23 junho, 2008

Estatísticas são estatísticas…

Poucos dias antes do anúncio da convocatória para o Euro-2008, o então seleccionador nacional respondeu da seguinte forma a uma pergunta acerca de Paulo Ferreira: “Convoco-o pelo seu passado e porque é uma excelente pessoa!

Ora bem, não havendo dúvidas de que Paulo Ferreira tem um excelente passado, aliás foi campeão europeu no FC Porto e já ganhou vários títulos no Chelsea, e de que também é uma pessoa bastante correcta e íntegra, uma questão fundamental impõe-se: Fará sentido um jogador ser convocado pelo seu passado ou pela sua conduta enquanto ser humano? A mim parece-me que não.

Ao contrário, Scolari ao longo destes 5 anos à frente da selecção nacional sempre primou pela falta de critério. Além de ser um treinador pouco astuto em termos tácticos, basta ver as derrotas de Portugal em fases finais, sempre foi um treinador que fez da sua principal arma a parte psicológica dos seus jogadores. Aí, verdade seja dita, Scolari sempre foi um treinador que conseguiu unir e motivar os jogadores que treinou, todavia, no futebol de hoje não basta ser um bom condutor de homens, é necessário ser evoluído tacticamente, ter boa visão de jogo e, finalmente, conhecer e estudar bem os adversários. Neste último aspecto, Scolari nunca mas nuca mostrou ser um treinador perspicaz, tal como por exemplo José Mourinho, um treinador que estuda os adversários até ao mais ínfimo pormenor.

A juntar a isto tudo, a situação mais ridícula, mais incompreensível e até hoje nunca explicada, por mais versões estapafúrdias, invenções idiotas e teorias da conspiração que possam haver: Em 2004, Vítor Baía foi considerado o melhor Guarda-Redes Europeu, não por um qualquer site de adeptos portistas, não por qualquer casa do FC Porto, mas sim pela UEFA. As brilhantes exibições na Liga dos Campeões que o FC Porto ganhou naquele ano de 2004 e também a brilhante campanha interna em que o FC Porto somou mais uma vitória no campeonato nacional fizeram com que Baía fosse considerado o melhor da Europa, no entanto, curiosamente não entrou no lote dos 3 GR portugueses convocados para o Europeu. Deste modo, apenas uma e só uma conclusão pode ser retirada: O melhor GR europeu não pertencia ao lote de 3 melhores GR portugueses! Só num país de 3º mundo, um país em que o mérito é uma treta e a inveja alastra perigosamente!

Finalmente, desmistificar um dos vários mitos que se ergueram ao longo destes 5 anos: “Scolari fez com a selecção aquilo que mais nenhum outro seleccionador conseguiu fazer!”. Ora bem, em primeiro lugar é preciso ter muito cuidado ao analisar os contextos em que os treinadores trabalham em determinado clube ou selecção e, em segundo lugar, é preciso recorrer a estatísticas, estas sim indesmentíveis, para analisar mais detalhadamente o trabalho de Scolari e dos outros seleccionadores portugueses, senão vejamos:

- Mundial-66, em que Portugal atingiu a sua melhor participação de sempre, terminando no 3º lugar, depois de muitas aldrabices do país anfitrião, a Inglaterra (aldrabices muito próprias dos anos 50 e 60, não só em Portugal como em toda o mundo onde a balbúrdia no futebol era uma constante). Não, o treinador não era Scolari…

- Euro-84 em França e Euro-2000 na Holanda/Bélgica, Portugal depois de fantásticas participações onde o bom de futebol foi uma realidade bem visível a toda a Europa, atingiu as meias-finais, caindo aos pés da França. Não, o treinador não era Scolari…

Quanto a Scolari, no Mundial de 2006 disputado na Alemanha, a selecção atingiu o 4º lugar, logo uma marca inferior à obtida em 66. Caros fãs de Scolari, estatísticas são estatísticas…

No Europeu de 2008, Portugal atingiu os quartos–de–final, uma marca idêntica à conseguida pela selecção de António Oliveira no Euro-96 em Inglaterra, onde Portugal caiu aos pés da República Checa, uma equipa que apenas perderia na final frente à Alemanha… Por fim, a ÚNICA coisa que Scolari fez de inovador na selecção em termos de resultados: No Euro-2004, disputado em Portugal onde os estádios repletos de portugueses a apoiar a sua selecção e onde todas as condições estavam criadas para uma boa participação da selecção nacional, a equipa das “quinas” atingiu a final frente à Grécia: Perdeu, tal como tinha perdido no jogo inicial frente a esta mesma Grécia e da mesma forma. Termino, com uma frase dita por um ex – treinador do nosso clube: “As finais foram feitas para se ganhar!”. Enfim, estatísticas são estatísticas…

ps - Ao que parece, Rodriguez vai mesmo ser jogador do FC Porto. Já era tempo do urugaio chegar a um clube Grande, depois de passagens por clubes de menor dimensão! Os meus parabéns!! Não é todos os dias que se tem uma promoção dessas!!!

ps2 - O FC Porto foi campeão de Hóquei pela 7ª vez consecutiva… No entanto, a cor dos patins dos jogadores do FC Porto vai ser alvo de minuciosa investigação por parte do gabinete jurídico de um “certo clube”…

ps3 - Única forma de um “certo clube” jogar a Champions League da próxima época!

Temos bom negócio... ou «cebolada»?

O Conselho de Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD emitiu este domingo um comunicado, anunciando a aquisição dos direitos desportivos de Cristián Rodríguez, internacional pela selecção do Uruguai.

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, de acordo com o artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que adquiriu os direitos de inscrição desportiva do jogador Cristián Rodríguez, e 70% dos direitos económicos, pelo montante de 7 milhões de euros.
Mais se informa que a sociedade celebrou um contrato de trabalho, com o referido atleta, com a duração de quatro épocas desportivas.

O Conselho de Administração
Porto, 22 de Junho de 2008

22 junho, 2008

A Selecção das Quinas

Não é novidade para quem me conhece… eu não gostava desta Selecção. E não gostava porque Scolari fez questão de deixar bem claro desde o primeiro minuto que o Futebol Clube do Porto e a própria Cidade do Porto, não lhe diziam nada.

Ignorou os nossos jogadores, tendo sido extremamente mal-educado (para não lhe chamar outra coisa) com o Vitor Baia, guarda-redes com títulos mundialmente reconhecidos e com uma postura em campo muito acima da média dos restantes colegas.

