13 setembro, 2016

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



ANDEBOL

Mais uma semana com apenas uma modalidade já em competição, e que desde a última crónica, defrontou entretanto o Belenenses e o Ismai, tendo conseguido duas vitórias gordas.

No jogo do Dragão, frente ao Belenenses, desde cedo que o interesse do jogo passava por saber se íamos alcançar os 40 golos. Aos 17 minutos, a dupla de arbitragem tentou dar mais colorido ao jogo com a expulsão de Alfredo Quintana, mas nem este incidente mudou o rumo do jogo que terminou com 38-21.

À equipa, nota-se que tem ainda alguns processos para afinar, mas alguns dos reforços já se encontram plenamente integrados como é o caso de Jose Carrilho. Outros reforços, ainda buscam o melhor encaixe na equipa como o caso de Spelic.

Sábado próximo, vamos poder avaliar melhor os progressos da nossa equipa quando defrontarmos os nossos inimigos. Vamos encher o Dragaozinho no apoio aos nossos atletas.


P.S. - Nota final para as equipas de BASQUETEBOL e HÓQUEI que prosseguem a preparação para o arranque das respetivas épocas. A quem importar acompanhar a pré-epoca, hoje teremos o Basquetebol em exibição no Dragaozinho contra o Caceres, e no fim-de-semana no torneio de Oliveira de Azeméis. Também no fim-de-semana, o Hóquei irá a Coimbra disputar a Elite Cup.


Abraco,
Delindro

12 setembro, 2016

ASSOBIOS, ÁRBITROS E MAIS UMAS COISAS.


Passado um mês de competição oficial, não deixa de ter a sua piada que, não fosse a derrota de Alvalade (nas circunstâncias conhecidas!) e o cenário seria até agora perfeito, ou seja, eliminação de um super-adversário italiano que, na boca de 95% dos “comentadores profissionais” seria praticamente inultrapassável depois do resultado da 1ª mão, com consequente entrada na liga milionária, e pleno de vitórias no campeonato, o que nos daria a liderança isolada na competição.

Confesso-vos, sem qualquer tipo de problema ou complexo, que as minhas expetativas em junho passado para o FC Porto versão 2016/2017 eram provavelmente as mais baixas de toda a minha vida de Portista. Não é muito difícil perceber o porquê da minha reduzida esperança em relação à nova época. Todos sabemos muito bem tudo o que tem acontecido nos últimos anos. Cabia, cabe e caberá aos jogadores e treinador, provarem-me que estava redondamente enganado quando não acreditei que esta poderia ser uma época de muito sucesso desportivo.

Posto isto, o meu dever é escrever sempre sobre aquilo que vejo, não aquilo que pensava que pudesse acontecer ou o que mais provavelmente iria acontecer. Analisando as ocorrências deste mês de competição oficial, identifico várias coisas:
  • A equipa exibe um nível exibicional muito melhor do que o contexto inicial fazia antever. Durante muitos momentos, temos visto um futebol agradável, dinâmico, corajoso e personalizado. Não foi por acaso que vencemos 0-3 em Roma, e não, o jogo não se resume às expulsões dos romanos, porque em 40 minutos a jogar contra 11, o FC Porto foi muito melhor, depois foi melhor contra 10 e, naturalmente melhor contra 9. Mais, o FC Porto foi superior em praticamente 150 minutos da eliminatória. Digamos que foi um desfecho "limpinho, limpinho, limpinho";

  • Independentemente de se perceber que a equipa está em construção, de imensas arestas estarem por limar e de vários erros já terem acontecido nos primeiros jogos da presente época, é muito triste dizê-lo, mas tem-se visto este ano coisas raríssimas em relação aos últimos três que o antecederam, nomeadamente, golos de bola parada, transições rápidas (sim, jogadas de contra-ataque, algo nunca visto no FC Porto de Lopetegui por exemplo) e um plano B a ser utilizado desde o início do jogo e não apenas numa fase de desespero;

  • Dado muito curioso, nos jogos do Dragão até agora disputados, nem um só assobio se ouviu. Nem após 30 minutos em que a Roma poderia ter resolvido a eliminatória, abafando por completo a equipa do FC Porto (curiosamente, após esse período, só deu FC Porto), nem no jogo disputado com o estoril em que o golo só surgiu a poucos minutos do fim, nem no jogo deste fim-de-semana em que, apesar de uma exibição muito bem conseguida no computo geral, percebeu-se que a alteração de sistema tático fez com que a equipa demorasse a carburar e entrar no jogo. Tenho esperança, ainda que pequena, que muita gente tenha percebido finalmente que assobiar a própria equipa antes do apito final, beneficia apenas os adversários. Se não apoiarem a equipa, pelo menos que não a prejudiquem, é o mínimo que peço e desejo;


  • "Last but not least", a questão dos árbitros. Cabe ao departamento de comunicação, aos vários comentadores nos vários meios de comunicação social, aos dirigentes, presidente incluído, expor os factos para que toda a gente tire as suas próprias conclusões. Em 4 jornadas apenas, 1 penalti claro por marcar sobre Varela na 2ª jornada, um golo sofrido após um livre "inventado" na sequência de uma falta que não existiu, vários lances com critério disciplinar díspar e mais meia-dúzia de lances sempre ajuizados no mesmo sentido no decorrer da 3ª jornada, e finalmente, um golo muito mal anulado a André Silva no jogo frente ao Guimarães. Tudo isto em apenas 4 jornadas, é muito, demasiado e sobretudo é MUITO PREOCUPANTE! Não gosto de gritarias por tudo e por nada, nem depositar nos ombros dos árbitros todo o mal que nos acontece, mas, há coisas que ultrapassam os limites do razoável. É importante falarmos das coisas agora, não quando estivermos a 20 pontos do 1º lugar, se não for pedir muito;
Até agora, os sinais são francamente positivos. O futuro só poderá ser risonho se continuarmos a ver esta evolução na equipa. Que a margem de progressão continue até construirmos uma verdadeira Equipa, com todas as suas virtudes.

Muito importante uma nota final que gostaria de vos deixar. As análises da generalidade da comunicação social em relação ao FC Porto são tudo, menos coisas sérias e honestas, tal acontece há já muitos anos, desde a altura em que Pinto da Costa "tirou o chupa-chupa aos meninos da 2ª circular". Neste sentido, tenho lido e ouvido as análises ao grupo fraquíssimo que apanhamos na Champions League (CL). Para não falar dos critérios muito engraçados da "espécie de jornalistas" que por aí pululam, por exemplo o Dinamo Kiev era fraquinho no ano passado, mas este ano com a mesma equipa e treinador já é uma equipa muito difícil, o Brugge e o Copenhaga são horríveis este ano, mas o Astana e o Galatasaray (6º classificado da Liga Turca) eram equipas complicadíssimas no ano anterior.

Os meus votos são mesmo para que não haja excesso de confiança nos jogos que o FC Porto irá disputar na CL. É preciso comprovar dentro de campo que o FC Porto é melhor, com seriedade e respeito por todos os adversários. Caso tal aconteça, passaremos naturalmente à próxima fase, ao fim ao cabo o nosso habitat natural. Nunca é demais lembrar que já fomos eliminados em grupos com Aalborg, Nantes, Panathinaikos, Artmedia Bratislava, Rangers ou Apoel Nicósia.

10 setembro, 2016

PORTO INTENSO.


FC PORTO-VITÓRIA GUIMARÃES, 3-0

Um Porto intenso, solidário, lutador, incansável, com espírito de grupo e de entreajuda. Foi este o Porto que vimos esta noite no regresso da Liga NOS. Nuno Espírito Santo está a construir, claramente, uma equipa na verdadeira acepção da palavra. As diferenças deste FC Porto para o FC Porto da época passada são abismais.

Esta noite, o FC Porto entrou num anfiteatro do Dragão com uma disposição táctica diferente. O treinador portista parece querer impor na equipa dois sistemas tácticos para encarar a época e os adversários. Ao 4x3x3 com que temos sido habitualmente presenteados, Nuno Espírito Santo dispôs a equipa em 4x4x2.

Com o quarteto defensivo do último jogo em Alvalade, o treinador dos Dragões apostou num meio-campo em losango: Danilo no vértice mais recuado, Otávio e A. André descaídos ligeiramente paras as alas e Óliver Torres no vértice ofensivo do meio-campo no apoio à dupla de avançados André Silva e Depoitre.


Neste sistema, os laterais portistas têm uma tarefa mais exigente: fazer todo o corredor sem o apoio dos extremos. Cabe aos médios interiores do losango, Otávio e A. André, apoiar as descidas à área contrária dos laterais, A. Telles e Layún (que pulmão!!!).

Ora, antes de prosseguir, quero deixar aqui apenas uma nota sobre a utilidade e a qualidade do belga Depoitre. Para toda a gente, um desconhecido de 27 anos que jogava no modesto Gent, foi logo apelidado e catalogado por muita gente de tosco, pinheiro e de vir a ser uma opção sem sucesso. Do que se viu esta noite, Depoitre poderá ser bastante útil principalmente no Dragão contra equipas fechadas, ou seja, quase todas as equipas que se apresentam no nosso estádio. Esteve na assistência do primeiro golo, segurou os centrais e permitiu a André Silva tornar-se um jogador mais móvel na frente de ataque portista.

Nuno Espírito Santo abdicou de Herrera que ficou na bancada e Corona que começou no banco de suplentes. Começa a ver-se trabalho feito e bem feito. O FC Porto mostra ter soluções para dois sistemas tácticos que, bem trabalhados e com os jogadores certos, poderão ser bastante interessantes ao longo da época. Foi com estes dois sistemas que, por exemplo, José Mourinho encarou a época 2003-04.

Era importante entrar bem neste jogo, com uma vitória para fazer esquecer a injusta derrota de Alvalade e para encarar, com optimismo, a estreia na 25ª edição da Liga dos Campeões na próxima Quarta-feira.


O jogo iniciou-se com um V. Guimarães pressionante, na tentativa de não deixar o FC Porto sair na construção do seu jogo. Aos 2 minutos, Hurtado atirou para Casillas fazer uma defesa apertada.

Na resposta, Depoitre proporcionou a Douglas uma grande defesa e André Silva, de cabeça, com tudo para fazer o golo, rematou ao lado da baliza vimaranense.

