12 dezembro, 2008

BI-Campeões do Mundo... faz hoje 4 anos!

O FC Porto é hoje o clube português com melhor e mais diversificado palmarés internacional, com seis taças conquistadas ao longo da sua gloriosa história. Faz agora precisamente quatro anos que, lá longe, no Oriente, arrebatámos a nossa segunda Taça Intercontinental, que nos voltou a proclamar como campeão mundial de clubes. Memorável! Um dia que ficará na nossa memória até à eternidade, não apenas pelo feito em si, mas sobretudo pela forma emocionante e heróica como foi conseguido. Yokohama, 12 de Dezembro de 2004, FC Porto 8-7 Once Caldas, após a marcação de grandes penalidades. Um acontecimento especial que não poderia ser esquecido.

Desde pequeno que aquela final de Tóquio, contra o Peñarol, em 1987, num lindo manto branco e debaixo de um temporal gelado, fazia parte do meu imaginário, das minhas melhores recordações, ainda que de forma ténue. Sempre olhei para esse jogo como se pertencesse ao mundo da fantasia. A neve a cair incessantemente, uma bola amarela, o futebol que deu lugar a uma batalha, guerreiros no corpo de Madjer, Gomes e João Pinto, o nome do FC Porto no cume mais alto do planeta. Sonhava vencer novamente aquele troféu, ter o mundo aos nossos pés, experimentar aquela sensação maravilhosa de suprema conquista.

O FC Porto chegava ao jogo decisivo diante dos colombianos do Once Caldas, após duas temporadas inesquecíveis e já numa sempre complicada fase de transição. Victor Fernandéz substituíra José Mourinho, alguns jogadores importantes partiram rumo a um novo desafio, outros chegaram sedentos de triunfar no campeão europeu. A hora era de remodelação e o colectivo ainda não funcionava na sua plenitude. Ainda assim, a nível de individualidades, possuíamos um dos melhores plantéis alguma vez havidos em Portugal. O mais titulado do planeta Vítor Baía, o capitão Jorge Costa, Costinha, Maniche, Diego, Derlei, McCarthy, Luís Fabiano e alguns jovens como Pepe, Bosingwa, Quaresma, Carlos Alberto ou Postiga. O favoritismo estava, unanimemente, colocado em cima dos 'dragões'.

Como as camisolas, por si só, não bastam para ganhar jogos, os portistas trataram de entrar no relvado com a atitude certa, dominando o jogo por completo, do princípio ao fim. Criámos oportunidades suficientes para ganhar tranquilamente, por números bem robustos, ao fim dos 90 minutos. Massacrámos positivamente o campeão sul-americano, com um futebol autoritário e sempre com os olhos postos na baliza de Henao, guardião do Once Caldas, que realizou uma exibição portentosa. Éramos infinitamente superiores, queríamos a taça, ansiávamos dar continuidade a uma era de sonho para todos nós. Auxiliado pela crónica d'O Jogo' do dia seguinte, que guardo religiosamente num arquivo de valor incalculável para mim e que não trocava por nada deste mundo, percebo o tamanho da nossa superioridade: 69% de posse de bola, 51 ataques, 26 remates, 30 cruzamentos, uma supremacia verdadeiramente abissal.

Estava, porém, escrito que esta vitória teria contornos dramáticos e de composição épica. Seria alcançada depois de muito sofrimento e algumas privações. Quatros bolas foram atiradas contra os ferros da baliza adversária. Um golo limpo de McCarthy foi anulado pelo senhor árbitro. Um estranho acontecimento - rara situação de taquicardia - atacou o nosso número 1, Vítor Baía, obrigando-o a sair do terreno prematuramente, de maca, perante a preocupação de todos os portistas. Tudo nos aconteceu durante 120 inglórios minutos, num estádio repleto de japoneses, que raramente se manifestaram ao longo do jogo, não sendo capazes de criar a atmosfera própria dos grandes momentos.

No final do prolongamento, com 0-0 no marcador, notaram-se algumas expressões de regozijo por parte de alguns elementos da equipa colombiana. A sua única preocupação fora praticar anti-jogo e defender o nulo com unhas e dentes, confiantes de que a sua grande estrela Henao, especialista na defesa de grandes penalidades, resolveria o problema a seu favor no final da contenda. Os nossos jogadores, no entanto, não se amedrontaram e conseguiram controlar a ansiedade. Fernandéz reuniu os jogadores e deve ter proferido palavras de incentivo e confiança. Os Campeões Europeus nada temem!

