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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Jesualdo 'Mal-Amado' Ferreira

Fazendo uma breve passagem pela actualidade do nosso clube, há um tema que importa discutir. Como se tem observado, a derrota na Supertaça frente ao Sporting motivou um abrandamento no optimismo que se instalara no seio dos adeptos e deixaram-nos mais conscencializados da dificuldade da temporada que agora se inicia. O FC Porto continua a ser o principal candidato ao título nacional, mas convém não baixar a guarda nem entrar em facilitismos que nos podem trazer dissabores futuramente.

Um pouco por todo o lado, especialmente na blogosfera azul e branca, as críticas ao técnico Jesualdo Ferreira foram imensas a seguir ao jogo do Algarve. Não é segredo para ninguém que ele é um mal-amado para boa parte dos portistas, porventura até a maioria. Começo por dizer que sou admirador confesso do nosso treinador e que, desde a primeira hora, sempre achei que é o homem certo no lugar certo. Por conseguinte, acho descabida a forma como se condena Jesualdo após cada derrota, à mesma velocidade com que se minimiza o seu trabalho na hora das vitórias. Não sou apologista da ideia de que ele é sempre o principal culpado das derrotas e uma mera figura decorativa nas vitórias, relegado para segundo plano pela superior organização e capacidade financeira do clube ou maior qualidade do plantel face aos adversários. Todos devemos ser coerentes. Se ele é o líder técnico, ele é o principal responsável pela produção da equipa de futebol, devendo ser criticado quando perde, mas também elogiado quando vence. Da mesma forma que a organização do clube deve ser louvada nos triunfos, mas igualmente responsabilizada nos insucessos. Esta é, para mim, a única forma de responsabilização possível num clube/organização que se quer de topo.

Jesualdo Ferreira conquistou para o FC Porto os dois últimos campeonatos, daí que o seu trajecto no Dragão deva ser considerado positivo. No entanto, no FC Porto existe uma cultura de exigência máxima e de permanente insatisfação que nos faz - a nós adeptos - almejar sempre mais e melhor. Reconheço, dessa forma, que, apesar de gostar de Jesualdo e de sempre o ter defendido, o seu percurso tem sido pautado por demasiadas derrotas, algumas delas bem dolorosas. Exceptuando a eliminação da Champions de 2006-07 aos pés do Chelsea (facto que devemos classificar como perfeitamente aceitável), a verdade é que os afastamentos da Taça de Portugal pelo Atlético e da Taça da Liga pelo Fátima, as perdas de uma Taça e duas Supertaças para o Sporting e a eliminação da Champions de 2007-08 pelo Schalke 04 nunca deverão ser admissíveis. Apesar de sabermos que a derrota é um resultado possível e que os adversários também terão os seus méritos, no FC Porto queremos ganhar sempre e não lidámos nada bem com repetidos desaires.

A minha visão é que para esta temporada não basta a Jesualdo Ferreira ganhar o campeonato e ultrapassar a fase de grupos da Champions. Além do obrigatório e incontornável Tetra, há que arrebatar, pelo menos, uma das taças internas e chegar mais longe na liga milionária que nas duas edições anteriores. A cobrança num clube como o nosso deve ser constante e os resultados já alcançados no passado não devem ser garantia de futuro. Quero com isto dizer que o Professor tem que continuar a provar diariamente que merece treinar o FC Porto, ele e qualquer outro que venha no futuro.

Para os mais distraídos, posso estar a parecer contraditório com o que disse no início do texto. Não estou! Admiro Jesualdo, mas isso não me impede de discordar dele variadas vezes. Simplesmente, recuso que se divida o mérito das vitórias e se concentre a responsabilidade das derrotas. Porque se pensarmos bem, há várias outras problemáticas no clube a merecer reflexão, que não estão directamente relacionadas com a equipa técnica e que podem potenciar a possibilidade de resultados menos bons. Refiro-me, por exemplo, à situação estranha de Ricardo Quaresma, que tem sido, a meu ver, bastante mal gerida pela SAD azul e branca; bem como a algumas contratações duvidosas por valores bastante discutíveis (acho que se gasta demasiado dinheiro em determinados jogadores), já para não falar na fixação exagerada no mercado sul-americano, algo que particularmente não me agrada.

De qualquer forma, confio na capacidade de todos os responsáveis portistas e creio que todos trabalham no sentido de fazer do FC Porto um clube cada vez maior. Apesar da derrota irritante em terras algarvias, continuo com a firme convicção de que temos uma grande equipa, somos o principal candidato ao título e podemos aspirar a algo mais que apenas a liga portuguesa. Vai ser preciso, porém, prová-lo dentro do campo.

A propósito (bem sei que é um assunto já muito discutido, mas o certo é que continua na ordem do dia), e já que falei de Quaresma, respondam lá sem rodeios: preferem a saída de Quaresma por uma excelente proposta ou a sua continuidade de dragão ao peito? E o que será uma excelente proposta? Eu sinceramente acho que a melhor solução seria a sua venda por um valor de cerca de 30 milhões de euros. Mas não posso deixar de reconhecer que se ele cá continuar ficarei muito feliz também. A grande questão que aqui se coloca é a sua motivação para permanecer, depois de ter dito que estava na hora de sair e após realizar uma pré-época tão atípica. Vender ao desbarato, nunca. Ter jogadores contrariados, mimados e mortinhos por partirem, também não. Uma situação deveras complexa, cada vez mais perto de estar resolvida.

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