Aos 19 minutos, surge o primeiro caso do jogo. Na conversão de um pontapé de canto cobrado por A. Telles, André Silva aborda o lance com um defesa contrário a fazer pressão, a bola bate no braço do avançado portista que está junto ao corpo e, de seguida, o jovem ponta-de-lança remata de pé esquerdo para o fundo das malhas. Golo prontamente anulado pelo árbitro fraquinho Jorge Sousa. Em Alvalade é permitido o andebol de 11, mas no Dragão não há o mesmo critério.

No entanto, neste mesmo lance, antes da bola bater no braço de André Silva, fica por castigar uma falta clara de um jogador vitoriano sobre Danilo em plena grande área. Jorge Sousa, para o lance de André Silva, teve olho de lince mas para a falta sobre Danilo usou palas. Clap, Clap, Clap. Bravo!

O Dragão continuou na procura incessante do golo, com a mesma intensidade contra um V. Guimarães que, paulatinamente, recuava e descia de produção atacante. Aos 38 minutos, num canto cobrado na direita por Layún, Depoitre, de cabeça, assiste Marcano que, junto ao segundo poste, tocou para dentro da baliza. Estava alcançada a vantagem no jogo que já era merecida há bastante tempo.


Antes de saírem para o intervalo, tempo ainda para ver uma bola na quina da barra, quando na conversão de um livre directo, Layún rematou colocado e a bola ainda sofreu um pequeno desvio na barreira contrária. Ao intervalo, a vantagem do Dragão era escassa. Parafraseando a manchete do jornal da Travessa da Queimada deste Sábado: “(…) perto da goleada.”

O intervalo parecia bom conselheiro para o V. Guimarães, que vinha determinado a desfazer a vantagem portista, mas caiu por terra no início da etapa complementar.

Otávio rematou forte à baliza, na entrada da área e Óliver, acidentalmente, desviou a trajectória da bola que parou dentro da baliza de Douglas. Este lance decidiu praticamente o jogo. Apesar de ter sido um lance (in)feliz, veio fazer justiça ao que se tinha visto durante o primeiro tempo.

Dez minutos volvidos, o Dragão aumentou o score para 3-0. Num cruzamento tenso de Layún, João Aurélio desviou a bola, acidentalmente, para a baliza.

O Dragão mostrava uma frescura e uma disponibilidade física fantásticas. Continuava à procura de mais golos. Depoitre, assistido na direita, falhava a emenda à boca da baliza e perto do final, num contra-ataque do recém-entrado Corona, num slalom de 60 metros, o mexicano desperdiçou uma oportunidade soberana, fazendo levantar o estádio. Nota ainda para Casillas que, a remate de Raphinha, fez uma grande defesa para canto.


Registos finais para a intensidade de uma equipa que, ainda há poucos meses andava à deriva, a grande forma física de Miguel Layún (depois de 180 minutos pela selecção mexicana), a imposição de Marcano no eixo da defesa, a dinâmica do meio-campo (com o perfume do futebol de Óliver Torres) que funcionou em pleno, a boa solução Depoitre para a frente de ataque e a estreia de Diogo Jota.

Bons ventos sopram do Dragão a quatro dias da recepção ao Copenhaga a contar para a 1ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League.



DECLARAÇÕES

Nuno: “Foi uma boa noite de futebol”

Nuno Espírito Santo destacou o segundo golo do FC Porto frente ao Vitória de Guimarães, este sábado, como o momento decisivo para o triunfo azul e branco, em partida da quarta jornada da Liga NOS. Porém, olhando para a globalidade do encontro, o treinador falou numa “boa noite de futebol” e sublinhou ainda o facto de o público do Dragão ter “saído satisfeito com a equipa”.

Inconformismo
“Acho que houve algum inconformismo da equipa após o intervalo. Fizemos uma boa primeira parte, dominadora, e depois tivemos um grande desejo de chegar ao segundo golo. Essa atitude é de realçar, pois é mesmo isto que nós pretendemos.”

O momento do jogo
“O momento do segundo golo é importante. É motivador, empolga e condicionou o adversário. Ganhar hoje era importante, depois do último jogo frente ao Sporting. Foi uma boa noite de futebol e foi importante o Dragão ter saído satisfeito com a equipa. Para os adeptos que estiveram cá, o meu muito obrigado. É isto que pretendemos, fazer do Dragão um estádio muito difícil para os adversários.”


Equipa a crescer
“Queremos fazer crescer os jogadores e fazer crescer a equipa, ser versáteis. É isso o crescimento da equipa. Temos um plantel que me dá garantias e que queremos potenciar ao máximo.”

A opção por dois avançados
“Procuramos sempre encontrar as melhores soluções para vencer o jogo. Olhando para todo o plantel, escolhemos o que achámos melhor, fomos a jogo e trabalhámos assim. Estamos sempre a procurar soluções e ser versáteis e capazes de produzir o suficiente para poder ganhar os jogos.”

O golo anulado a André Silva
“Acho que foi uma boa decisão, a má decisão foi há 15 dias [frente ao Sporting], em que o critério foi totalmente diferente.”

Os próximos jogos
“A melhor maneira de preparar o mês que temos pela frente é com jogos como este e vitórias. Vai ser um mês completo de jogos, uma carga tremenda para os jogadores. A mensagem é simples, temos de ir jogo a jogo, encarar todos da mesmo maneira. Somos uma equipa que quer competir e sabe que pode ganhar os jogos, mas necessita de muito trabalho.”



RESUMO DO JOGO

09 setembro, 2016

08 setembro, 2016

ADEPTOS POKÉMON-GO.


Lembro-me vagamente, nos primórdios da minha idade adulta, do Pikachu e seus amigos fazerem as delícias da criançada. Quase duas décadas depois, nunca me passaria pela cabeça, que o simpático personagem pudesse seduzir jovens adultos, seus pais, e até alguns avós dos mesmos, a andarem rua abaixo, rua acima, de nariz enfiados no telemóvel, à cata de bonequinhos escondidos num qualquer local.

O fervor pelo jogo pareceu competir com o anómalo calor que se sentiu este verão, ao ponto de se verificarem romarias noturnas a cemitérios (?) na senda de troféus supostamente raros.

Sem querer tirar o lugar à Maya, não precisarei de ser cartomante ou adivinho, para saber que daqui a meio ano, este jogo será uma moda tão ultrapassada quanto o penteado à Beatles, ou calças à boca de sino.

Mas nisto de modas, os Portistas também têm uma palavra a dizer. Com uma criatividade peculiar, criaram o jogo "DEITA ABAIXO!". Na versão de estreia, o alvo foi o treinador. Vitoriosos, criaram a sequela, em que no último nível se encontra o presidente. Para os magos do jogo, será criada uma versão Deluxe, onde o jogador poderá escolher criticar e alterar o estádio, cores ou emblema do clube.

Haverá razões que levem os adeptos a jogarem estes jogos de risco?

Algumas...

No caso de Lopetegui, a empatia com os adeptos nunca foi a melhor, ao que combinado com um estilo de jogo em posse, mal amado desde os tempos de Vítor Pereira, conduziu a um inevitável divórcio.

No caso do Presidente, e mais concretamente a SAD para o futebol, podemos "desconfiar" que não estão a proteger devidamente o clube nas relações e transações com agentes, empresários, fundos e afins. Podemos apontar alguns erros de casting incompreensíveis em aquisições de jogadores, como também inépcia na composição de planteis devidamente equilibrados, sem esquecer o ostracismo crónico aos nossos melhores valores da formação. Mas o que verdadeiramente choca o adepto portista, é o afastamento da nossa gênese e carácter vincadamente regionalista, preferindo-se em anos mais recentes, uma comunicação e posicionamento demasiado "politicamente correto", em detrimento da abordagem incisiva que pautou o nosso crescimento.

Todos estes factores, ao que se junta o ruidoso burburinho das lutas pelo poder interno, com uma vítima/réu de peso na passada semana, indiciam um claro fim de ciclo - o da era Pinto da Costa.

Contudo, se muitas das críticas que se lêm, ouvem, passam de boca em boca, são válidas e justificadas, a forma - pressão insustentável - e a repetição ad-nauseum dos mesmos erros que nos condenaram ao deserto desportivo no passado muito recente. Basta lembrar-nos da absurda pressão, culminada na saída do atual selecionador Espanhol, que nos atirou para uma das piores épocas que há memória em muitas gerações de portistas, apenas ombreada nos últimos 30 anos, pelo reinado de Octávio Machado.

A pressão insustentável acaba por levar a pontos de rutura. Veja-se o que se passa no plano político em muitos pontos do globo. Após mudanças de poder, mais ou menos forçadas, por regra advêm períodos de instabilidade e conflito. Mesmo no nosso "romântico" e "pacífico" 25 de Abril, muitos parecem esquecer-se que no ano seguinte, Portugal esteve à beira de uma guerra civil.

Reduzindo a dimensão a uma empresa ou clube de futebol, como preferirem, as consequências de um forçar da balança do poder, será análoga: instabilidade, conflito, depreciação de ativos, perda de oportunidades.

Sou da opinião que a atual direção atingiu o Princípio de Peter. A prova, é que temos vindo a ser constantemente ultrapassados pelos nossos rivais, não só dentro das 4 linhas, mas também no relacionamento com os diversos agentes desportivos, negócios e comunicação.

Por mais inacreditável que pareça, um sonso e um bronco, têm dado cartas face a um decano do dirigismo desportivo mundial. Serão Luís Filipe Vieira ou Bruno de Carvalho melhores do que Pinto da Costa? Não me acredito de todo. Contudo, o que dita a diferença entre estes dois nomes e o do nosso Presidente, é o facto de uns deterem o poder e controlo absoluto dentro das respetivas estruturas, ao passo que Pinto da Costa, por vontade própria diga-se, aparenta sentir-se bem no papel de Presidente Honorário. Reconhecido por todos, sempre com antena aberta para um bitaite em noites vitoriosas, mas com um poder cada vez mais limitado.

Porventura só mesmo com sangue novo poderemos alterar este (des)equilíbrio na balança, este laissez faire interminável.

No entanto, já que se deixou passar a oportunidade em Abril último, ao invés de se apostar no aumento do grau de frustração, e por vezes de raiva, nos adeptos azuis e brancos contra alvos internos, deveria-se concentrar essas energias e sinergias na elaboração de uma ou mais candidaturas fortes, equilibradas, com uma visão de crescimento sustentado para o nosso clube, para que no próximo ato eleitoral sejam capazes de nos colocarem no lugar de domínio no panorama nacional, que foi nosso nas últimas 3 décadas.