O Once Caldas foi o primeiro a marcar, por Vanegas. Diego respondeu da melhor forma e empatou. Alcaraz, Carlos Alberto, Viáfara, Quaresma e De Nigris também não vacilaram. 4-3. Chegava a vez de Maniche, considerado o melhor jogador em campo. Falhou! E o FC Porto estava em maus lençóis. Temi o pior. Uma triste e injusta derrota nos pés de Fabbro. Mas os deuses do futebol ainda não estavam loucos e o poste salvou Nuno, que entrara para o lugar de Baía. Um misto de alívio e emoção apoderaram-se de mim e dos que viam o jogo comigo. Tínhamos uma nova oportunidade de reentrar na discussão do troféu e McCarthy não nos desapontou. Tudo empatado novamente e a partir dali era proibido errar. Velásquez, Costinha, Jefrey Diaz, Jorge Costa, Cataño e Ricardo Costa balançaram as redes. 7-7 e uma agonia que parecia interminável. Nestes momentos era impossível deixar de relembrar todas as oportunidades desperdiçadas e a injustiça que era para nós estar naquela posição.

Mas costuma-se dizer que a justiça, por vezes, tarda mas não falha. Garcia acusou a pressão e não conseguiu acertar no alvo. Estávamos então a um pequeno passo da glória, ganhando a derradeira Taça Intercontinental da história do futebol mundial. Pedro Emanuel, com uma frieza glacial, enganou Henao e fez a bola, tranquilamente, anichar-se nas redes. Que emoção! Gritos de júbilo, abraços sem fim, Costinha e Jorge Costa ergueram o nome do Futebol Clube do Porto bem até ao alto.

Naquele dia, mais uma página se escreveu a letras de ouro no percurso avassalador que o nosso clube tem trilhado, na busca de mais e mais triunfos. Os campeões por natureza não se cansam de vencer. E apesar de a Taça Intercontinental ser, muitas vezes, desvalorizada, tal como o actual Mundial de Clubes (não se percebe bem porquê), é um orgulho incomensurável ver o nosso clube como último figurante numa lista de clubes tão grandiosos como Real Madrid, Boca Juniors, Milan, São Paulo, Manchester United, Santos, Bayern Munique ou Peñarol. Sonho agora com o Mundial de Clubes. E o sonho comanda a vida...

16 comentários:

  1. Estes textos recordando noites (ou manhãs neste caso) gloriosas do nosso Porto deixam-me sempre com os olhos rasos de água.

    Tinha 13 anos quando vi de madrugada Gomes e Lima Pereira levantarem as duas taças dessa final de Tóquio. Foram os meus olhos q empurraram aquela bola de Madjer na neve fazendo o 2-1 no prolongamento num chapéu mágico, qd a bola parecia parar fui eu q a empurrei mais uns metros:)

    Desta feita foram os olhos de Pedro Emanuel q nos deram logo a ideia do q se seguiria... Mais uma gloriosa vitória numa época de má memória no q diz respeito ao campeonato...

    Nessa manhã de há 4 anos a minha cunhada diz q surpreendeu o meu irmão q chorava no final desse penalty do Emanuel. Nessa altura disse-lhe logo q ele não tinah q se envergonhar, os homens tb choram e o Porto toca-nos desta forma, q fazer? :)

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  2. João Salvador Rocha12 dezembro, 2008

    Antes de mais. Muito Oportuno este post! Agora que estamos num bom momento. Definitivamente Dezembro é sempre um mes talismã para o FCP.

    Em segundo, dizer que me lembro bem daquela manhã, o FCP dava-me o primeiro presente de aniversário do dia. 12 de Dezembro, irá estar sempre marcado na minha cabeça, pelo dia do meu nascimento e pela conquista do ultimo titulo Mundial de clubes naquele formato! é verdade, foi o FCP que trouxe aquele ultimo troféu, como ele era. Agora já não é assim. até nisso seremos intemporais e para sempre lembrados.