Insultou a minha Cidade, quando disse: "- Ir ao Porto? Ver um jogo ? Uiiiiii… fica muito longe…". Ainda esta semana, fez o mesmo, quando patinou numa conferência de imprensa em que o nome da minha Cidade não lhe saia de modo algum… não sei se de propósito, ou se o nome do Porto é de facto muito acima daquilo que ele consegue expressar.

Não vi um único jogo deste Europeu, não vou opinar se jogaram bem, se mereciam ter ido mais longe… em suma não o vou fazer. Remeto-me apenas para comentar atitudes do seleccionador, ou deverei dizer ex-seleccionador?

Scolari esteve mal, muito mal ao permitir que o Chelsea o anunciasse como novo treinador. Caiu no ridiculo de apostar no Ricardo como jogador-peça-fundamental dos “seus mininos”. Deu já tarde pelo seu erro, mas teve azar com a lesão do Quim. O episódio do Deco, ilustrou melhor do que qualquer imagem a falta de integridade que o caracteriza. Aliada a uma petulância desmesurada, este é o “homem” que durante tempo de mais iludiu Portugal. Despediu-se de forma inglória de Portugal: sem título algum e sem mérito.

Faz boa viagem Scolari, e da minha parte, não precisas de voltar.

Cristiano Ronaldo, já fala Espanhol, e diz que fez o melhor que sabe ao serviço da Selecção… deveria ter sido mais cauteloso, não vão os responsáveis do Real de Madrid pensar melhor se o melhor dele fica pelos quartos de final. Tem todo o direito de seguir em frente, de procurar outros rumos, mas a forma como o faz é a mais deselegante de todas.

- UEFA: Liga dos Campeões

Luís Filipe Vieira, continua a disparar em todas as direcções. Parece-me agora, ter virado alvo para norte, mesmo para aqui pertinho. Lamento que o Vitória de Guimarães, quiçá a troco de uns jogadores a preços de amigo tenha agora virado o discurso e passado a marchar ao toque do SLB. Advinha-se triste final.

- FC Porto: dança de cadeiras

É já o habitual desta época, um entra e sai de jogadores, não passando a maioria de fugazes notícias para vender jornais. Acho importante manter os jogadores-chave do nosso onze, adquirir um ou outro jogador de qualidade, e vender os que não interessam.

Chegou a minha vez. Vou passear a camisola do BiBó PoRtO por terras mais a Sul,
Heliantia.

21 junho, 2008

Repitam sff: HEPTAcampeão, HEPTAcampeão...

SL Benfica, 3 - FC Porto, 4

Hóquei em Patins
Nacional da I Divisão, final do play-off, jogo 4
Pavilhão da Luz, Lisboa

árbitros: Rego Lamela e José Pinto.

SL Benfica: Carlos Silva; Valter Neves, Ricardo Barreiros, Carlitos e Tó Silva.
Jogaram ainda: Vítor Hugo e Diogo Rafael.
Treinador: Carlos Dantas

FC Porto: Edo Bosch; Filipe Santos Pedro Moreira, Reinaldo Ventura e Emanuel Garcia.
Jogaram ainda: Jorge Silva, André Azevedo, Caio e Ricardo Figueira.
Treinador: Franklim Pais

Marcadores: Reinaldo Ventura (2), Caio (1) e André Azevedo (1); Ricardo Barreiros (1) e Tó Silva (2).

Disciplina: Cartão amarelo a Valter Neves, Ricardo Barreiros, Carlitos, Tó Silva e Pedro Moreira. Cartão azul a Carlos Silva, Carlitos e Reinaldo Ventura.

Pela sétima vez consecutiva, o F.C. Porto é campeão nacional de hóquei em patins, num novo capítulo histórico bem representativo da absoluta hegemonia azul e branca na modalidade. O feito, já de si inédito, foi renovado e melhorado para ganhar uma designação estranha, de tão rara: Heptacampeão. Onde quer que seja feita, a festa do triunfo, de contornos perfeitamente merecidos, não podia ser mais azul e branca.

Uma temporada, ainda inacabada, com três derrotas em 43 jogos disputados, diz muito sobre a justiça de um percurso de êxito que teve o seu corolário lógico na conquista do 17º campeonato pelos Dragões. O triunfo portista, no jogo e no campeonato, consagrou de modo ajustado a equipa que, de forma consistente e desde o início, mais fez por merecê-lo.

Quatro minutos bastaram para que os Dragões expusessem a inequívoca vontade de resolverem no quarto jogo as contas do campeonato: um potente remate de Reinaldo Ventura, num gesto próprio bem característico, abriu caminho para uma exibição segura dos pupilos de Franklim Pais.

Ventura voltou a assumir o protagonismo pouco depois, assinando o segundo golo do jogo, reforçando da mesma forma e em definitivo a liderança nos marcadores da competição (57 golos). Antes ainda do intervalo, a formação da casa haveria de alcançar o empate a duas bolas com que se chegou ao descanso.

A etapa complementar começou equilibrada e acabou por ser a qualidade do colectivo portista a sobressair, num golpe a dois tempos que fez antever a festa final do triunfo. André Azevedo primeiro, numa oportuna insistência, e Caio depois, após um lance individual, levaram a vantagem azul e branca para os dois golos e abriram as portas do desejado Hepta.

Um golo mais dos anfitriões não foi suficiente para anular a festa azul e branca que, ao apito final do árbitro, se instalou no recinto do adversário e daí se espalhou ao Mundo portista.

O sucesso do F.C. Porto, sete vezes repetido, pode ainda conhecer contornos acrescidos de excelência com a discussão da Taça de Portugal, agendada para o próximo fim-de-semana, em Aljustrel. O mérito azul e branco, esse, já reservou para si um lugar de destaque na história do desporto em Portugal.

# texto originalmente publicado no fcporto.pt em 21Jun2008

Resultados da final do play-off:
FC Porto, 3 - SL Benfica, 1

01Jun
- FC Porto-Benfica, 6-0
07Jun - Benfica-FC Porto, 3-2
14Jun - FC Porto-Benfica, 5-3
21Jun - Benfica-FC Porto, 3-4

Selecção de "todos nós"

Escrevo esta crónica depois do «magnífico» resultado da selecção contra a Alemanha. E dizendo isto, pode parecer que estou contente, mas não. Embora seja um país e uma selecção com a qual pouco me identifico, é o país do meu coração e este, obriga-me a torcer pela equipa das Quinas. Mas não vou focar o desaire como aspecto fulcral deste post, mas sim algumas das suas, digamos, "interpretações".

