino). Ainda não convenceu e espera-se que possa melhorar, mas, pelo que já mostrou, dificilmente será um grande jogador e o FC Porto precisa de grandes jogadores.
Benítez: está a confirmar o porquê de ter sido na época passada suplente numa equipa argentina sem grande expressão. É daqueles laterais que, sem comprometer, também nada acrescenta de relevante ao colectivo. Posiciona-se correctamente, mas de
Rolando: foi uma contratação que me pareceu acertada desde o começo, mas a forma rápida como roubou o lugar ao capitão Pedro Emanuel foi surpreendente. Imponente fisicamente, insuperável no jogo aéreo e muito calmo a resolver os problemas que lhe surgem pela frente, Rolando tem transmitido muita segurança à defesa portista e é um parceiro à altura de Bruno Alves. Foi uma compra em cheio e é mais um integrante da fileira interminável de grandes centrais erguidos no clube.
Fernando: pivot-defensivo muito jovem, foi visto como o sucessor natural de Paulo Assunção, que deixou um vazio enorme no meio-campo, rumando ao Atlético Madrid. Foi titular nos últimos dois jogos (de grande dificuldade) e respondeu à altura das responsabilidades, não acusando a pressão inerente a estas situações. Jogou de forma simples e quase sempre correcta, como se pede a um 'trinco', embora ainda seja prematuro fazer um juízo de valor definitivo. Parece-me claramente uma opção de categoria para a sua posição, sendo, no entanto, de prever uma forte concorrência de Pelé e Raúl Meireles, facto pelo qual não se deva assumir como titular absoluto.
Guarín: chegou completamente desconhecido para mim. Hoje posso dizer que é um jogador de quem gosto bastante. Decerto que será muito complicado ser titular devido à forte concorrência, mas é uma opção muito válida em alguns jogos e que possibilitará a Jesualdo Ferreira fazer a rotatividade do plantel. Já deu para ver que o jovem colombiano não é muito culto tacticamente e não pode ser um '6', mas a sua boa capacidade técnica e excelente compleição física podem fazer dele um '8' de grande utilidade. Boa aquisição.
Tomás Costa: dá-me ideia que o argentino não caiu no goto dos adeptos portistas. A mim agrada-me. Não é um médio extraordinário nem se lhe pode pedir lances fora-de-série. Todavia, é um típico jogador de conjunto, que
Cristian Rodríguez: é inquestionavelmente um reforço de peso para o FC Porto. Após uma estreia fulgurante no jogo de apresentação com a Lázio e não obstante fazer sempre bons jogos, não conseguiu manter essa bitola exibicional nos jogos oficiais. Espera-se que comece a subir de rendimento com o decorrer da época e a afirmar-se como um dos melhores da equipa. Como já havia mostrado no Benfica, é um extremo rápido, de futebol rectilíneo, capaz de criar inúmeros desequilíbrios pelo lado esquerdo, além das 'ganas' com que disputa cada lance. É jogador para fazer a diferença e, até porque ainda é um jovem, foi uma contratação em cheio.
Hulk: tem muito potencial mas igualmente muito para aprender. Sempre que entra em campo, dá vivacidade e bulício ao ataque portista, fruto da sua velocidade e vontade de mostrar que tem qualidade. Mas tem de perceber que há colegas à sua volta e que, muitas vezes, a melhor opção é passar a bola em vez de arriscar perdê-la. É um avançado capacitado para fazer estragos (o golo espectacular ao Belenenses é disso um bom exemplo), mas parece-me exageradamente individualista, algo que terá de corrigir, para seu bem e da própria equipa. Pede-se à equipa técnica que o ensine a jogar futebol, pois jogar à bola ele sabe.