    Hoje do alto dos meus recentes 24 anos, digo que ser do FCP é mais que um orgulho, é algo intrinseco que nos move em prol dum clube. é a dedicação, exigencia, paixão saber que somos adeptos da cor e do emblema mais lindo do Mundo! os Eternos Campeoes Mundiais.

    hasta

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  3. "qd a bola parecia parar fui eu q a empurrei mais uns metros:)"


    Atão Lucho, desconhecia esses teus poderes "paranormais" :D ...

    Mas reconheço que há olhares que marcam para todo o sempre, e este do Pedro Emanuel é bem exemplo disso... pela situação em causa, por tudo que estava em jogo e sobretudo pela magia com que ele olhou para a bola.

    Foi desde esse dia que Pedro Emanuel ficou a fazer parte daqueles ídolos que um dia gostaria de olhar de frente, só não sei se o meu Coração aguentaria um "olhar" assim!! :)

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  4. Foi uma manhã diferente. Eu que costumo dormir até à 1 da tarde, nesse dia levantei-me bem cedo para ir até casa dos meus pais onde me juntei a alguns dos meus irmãos e ao meu pai. Foi um sofrimento enorme pois a bola parecia que não queria entrar e quando entrou foi injustamente anulado.

    Como o massacre não resultava, confesso que, a certa altura, comecei a achar que seria impossível vencer e quando Maniche falhou sentei-me e achei que era a maior injustiça do mundo perder aquele jogo.

    Mas com o falhanço do adversário, voltei a acreditar e pensar que afinal Deus não dorme e o não ter ganho durante os 90 minutos foi só para nos fazer sofrer de propósito.

    E quando Pedro Emanuel se preparou para marcar, tinha a certeza que era o momento certo e o Porto conquistou, pela 2ª vez, um troféu que mais nenhuma outra equipa portuguesa conquistou.

    Para mim esse jogo foi talvez o melhor jogo feito na terrível época 2004/05 e uma vitória muito justa e o único título desse ano e de Victor Fernandez.

    Curioso é que, olhando para os nomes dessa equipa, não eram, em teoria, inferiores aos de agora. Mas nesse ano fizemos o pior registo de sempre em casa e curiosamente, só não fomos campeões por muito pouco.

    Outra curiosidade é que o Once Caldas tinha ganho a Copa América onde defrontara a antiga equipa de Diego e de Fabiano e tinha ganho nos penaltis. Aliás, quase todas as eliminatórias do Once tinham sido ganhas nos penaltis. Por isso, o Once só quis os penaltis durante todo o jogo porque o seu guarda-redes era especialista. Mas os guarda-redes (Nuno e Henao) não defenderam nenhum pois os que se falharam foram ao lado ou por cima.

    Grande vitória e fomos lá porque ganhámos a Champions.

    PORTO SEMPRE!

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  5. Ufa, que sofrimento nos penaltis, que uma arbitragem infeliz nos obrigou a passar.
    Amanhã é também um dia histórico que vou recordar no meu blog.
    Um abraço

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  6. Dragão66:

    Nessa época desastrosa para o campeonato 2004/05 em q perdemos em casa mais de 20 pontos esta TAÇA INTERCONTINENTAL não foi o único trofeu ganho.

    Ganhamos também a supertaça logo no 1º jogo de fernandez em Coimbra com um golo de quaresma ao slb.

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  7. Tens razão, Lucho. Foi aliás um belo golo do Quaresma (1º golo oficial pelo Porto). O Victor Fernandez foi muito criticado mas teve um mérito: tinha ganho por 7-0 como treinador do Celta de Vigo ao Benfica e ganhou como treinador do Porto ao Benfica na Supertaça e na Luz. Curiosamente, no Dragão, nesse ano, empatamos mas o treinador já era o Coudeiro.

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  8. Jorge da Silva12 dezembro, 2008

    Boas ...
    Tenho esse cachecol da final em casa,que me foi oferecido por um
    amigo que foi vêr o nosso FCPORTO
    ao Japão.Boas recordações recentes!
    Tb me recordo da primeira final na
    neve diante do Peñarol,tinha eu uns
    15 anos na altura ...
    Já agora envio os meus votos de um dia feliz para o João Salvador Rocha e desejos de muitos anos de
    vida a vêr o nosso FCPORTO continuar a dar-nos muitas e muitas
    alegrias ...
    Abraço a Todos ...