Até lá, rua acima, rua abaixo, há que juntar os adeptos em torno da equipa, pois divididos, seremos uma tenra presa para os nossos rivais lisboetas.

07 setembro, 2016

ANTERO – UM PROBLEMA QUE NÃO COMEÇOU EXACTAMENTE AQUI.


Impossível fugir do tema. Obrigatório começar por ele. A saída de Antero Henrique da Administração da FC Porto, SAD.

Antero Henrique era (e continua a ser) um homem que conhece o FC Porto como poucos, por dentro e por fora. 26 anos não são 26 dias: são épocas a fio, consecutivas, a conviver com os jogadores do FC Porto, a construir plantéis, a apoiar treinadores, a festejar golos no banco, a mediar negócios atrás de negócios, a estar presente nos maus e nos grandes momentos.

Grandes momentos, sim. Não sou daqueles que atribui os sucessos do FC Porto – especialmente nos últimos 10 anos – a Pinto da Costa e os fracassos a Antero Henrique. O ex-dirigente azul e branco tem a sua (larga) quota de sucesso. Negar-lhe isso seria também negar o papel que Pinto da Costa teve na ascensão do então jovem Antero na estrutura portista. Uma subida a pulso, conforme se diz.

Portanto, fica aqui a declaração formal: não sou dos que diabolizam e vilipendiam Antero Henrique. Mas não sou, também, um dos que agora o idolatram. Longe disso.


Mas vamos ao ponto que me interessa. Tenho para mim que o actual problema na cúpula portista nasce com a saída prematura de homens como Fernando Gomes (o ex-basquetebolista) e Angelino Ferreira.

Pinto da Costa é o melhor dirigente de sempre do futebol mundial, mas não é um super-héroi. Precisa de ter gente forte e experiente à sua volta e não uns meros yes men. Fernando Gomes e Angelino Ferreira eram esse tipo de homens, conhecedores do clube, do negócio, competentes, sérios, com opinião própria e não meros lacaios de Pinto da Costa. A prova disso é que não precisam do FC Porto para continuar a viver.

Tudo isto é natural. Pode-se lutar contra tudo: contra os maiores rivais, contra o centralismo, contra o poder mediático dos grandes lisboetas, contra a comunicação social mesquinha, contra os grandes tubarões europeus, contra os poderes instalados, contra tudo e contra todos. Pinto da Costa combateu estes inimigos anos a fio. Venceu quase todas as batalhas. Foi um Senhor da Guerra. Mas está a lutar contra o tempo e , este, nem Manoel de Oliveira conseguiu derrubar.

Pinto da Costa demonstra uma longevidade ímpar no que a uma carreira dirigista no futebol diz respeito. Além disso, dinamitou todos os recordes de títulos que poderiam existir. Com fé, paixão e determinação, pegou num grande clube regional mas com pouca expressão a nível de títulos nacionais e europeus e transformou-o numa potência regional dominadora em Portugal e respeitada lá fora, fruto de vários troféus alcançados fora de portas.

Nenhum líder consegue fazer isso, bem sabemos. Mas Pinto da Costa, com o passar dos anos, em vez de se rodear dos bons e competentes amigos, afastou-se de todos. Inclusivé de grandes jogadores que tudo à casa deram, como Baía ou Jorge Costa. Quiçá também porque, quem é competente, costuma querer mais. E ser ambicioso quando se está ao lado de Pinto da Costa é dificílimo. Mas, digamos, por uma razão ou por outra, os mais competentes, os mais aptos, os mais promissores foram-se afastando da órbita do nosso Presidente.

E os que não se afastaram foram morrendo. Que falta faz a Pinto da Costa ouvir as palavras e os conselhos de verdadeiros homens da casa, portistas, como o Dr. Pôncio Monteiro ou o Dr. Sardoeira Pinto! Mas o tempo, invencível, não volta para trás.

Ficaram, assim, os Fernandos Gomes e os Adelinos Caldeiras desta vida. Como se deve sentir sozinho o Presidente quando olha para o lado e tem que buscar conselhos e apoio em homens tão entendidos de futebol como os acima elencados…

Antero Henrique, apesar dos 26 anos que leva de FC Porto, sentiu-se talvez cedo de mais como o homem que mais percebia ali dentro dos meandros do futebol actual. Não obstante, diga-se em abono da verdade que Antero Henrique pode ser um grande mestre em jogadas de bastidores e a trabalhar na sombra, mas como Director de Futebol revelou-se recentemente um quase desastre absoluto.

Pareceu sempre ter portismo de menos a correr-lhe no sangue: pouco feroz, pouco falador, demasiado discreto perante a comunicação social, incapaz de liderar a comitiva num tocar a reunir, incapaz de atacar os rivais, ineficaz a passar as mensagens. Pareceu sempre uma figura de segunda linha, de trincheira e nunca se assumiu quando o clube mais dele precisou. Pode invocar razões externas, pode invocar a imagem e figura omnipresentes do Presidente, pode dizer que nunca lhe pediram para representar outro papel, pode até arriscar que não teria poderes para mais, mas a verdade é que nunca deixou de ser visto como um homem de gabinete, de corredor, de fazer andar a máquina, pese embora os degraus que ia subindo na estrutura.

O estado actual (calamitoso) da estrutura de futebol tem que lhe ser – também – imputado: uma total ausência de referências no balneário; um acumular de processos mal geridos; contentores de jogadores a entrar e a sair todos os anos; contratações de qualidade mais que duvidosa; uma administração com ouvidos para empresários e comissionistas ao invés de um olhar atento ao departamento de scouting; uma ruptura com o modelo de contratação de sucesso dos últimos anos; uma incapacidade de atacar o mercado a tempo e horas; uma administração refém de 2 ou 3 empresários para fazer grandes negócios; uma ausência de voz na comunicação social; uma estratégia comunicacional nula e ineficaz; um clube humilhado e espezinhado pelas arbitragens, quer no Dragão, quer fora de casa; um clube cada vez mais desrespeitado cada vez que atravessa a ponte. Antero tem uma quota parte (grande) nesta tragédia corporativa.

A saída de Antero não é um acontecimento decisivo no FC Porto. Mas é uma consequência natural destes últimos anos da gestão Pinto da Costa. Não adianta agora dizer que tudo vai ficar como dantes, porque não vai. Ao fim e ao cabo, a administração não ficou igual com a saída de Angelino e de Fernando Gomes: ficou antes mais refém de empresários, de comissionistas, de abutres e de familiares que mais não fazem do que estender a mão à espera de migalhas.

Pode-se sempre dizer que só fazem falta os que cá estão e que os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis. Que a vida continua. Certo. Mas na maior parte dos casos, sabemos que já não é a mesma coisa.

Pela minha parte já sinto o cheiro. Cheira a fim de festa.

Rodrigo de Almada Martins

06 setembro, 2016

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



Neste primeiro texto após regresso à atividade deste espaco de referencia da Bluegosfera, espero ser capaz de alcançar os objectivos propostos, dando conhecimento da atividade das nossas modalidades em cada fim-de-semana.


ANDEBOL

Neste arranque de época, apenas o ANDEBOL se encontra oficialmente em competição. O que podemos observar no passado fim-de-semana, foi uma eliminatória europeia que não serviu a ninguém. Não serviu a vencedores, porque fazer 2 jogos tão desnivelados com nível de dificuldade inferior à maioria dos nossos treinos, não permite preparar a equipa para a época que se inicia; não serviu aos derrotados, porque apenas serviu para os desmotivar e fazê-los pensar que são piores do que na realidade são; e não serviu à modalidade, porque 2 jogos tão desnivelados apenas servem para afastar o público dos pavilhões, quando o que se pretende é precisamente o contrário.

Sábado, onde toda a equipa jogou, cedo se percebeu que o resultado iria alcançar níveis históricos e os 49 golos marcados são a prova de que o jogo nunca esteve em perigo. Não servem estes jogos para tirar quaisquer ilações sobre o momento de forma da equipa neste arranque de época. Não serve também para fazer comparações com o plantel da época passada.

Já na quarta-feira próxima, a nível interno, iniciaremos a caminhada na recuperação de algo que nos pertenceu nos últimos 7 anos e ai todo o apoio será necessário, porque os nossos inimigos reforçaram-se muito. Já fomos capazes de mostrar por diversas vezes que orçamentos não vencem campeonatos. Com a raça tripeira que nos caracteriza, iremos ultrapassar todos os obstáculos que nos forem surgindo.

Por fim, aproveito para apelar ao apoio a todas as nossas equipas nos diversos escalões. Juntos e unidos, seremos capazes de levar as nossas equipas a BOM PORTO.

05 setembro, 2016

É POSSÍVEL? SIM!


É verdade que vários processos relacionados com a construção do plantel para esta época foram tratados de forma pouco cuidada num timing demasiado tardio.

É verdade que é pouco compreensível que haja uma necessidade evidente à vista de todos, nomeadamente a zona central da defesa, aquela que deveria ser a principal prioridade no reforço do plantel exatamente por ser a maior lacuna, e saber a muito pouco a contratação de um jogador a poucos minutos do fecho de mercado, ainda por cima um jogador cuja qualidade não é muito diferente do que aqueles que cá estavam.

É verdade que não cabe na cabeça de rigorosamente ninguém a relação que atualmente existe entre o FC Porto e o Sp. Braga. Depois de meses e meses de namoro obsessivo (e completamente desnecessário, já agora!) sobre um jogador MUITO sobrevalorizado, em que o presidente daquele pequeno clube gritava histérico que "vender esse só pelos 20 milhões de € da clausula de rescisão", foi "engraçado" assistirmos no último dia do fecho de mercado à venda desse rafeirito por pouco mais de 16 milhões, com mais uns "apêndices" para disfarçar a coisa. Cortar relações com o braga e o seu presidente é algo que já deveria ter sido feito há vários anos atrás, quando por exemplo venderam lima lá para baixo ao preço da uva mijona e ao FC Porto exigem sempre "mundos e fundos" por qualquer jogador que estejamos interessados. Não só não cortamos relações como ainda fomos buscar um central por 5M€ (existem centenas de centrais por esse mundo fora!), beneficiando as finanças do clube dirigido por aquela "figurinha", que ao FC Porto exige tudo e mais alguma coisa e a outros está sempre pronto a "abrir as perninhas". Verdadeiramente inacreditável esta situação, mas, confesso que não vou perder mais tempo, nem energia a tentar perceber o porquê desse "porreirismo" em relação ao braga...