Candeias: o jovem extremo que brilhou a grande altura no Varzim é muito promissor e pode vir a dar que falar, embora julgue que este ano será mais de aprendizagem do que de rendimento efectivo. Pode ajudar no ataque em alguns jogos e fazer umas 'gracinhas', mas ainda é cedo para se lhe exigir mais. Se resolver 'explodir' já esta temporada,
Dito isto, e olhando para o restante plantel, julgo que devemos estar satisfeitos com a equipa que possuimos, não obstante haver alguns elementos de qualidade duvidosa para um clube tão exigente. Além de Benítez, estou a lembrar-me, por exemplo, de Lino (apesar do golo ao Fenerbahçe), Bolatti ou Farías (de início agradou-me, mas tem vindo progressivamente a desiludir). Sobre este assunto, aproveito para dizer que gostava que os responsáveis da SAD fossem mais criteriosos em determinadas aquisições, pois acho que se gasta demasiado dinheiro em jogadores que pouco trazem ao clube. O FC Porto é um dos clubes mundiais que mais e melhores negócios tem feito nos últimos anos, a nível de vendas. Com tanto dinheiro angariado - mesmo tendo consciência que o orçamento tem vindo a aumentar e que há outras prioridades que não o reforço da equipa -, bem como considerando as verbas que têm sido gastas, penso que o FC Porto poderia ter, nesta altura, um plantel mais forte em algumas posições. É só a minha opinião e vale o que vale.
Apesar de tudo, fazendo o exercício de comparar o nosso plantel, posição a posição - tanto quanto possível, dado que os sistemas de jogo são diferentes -, com o dos nossos rivais directos na liga portuguesa, concluo que o nosso continua a ser o mais forte, ainda que de forma ligeira, pois há que convir que tanto o Sporting como o Benfica registaram uma melhoria de qualidade bastante significativa. Daí que, embora ache, repito, que poderíamos ter um plantel mais valoroso, sobretudo para termos mais aspirações na Liga dos Campeões, continuamos a ter obrigação de sermos campeões nacionais e de, no mínimo, chegarmos aos 'oitavos' da Champions, sendo que a partir daí tudo depende também da sorte do sorteio. Sim, a elevada exigência num clube habituado a sucessivos triunfos é como lavar os dentes todos os dias! Onde é que eu já ouvi isto?
18 setembro, 2008
Ao ritmo do tango exorcisam-se fantasmas...
17 de Setembro de 2008
UEFA Champions League 2008/09 - Grupo G - 1ª Jornada
Estádio do Dragão, no Porto
assistência: 38.709 espectadores
árbitros: Bertrand Layec (França), David Benech e Michael Annonier; Hervé Piccirillo.
FC Porto: Helton; Sapunaru, Bruno Alves, Rolando e Benítez; Fernando, Raul Meireles e Lucho «cap.»; Mariano, Lisandro e Rodríguez
Substituições: Mariano por Hulk (60 min), Raul Meireles por Tomás Costa (66 min) e Rodríguez por Lino (90 min)
Não utilizados: Nuno, Pedro Emanuel, Farías e Candeias
Treinador: Jesualdo Ferreira
Fenerbahçe: Demirel; Gonul, Lugano, Çakmak e Roberto Carlos; Emre, Maldonado, Sahin e Boral; Alex «cap.» e Guiza
Substituições: Sahin por Josico (45 min), Josico por Yilmaz (53 min) e Boral por Kazim Kazim (76 min)
Não utilizados: Babacan, Bilgin, Turaci e Parlak
Treinador: Luís Aragonés
Disciplina: Cartão amarelo para Sapunaru (54 min), Lugano (71 min) e Guiza (74 min).
Golos: Lisandro (11 min), Lucho (13 min), Guiza (29 min) e Lino (90 min).
E pronto. Ela aí está. Em todo o seu esplendor. Com o seu hino de arrepiante beleza, cantando glórias épicas. A Champions está de regresso. Bela, sensual, fascinante. Como em todas as suas visitas, o Dragão engalanou-se. Porque é assim que deve ser vivida a mais elitista das competições. Com alegria, em clima de festa, comemorando o facto de nós, azuis-e-brancos, estarmos lá. Presentes. Com uma qualificação conquistada arduamente dentro das quatro linhas…
Os caprichos do sorteio colocaram frente-a-frente, na 1ª ronda da edição 2008/09, o FC Porto e os turcos do Fenerbahçe. Bastou isso para se saber que o encontro teria contornos de batalha ancestral, quase uma reedição das cruzadas, no embate contra o Império Otomano, ávido de conquistas. Vestindo roupagens de novo rico, o Fenerbahçe teve capacidade para se reforçar, gastando dinheiro em reforços de forma a fazer alguns nobres clubes sentirem uma pontada de inveja. 27 milhões gastos para trazer o melhor marcador da Liga espanhola. 27 milhões. Com Guiza, aureolado com o título de campeão europeu, chegou também o irascível técnico que alcandorou a selecção de nuestros hermanos aos píncaros da fama. Luis Aragones, fama de duro, estratega de reconhecidos méritos.
