06 junho, 2008

Estava a ver que não!

Comunicado da F.C. Porto – Futebol, SAD
A F.C. Porto – Futebol, SAD emitiu esta sexta-feira um comunicado, no qual comenta as declarações de ontem do presidente do SLB e que foram difundidas na respectiva página oficial.

COMUNICADO

Face ao elenco de afirmações supostamente proferidas pelo sr. Luis Filipe Vieira e reproduzidas no site oficial do SLB, o F.C. Porto vem, por este meio, promover os seguintes comentários:

1- Na sequência do que tem sido repetidamente denunciado pelo Presidente do Futebol Clube do Porto, o SLB pretende obter na secretaria, e longe dos palcos do jogo, aquilo que não conseguiu em campo e que constituiu mais um fracasso rotundo na sua deprimente história recente. Depois de ter anunciado com espavento ter reunido a melhor equipa dos últimos dez anos e assumido candidatura firme a todas as vitórias, o sr. Luis Filipe Vieira assistiu à espiral negativa da sua super-equipa, que se fixou no quarto lugar final, a mais de duas dezenas de pontos do campeão, e com o acesso vedado à UEFA Champions League;

2- Esta é a verdade desportiva da Liga 2007/08. O sr. Luis Filipe Vieira não será capaz de a alterar ou branquear. Ainda menos quem lhe escreve discursos, sopra declarações ou alinhava entrevistas;

3- O conteúdo publicado na página oficial do SLB pretende exercer uma pressão inadmissível junto do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e junto do Conselho de Justiça da mesma entidade. Esta, de resto, é mais uma demonstração do poder subterrâneo, encafuado e ilegítimo que o SLB tão bem tem tentado utilizar, felizmente que, para quem gosta do futebol no relvado, sem êxitos desportivos dignos de registo;

4- Ao F.C. Porto compete unicamente continuar a ser melhor, no caso do SLB, muito melhor, que os seus adversários e lamentar que esta pressão, perfeitamente dirigida, contribua em exclusivo para denegrir a imagem internacional do nosso futebol e para enfraquecer o seu impacto. Esta atitude, de resto, surge na linha de mediocridade que caracteriza a acção dos dirigentes daquele clube.

Porto, 06 de Junho de 2008

# comunicado originalmente publicado no fcporto.pt.

Uma semana e tanto...

Esta semana, tenho obrigatoriamente de falar em 3 temas centrais:

Hóquei em Patins:

No passado domingo, estava eu a fazer zapping na tv, quando reparei que na RTP2 iria iniciar-se uma partida de hóquei em patins entre o GRANDE FC Porto e os galináceos. Como nunca tinha visto qualquer jogo de hóquei, e aproveitando que não estava a dar nada de interessante nos outros canais, resolvi ficar a ver.

Não percebo nada do jogo, das regras e afins, mas uma coisa foi certa, tive a prova de que o FC Porto tem uma MAGNIFICA equipa e sobretudo, uns adeptos FANTÁSTICOS! Gostei de ver o jogo e posso dizer desde já que fiquei fã! Agora, é só seguir os jogos com mais atenção e ler um bocadinho mais sobre as regras do hóquei.

Excelente ambiente durante o jogo (apesar de alguns ânimos mais exaltados) e um grande show de hóquei patinado! 6 golos sem qualquer resposta!

Mais uma vez, a SUPERIORIDADE do clube falou mais alto! Parabéns a toda a equipa e que nos próximos jogos, seja mais do mesmo... deixá-los sem pio!!

Caso FC Porto e UEFA

Não é novidade para ninguém o desenrolar da noticia de ontem. Apesar de residir no meio da podridão, ainda fiquei com mais orgulho em ser tripeira! Aliás, hoje imprimi uma frase e coloquei no meu placar de cortiça onde está uma foto de Quaresma com a língua de fora a dizer “orgulho em ser tripeira” (ainda não houve comentários)!

Bom, de qualquer modo, ontem assisti com um enorme prazer à entrevista do Presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa na SIC, e devo confessar que cada vez mais admiro este homem. Não responde a provocações e tudo o que tem a dizer, diz, não manda dizer!

Confesso que no inicio fiquei triste com a decisão tomada, pensando que iríamos ser ridicularizados para o resto da nossa vida. Mas, depois desta entrevista e de alguns comentários que li, quer aqui no blog, quer noutros locais, fiquei muito mais confiante. Vamos recorrer... e vamos conseguir.

Mesmo assim, ainda consigo ficar parva com certas coisas que vamos lendo e ouvindo, nomeadamente, a comunicação social que antes da decisão estar ainda tomada e de ser comunicada ao lesado, já estava em manchete (Correio da Manhã on-line de ontem), depois, a gentinha que de tanto querer prejudicar o FC Porto, enquanto instituição, não se lembra que está também a denegrir a imagem de Portugal (esta gente não consegue perceber que o maior lesado não é o FC Porto, mas sim o futebol em geral em Portugal) e ainda, com o facto de uma decisão (da UEFA) ter sido decidida por uma única pessoa e não por um conselho… estranho, mas é verdade! Serão estes os «bons investimentos» dos enc(o)rnados?

Tenho fé de que vamos dar volta por cima nesta situação e que tudo isto ainda nos vai dar mais garra e força para vencermos tudo o que houver para conquistar na época de 2008/2009!

Selecção Nacional ou Selecção Ronaldo?

Esta, é uma outra situação que me tira realmente do sério! Como já referi noutras alturas, não sou grande apreciadora da selecção nacional... sou sim, apreciadora de futebol e como tal, há um pequeno detalhe que me irrita solenemente. De tanto ouvir falar, será que a selecção é composta por um único elemento, ou existirão outros jogadores? Estou um pouco na dúvida, será que alguém me consegue explicar?