Tudo isto é verdade e infelizmente outras coisas também, contudo deixem também que vos diga: tal como é habitual no universo Portista, ora para o bem, ora para o mal, existe alguma hiperbolização nos problemas do FC Porto em contraponto com aquilo que para muitos é também o "céu e o paraíso" nos clubes da 2ª circular.

Não pretendo enfiar a cabeça na areia, nem fingir que muitos problemas não existem, mas parece-me claramente que o plantel do FC Porto não é tão fraco como ouço e leio em muitos sítios, nem creio que os 2 clubes da 2ª circular sejam um "mar de rosas", sem problemas e com máquinas completamente oleadas. Mantenho uma ideia clara sobre tudo isto, para mim o principal adversário do FC Porto nos últimos anos tem um nome: é ele próprio, o FC Porto!


Esta época, em primeiro lugar, é muito importante definir claramente uma prioridade que deverá sobrepor-se a tudo o resto, seja em que circunstancia for: o título de campeão nacional, algo FUNDAMENTAL, não só para quebrar o ciclo vitorioso do atual campeão como também colocar ainda pressão em quem paga 4 milhões de € a um treinador e já não é campeão nacional há bem mais anos que o FC Porto. Para isso, não pode haver em momento algum descompressão, poupanças de jogadores, relaxamentos ou excessos de confiança nos jogos do campeonato. Nos últimos 3 anos, ao contrário do que acontecia com VP, AVB e todos os outros que foram campeões no nosso clube, por exemplo, têm sido perdidos muitos pontos em casa com equipas do meio da tabela para baixo. Isso é fatal num campeonato como o português, porque o nível médio é baixo e a recuperação de qualquer ponto mal perdido torna-se mais difícil a cada jornada que passa. A época passada provou algo que defendo há muitos anos e que considero uma verdade inatacável: os campeonatos não se ganham nos jogos entre grandes, mas sim nos jogos com os ditos clubes mais pequenos, os aroucas e tondelas desta vida. Muito do sucesso do FC Porto no presente campeonato depende em grande medida da nossa performance com as equipas teoricamente mais fracas que nós e creio que não haverá dúvidas que 15 das equipas do campeonato são mais fracas que nós.

Deste modo, é fundamental também que o nosso treinador perceba algo que por exemplo Lopetegui nunca conseguiu perceber: a melhor forma de vencer equipas que entram no jogo apenas para destruir, fazer anti-jogo e deixar passar o tempo não é com um jogo esteticamente bonito, com muitos passes, posse de bola e jogadas de ataque demasiado tricotadas, mas sim com um sentido prático de que às vezes só lá vai com um golo marcado com o traseiro, caído do céu aos trambolhões ao 4º minuto de compensação. O sentido prático ao nível dos processos, quer ao nível das ações, é muito importante na definição de dezenas de jogos do campeonato, o que depois faz toda a diferença na tabela final. Se às vezes for necessário nos últimos 15/20 minutos enfiar bolas para a área à procura de um pinheiro chamado Depoitre, pois que seja, tudo isto é muito bonito, mas importante é mesmo ganhar jogos.

Resumindo e concluindo, a questão a que tem de se responder da forma mais afirmativa possível é: podemos ser campeões? Sim! Com todos os ingredientes que fizeram do FC Porto aquilo que é hoje. Escusado será dizer quais são porque todos nós sabemos bem. Posso estar enganado, mas o que vi nestes primeiros 5 jogos oficiais deixa-me algo esperançado num futuro melhor, apesar de muitas dúvidas em relação a vários assuntos, os resultados dentro de campo acabam por definir quase tudo. Há pequenos sinais de que o velho FC Porto combativo, guerreiro, que lutava até à última pinga de suor poderá estar de volta num futuro próximo.

PS - Tenho lido e ouvido com algum interesse o debate que de uma forma ou outra vai surgindo no universo Portista sobre André Silva, nomeadamente a questão da enorme responsabilidade que se coloca sobre os ombros do jovem jogador. Também eu acho que o risco do nosso principal avançado ser um jovem de 20 anos (faz 21 em novembro) é obviamente algo que não se pode negligenciar. Porém, não nos podemos esquecer de nomes como Gomes ou Domingos que muito novos marcaram imensos golos e ajudaram o clube na conquista de títulos. André Silva pode ser um caso sério mesmo já este ano, depois esperemos para ver o que dá Depoitre e não façamos juízos prévios antes do homem se quer demonstrar o que vale. Não creio que a posição de ponta-de-lança seja a mais preocupante ou, pelo menos, aquela em que tenha havido menos cuidado da parte da SAD.

02 setembro, 2016

NO COMMENTS.


O FC Porto oficializou, em comunicado, a saída de Antero Henrique, administrador com a pasta do futebol, “por motivos de ordem pessoal”.

“Compreendendo as razões invocadas para esta decisão não podemos deixar de registar e agradecer todo o trabalho efetuado no grupo FC Porto, com total dedicação e disponibilidade ímpar ao longo dos últimos 26 anos”, lê-se no comunicado do FC Porto.

Para o lugar de Antero Henrique, e no que ao departamento do futebol diz respeito, foi escolhido o nome de Luís Gonçalves, antigo vice-presidente do clube.

Antero Henrique chegou ao FC Porto em 1990, inicialmente com funções de coordenação na revista Dragões, de onde passou para a assessoria de imprensa.

Com a criação da SAD, em 1997, Antero Henrique tornou-se o principal responsável pela reestruturação do departamento de Relações Externas.

Em 2005, foi promovido a diretor geral da SAD portista, passando a ser o braço direito de Pinto da Costa na gestão do futebol, e no que diz respeito a contratações, vendas e dispensas de jogadores.

Já este ano, foi novamente eleito vice-presidente do clube e promovido a administrador da SAD do clube azul e branco.

CONTRAFACÇÃO FOI A FUGA NO DRAGÃO!


O Domingo passado foi dia de deslocação à Lagartolândia. Uma das deslocações mais aguardadas da temporada, a visita a casa de um dos nossos maiores rivais. E esta época o primeiro clássico apareceu ainda no mês de Agosto. Logo à terceira jornada, fizemos as malas e percorremos os 300 quilómetros que separam a Invicta da terra dos infiéis.

Uma viagem animada como de costume, as deslocações são sempre momentos de confraternização entre os ultras mas estas a território inimigo batem todas as outras e é quando a adrenalina atinge o seu expoente máximo.

Os lagartos preparam-se devidamente para nos receber. Um clube que caminha para não ser campeão há duas décadas, entra em ebulição só de imaginar que o FC Porto vai lá jogar e os seus ultras vão atrás. Em relação ao jogo jogado, é verdade que não ganhamos em Alvalade desde a época 2008/2009, mas também é verdade que os calimeros nada têm ganho a nível de troféus e das vezes em que lá empatei, uma delas estavam em 11º lugar (!!!!!!), nunca me esquecerei que festejaram como se tivesse empatado 0-0 no Bernabéu a disputar a meia final da Champions e a jogar com oito jogadores. A sua pequenez faz com que fiquem felizes pelo simples facto do FC Porto não ganhar há três anos, esquecendo-se que já passaram vários três anos desde que eles não ganham.


Em relação aos ultras, é sabido a lengalenga do REC. Não gosto que se copiem cânticos de outras claques, mesmo que também tenham sido importados, como aliás são a maioria. Muito menos de claques rivais.

Mas quem são estes artistas que falam em REC, quando cantam a nova versão “e quem não saltam é lampião”, nascida em Vizela para taça de Portugal durante um Santa Eulália x FC Porto? Quem são estes artistas que falam em REC quando cantam “em cada lampião há um cabrão” e algumas outras nascidas a Norte?

Pior de que isso, a história do REC já vem desde os anos 2000, quando o Colectivo em plena estádio das Antas, Superior Norte, exibiu a tarja "www.sejam-originais.jl", numa clara alusão às cópias por parte da JuveLeo. Deixem-se de direitos de autor e tentem encher sempre o sector visitante quando vêm ao Dragão, tal como fazemos em Alvalade desde a inauguração em 2003. Houve anos em que trouxeram 300 ou 400 ultras, quando têm sempre direito a 2500 bilhetes.


Mais uma demonstração de força da parte de Super Dragões e Colectivo, que preencheram completamente os sectores que lhes foram destinados. Mais ainda, tiveram de tirar alguns adeptos da equipa da casa da bancada central, porque não havia espaço no sector visitante para todos os Dragões!!

O apoio foi forte de ambas as curvas, naturalmente jogando em casa ouviram-se mais os ultras da casa. Ultras esses, nomeadamente os da JuveLeo e que não têm lugar anual, que pagaram a módica quantia de 25 euros para um jogo em casa!! Tanto como nós, fora de casa. É mesmo caso para dizer, já que não há moradias para assaltar, a JuveLeo tem de roubar!

Ganhámos em futebol, perdemos em andebol, efectivamente eclestismo não falta aos verdinhos, dois golos com o pé em lances antecedidos de mão. Siga para bingo.

Paragem para as selecções, que chegue rápido a próxima jornada.

Um abraço ultra.

01 setembro, 2016

O ADN DO FC PORTO.