Este Euro 2008 foi o primeiro evento que comecei a ver num café. Costumava ver os jogos em casa descansadinho, mas como nunca ganhávamos nada (isto a nível de selecção, porque a nível do FC Porto que veja em casa, fora ou pelo caminho, o resultado é quase sempre satisfatório). Mas é de certo modo muito engraçado ver/ouvir a reacção de certas e determinadas personagens.

Ver/ouvir os jogos no café dá-nos outra riqueza que não nos dá propriamente televisioná-los na nossa casa. Dá para ter uma maior perspectiva da selecção em geral, e isso por vezes dá-me vontade de rir. Embora os jogos tenham sido vistos numa sala quase à parte, ouço os meus amigos que estão comigo e por vezes também os comentários de outras pessoas que ocupam outras zonas do café, tendo reparado/ouvido o seguinte:

- O Postiga é o melhor avançado dos últimos 10 anos, e então desde que assinou pelo SCP, parece que ficou bastante melhor... porque será?

- O Bosingwa é uma nódoa... como é que o Miguel não joga??, foi mais um negócio de ouro, etc.

- O Ricardo não é bom, mas também não é tão fraco como se diz.

- O Nuno Gomes é um matador nato mas que tem muito azar (também eu, se não fosse o azar que me acompanha, já me tinha saido o euromilhões... às vezes só erro por 4 números e uma estrela, não fora isso, conquistava o grande prémio!!). Faz muito bem as tabelinhas, o que ultimamente é a característica mais importante num avançado.

- O Pepe e o Deco só se naturalizaram porque o FC Porto pediu, para que os pudessem vender por preços mais elevados (engraçado não??).

- O Quaresma só joga bem no FC Porto (tomara eu que ele jogasse bem no FC Porto, quer dizer, pelo menos mais vezes).

- O Bruno Alves só engana no FC Porto porque no Euro há quem marque as faltas.

- O Raúl Meireles não tem qualidade para jogar na selecção. Não sabe o que fazer à bola. Mas já o Petit é o motor da selecção (por isso é que empanca tantas vezes).

E exemplos como estes há muitos mais, isto para nos mostrar que nem a ver a selecção há sempre quem esteja preocupado em denegrir jogadores que têm como "azar" o facto de serem Portistas. Enfim.

Last but not the least ainda se ouviu esta: "Os jogadores estão nervosos porque não sabem quais são as equipas portuguesas que vão à UEFA".

Enfim, estas grandes competições da selecção são boas para quem vende plasmas e para quem tem cafés. Mal se sabia que os plasmas só iam servir para duas semanas e que os barris iam ficar a meio.

Um abraço,
Tiago Teixeira

Memórias...

Do jornal Porto Sportivo, de 15 de Junho de 1924 (BPMP na cota IX-2-100).

A final do Campeonato de Portugal, no campo do Sporting Clube de Portugal.

O jogo, Olhanense – Porto.

"… entra em campo o FC Porto que é aplaudido por uma parte mínima do público da capital. Logo a seguir entra o grupo Olhanense, ouvindo-se então uma calorosa manifestação. Lisboa tinha assim mostrado em um instante a sua antipatia pelo Norte…"

Algumas pequenas notas:

1. o FC Porto ganhara ao Sporting o primeiro Campeonato de Portugal. O segundo foi ganho pela Académica, e neste terceiro eles ficaram de fora. A frustração era grande, e hoje, quase 100 anos depois, ainda assim se mantém. Há é por aí uns “chicos-espertos” à procura de migalhas, que dizem que isto não é uma guerra.

2. dois anos antes, o FC Porto ganhou pela primeira vez em Lisboa, um jogo de futebol. Os jornais da paróquia não noticiam o resultado!! A indignação de um dos jogadores do Porto, Alexandre Cal, está numa carta publicada no jornal Primeiro de Janeiro de 17 de Abril de 1920 (PJ na BPMP, cota IX-5-73).

# texto enviado pelo nosso leitor, Vitor Sousa.

20 junho, 2008

O Dragão incompreendido!

É com prazer que neste espaço damos agora voz ao Dr. Rui Moreira que nos concedeu muito simpaticamente uma entrevista exclusiva.

O Dr. Rui Moreira é o actual Presidente da Associação Comercial do Porto e é também conhecido pelo seu amor ao FC Porto. É o defensor do Porto no programa Trio de Ataque da RTPN e por vezes, pela sua forma independente de se expressar, é mal compreendido por algum sector da massa associativa azul e branca. Mas, e para que não hajam dúvidas da relação que mantém com Pinto da Costa, o Lucho transcreve de seguida este parágrafo de uma entrevista recente de Pinto da Costa à revista Visão:

«Rui Moreira é um dos homens capazes de bater o pé ao poder central com o seu discurso justo e inteligente».

ENTREVISTA EXCLUSIVA

- Desde quando surgiu essa sua paixão pelo FC Porto ?

Desde sempre. Conta a minha mãe que eu ia nascendo no estádio das Antas, no dia em que o FC Porto ganhou o campeonato, em 1956. Foi tal a emoção e os apertos!Tenho pena de lá não ter nascido… mas tudo vinha de muito longe. Um tio bisavô meu, o João Nunes, fez parte da equipa do FC Porto que, nos anos 20, ganhou o primeiro Campeonato de Portugal. A casa dos meus avós era na Constituição e, por isso, desde miúdo que me cruzava com muita gente do FC Porto. Os seus jogadores eram os meus heróis. Desde criança que ia aos jogos nas Antas com o meu Pai que tinha lugar cativo mas que nunca deixava de me levar a mim e ao meu irmão Tomás. Com o meu Pai, estive em Viena. Uma maravilhosa recordação…

- O que sente a defender o FC Porto nas crónicas que assina no jornal «A Bola» e no decorrer das edições do programa desportivo da RTPN?

Sinto-me muito bem, apesar de saber que é uma enorme responsabilidade e que nunca consigo agradar a gregos e troianos. Mas, ao contrário do que já li, não fui indicado pelo FC Porto. Estou lá, pois, a título individual.

- O Dr. Rui Moreira vê-se mais como futuro Presidente da Câmara Municipal do Porto ou da SAD do FC Porto?

Esse é um tema maldito, como sabem, que me tem perseguido. No caso da Presidência do nosso clube, nunca disse que queria o cargo. O que reconheci é que é normal que qualquer sócio do FC Porto ou adepto do clube, que na juventude sonhou em ser um dos seus grandes jogadores, sonhe também em poder servir o clube ao mais alto nível. O que não quer dizer que isso estivesse então, ou esteja agora, nos meus planos. Mas, não é um tabu. Mais faltava que o nosso clube tivesse tabus e se transformasse numa seita religiosa... apoiei sempre o nosso Presidente, até nos piores momentos. Aliás, e como toda a gente sabe, fui um dos sócios que subscreveu o abaixo-assinado pedindo ao nosso Presidente que se recandidatasse.