E pronto. Pela frente, os turcos. Um arrepio na espinha. Não de medo pela batalha que se avizinha. Mas de respeito. De ansiedade. De adrenalina. Tradicionalmente adeptos do "antes quebrar do que torcer" transformam os desafios em confrontos épicos, disputados arduamente até ao último pingo de suor. Mas terão pela frente um adversário ainda mais temível. O Porto. E a flâmula do Dragão, perene e solene, no alto do Estádio, como desafio à horda de bárbaros vindos de Oriente…
Existem inícios de jogos que, por muitos sonhos que os acalentem, parecem sempre do domínio do sobrenatural. O apito inicial do árbitro francês trouxe o esperado. Um Porto mandão, dominador, assenhoreando-se do jogo, mostrando claramente que queria vencer, por muitos espartilhos tácticos que o opositor colocasse. Com Rolando a fazer a dupla esperada na defesa com Bruno Alves, Benitez na ala esquerda e Mariano plantado no flanco oposto, contraponto necessário à juventude e inexperiência de Sapunaru, a surpresa veio dos balneários no vértice do meio-campo, com Fernando a assumir a batuta de recuperador mor de bolas, conferindo músculo e capacidade de choque aos atributos portistas. E fez-se luz [juro que não estou a gozar com aqueles que nós sabemos]. O futebol rápido, acutilante, com fome de baliza deu os seus frutos. Em duplicado.
Aos 11 minutos Raul Meireles faz uma assistência prodigiosa. O obrigado veio com pronúncia das pampas. Lisandro, mesmo importunado por dois adversários, agradeceu a benesse do colega e marcou. O vulcão do Dragão entrou em ebulição.
Ainda não se tinham extinguido os ecos da festa do primeiro golo e Rodriguez, numa espécie de desgarrada sul-americana, efectua o tradicional raide, rompendo defesas, para colocar a bola na entrada da área, apetecível. Lucho, El Comandante, fez o resto. Remate de primeira, violento, e as redes turcas a serem violentadas novamente.
Sorri. É este Porto que todos nós sonhamos. Cirúrgico. Implacável. Demolidor.
Por momentos, com tantas facilidades, o deslumbramento apareceu em campo. Sorrateiramente, de forma insidiosa, instalou-se no relvado. E o Porto relaxou. Esqueceu-se que estava numa competição de elite, onde apenas os melhores têm lugar.
E o sorriso desapareceu dos meus lábios. Aos 26 minutos, como quase todos os apaniguados do clube do nosso coração, levei as mãos à cabeça. Primorosamente lançado, Lisandro ficou isolado. Com terreno suficiente para alugar, se fosse essa a sua vontade. E o argentino, habitualmente avesso aos holofotes da fama, obreiro feito estrela por trabalho árduo, optou pelo facilitismo. O 3-0, estocada final num jogo crucial, foi desperdiçado de forma ignominiosa. E o jogo virou…
A Liga dos Campeões, já aqui foi dito, é assim mesmo. Caprichosa. Impiedosa. Bastou uma oportunidade. Apenas uma. Os turcos marcaram. Pelo lado do lateral romeno, o centro partiu. Alex, estrela maior do Fenerbahce, cabeceou sem oposição. Forte. Certeiro. Helton fez uma estirada fenomenal. Afastando o perigo. Mas Guiza, desaparecido até então, mostrou os predicados. Remate forte, Helton impotente para o suster e um calafrio a percorrer milhares.