O plantel do FC do Porto da equipa de futebol profissional para a época 2015/2016 está fechado. Não me parece um plantel excecional, com alguns desequilíbrios e equívocos.
Mas pelos jogos já realizados, fico com a ideia de que o ADN Porto, está um pouco alterado, não pelos jogadores, mas pela maneira que o treinador Nuno Espirito Santo está a colocar a equipa a jogar.
Intenção da SAD, ao contratar este treinador, era fazer uma mudança no estilo de jogo? Não posso afirmar sem dúvidas que é isso, mas fico com essa ideia.
A experiência Lopetegui fez mossa, quer na massa associativa, quer na SAD como acabou a “relação profissional” entre o nosso Clube e o atual Selecionador de Espanha.
O treinador Vitor Pereira, ganhou dois campeonatos, 60 jogos, 1 derrota, em Barcelos, com uma arbitragem “jeitosa” de Bruno Paixão e 12 empates (6 em cada época). Técnico do momento Kelvin... mas lembram-se como a massa adepta não morria de amores pelo Homem de Espinho.
Estou a fazer referência a estes dois técnicos, porque tinham em campo o ADN Porto – o ADN de Pedroto e Oliveira.
Também posso e devo fazer referência ao Luís Castro, com o “estilo” FC Porto ganhou um campeonato inédito, o da 2ª Liga.
O ADN Porto caracteriza-se pela agressividade, pela posse de bola, pela rotação constante de posições com bola, por uma defesa coesa… como alguém dizia: “os jogos começam-se a ganhar na defesa”, por uma entreajuda entre os elementos da equipa, sem cultura de vedetismos.
Em Portugal, o FC do Porto para ganhar tem que ser diferente, porque em primeiro lugar o nosso Clube é diferente… é diferente a comprar (chegava primeiro), mas continua a comprar bem, na generalidade. Foi o primeiro a profissionalizar os diversos sectores de estrutura de futebol sénior… só muito depois é que os rivais nos seguiram.
Mas... os rivais já chegaram lá em cima, então temos que nos diferenciar... e como? Na minha ótica mantendo um estilo diferente de jogo. Não podemos imitar o jogo do Jorge Jesus, porque ele é único. Não podemos tentar imitar o jogo do Rui Vitória, porque aquilo ainda é uma cópia do Jorge Jesus, eu sei que o Vitória e os benfiquistas não acham.
Os rivais para além de terem bons jogadores, planteis equilibrados, também ganham mais vezes por causa do negócio futebol (arbitragem e a poderosíssima comunicação social).
As diferenças têm que ser feitas, com alternativa e não com cópia de um modelo qualquer espanhol ou alemão.
Somos Porto, temos que continuar com o ADN Porto.


O que vi nestes primeiros jogos do FC do Porto, com um novo treinador, foram partidas disputadas fora de casa, não muito bem conseguidas. No campo do adversário é que temos, mesmo, de ser diferentes... só há uma bola... e ela têm que estar na maior parte do tempo do nosso lado, isso enerva o adversário, tira-lhe capacidade de organização, porque quando tiver a bola vai tentar recuperar o tempo perdido, errando mais vezes. Naturalmente, quando se joga no campo do adversário, a tendência é que este ataque mais vezes, então nada melhor do que lhe tirar a bola e a mantermos o mais tempo possível na nossa posse.
Gosto do futebol de posse, de apoio constante, de um virar de flanco repentino, da repetição da jogada desde do início se não der para continuar. Este tipo de jogo, que sei que não é do agrado da maioria, foi aquele que nos levou a mais êxitos e a sermos temidos e respeitados na Europa.
Vitor Pereira e Lopetegui conseguiram isso na maior parte dos jogos fora do Dragão e é isso que temo que se esteja a desfazer com o atual técnico.
Relembro os jogos contra o PSV, Rio Ave, Roma (com 9 elementos) e Sporting. Futebol muito direto, para jogadores que não têm essas características.
Nuno Espirito Santo, nem sempre depressa se faz o êxito. Há que moderar as transições, há que haver apoio entre sectores, as linhas estão muito abertas. Por vezes parece futebol de equipa pequena.
Nuno, dos jogos em casa, oficiais, não tenho qualquer reparo.
Porque a derrota em Alvalade, sem querer desculpar uma arbitragem caseira, e com influência no resultado, também tem muito da posição da equipa em campo.
Em Roma, contra 11 durante o jogo todo não sei o que seria, pois durante 15 minutos, não conseguimos segurar 8 romanos em campo.
Para finalizar, não se esquecer a história de dois últimos treinadores que souberam colocar em campo e nas conferências de imprensa o ADN Porto.

É apenas uma crónica para alertar o que se fez de bom nos últimos anos, com planteis inferiores aos rivais, e com colinhos e outros quejandos que impediram o êxito do Clube, e que pode de servir de incentivo e aprendizagem à equipa que se está a formar para este ano.

31 agosto, 2016

BASTA... ESTAMOS FARTOS!


Estamos absolutamente fartos de histórias da carochinha, discursos inflamados que não têm seguimento, responsáveis que não o são e nunca dão a cara, administradores que se comportam como empresários e empresários que mais parecem ter assumido a gestão interina da SAD, pois as sobras que os outros não querem parece terem aqui uma porta aberta.

Estamos fartos que culpem sempre os jogadores, os treinadores, os árbitros ou as senhoras da limpeza. Já não temos paciência para desculpas esfarrapadas ou promessas de pré-épocas antecipadas. Ou será que depois de termos Ferraris na garagem (Imbula) agora queremos ter um avião pousado na pista (Brahimi) para depois dizermos que a culpa é do treinador?

Estamos fartos que nos vendam ilusões e promessas... montanhas que acabam por parir ratos! Basta que nos criem a expectativa de ter Mangala e acabar com Boly, ter Rafa e acabar com Jota ou ter um ponta-de-lança de créditos firmados e acabar com Depoitre. Não está em causa a qualidade dos jogadores, está em causa a gestão de expectativas. Não queremos loucuras financeiras, mas também não queremos novelas mexicanas com finais à la carte na capa do JN.

Estamos fartos das guerras e guerrinhas que se vão alimentando na sempre afiada comunicação social, com notícias fabricadas por magnatas dos lobbies existentes em Portugal e que mais não servem do que criar fatores estéreis de pressão. Matem-se ou esfolem-se, mas, entendam-se ou ponham-se a andar. Queremos estabilidade e gente com vontade e garra para trabalhar e não para apenas estarem preocupados com a promoção das suas carreiras.

Estamos fartos de ter Administradores que vivem como Lordes, com um nível de vida acima do alto e ao mesmo tempo ter um clube com as contas no vermelho, que não cumpre fair-play financeiro, que não pode comprar pois tem de pedir emprestado para contornar os maus resultados técnicos. Ganhem o que quiserem, vivam como quiserem, mas façam o vosso trabalho! E façam-no bem feito, pois são principescamente remunerados para isso.

Estamos fartos de ver um clube gerido como uma herdade cheia de quintais, onde os senhores feudais só se preocupam em defender o seu quintal, enquanto o bem comum (o do FC Porto) é colocado para segundo ou terceiro plano. Uma herdade sem estratégia, sem rumo, sem linha orientadora. Uma herdade dividida e subdividida nos mais distintos departamentos e gabinetes. Onde cada um faz o que quer e como quer.

Estamos fartos das guerras entre comunicação e informação, enquanto o diretor da Porto Media se passeia pelos corredores do Dragão Caixa e do Estádio do Dragão como se nada fosse com ele. Temos um diretor de informação que só serve para assinar o folhetim diário, enquanto se escreve uma crónica ao jogo lagartos-Porto de fazer inveja ao Record. E o diretor de comunicação, só serve para acompanhar o treinador à flash-interview e definir se vamos ter uma cadeira de sonho ou um jogo de andebol?

Estamos fartos de ser mansos, comer e calar, levar um estalo e dar a outra face. Ter gente que devia servir para estar atenta a tudo o que se diz sobre nós e disparar sempre que tal se justifique, mas que ao invés disso, estão preocupados em criar hashtags no twitter ou saber se temos muitos seguidores no facebook. Quem ataca o Porto tem que levar resposta, não pode levar silêncio só porque sim.


Estamos fartos do cliché "Somos Porto" repetido vezes sem conta e até à exaustão por muitos daqueles que nem o hino sabem cantar. Nós não queremos ser Porto no papel, no twitter ou no facebook. Queremos ser Porto na garra como defendemos o nosso clube, na atitude como atacamos quem nos ataca, na determinação como nunca viramos a cara à luta e na loucura como colocamos o Porto à frente de tudo o resto.

Estamos fartos de ter um canal televisivo inócuo e sem expressão. Sem linha editorial e onde quem trata de política ou agricultura, também trata de desporto. Um canal para dar emprego aos filhos e amigos e onde se esquece aquele que deveria ser o maior de todos os objetivos: a acérrima defesa dos superiores interesses do clube. Um canal onde fugazmente lá aparece a nossa voz pelo Bernardino Barros, mas que depois não tem sequência, não tem fio condutor, não tem a agressividade que vemos, e bem, na concorrência direta.

Estamos fartos de ser envergonhados pelos nossos comentadores televisivos. Todos sabemos que são programas e pessoas autónomas dos clubes. Mas enquanto que os outros tentam colocar nesses programas pessoas capazes de lançar informação e contra informação pertinente em defesa do seu clube, o FC Porto continua a negligenciar esta via comunicacional que chega a milhões de pessoas. São por isso lançadas e reforçadas mentiras contra o nosso clube, ideias falaciosas sobre o nosso passado e presente, perante a ruidosa mas incapaz reação do Serrão, o silêncio comprometedor do Aguiar ou a maior genica mas igualmente inócua reação do Guedes.

Estamos fartos de ser comidos de cebolada, colocados fora do centro das decisões, comidos por trás e pela frente. Deixamos que fossem criados os internacionais de aviário para agora fazermos um ruído digno de uma buzina de uma trotinete? Fomos comidos no novo Conselho de Arbitragem, mas achávamos que não, só porque damos uns “beijos na boca” com o Proença? Achávamos que tudo ia ser diferente só porque Vítor Pereira saiu? Pois é... ficamos à espera da virgem e enquanto isso ninguém se inquietou!

Estamos fartos de dia para dia perdermos identidade e marca distintiva. Agora até nos damos ao luxo de jogar clássicos com equipamentos alternativos. Será que ao fim de décadas de lagartos-porto, alguém se lembrou agora que o azul se confunde com o verde? Há quem ache que ser bairrista e regionalista é ser parolo e uma barreira ao crescimento da marca FC Porto. Esses arautos da gestão desportiva esquecem-se que, ao contrário de nós, o Barcelona continua a ter uma identidade marcadamente regionalista e isso está longe de colocar em causa o sucesso desportivo.

Estamos fartos de não ter um discurso único mas repetido vezes sem conta por diferentes vozes e diferentes canais. A forma de chegar aos adeptos e mercado em geral não pode estar restringida à voz do presidente, que tanto fala quando passa para 1º ou é apurado para a Champions, como passa ao exílio durante meses. As redes sociais, o site, o dragões diário, o porto canal, a revista dragões, e depois todos os que falarem (treinadores, jogadores e dirigentes), têm que ter a mesma linha orientadora, lerem todos os mesmos manuais, terem todos a mesma linha de orientação.