Sou, pois, apoiante e amigo de JNPC por quem tenho muita estima e consideração. Aliás, e ao contrário do que alguns supunham, creio que esta relação é mútua, como se depreende da entrevista do nosso Presidente à Visão que, seguramente, incomodou alguma dessa gente... apoiar o Presidente não quer dizer que concorde com tudo o que ele faz nem sequer que goste das pessoas que o rodeiam. Não gosto das pessoas que se servem do clube.

Também não tenho planos para concorrer à Câmara Municipal do Porto.

Hoje, sou Presidente da mais importante Associação da cidade, fui reeleito há poucas semanas, é com ela e com os seus sócios que estou comprometido. Acho que numa altura em que a cidade e a região vivem tempos bem dificeis, a ACP é muito importante para defender os nossos interesses. É, por isso, uma honra presidir a essa instituição que é gémea do FC Porto.

- Qual a sua opinião sobre a frieza e indiferença com que Rui Rio trata o FC Porto? Sendo o FC Porto um dos poucos vectores de afirmação da Cidade Invicta, não há aqui uma ingratidão absoluta?

Há um problema muito complicado. Por um lado, uma opção política e pessoal de Rui Rio, que tem sido bem sucedida. Acho que é mau para a cidade, como já disse inúmeras vezes. Acho que o FC Porto é a sua marca de referência. Já sei que vão dizer que não se deve misturar a politica com o futebol e, algumas vezes, o FC Porto passou essa linha, apesar de ser inegável que, na cidade como no país, e por norma, foram os políticos que se aproveitaram do futebol e não o contrário.

Veja-se o caso do Sporting e da forma como o Presidente da edilidade lisboeta se colou à sua vitória na Taça de Portugal. Se fosse no Porto, já tinhamos ouvido o Pacheco Pereira e outra gente genial e bem pensante a queixar-se desta invia relação.

Há dois pesos e duas medidas, há uma portofobia no país que envolve a cidade e as suas instituições. Sabem porquê? Porque o Porto é liberal. É essa a verdadeira razão para suscitarmos tanto ódio e inveja.

- Como são as horas seguintes do Dr. Rui Moreira depois de uma derrota num jogo importante?

Nem me fale disso. Transformo-me numa pessoa intragável... o que vale é que a Susana e os meus filhos são tão portistas como eu.

- Concorda comigo quando digo que a Comunicação Social tem encetado nos últimos tempos uma perseguição ao FC Porto e ao seu Presidente como nunca havíamos assistido? Quais os verdadeiros interesses desta gente?

Não acho que tenha sido nos últimos tempos. Foi sempre assim. Infelizmente, temos dado alguns flancos e eles aproveitam logo para espicaçar. Como atrás disse, o país adora odiar o Porto, o FC Porto e, naturalmente, todos os seus chefes e guerreiros.

- Qual a vitória do FC Porto que mais o entusiasmou ?

A de Viena, apesar da vitória de Sevilha ter sido a mais emocionante.

- Escreva-nos o seu onze ideal da história do FC Porto.

Baia, Joao Pinto, R.Carvalho, Jorge Costa, João Nunes, Deco, Madjer e Futre, Gomes, Cubillas e Jardel.

- Dê-nos a sua opinião sobre estes 5 nomes da nossa história: Pinto da Costa, Vítor Baia, Jorge Costa, Jesualdo Ferreira e José Mourinho.

Pinto Costa: um herói irrepetível, irredutível, invencivel.

Vítor Baía: o mais elegante guarda-redes da nossa história, injustiçado na selecção por ser portista.

Jorge Costa: "alma até almeida", muita garra, muito sacrificio.

Jesualdo Ferreira: um homem sério e honesto, um treinador ideal para estes dias pardos em que o FC Porto se sente acossado.

José Mourinho: o melhor treinador do Mundo, muito mal tratado pelo clube. Uma pessoa que muito admiro.

- Um comentário a este TRIcampeonato ganho esta época.

O mais fácil campeonato dos que ganhamos, mas numa época que deixa um travo amargo porque perdemos três vezes (!!!) com o Sporting e fomos eliminados na Champions por uma equipa vulgaríssima. Soube a pouco.

- Acha que toda esta envolvência do apito dourado tem condicionado as arbitragens dos jogos do FC Porto? Como analisa a prestação do Senhor Benquerença no Jamor? E depois do apito finalizado (falta agora a justiça civil e o recurso do Presidente no CJ), será que voltaremos a ter equidade nos critérios dos árbitros?

Acho que temos sido muito prejudicados. Não apenas pelas incidências naturais do Apito, mas também porque nos calamos e temos deixado que abusem de nós sem retorquirmos. Prevejo que, nos próximos tempos, esta suituação se vai agravar, como se viu no Jamor, onde mais do que os erros evidentes e já escalpelizados, se viu que o árbitro nunca deixaria que o FC Porto ganhasse.

- Costuma visitar blogs desportivos? Já conhecia o nosso? Uma palavra para os nossos leitores.

Costumo. Conheço o vosso blog, que visito regularmente, e onde aprendo sempre alguma coisa. Visito muitos outros, até mesmo os territórios mais hostis...

Para os leitores e participantes, um bom Verão e o desejo de que, para o ano, o FC Porto nos dê, mais uma vez, todas estas alegrias.

Um abraço,
Rui Moreira.

S(o)colari: auf wiedersehen!

Euro 2008, Áustria-Suiça
20 de Junho de 2008
quartos-de-final
Stade St. Jakob-Park, em Basileia (Suíça)

árbitro: Peter Frojdfeldt (Suécia)

Portugal: Ricardo, José Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Petit (Hélder Postiga 73m), João Moutinho (Raul Meireles 31m), Deco, Simão, Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes (Nani 67m).
não utilizados: Nuno, Rui Patrício, Bruno Alves, Fernando Meira, Hugo Almeida, Miguel, Jorge Ribeiro, Ricardo Quaresma e Miguel Veloso.
treinador: Luiz Felipe Scolari.

Alemanha: Jens Lehmann, Arne Friedrich, Per Mertesacker, Christoph Metzelder, Philipp Lahm, Simon Rolfes, Bastian Schweinsteiger (Clemens Fritz 83m), Thomas Hitzlsperger (Tim Borowski 73m), Michael Ballack, Miroslav Klose (Marcell Jansene 88m) e Lukas Podolski.
não utilizados: Robert Enke, Rene Adler, Heiko Westermann, Torsten Frings, Mario Gómez, Oliver Neuville, Piotr Trochowski, David Odonkor e Kevin Kuranyi.
treinador: Joachim Löw.

disciplina: Petit, Pepe e Postiga; Friedrich e Lahm.

golos: Nuno Gomes 40m, Postiga 87m; Schweinsteiger 22m, Klose 26m, Ballack 61m.