A toada da partida transfigurou-se. O jogo dos turcos esticou-se pelo campo todo. A bola, antes tratada com afago pelos intérpretes portistas, passou a ser cobiçada por todos, disputada com afinco em cada palmo de campo. Os comandados de Jesualdo, de forma calculista, recuaram ligeiramente, preferindo a certeza à improvisação, o controle à anarquia. Notava-se que o Porto coxeava. Visivelmente. O irrequietismo de Rodriguez contrastava com a voluntariedade de Mariano. Vivendo atormentado pelo fantasma de antigo grande jogador que vestia a camisola de Roberto Carlos, o argentino confundia-se na função. Receoso por Sapunaru, raramente apoiava o ataque, vivendo obcecado com o poder ofensivo do lateral brasileiro. O apito final chegou, sem mais sobressaltos.
Jesualdo viu o erro de casting. Meteu Hulk. Ironicamente, quando Mariano desperdiça a oportunidade – mais uma – de sentenciar o desafio. Aclamado pelos adeptos, o reforço proveniente do Japão entrava, com o Professor a procurar conferir mais acutilância atacante a uma equipa amorfa. Hulk seria assim um antibiótico, uma espécie de pedrada no charco. Em teoria. Com o jogo a arrastar-se, num irritante jogo de nervos, já depois de Meireles ter dado lugar a Tomas Costa, vivia-se uma espécie de tragédia grega.
O desenlace, que se aproximava a passos largos, poderia redundar numa catástrofe. E esteve perto. A míseros minutos do fim, Guiza falha escandalosamente o golo do empate. Uma descarga eléctrica percorreu o anfiteatro portista. Num jogo partido, com a emoção predominando sobre o lado racional, sucediam-se as jogadas de perigo, numa espécie de ping-pong impróprio para cardíacos.
Até que, no clímax final, surgiu a catarse. Lino, acabado de entrar, apenas para conceder uns segundos de bonificação à equipa, assiste no papel de protagonista à redenção de Sapunaru. O jovem romeno, titubeante ao longo da partida, tem uma jogada de raça, para assistir no último estertor do esforço o defesa acabadinho de chegar. Lino disse obrigado. Encostou o pé na bola e empurrou-a. Caiu o pano no Dragão…
***
Mais do mesmo. Algum sofrimento, numa vitória inteiramente justa, alicerçada em 15 minutos infernais, colocando o adversário à beira do KO. Como bons samaritanos, os atletas portistas não liquidaram o opositor. O jogo agradeceu. A emoção também. 3 pontos no bornal, naquele que se assumia como um jogo crucial. O Porto entra a vencer, perante um adversário directo, podendo encarar a deslocação a Londres com a naturalidade normal dos campeões. Bons indicadores, numa competição que nada tem de semelhante com a realidade nacional...
Melhor do Porto: Tarefa árdua esta da escolha. E ela recai em Lucho. Clarividente no melhor período azul e branco, conferindo o habitual dinamismo na condução do jogo, o argentino continua a fazer da simplicidade de processos a palavra-chave do seu futebol. Que jogador. Rodriguez, pela entrega e capacidade de explosão, dando poder de fogo ao ataque portista, esteve ao seu nível, tal como Lisandro, a quem começam a faltar os adjectivos para catalogar a forma denodada como encara os 90 minutos. Pena a paragem cerebral, momentânea, ao deixar-se seduzir pela facilidade e brilho da glória, falhando de forma clamorosa o 3º golo. Fernando, numa prova de fogo, leva avaliação positiva, mostrando os predicados que fazem dele um valor seguro. Meireles, a sombra de El Comandante, expedito na defesa, como segundo tampão naquela zona nevrágica, importante no apoio ao tridente atacante, fez um passe mortífero para a abertura do marcador.
Arbitragem: Pouco a dizer em relação ao trio oriundo de paragens gaulesas. Alguns fora-de-jogo mal tirados, em claro prejuízo dos da casa, ligeira condescendência perante os sistemáticos protestos turcos, numa noite sem casos de maior a julgar. Nota positiva.
Nota final: 3 milhões pela participação, mais 400.000 € pelo jogo, acrescidos de um bónus de 600.000 € pela vitória. Compreende-se, cada vez mais, porque é que alguns andaram à procura do arco-íris, durante o Verão, nos gabinetes de advogados, nos corredores da UEFA, achando que o pote de ouro estava lá, à espera deles. A Champions pela TV deve ser deprimente…

