Senhor Presidente do Futebol Clube do Porto, basta de tudo isto!
Isto não é uma ameaça ou aviso. É um grito de pedido de ajuda... ajude-nos a limpar o clube, ajude-nos a ajudá-lo!
Perceba que tudo e todos que o rodeiam só ainda se mantêm de pé pelo enorme respeito que lhe guardamos. No dia que o senhor sair, a ETAR vai ter muito trabalho para tratar tudo o que vai receber. O senhor é, a par de José Maria Pedroto, a figura maior de um clube com mais de 120 anos de história. O senhor merece tudo de todos nós. Mas, não persista em testar mais a sua popularidade junto das pessoas. Nós aqui fora, nós aqui na rua, estamos cansados das tropelias que são efetuadas a essa história centenária.
O senhor vive num Mundo onde lhe dizem que tudo está bem, que tudo está sereno, que nós comemos tudo o que nos dizem. Esqueça... isso já acabou!
Nós queremos o nosso Porto de volta. Nós queremos o nosso clube de volta. Queremos e acreditamos que isso é consigo ao leme, mas perceba que já não há mais paciência para erros e falhas que ficamos sem perceber se são negligência, incompetência ou má fé.

BASTA, PORQUE O PORTO É NOSSO!!!

30 agosto, 2016

LUTAR… OU DESAPARECER!


Do jogo de Alvalade já tudo foi dito e (bem) escrito, sendo que em muitos blogues de referência do universo FC Porto poderão encontrar frame a frame o porquê da nossa revolta com o que se passou em Lisboa, daí que não vá repetir o óbvio.

Ali, naquele campo onde mora um Grande que foi meia dúzia de vezes campeão em 50 anos, a história tem-se repetido ao contrário das fábulas que alguns vão contando. Na dúvida é para a casa, os visitados podem usar e abusar da agressividade e a turba nunca está satisfeita: só quando cada falta do FC Porto for punida com amarelo ou vermelho e nenhum jogador verde for admoestado é que a arbitragem será elogiada.

Bruno de Carvalho está de parabéns por colocar o Sporting ao nível do Benfica na forma como a arbitragem os teme mas desengane-se quem julga que a arbitragem de domingo é novidade ou mérito do Presidente leonino. Ali tem sido SEMPRE assim e quem vai regularmente a Alvalade sabe bem do que falo. Aliás não é por acaso que não ganhamos ali há 8 anos, mesmo nos anos em que estivemos em alta e com eles a sofrer a meio da tabela. E se quisesse podia recuar aos tempos do Sousa Cintra, onde o FC Porto (que controlava a arbitragem, segundo a lenda) raramente acabava com 11.

Podíamos ganhar na mesma, apesar disto tudo? Talvez, num dia perfeito, com uma equipa experiente e “batida” nestes ambientes. Uma equipa à imagem das tais dos anos 90, capaz de resistir a tudo. Temos essa equipa neste momento? NÃO.


Por tudo isto não podemos ter vergonha nem recuar perante o desafio. Preferíamos não ter de sujar as mãos e sermos a cara de um futebol mais puro, não tendo de apontar o dedo a árbitros com o risco de ficarmos marcados por queixumes fim-de-semana sim fim-de-semana não? Claro que sim, mas será que é o momento para toda essa “elegância”?

Fomos vencidos fora das 4 linhas, temos de o admitir. Campeonatos como o de 2014/15 perdemo-los fora do campo, algo que mesmo quem não gosta de Lopetegui não poderá deixar de registar.

E agora? Vamos deixar que aconteça o mesmo? Vamos mesmo a jogo com as armas todas ou vamos ser os parvos de serviço, num país onde os nossos rivais são capazes de se queixar mesmo quando nada de especial aconteceu (basta recuar uma semana) e são experts na contaminação de tudo o que é órgão de comunicação social?

Cara Direcção do FC Porto: não tenham medo! Somos muitos, somos mais do que alguma vez fomos no passado e mesmo aí não nos conseguiram calar nunca! O exercito está cá, conseguem liderá-lo?

PS1: é com agrado que vejo o FC Porto a denunciar o escândalo de domingo nas redes sociais. Já é alguma coisa mas não chega. Ainda sou do tempo em que se chamava a comunicação social e se mostravam os lances todos, como no rescaldo de um Boavista – FC Porto arbitrado pelo Jorge Coroado. Métodos ultrapassados? Não, mais actuais do que nunca, só falta ter coragem para levar a nossa revolta até às últimas consequências, mesmo que os do costume venham dizer cobras e lagartos do FC Porto. Mas afinal não é isso que acontece sempre?!

PS2: Com a devida vénia ao Pedro Cardona, aqui fica a prova de que não é preciso inventar a roda. Para quem tiver paciência, garanto-vos que é um belíssimo vídeo. Uma nota para quem é deste tempo: não é irónico lembrarmo-nos que nesta altura diziam que o Presidente estava “finito”?

28 agosto, 2016

COMEÇAR BEM, ARBITRAR MAL E ACABAR PIOR.


SPORTING-FC PORTO, 2-1

O Dragão, com a moral em alta, entrou no jogo desta tarde à semelhança do jogo em Roma. E até marcou muito cedo. Estavam lançados os dados para mais um jogo e mais uma etapa de evolução da equipa liderada por Nuno Espírito Santo. Mas o que parecia muito bom, depressa se desfez. Por culpa própria e por culpa do homem do apito.


Após o golo madrugador de Felipe (apanhou-lhe o gosto) aos 8 minutos, o campo começou a inclinar. Aos 14 minutos surgem três situações que atestam o que estou a dizer:

Primeiro, Coates dá uma cotovelada em André Silva e o árbitro de frente para o lance, nada assinala;

Na sequência, Slimani simula uma falta à entrada da área, com um salto para a piscina. O árbitro assinala a falta inexistente.

Do lance, resulta o golo irregular do empate da equipa de Alvalade. Bruno César remata ao poste e na recarga, Gelson controla o esférico com o braço antes de atirar contra Casillas. A bola fica a saltitar em cima da linha de baliza, onde aparece Slimani a estabelecer o empate.

De uma forma estrondosamente irregular e, no espaço de um minuto, o árbitro, que me recuso a dizer o nome, comete três erros crassos. Continuem, pois, a nomear árbitros destes para estes jogos e a promovê-los a árbitros internacionais. Parabéns à CA.


Apesar disso, o FC Porto continuou melhor, com o meio-campo verde a ser controlado pelos Dragões. O trio do meio-campo portista tomava conta das operações mas aos 26 minutos nova palhaçada do juizinho. Bryan Ruiz beneficia de mais uma irregularidade para servir Gelson que rematou para o fundo das malhas de Casillas. A bola cortada por Felipe vai à mão do jogador leonino que tira partido do lance e o Sporting passa para a frente do marcador.

Depois do 2º golo do Sporting, o FC Porto teve ainda uma oportunidade soberana com uma bola ao poste de A. André mas a sorte não esteve com o caxineiro. Depois disso, o Dragão desapareceu e o Sporting dominou e controlou o jogo quase como quis.

No entanto, os jogadores leoninos, com entradas a destempo e com mais cotovelada ou menos cotovelada, passaram incólumes em termos disciplinares. Adrien Silva, William e Slimani escaparam a expulsões e assim se somam mais 3 pontos.

Apesar de tudo, o FC Porto tem de dar a mão à palmatória pois não conseguiu reagir à adversidade. O FC Porto tentou jogar em profundidade, sempre à procura das costas da defesa contrária. Mas os portistas pouco ou nada conseguiam de concreto.


Ao intervalo, o resultado era injusto. Óliver Torres, de regresso à invicta, entrou para o lugar de Corona, algo tocado. Apesar do FC Porto ter tentado remar contra a maré, foi visível uma supremacia da equipa adversária, uma equipa mais madura, com melhor gestão do tempo e do jogo. E foi isso que Nuno Espírito Santo salientou no final do jogo.

O treinador portista, apesar de apontar erros claros à arbitragem, embora sem se alongar muito, registou o facto dos seus pupilos não terem sabido gerir a vantagem e terem falhado o último passe. Houve algumas jogadas de perigo, sem que houvesse oportunidades claras de golo, mas não passaram de ameaças.

Com Óliver a deixar a ala e a passar para o meio e com a entrada do belga Depoitre, o FC Porto teve uma meia-oportunidade aos 90 minutos.
Layún é desmarcado na meia-direita mas controla mal a bola, com tudo para ir para a baliza. Cruzou para a área onde André Silva e Depoitre atrapalharam-se e o lance acabou por se perder na defensiva leonina.

Pouco depois o jogo terminou com a primeira derrota da época. Nem tudo está mal no reino do Dragão, mas nem tudo está bem. Há muito trabalho pela frente e o FC Porto tem de continuar a trabalhar, no sentido de evoluir e de procurar tirar melhor partido nos próximos jogos. A equipa tem margem de progressão e tem condições para crescer.

Espera-se que até Quinta-feira, o plantel fique bem definido e se trabalhe bem e com tranquilidade.


Hoje as minhas notas finais são apenas para colocar uma questão para reflectir. Quem quiser que interprete como entender.

O Presidente Pinto da Costa passou pela zona mista no fim do jogo em Roma. Teria o presidente estado na zona mista do Estádio Olímpico de Roma se o FC Porto tivesse sido eliminado na última Terça-feira?

No fim do jogo com o Sporting, parece-me ter visto muitos mais motivos para o Presidente passar pela zona mista de Alvalade do que em Roma. Mas se calhar, sou eu que estou errado.

No entanto, em cerca de 30 anos, vi o Presidente do meu clube aparecer nas horas menos boas ou nas horas más, como quiserem, sempre a dar a cara e a chamar a si toda a responsabilidade do que de bom e de mau acontecia. E na grande maioria, surgia quando realmente havia necessidade de se tomar posições de força contra actuações como por exemplo a que se passou neste fim de tarde no Alvalade XXI.

“Enquanto fomos bons rapazes...”


DECLARAÇÕES

Nuno: “Reagimos bem ao jogo, mas faltou-nos fazer mais golos”

Uma boa entrada em campo, repleta de carácter e personalidade, foi o ponto mais elogiado por Nuno Espírito Santo relativamente à sua equipa no clássico da terceira jornada da Liga NOS, que terminou com uma derrota azul e branca por 2-1​ no terreno do Sporting. O treinador dos Dragões lamentou depois o pouco tempo que o FC Porto conseguiu estar em vantagem no marcador e criticou a arbitragem, que na opinião do técnico prejudicou claramente a sua equipa.

Análise ao jogo
“​Entrámos muito bem no jogo. Pena que o empate chegou tão cedo, pois podíamos e devíamos ter conseguido manter a vantagem por mais tempo. O resultado é o que é. Não ficamos eufóricos com as vitórias nem muito tempo nos lamentos com as derrotas. Há muito caminho pela frente, isto ainda agora começou e queremos chegar ao final em primeiro. Numa análise muito fria acho que estamos em crescimento. Todos os dias são importantes para nós e as derrotas também têm que nos servir para consolidar ideias.”