MVP: Deco.

próximo jogo:
constou-me que se irão agora todos juntar em grupo e jogar «pau com o burro» em data a confirmar.

19 junho, 2008

Quem vai ver a Champions pela TV, quem é?

Ainda será cedo para cantar vitória, mas a última sexta-feira deu um novo alento a quem acredita na Justiça. A anulação da decisão inicial de afastar o FC Porto da Champions, o seu palco de eleição, cujo direito a participar foi, recorde-se, conquistado dentro das quatro linhas, é uma excelente indicação. Consumada aliás, dias depois, pelo anúncio formal da UEFA, tornando realidade a participação azul e branca na mais elitista prova de clubes. Não é ainda a absolvição esperada. As pressões e coacções a que temos assistido, de forma totalmente despudorada, por parte dos dirigentes do 4º classificado, têm evitado que o Conselho de Justiça se pronuncie, com a esperada revogação da imbecilidade saída da cabeça de Ricardo Costa e seus pares.

Mas esta vitória [sim, porque é disso que se trata] significa, pelo menos, que o Departamento Jurídico dos azuis e brancos, que tem como rosto visível Adelino Caldeira, começou a funcionar. Em pleno. E já não era sem tempo. Visivelmente ultrapassado com as jogadas de bastidores da corja [o nome pelo qual, a partir de agora, designarei ad eternum o clube que ficou em 4º lugar na última temporada], conseguiu uma reacção digna de registo, pugnando pela verdade desportiva. E isso, se pararmos para pensar, é algo extremamente surrealista. Lutarmos pelo que é nosso. Termos que combater, nas altas instâncias, por um lugar adquirido dentro dos relvados. Inconcebível a sanha persecutória, o ódio visceral, a raiva doentia contra nós. Pelo menos, disto tudo, teremos que tirar ilações. O Porto aburguesado, condizente com um perfil politicamente correcto, acabou. Como diria Ivic, “é finito”.

Para sobrevivermos, vamos ter que regressar a um passado. Onde a defesa do nome do clube não era feita de forma elegante, com punhos de renda, mas de forma visceral, bradando bem alto as injustiças, clamando na praça pública contra os nossos inimigos. E eles são tantos. É tempo de relembrarmos essa figura ímpar, e o seu modo destemido de enfrentar os ataques. José Maria Pedroto deixou-nos um legado. Desportivamente, emancipou o clube de receios que o tolhiam ao sair da Invicta. Mas arguto como era, visionário, percebeu que teria que lutar contra os imenso poderes instituídos, contra o polvo que manobrava nos bastidores. Para vencer não bastava ser melhor. Era preciso ser MUITO melhor. Pedroto nunca se calou, bradando contra os constantes “roubos de igreja” que o FC Porto sofria. Granjeou, por essa atitude, inúmeros inimigos figadais. Mas também conseguiu revitalizar um clube amorfo, apático, acomodado.

Que isto, volto a repetir, sirva de lição. O FC Porto tem voz. O FC Porto terá que voltar a ser ouvido. Apontando o dedo. Acusando. Colocando o rótulo nas pessoas. As máscaras já caíram. Os inimigos estão bem definidos. Que a infâmia nunca seja esquecida. Sofremos o maior ataque da nossa existência. Mas continuamos cá. Mais fortes. E mais sedentos de vitórias. E a jogar a Champions. Lá. Ouvindo o hino arrepiante. A corja, essa, fica em casa, comodamente instalada à frente de uma TV. A ver-nos jogar…

*****

Assisti, num misto de condescendência e contínua surpresa, ao transe sazonal do País, neste período de férias. A Selecção das quinas e o Euro foram um óptimo pretexto para mais um ritual colectivo de catarse. Não deixou de me surpreender que, logo após o triunfo inaugural sobre a Turquia [essa enorme potência mundial], as buzinas, as bandeiras, os adereços patrióticos tenham dado azo a um deja-vu de outras andanças…

Dizem os entendidos destas coisas que a equipa de todos nós representa a possibilidade, para um Povo depauperado, de nos sentirmos vitoriosos. Pese o ridículo da explicação, dado que nós, tugas, a nível de Selecção não ganhamos porra nenhuma, não deixa de, lá no fundo, ter uma pontinha de razão. Alguns tentam aplacar os complexos de Édipo, as psicoses, os traumas, as inferioridades, depositando graciosamente nos pés de Ronaldo e Cª as esperanças de redenção. Alguém, com responsabilidades neste País do faz-de-conta, já há muito devia ter dito que isto, do pontapé na bola, é apenas um jogo. E, como tal, nunca deveria ser elevado ao estatuto de causa nacional.

Não é, da minha parte, falta de patriotismo. Será antes o carpir da náusea. Pela forma de banalização de uma bandeira. Sobretudo por isso. E vê-los, todos contentes, partilhando uma mística bacoca, gritando a plenos pulmões o seu amor descartável pela Pátria. No meio desta onda de euforia, que varre o território de lés a lés, sinto-me um corpo estranho. As vitórias, os golos, as jogadas, não me têm provocado nenhuma emoção. Nem comoção. Patriótica. Ainda bem que não existem piquetes de intervenção, ao serviço de alguma entidade estatal, para aferir este tipo de comportamentos. Estava metido em sarilhos…

O homem que nunca receou dizer que era FC Porto!

É com grande prazer que hoje publico uma entrevista exclusiva ao Dr. Pedro Baptista, nome conhecido de todos os Portistas, certamente.

Licenciado em Filosofia, Professor Universitário, ex-deputado do PS e actual candidato à Presidência da Federação Distrital do PS no Porto, o Dr. Pedro Baptista sempre se assumiu, sem receios, um defensor do Porto Cidade e do Porto Clube.

Portista ferrenho, era com muito gosto que o via no programa «Jogo Falado» da RTP2 e o lia nas crónicas de «O JOGO», onde sempre defendeu entusiasticamente o FC Porto.

Para mim, é uma honra tê-lo aqui neste espaço.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

- Desde quando surgiu essa sua paixão pelo FC Porto?