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  9. Belas recordações estas!!! Dias memoráveis que apenas alguns clubes no mundo se podem orgulhar!! E com certeza que mais dias destes virão!!
    Viena..Tóquio..Sevilha..Gels....cidades que ficarão para sempre gravadas na nosso memória..!!

    Força Porto...

    PS: Quero deixar aqui a informação que sempre que quiserem acompanhar as noticias das nossas camadas jovens podem ir ao mais recente blog que criei.. http://dragao-junior.blogspot.com/
    Passem por lá...

    Quero tb deixar o meu agradecimento ao BlueBoy por já ter colocado um link do meu blog..

    Força Porto

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  10. Jesualdo Ferreira prepara uma equipa reformulada para visitar o Cinfães, neste sábado. O treinador do F.C. Porto excluiu oito habituais titulares da lista de convocados. Rolando, Lucho González e Hulk são os sobreviventes. Nuno deve regressar à baliza portista.

    Helton, Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Fernando, Raul Meireles, Cristian Rodriguez e Lisandro López desfalcam os dragões nesta eliminatória da Taça de Portugal. O F.C. Porto apresenta-se em Cinfães com caras menos habituais, como Pelé, Bolatti, Tengarrinha ou mesmo Rabiola, após longo calvário físico.

    Lista de convocados:

    Guarda-redes: Nuno e Ventura;
    Defesas: Benítez, Lino, Rolando, Stepanov e Tengarrinha;
    Médios: Bolatti, Guarin, Lucho González, Pelé e Tomás Costa;
    Avançados: Candeias, Farías, Hulk, Mariano, Rabiola e Tarik.

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  11. NUNO

    T.COSTA ROLANDO STEPANOV E LINO

    LUCHO PELÉ E GUARIN

    TARIK HULK E FARIAS

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  12. Dois grandes jogos com bastante sofrimento. Em 2004 com o Once Caldas fomos a pénaltis , estava a ver o jogo com o meu filho fiquei tão contente que teve que vir a minha mulher para nos acalmar.
    Da primeira vês em 1987 com o Penarol estava tanta neve, mas os jogadores do F C PORTO foram uns guerreiros.
    Aquela bola do Madjer parecia que nunca mais entrava ....
    Tal como diz o Pedro Porto mais dias destes virão!!

    Abraço

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  13. Como já por aqui disse uma vez, Só ao assistir ao nascimento do meu primeiro filho, senti algo tão sublime, como a emoção que me ia no peito após a marcação do ultimo penalty. Tambem chorei no fim, e extravasei o que me ia na alma.

    É por estas e por outras que se diz que "ser Portista é uma bêncão!"

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  14. Ao rever estes vídeos da taça intercontinental analisei melhor os jogadores que o Porto tinha na altura e perguntei a mim próprio como é possível termos feito um campeonato tão mau com jogadores como: Vitor Baía (jogador com mais titulos todos os tempos), Jorge Costa (o nosso capitão), Seitaridis (um excelente lateral), Maniche (peça fundamental no At. Madrid), Diego (titularissimo no Brasil e ja esteve com um pé no Real Madrid), Luis Fabiano (o homem-golo do sevilha)... enfim... isto para não falar no McCarthy que é titularissimo no Blackburn rovers e ainda no Costinha...

    Passando à actualidade... equipa para Cinfães: Ventura, Lino, Rolando, Stepanov, Benítez, Pelé, Tomas Costa, Guarin, Candeias, Tarik e Farias.

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  15. Bruno,

    Um texto cheio de emoção, fantástico no revivalismo de uma manhã de tensão nervosa, sim, mas brutal na comemoração, depois daquelas penalidades excruciantes.

    E, tal como tu, também eu sonho com esse Mundial de Clubes. Quem sabe não teremos brevemente a possibilidade de vibrar com mais uma façanha?

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  16. Um final de manhã, para SEMPRE RECORDAR... porque estes, não são para quem quer, mas sim unicamente para quem pode, sempre e sempre, com muito Sange, Suor... e Bitórias!!!

    BICAMPEÕES DO MUNDO e mai'nada!!!

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