O melhor e o pior do jogo do FC Porto
“Gostei da nossa entrada, da ideia que introduzimos no jogo e no carácter dos jogadores. Não gostei tanto de não conseguir manter a vantagem por mais tempo. Podíamos ter tido mais critério no último passe, mas as derrotas também servem para vermos qual é o caminho.”


Análise à arbitragem
“Eu gostava de não ter de comentar a arbitragem, mas hoje foi evidente. São ações irregulares claras e o árbitro tinha obrigação de as ter visto. Acabou por ter influência no resultado, parece-me óbvio. Preferia estar aqui a analisar a minha equipa, o que fizemos no jogo, pois é isso que me compete fazer, mas volto a repetir: hoje o árbitro teve influência direta em nosso prejuízo.”

O que faltou ao FC Porto
“A minha equipa reagiu sempre ao jogo. Esteve sempre dentro do jogo, com boa dinâmica. Ajustámos quando tivemos de ajustar, tivemos posse de bola e pressionámos alto. Conseguimos tudo menos fazer mais golos.”

O peso da derrota
“A derrota não nos abala porque temos consciência do que fizemos. Os jogadores trabalharam e sabe-no. Conseguimos um primeiro objetivo que era estar na fase de grupos da Liga dos Campeões. Outro objetivo é sermos campeões nacionais, e estamos na luta até ao fim.”

O nível físico dos jogadores
“Não creio que sirva de desculpa termos mais jogos. O calendário é exigente, mas os jogadores estiveram bem, competiram.”

Saída do Corona
“Ele apresentou uma queixa. Apesar de estar a fazer um bom jogo, não só pela queixa, foi uma opção nossa optar pela sua saída. Temos muitas opções.”



RESUMO DO JOGO

27 agosto, 2016

ABAFÁMOS O OLÍMPICO!


Viagem de uma vida a quem teve oportunidade de lá de deslocar, vitória histórica e uma entrada na fase de grupos que ficará para sempre na nossa memória. Ganhar o jogo e passar a eliminatória era algo que poucos contavam, ganhar 0-3 foi escrever uma nova página de ouro na história do nosso clube.

Começo por aqueles que para mim são os heróis desta passagem. Domingo à noite, quase 48 horas antes do jogo, arranca um autocarro da Invicta em direcção a Roma. Com cerca de 60 ultras a bordo, chegaram a Roma terça-feira à hora do almoço. Um espírito incrível de companheirismo, amizade e amor ao FC Porto. Uma vivência inédita, milhares de quilómetros sobra rodas em dezenas de horas. Deixando tudo para trás, tudo por uma causa.

À chegada a Roma, juntaram-se a eles mais 40 ultras que viajaram nessa manhã de avião e mais alguns emigrantes de núcleos das nossas claques do centro da Europa. Cerca de 200 portistas passearam pelas ruas de Roma durante a tarde.

Aproximava-se a hora do jogo, cortejo até ao estádio e entrada no sector visitante. Super Dragões e Colectivo com as faixas bem erguidas e os habituais estandartes e bandeiras. Estávamos bem representados. Como é habitual nas deslocações na europa, o Colectivo contou com a presença da Fieri Fossatto, claque da Sampdória com quem tem uma enorme amizade.

Durante o jogo o apoio foi fortíssimo. Em vários momentos da partida só se ouviam os nossos adeptos naquele mítico estádio e perante milhares e milhares de romanos. Um orgulho enorme e o meu agradecimento a quem lá foi.

Com a nossa cavalgada no jogo e no marcador, o sector visitante explodiu de alegria, os cânticos aumentaram de tom e a festa foi total no final. Os jogadores e equipa técnica agradeceram e voltaram nessa mesma noite para o metro, dormindo em casa. Os que foram de avião, foram dormir para o chão do aeroporto, uma imagem já repetida mil vezes nas nossas deslocações.

E os heróis deste jogo, arrancaram no autocarro na viagem de regresso para o Porto. Mais umas dezenas de horas de viagem e chegaram à Invicta na quinta-feira de manhã!!!! Estes também deviam ter tido gente à espera a bater-lhes palmas pelo feito.

E por falar em aventuras europeias, o sorteio já saiu, Leicester, Brugge e Copenhaga, venham as próximas transfertas por favor.

Por cá, e não menos estrangeiro, invasão à mouraria no Domingo!

Um abraço ultra.

26 agosto, 2016

A TAL DA OMELETE.



A fome – conhecida como a sensação fisiológica pela qual o nosso corpo sente que necessita de alimento para manter as actividades inerentes à vida – assiste-nos, impele-nos… Pelo simples motivo de não comermos suficiente e decentemente há mais de 3 anos, todos esses milhares de dias e incontáveis horas em subnutrição, em miséria completa, suprema agonia.
O estômago está colado às costas e já não ronca, nem horas dá. Dói.

Presentemente, o único e ardente desejo, a avidez, consiste em satisfazer esse enorme buraco negro dentro da imensa galáxia de nós e a sofreguidão faz-nos inclinar a abocanhar desvairadamente tudo o que nos aparece pela frente, sem olharmos a meios e a necessidades específicas, quando tudo o que queremos e precisamos é mesmo de sustento, chichinha, nourishment.

Mas queremos também e a todo o custo evitar velhos erros de palmatória, de ingestão, de casting; consensualmente, desde que o nosso sofisticado e concorrido restaurante de várias estrelas Michelin deu mostras de poder fechar a qualquer momento por falta de resultados, de boa gestão, competente gerência e de um razoável, enquadrado, actualizado chef. Paramos, pois, para pensar.

Conhecendo a actual conjuntura da casa, aconselhados pelos contabilistas a respeitar religiosamente o estafermo do fair-play financeiro, há que aquilatar a dimensão da fome, avaliar o que temos no frigorífico. Na despensa depauperada. Ver se os produtos existentes ainda estão dentro do prazo de validade, ir buscar outros antes prescindíveis à prateleira e contar os tostões todos – sim, porque o gordinho do porquinho-mealheiro passou à história! – para sabermos se podemos ir ao supermercado comprar o que nos faz falta. Isso se ainda estiver aberto**. Só depois poderemos comer, matar a nossa fome, descolar e reconfortar o estômago e, pelo caminho, cimentar uma boa equipa, consolidar o novo e promissor chef, elaborar deliciosos pratos, melhorar os índices de gestão, atrair clientela e começar a facturar.

Optamos realisticamente por fazer uma simples omelete, que o orçamento não estica para algo mais gourmet ou apelativo aos sentidos. Temos em casa a mãe de todas as pimentas, a mais fina flor de sal, salsinha fresca e viçosa, o melhor peru… e vamos juntando tudo na taça, já a salivar, antecipando a alegria sensorial que nos espera.

Vamos ao frigorífico e… só temos um ovo. Bonitinho, redondinho, amarelinho, nutritivo, mas… um só. Pequenino. Ai, e a vontade de chorar. Espernear já em birra e impotência no chão. Vencida a desolação, o pessimismo quanto ao êxito do prato que temos em mente, banho de realidade tomado, há que arregaçar as mangas, avançar, fazer-nos ao caminho e usar os ingredientes que temos e podemos usar. Nem que inventemos, nem que inovemos, nem que se criem novas tendências, ou se enverede por outro caminho. Mais puro, mais vegan.

Misturar tudo na taça, com desvelo. Minuciosamente, laboriosa, dedicada e exaustivamente. Bater tudo até que os braços nos doam. Envolver. Pôr ao lume. Baixá-lo. Alteá-lo. Dobrar cuidadosamente. Aliando a fome com a vontade de comer, a fé enorme e a alma imensa, sabendo que a nossa será a mais apetitosa das omeletes.

NOTA: A omelete estava a ser preparada antes do jogo no Estádio Olímpico de Roma, frente ao adversário que conhecemos. Batêmo-la durante 90 e imensos minutos e, mesmo que sem ovos, ficou no ponto, com um maravilhoso cheirinho que nos fez salivar, inebriar, ao mesmo tempo que nos trouxe lágrimas de alegria e nostalgia aos olhos, pela saudade toda que tínhamos acumulada. Hoje, horas decorridas, temos já dinheiro para mais alguns ovos, caseiros e tudo e, se quisermos mesmo caprichar, para uma mão-cheia de cogumelos e um ou outro camarão. Parabéns ao Chef.


Monumento, estátua já a Szymon Marciniak, esse árbitro corajoso, comovente em toda a sua isenção, totalmente nos antípodas daquilo que é ser árbitro profissional ou meramente biscateiro neste país de brandos e centralizados costumes.


** As lojas de conveniência – que as há! -- são demasiado caras para a nossa bolsa.

Ingredientes para uma omelete deliciosa

· 4 ovos (pois…)
· 2 fatias de fiambre de peru
· 4 fatias de queijo flamengo
· sal e pimenta preta q.b.
· salsa fresca q.b.
· 1 fio de óleo

1. Bata os ovos e tempere-os de sal, pimenta e salsa finamente picada.
2. Aqueça óleo numa frigideira anti-aderente e, quando estiver quente, deite os ovos batidos. Baixe o lume e deixe cozinhar lentamente até a parte de cima da omelete se apresentar quase"cozida". Junte o queijo e depois o fiambre. Dobre a omelete cuidadosamente e deixe cozinhar mais uns minutos em lume muito brando, até o queijo derreter.

3. Retire a omelete da frigideira e sirva de imediato.

25 agosto, 2016

LIGA CAMPEÕES 2016/2017 - SORTEIO FASE GRUPOS.



LEICESTER, CLUB BRUGGE E COPENHAGA SÃO ADVERSÁRIOS NA CHAMPIONS

O sorteio da fase de grupos da edição 2016/17 ​da Liga dos Campeões, realizado esta quinta-feira, no Forum Grimaldi, no Mónaco, colocou no caminho do FC Porto os ingleses do Leicester, os belgas do Club Brugge e os dinamarqueses do Copenhaga. As quatro equipas integram o grupo G da mais prestigiada competição de clubes do mundo, na qual os Dragões são recordistas de presenças (21), ao lado de Barcelona e Real Madrid.