Desde que me conheço. Lembro-me de ir ao futebol desde os cinco ou seis anos pela mão do meu pai, um portista de sempre. Tinha oito anos fomos campeões com o Yustrich e tinha dez ou onze fomos campeões em Torres Vedras, no tempo do árbitro Inocêncio Calabote (irradiado), quando o jogo da Luz durou mais quinze minutos e o guarda-redes da CUF teve de ser substituído porque estava comprado.

O meu pai tinha uma grande adoração pelo Yustrich, depois de passar uma tarde inteira a discutir futebol com ele no Café Bela Cruz, e eu uma grande admiração pelo "homão" que punha os jogadores a subirem e a descerem as bancadas, mas punha o Porto a ganhar.

Um momento importante foi quando andei de mão dada com o Jaburu, na Avenida Brasil, num domingo em que ele estava castigado, ou havia jogo da selecção, ou qualquer coisa assim. Fiquei anti-racista para sempre depois de andar de mão dada com aquele "negrão", um ponta de lança fabuloso.

- No período em que desempenhou funções na Assembleia da República, como eram vividas as vitórias do FC Porto pelos deputados que consigo privavam?

Eu privava com portistas e não portistas. Entre portistas, estabelecemos uma "família", a que eu chamava o "grupo parlamentar portista" que tinha deputados de todos os partidos, desde o saudoso João Amaral do PCP ao Boucinha do CDS/PP, passando pela Manuela Aguiar, ou pelo Prof. Barbosa de Melo do PSD, pelo Artur Penedos e por mim no PS. Éramos para aí trinta. Auto-proclamei-me presidente do Grupo, ninguém me elegeu, mas também ninguém me contestou. Estabelecemos uma solidariedade que se chegou a manifestar em questões concretas e se alguém ousasse atacar o FC Porto estávamos unidos em sua defesa.

Iniciámos os jantares de homenagem ao FC Porto, salvo erro, em 1996. Nesse ano, éramos bi-campeões de futebol, a caminho do penta, mas tínhamos sido campeões em cinco modalidades que estiveram representadas no jantar (futebol, basquete, andebol, hóquei e natação).

Os adversários baixavam a bola e maldiziam o desporto, que é que esperava? Dentro do meu partido atacavam-me por ser portista, defender o FC Porto e defender o Porto e o Norte. Se fosse mouro estava tudo bem... mas hoje a situação é a mesma.

- O que sentia a defender o FC Porto nas crónicas que assinava n'O JOGO e no decorrer das edições do programa JOGO FALADO da RTP2?

Sentia que estava a jogar com a camisola azul e branca, como joguei nos principiantes e juniores, mas agora tinha mais arcaboiço para aguentar o peso da responsabilidade. Sentia que estava a participar no próximo jogo, por isso era fundamental ganhar, embora sempre respeitando a verdade dos factos e a validade lógica dos raciocínios. Preparava-me bem, como outrora treinava. Foi aliás para isso que fui convidado, tanto no "Jogo Falado" como em "O Jogo". Acho que ganhei a esmagadora maioria dos jogos e também fui penta como, de resto, todos os adeptos.

Uma vez, ia a passar na rua, e ouvi o marido dizer para a esposa: "-Olha, o defensor do Porto". Gostei de ouvir aquelas palavras que me honraram, mas me encheram de responsabilidade. No entanto, um homem do Porto não pode ser atacado sem ripostar em dobro.

- Como são as horas seguintes do Dr. Pedro Baptista depois de uma derrota num jogo importante?

Silêncio absoluto, dificuldade em adormecer, terror por acordar, pelo menos dois dias sem notícias e nenhuma conversa com ninguém sobre o assunto. Pior do que levar uma coça.

Quando o meu pai era vivo e nos telefonávamos sempre a seguir aos jogos, fossem onde fossem, se a coisa corresse mal não falávamos pelo menos uma semana. O meu pai dizia-me: "-Cada um que aguente com o seu sofrimento". Eu também acho que um homem quando sofre por amor é em silêncio.

- Relativamente à imprensa dos dias de hoje, como vê toda esta campanha anti-FCP dos jornais como Record, Correio da Manhã, A Bola? E como analisa actualmente a linha editorial do Jornal de Noticias e do JOGO?

A dos dias de hoje, é como a dos dias de ontem. É a imprensa centralista. Não passam de pasquins. Têm conseguido destruir o Porto em muita coisa, até conseguiram meter um Cavalo de Tróia deles na Câmara do Porto, mas não conseguem destruir o FC Porto que simbolicamente encarna a resistência portista e nortenha. Por isso, persistem numa guerra cada vez mais intensa. Penso que o país está hoje muito menos coeso do que há vinte anos, está muito mais dividido e crispado. É fundamental que o Porto e o Norte consigam fazer nos outros sectores (economia, cultura, educação, investigação, inovação, política) o mesmo que faz no futebol: vencer.

O futebol não pode ser um escape das nossas frustrações, pelo contrário, tem de ser um exemplo para sermos vitoriosos em todos os outros terrenos, para podermos ter em todos os terrenos o mesmo orgulho que temos de ser Portistas. Quando o FC Porto ganha, os professores devem ensinar melhor, os alunos estudarem mais, os trabalhadores serem mais eficazes, os empresários serem menos mesquinhos e mais inovadores, os músicos, os escritores, os actores serem mais criativos, os políticos defenderem a região com firmeza, traçarem perspectivas para a competitividade internacional da região e imporem a regionalização, por aí adiante...

O Jornal de Noticias podia ser um jornal fabuloso, mas como é uma galinha de ovos de oiro, não tem pressão para o ser e vive demasiado de rotinas a todos os níveis, embora também esteja infiltrado por outro tipo de pressões também a todos os níveis.

O Jogo não leio todos os dias, mas presto atenção ao "Tribunal" da arbitragem para aferir as minhas próprias leituras dos jogos, embora o que o Jorge Coroado diz, não me diga nada, aliás já nem o leio, basta-me ouvir-lhe os disparates no rádio da cozinha que está sempre na Antena 1.

Se o jornal fosse dirigido por mim, teria uma linha editorial diferente; penso, no entanto, que sendo uma peça de uma indústria, é dirigido de forma inteligente, procurando diversos equilíbrios. É pena que tenham deixado de relacionar a vida desportiva com a vida social como acontecia em parte quando com eles colaborava.

- Qual a vitória do FC Porto que mais o entusiasmou?

A de 27 de Maio de 1987, no Pratter, em Viena. Foi como dizia o André Breton e se repetia em Maio de 68: "Sejamos realistas, exijamos o impossível". O sonho que tinha escondido em mim assomou com o pé leve do Juari e o calcanhar do Madjer: mas não era um sonho; só faltavam nove minutos para ser real. Ninguém dava nada por nós. Um dos pasquins que falou, anunciou o jogo num cantinho, a grande notícia era o dérbi da 2ª circular.

- Escreva-nos o seu onze ideal da história do FC Porto.

Vítor Baía, Virgílio, Geraldão, Pepe, Branco, Pedroto, Deco, Carlos Duarte, Hernâni, Madjer, Lisandro. (no banco: Barrigana, Lucho, Anderson, Gomes). Não vi jogar o Sr. Pinga, que conheci, e que o meu pai dizia ser o melhor jogador português de sempre. Mas preferia ter feito dois ou três "onzes", porque muitos, que podiam aqui estar, ficaram de fora.

- Dê-nos a sua opinião sobre: Pinto Costa, Pedroto, Artur Jorge e Mourinho.

Pinto da Costa: um génio de inteligência e astúcia; um homem de carácter e convicções inabaláveis com que me identifico; os portuenses deviam ver na sua forma de encarar os desafios um exemplo a seguir; precisávamos de quatro ou cinco para vários sectores do Porto e do Norte: um para presidir à região político-administrativa; outro para a reitoria da Universidade; outro para um Conselho das Igrejas, mais adequado do que um bispo; e outro para comandar a Região militar Norte; para a Câmara não é preciso porque estou convencido que vai para lá a Elisa Ferreira que tem algumas virtudes do Pinto da Costa e mais algumas.

Pedroto: um preditor do jogo; um combatente indómito; um mago dos mistérios da bola; o jogador e treinador que mais identificou o futebol com a arte, e a capacidade física com de terminação mental e com a inteligência.

Artur Jorge: aprendeu muito com Pedroto, procurou a mesma linha de finura, força e eficácia, mas talvez nunca se tenha encontrado inteiramente com ele próprio, talvez por viajar demais desde sempre; tem, claro, a nossa simpatia e admiração. E foi o homem de Viena. Penso que quando está com o braço sobre o ombro do Frasco a falar-lhe antes de este entrar em campo, está a desenhar com a mão a jogada que se vai seguir pouco depois e que abre o caminho para a vitória.

Mourinho: sem dúvida, um grande treinador, bom psicólogo e trabalhador incansável, mas que tende demasiado para ler os sucessos das suas equipas como seus sucessos pessoais. E depois demonstra-se que as coisas não são bem assim... mas veremos.

- Um comentário a este TRIcampeonato ganho nesta época.

Pouco depois do meio do campeonato, os pasquins entoavam uníssonos o coro da reviravolta. E agora é vê-los armados em bufos a ver se pela via da lixeira arranjam alguns restos para o almoço. Foi mais um contra tudo e todos, como todos. Foi um passeio, porque os pusemos fora da corrida, mesmo a só contar um golo em cada dois, por via da pressão dos apitos dourados a assobiarem na boca da Drª Morgado e a interferirem no jogo.

- Costuma visitar blogs desportivos? Já conhecia o nosso? Uma palavra para os nossos leitores.

Não tenho tempo para os blogs desportivos porque escrevo muito noutros terrenos. Não conhecia o vosso blog, mas acho-o giríssimo e felicito o autor e seus colaboradores.

Para todos os leitores, para todos os portistas, um grande abraço de Dragão.
Pedro Baptista

18 junho, 2008

Nós Bamos!!! E Bocês???

E ao dia D+3 a UEFA decidiu...com uma não decisão.
Pois, o primeiro impulso foi correr ao espaço comercial mais próximo e adquirir uma destas.
Ainda vacilei com o pensamento que poderiam estar esgotadas, tal terá sido a celebração do passado dia 4, mas não foi esta a razão de, afinal, ter decidido não ir.

Decidi não ir para não perder tempo com a inveja, a mesquinhez, a mediocridade e a rasteirice nojenta daqueles que dentro das quatro linhas nada ganham.
Decidi não ir porque afinal era para festejar o quê?
Que há quem não tenha direito a pareceres, nem a pagar, enquanto outros, gratuitos e de valor duplo tendo em conta a fonte de divulgação, aparecem?
Que afinal não resulta fazerem-se as coisas por outro lado?
Que afinal não chega ter bons elementos na Liga em detrimento a bons jogadores dentro do campo?
Que a verdade que Vos interessa é apenas a Vossa verdade?
Por onde anda a verdade dos outros?
E a verdade?
Que a FPF se tivesse mantido neutra?
Que a UEFA não se rege pelas mesmas normas do CD da Liga?
Que as afirmações, precipitadas, do Sr. Platini caíssem em saco roto?
Que o Conselho de Controlo e Disciplina não estivesse em posse de toda a documentação e/ou informação?
Que existem organismos que apreciam as situações de forma ponderada, sem pressões e precipitações, chegando até em por em causa o conteúdo da tal alínea 1.04 d?

Para concluir. Decidi não ir porque a nossa festa já foi feita. A festa da verdade desportiva de um campeão incontestável com mais de 20 pontos de avanço, de uma superioridade invejável e bem visível ao longo de toda a liga.

E que nem me falem em justiça divina!
É a Liga dos Campeões com todo o mérito devido!
Joga-se às terças ou quartas-feiras, sempre à mesma hora e num estádio perto de nós!
Nós Bamos!!! E Bocês???

O queixinhas

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

O Benfica tornou-se no queixinhas do futebol português.

1. Todos nós conhecemos a figura do queixinhas, dos tempos de escola, na adolescência. O queixinhas, também conhecido por o Manteigueiro, era aquele fulano que, quando o professor perguntava «quem foi que falou?», respondia «foi o Jorge Nuno». Com isso, o queixinhas tentava insinuar-se nas boas graças do poder e, simultaneamente, dificultar a vida aos colegas. Porque o queixinhas era, invariavelmente, um puto medíocre, nos estudos ou no desporto, que morria de inveja dos que se destacavam pelos seus méritos. Enquanto o queixinhas era uma figura odiosa para a generalidade da turma, desprezado e ostracizado, ele próprio parecia viver bem com isso, porque o seu objectivo principal era passar de ano, não por mérito, mas por influência junto dos professores. Uma influência conquistada com a delação sobre os que se sentavam a seu lado.

De há um mês para cá, o «Glorioso» Sport Lisboa e Benfica, pátria de José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões, dos dez inesquecíveis Magriços de 66, transformou-se no queixinhas oficial do futebol português. Com a agravante de conduzir uma desatinada campanha de delação no estrangeiro contra aquele que é o seu maior rival interno e que ele, não conseguindo derrubar em campo, cara a cara, tenta derrubar na secretaria, impedindo-o de competir. As más notícias para a SAD benfiquista ontem chegadas da UEFA já não apagam a sua vil atitude, apenas a tornam ainda inútil: perderam no campo e perderam na secretaria. Para esta época, o melhor que têm a fazer é apostar mais no talento em campo do que nos talentos jurídicos do dr. João Correia.