Fundado em 1884, o Leicester sagrou-se pela primeira vez campeão inglês em 2015/16, à custa de uma sensacional campanha de 38 jogos, 23 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas. Foi o primeiro grande troféu de um palmarés de um clube que faz a estreia absoluta na Champions, tendo já disputado oito jogos nas competições europeias (quatro na então Taça dos Vencedores das Taças e outros tantos na Taça UEFA). O experiente treinador italiano Claudio Ranieri conta com um plantel composto por jogadores de 15 nacionalidades diferentes, entre os quais se destacam o argelino Riyad Mahrez ou o nigeriano Ahmed Musa.

O Club Brugge foi fundado em 1891 e venceu a Liga belga pela 14.ª vez em 2015/16, contando ainda no currículo com 11 Taças e 11 Supertaças, a última das quais conquistada em julho passado frente ao Standard Liège. Tal como os dinamarqueses, regista duas presenças na fase de grupos, que disputou pela última vez em 2005/06. O antigo guarda-redes do Benfica, Michel Preud’homme, é o treinador de uma equipa que já disputou quatro jogos do campeonato (duas vitórias e duas derrotas) e que ocupa atualmente o 47.º lugar no ranking da UEFA.

O Copenhaga é o clube mais jovem do grupo, tendo sido fundado em 1992 e é o atual campeão dinamarquês e detentor da Taça. No palmarés conta com 11 campeonatos, sete Taças e uma Supertaça, e disputou por três vezes a fase de grupos da Liga dos Campeões, a última das quais em 2010/11, época em que atingiu pela única vez na história os oitavos de final da prova. É treinado pelo norueguês Stale Solbakken que orienta um plantel que conta nas suas fileiras com 19 atletas nascidos na Dinamarca.




Nuno: “Fosse qual fosse o grupo, seríamos candidatos aos oitavos”

O sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões colocou o FC Porto ao lado do Leicester (Inglaterra), do Copenhaga (Dinamarca) e do Club Brugge (Bélgica) no grupo G. Para Nuno Espírito Santo, o nome dos adversários não é relevante, porque os Dragões seriam sempre candidatos ao apuramento para a fase seguinte da prova.

"Fosse qual fosse o grupo, o FC Porto assumir-se-ia sempre como candidato aos oitavos de final. Sabemos que vamos defrontar três campeões dos respetivos países, mas os adversários seguramente que também estão cientes da nossa força e ambição”, observou o treinador dos azuis e brancos em declarações exclusivas ao www.fcporto.pt.

Nuno Espírito garante ainda que o FC Porto entrará na Champions “com ambição, contando com o compromisso e cooperação de todos”.

O CORAÇÃO RECOMEÇA A BATER.


Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Em dois dias, as gentes portistas passaram do estado depressivo ao estado eufórico. Depois do empate caseiro frente à AS Roma e gorada a transferência de Rafa em favor do maior rival, o universo portista caía em desânimo e a estrutura voltava a estar debaixo de fogo cerrado.

A expressiva vitória na Cidade Eterna, o empate dos lampiões, complicações na mudança de Rafa para Lisboa e a aterragem de Oliver no Porto, tiveram pois o condão de ressuscitar o portismo das trevas, culminando com uma recepção no aeroporto de grande nível aos heróis de Roma.

Mas calma. Muita calma. Nem antes éramos tão maus, nem agora somos tão bons. E, para nossa tristeza, grande parte dos problemas permanecem... e dentro de casa.

Por norma, as más notícias primeiro. Esta é a mesma estrutura que contratou Depóitre, o engenheiro civil que só se profissionalizou aos 24 anos e que não pôde contar com ele para uma eliminatória de acesso à Champions League. Nem com ele, nem com Aboubakar, nem com Gonçalo Paciência. O primeiro porque aguarda transferência; o segundo porque, pelos vistos, não conta para NES.

Esta é a mesma estrutura que dá instruções a NES para salvaguardar Brahimi de qualquer perigo ou lesão. E é a mesma estrutura (ou será NES?) que aposta cegamente em Alex Telles, deixando no banco um dos melhores jogadores portistas: Miguel Layun. É a mesma administração que mantém Ricardo Pereira em França, sendo ele já nos dias que correm provavelmente um dos laterais-direito de topo portugueses. E, por fim (tínhamos que chegar aqui), são os mesmos dirigentes que continuam a não conseguir um único negócio de jeito – nem que seja para amostra – com o Braga de António Salvador.

Não nos iludamos. O FC Porto teve mérito em chegar onde chegou, mas ninguém poderá esconder que teve sorte no conjunto da eliminatória, nomeadamente a partir daquele que foi para mim o momento decisivo: a expulsão de Vermaelen. Foi ela que roubou o enorme fulgor das tropas romanas que se apresentaram na Invicta. Em Roma, a história já foi diferente: o FC Porto já ganhava, parecia deter o controlo das operações e, mesmo 11 contra 11, dava sempre a sensação de uma Roma desinspirada diante de um FC Porto de indelével pedigree europeu. Mas, claro está, a cavalo dado não se olha o dente e que jeito deram as expulsões de De Rossi e Emerson!

Mas despejando para o papel as más notícias, é tempo de nos permitirmos alguma alegria e esperança. Ainda é muito cedo para tecer juízos de valor de qualquer espécie – e o BiBó PoRtO lembra-se certamente muito bem da euforia em redor de Paulo Fonseca até à 10ª Jornada – mas NES merece o nosso aval e o nosso aplauso até esta data. Com um plantel claramente limitado e a ter que trabalhar com atletas em claro fim de linha azul e branca e sem fácil colocação no mercado como Indi, Varela, Adrián ou Evandro, é possível apreciar uma dinâmica e uma máquina em construção. Faltam ainda muitas coisas (a quebra psicológica após as expulsões dos jogadores da Roma é disso exemplo), mas há notas muito positivas a registar.


Salta à vista que a dupla de centrais está estável e tranquila. Marcano, a meu ver, continua a não ter estaleca para titular de uma equipa com os pergaminhos do FC Porto, mas é em Felipe que começo a depositar esperanças numa liderança defensiva. O facto de ter recuperado de dois auto-golos a abrir a sua estreia europeia sinalizam que está ali um homem com quem se pode contar para o futuro. E, claro, um central a marcar golo e a festejar de cambalhota traz-nos boas memórias (saudades tuas, Couto!). Imperial como César no jogo aéreo, duro no desarme, atento durante os 90 minutos e a chutar para fora quando tem de ser: se for sempre assim, que fique muitos e bons anos!

Alex Telles mostra desenvoltura e alma a subir no terreno, embora seja claro que é pior a defender que Layun. A lesão de Maxi vai garantir minutos de adaptação preciosos a Alex, mas num cenário normal parece ser o terceiro lateral do plantel, pese embora os sinais dados por NES neste início de ano. E verdade seja dita, Layun é titular do FC Porto no lugar que quiser, seja a lateral esquerdo, direito, seja a extremo, seja no meio-campo. Não desaproveitemos um jogador assim!

O meio-campo tem mostrado capacidade de choque e de saída rápida para o ataque. Danilo começa a subir uns furos nas suas prestações, mas é Herrera quem mais me tem agradado, ao diminuir drasticamente o número de passes que costumava falhar e a assumir-se de vez como o box-to-box que é, um fundista que defende e ataca com a mesma intensidade e força, uma espécie de cavalo de guerra para toda e qualquer batalha. Quem sai beneficiado com isso é o menino Otávio que, claro, tem ainda tudo a provar. Quem não se lembra dos primeiros jogos de Quintero? Chegar ao FC Porto e brilhar nos primeiros jogos é relativamente fácil. Pena, por exemplo, aguentou esse estado de graça durante quase uma época inteira. Otávio tem qualidades infinitas, parece não ser apenas mais um médio criativo de grande talento, aparenta ter genica, garra e ambição, mas tem que o provar numa equipa da dimensão do FC Porto, passado que está o seu período de trainee em Guimarães. André Silva e Otávio têm criado uma dupla interessante de se ver e oxalá assim continuem. Também Corona está apostado em fazer desta época o seu ano de afirmação. E que influente se torna o mexicano quando joga o que pode e sabe, com a bola colada ao pé, diagonais com e sem bola, repentismo, alegria e agitação ao jogo.

Há por isso muitas e boas notícias para alegrar o universo azul e branco. Mas não é tempo de embandeirar em arco e estranhei, por isso, o Presidente falar tantos minutos no final do jogo, nomeadamente referindo-se a MST. Nós precisamos do Presidente de antigamente, aquele que aparecia nos maus momentos e que se resguardava humildemente nos instantes de glória. E precisamos, mais que nunca, do Presidente que levanta a voz contra o verdadeiro inimigo, não contra os dizeres de um jornalista que, no passado, foi das poucas vozes que defendeu publicamente o FC Porto no processo Apito Dourado. Acredite, Presidente, vá por mim: todos os nossos problemas fossem o MST!

Tentemos, pois, ver todos estes acontecimentos recentes com algum distanciamento. Oliver vem trazer maior qualidade? Claro que sim, mas não esqueçamos que é um jovem que não conseguiu vingar no Atlético Madrid de Simeone. Um central de créditos firmados cairia como ouro sobre azul no plantel actual, assim como um extremo veloz e talentoso (Diogo Jota?). No entanto, esperemos que a SAD portista não se deslumbre com o brilho dos milhões uefeiros e comece a gastar o que tem e o que não tem. Lembrem-se que há talento dentro de portas que está desperdiçado e que, em último caso, pode dar muito jeito. Falo de Brahimi, Hernâni, G. Paciência, Ricardo Pereira, Aboubakar, assim como muita rapaziada da Equipa B.

Para terminar, duas notas finais:
  1. 1. Espero que não haja orgulhos feridos que nos façam voltar a Rafa. Pelo meu lado, nem dado. E, atendendo à peixeirada que se lê por aí, é caso para dizer que está bem nos dois lados: quer onde está, quer para onde vai.

  2. 2. Não se trata propriamente de uma crónica de regresso, pois de verdade nunca estive fora nem longe do BiBÓ PoRtO. Como sempre, o que podem esperar de mim em particular e do BiBó PoRtO em geral? Um portista que apoia o FC Porto seja onde for, atento e activo no que ao seu clube diz respeito, com total liberdade pessoal para escrever seja em que sentido for, para o bem e para o mal. Um princípio acima de todos a servir de Norte: a defesa intransigente dos interesses do FC Porto.
Imensamente feliz por estar de volta.

O coração recomeça a bater.

PORTO!

Rodrigo de Almada Martins