Penso que, mesmo para muitos benfiquistas, ficará como uma das páginas mais negras da história do SLB este zelo persecutório, este assanhamento contra o FC Porto, este oportunismo despudorado de tentar tirar partido de uma imensa estupidez da SAD do FC Porto (não ter recorrido da condenação da Liga para salvar 6 pontos na próxima época), esta absoluta sem vergonha de tentar chegar à Liga dos Campeões à custa de um justíssimo campeão e após uma época em que o 4.º lugar final mostrou exuberantemente que o Benfica não mereceu de forma alguma representar o futebol português na mais importante competição europeia de clubes.

Face às consequências europeias da condenação na Liga, que a SAD do FC Porto não previu, o Benfica se quisesse também ter uma postura que honrasse o seu nome, só poderia ter feito uma de duas coisas: ou renunciar ao lugar assim caído do céu na edição da Champions do ano que vem (conforme alguns benfiquistas, não muito sinceros, sugeriram), ou esperar tranquilamente para ver em que acabava tudo. Mas, não: a SAD do Benfica escolheu uma terceira via, a do oportunismo sem remorsos. Escolheu ser parte activa em todo o processo, ser o maior denunciante e o mais desonesto nos seus métodos, enfim, tudo fazer para tentar conquistar na UEFA o que perdeu em campo à vista do país inteiro.

A hipocrisia da argumentação levada pelo Benfica à UEFA, jogando tudo em tentar demonstrar que a condenação do FC Porto transitou em julgado (o que eu também acho…), faz por ignorar, todavia, o essencial. E o essencial é isto:

— que foi igualmente por razões de oportunismo circunstancial, embora bem mais compreensíveis e justificáveis, que a SAD do FC Porto resolveu não recorrer da condenação da Liga, deixando a defesa da honra do clube para o recurso interposto pelo seu presidente;

— que, ao tomar esta decisão, a SAD do FC Porto não previu as consequências que daí poderiam vir. Se, como lhe competia, tivesse feito o trabalho de casa e tivesse realizado que, não recorrendo, ficaria fora da Champions, a SAD do FCP teria obviamente recorrido, mesmo com o risco de entrar a perder 6 pontos no campeonato que aí vem;

— que a condenação da UEFA só poderá ser levada a cabo através de uma grosseira violação de um princípio geral de direito punitivo, que é o da não retroactividade da lei, e consumará uma politica efectiva de dois pesos e duas medidas, conforma a vítima seja um colosso europeu ou um modesto colosso português;

— que, ao longo de todo o processo Apito Dourado (onde, quer na esfera penal, que na disciplinar, sempre houve simpatizantes benfiquistas em posição de acusar ou condenar o FC Porto, desde o topo até à base), nunca foi dada, até à data, uma possibilidade efectiva de o FC Porto se defender das acusações, nomeadamente confrontando, na justiça penal ou na disciplinar, a testemunha-chave, engendrada pelo Benfica, apaparicada pelo Ministério Público e tomada como a voz da verdade pela comissão disciplinar da Liga;

— que a única condenação existente até agora — a do CD da Liga — foi protagonizada por um órgão que reúne essa extraordinária faculdade de ser simultaneamente acusador e julgador (e daí que a outra frente de batalha benfiquista seja a despudorada manobra de desqualificar, intimidar e ameaçar o órgão de recurso — o CJ da federação — tendo tornado já claro que, no entender do Benfica, só haverá «justiça» se o CJ confirmar as condenações do CD; se o não fizer, haverá «branqueamento»).

— e, enfim, fingindo ignorar que o FC Porto de 2004, de José Mourinho, Deco, Maniche, Ricardo Carvalho, Derlei, McCarthy, Carlos Alberto, etc., folgadíssimo campeão nacional e justíssimo campeão europeu, certamente que não andou a comprar árbitros para empatar um jogo e vencer outro, contra equipas despromovidas e em encontros a feijões. Assim como finge ignorar que Portugal inteiro assistiu, nos últimos 20 anos, a uma clara demonstração da superioridade em campo do FC Porto, quase ano após ano. O que o País ainda não percebeu é como é que o Benfica ganhou o campeonato de 2005…

2. E parece que ao Benfica se juntou agora, nesta edificante cruzada, o Vitória de Guimarães. Quem, o Vitória de Guimarães — que vive a mendigar favores e empréstimos de jogadores ao FC Porto, que não entrou directo para a Champions porque levou 5-0 do FC Porto em casa —, também quer agora ver se rouba o lugar aos portistas e entra directo sem esse calafrio da pré-eliminatória? Bem esperamos que a SAD do FC Porto não se esqueça, mais uma vez, do que tem de fazer para responder ao Vit. Guimarães…

3. A cabeça ferve-lhes de ambição e entusiasmo: já se imaginam no Milan, no Inter, no Valência, no Arsenal, no Barcelona. E uns até já lá estão. As grandes vedetas do banco de suplentes de Portugal deram uma triste imagem do talento que apregoam. Sim, o árbitro, inqualificavelmente mau, fez tudo para que a Suíça não perdesse. Mas, por mais que um árbitro prejudique, há uma coisa contra a qual ele nada pode e que os grandes jogadores e as grandes equipas têm: atitude. Foi o que não tivemos. Aquela triste equipe da Basileia pareceu apenas um grupo de meninos vaidosos a deitarem contas à vida para depois do Europeu. Também não admira quando o exemplo vem de cima. Quando o primeiro a tratar da vidinha é o próprio selecionador, em plena concentração.

4. Mas não serei hipócrita: vejo com imenso alívio a ida de Scolari para Inglaterra. Acho que vai ser bom para nós e para ele também: só lhe vai fazer bem viver numa democracia a sério e num futebol onde não poderá agredir jogadores adversários, ofender jornalistas senhoras, insultar os críticos, apostar na saloice patrioteira e debitar banalidades para uma plateia de jornalistas ao seu serviço. Para começar, logo esta pequena diferença: o Chelsea contratou-o e logo revelou quanto é que lhe ia pagar, ao contrário de nós, que até hoje não sabemos quanto lhe paga a federação — apesar de esta ter estatuto de utilidade pública e viver, em parte, com o nosso dinheiro.

in jornal “A BOLA” de 2008.06.17
fonte: "All Dragons fórum"