Uma equipa que supostamente tem 11 jogadores em campo, e só se fala de um deles? só um jogador é que é perfeito? e os outros? será que os restantes jogadores não se sentem injustiçados com este mediatismo de apenas um deles?

Se eu jogasse na selecção, não faria grande coisa! Cristiano Ronaldo, que jogasse sozinho!

Falando por mim, no próximo sábado, irei torcer pela Turquia! Se tivesse que torcer por alguém, seria pela selecção onde estivessem alguns dos melhores jogadores portugueses (sim, porque outros que foram convocados são uma nódoa autêntica – ah! afinal foram convocados jogadores, ok! já se me iluminaram as ideias!), e não por uma onde apenas joga um único.

Saudações azuis e brancas,
Sodani

E já vai tarde...

Vítor Baía condecorado por Cavaco Silva no 10 de Junho

Vítor Baía vai ser condecorado pelo Presidente da República, Cavavo Silva, na Comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que se celebra no feriado de 10 de Junho. O antigo guarda-redes vai ser investido como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, numa cerimónia que terá lugar na próxima terça-feira, desta vez em Viana do Castelo.

O Director de Relações Externas do F.C. Porto vai ser condecorado juntamente com mais 39 personalidades, entre as quais os políticos Almeida Santos e Marques Mendes, o escritor Urbano Tavares Rodrigues, o historiador Veríssimo Serrão e a pianista Olga Prats. Vítor Baía entre assim no lote restrito de desportistas que foram distinguidos no 10 de Junho, do qual fazem parte Eusébio, Figo e José Mourinho.

# noticia originalmente publicada no maisfutebol em 05Jun2008.

Merecido... e ao ritmo do tango!

Lucho: «No Porto um jogador tem todas as condições para evoluir»
Lucho González foi o melhor jogador da Bwin Liga em 2007/08. A escolha foi dos próprios treinadores do principal escalão do futebol português, que votaram a propósito do livro que o Maisfutebol vai lançar na próxima semana, com o balanço da temporada. O médio do FC Porto somou 34 pontos, mais dois que o compatriota Lisandro Lopez.

Em entrevista ao Maisfutebol, que é apresentada em versão integral no livro, Lucho falou da sua evolução desde que chegou a Portugal: «Considero que cresci, porque o FC Porto me permitiu crescer. O clube tem todas as condições para um jogador evoluir. Joguei grandes clássicos, jogos da Liga dos Campeões em grandes palcos da Europa, e aprendi muito com os treinadores que tive e com os companheiros. Os títulos também nos fazem crescer, e viver no Porto também está a ser uma grande experiência pessoal.»

Na última temporada Lucho não esteve tão concretizador, mas em contrapartida fez dez assistências para golo. «Não entro em campo a pensar em marcar. Entro a pensar em ajudar a equipa. Se tiver oportunidade, é claro que tento marcar, mas confesso que também me dá muito gozo assistir um companheiro. Não creio que tenha mudado nada de um ano para o outro. Eu marquei menos, o Lisandro marcou mais! É assim o futebol», disse o jogador.

O FC Porto ganhou o campeonato com larga vantagem, mas curiosamente Lucho elege uma derrota como o momento em que ficou demonstrada a superioridade dos «dragões». «Pode parecer estranho, mas em Alvalade perdemos mas a forma como jogámos e como respondemos a um resultado muito injusto provou que tínhamos e atitude para terminar na frente», disse o médio, destacando depois o resultado alcançado no reduto do Benfica: «A vitória inquestionável na Luz também nos reforçou a confiança.»

Em relação ao troféu que recebeu do Maisfutebol, o jogador fez questão de partilhar o mérito com os colegas. «Fico muito contente por ter recebido este título individual, mas nada disto faria sentido se o FC Porto não tivesse conquistado o «tri». Entendo que o sucesso colectivo é que realiza efectivamente um jogador de futebol», afirmou Lucho.

# noticia originalmente publicada no maisfutebol em 05Jun2008.

05 junho, 2008

Uma aldeia de irredutíveis gauleses...

Invariavelmente era assim que começavam as histórias de Uderzo & Goscinny, imortalizadoras da figura de Astérix e seus gauleses: "Toda a Gália foi ocupada pelos romanos. Toda? Não! Uma aldeia povoada de irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor".

Não será preciso puxar muito pela imaginação para ver evidentes semelhanças entre estes gauleses e o Porto, cidade e clube, na conjuntura actual. Seria demasiado fastidioso enumerar as constantes diatribes de um Poder Central, minando investimentos, cortando subsídios, desviando capitais, procurando amordaçar um Norte cada vez mais delapidado em todos os sectores...

Mas é no Porto clube, símbolo de uma região e de uma Invicta cidade, que mais se sente a verosimilhança entre os gauleses, cercados por todos os lados, e os guerreiros de azul e branco, acossados por um País de mesquinhos e medíocres. A correlação de forças é-nos infinitamente prejudicial, sofrendo provavelmente o maior ataque de sempre da história orgulhosa do clube. Mas nem assim desistimos. Nem assim nos vergamos. Nem assim damos tréguas aos ressabiados e incompetentes, aos delatores que procuram vencer na sombra o que não conseguiram dentro das quatro linhas.

O Porto, meritoriamente apurado para a Champions, vê-se arredado da milionária prova, numa atitude prepotente do orgão decisor, e desprezível por parte da escória portuguesa, participativa num acto claro de vingança. Não serei hipócrita. Defendi a decisão da SAD, de não recorrer da decisão da Liga. Fi-lo, por achar que esta era a melhor estratégia. Uma estratégia que passava pela possibilidade, ainda em aberto, de recorrer aos tribunais civis, por parte do seu presidente, algo vedado ao clube. Apoiei-a, por saber que o recurso, por parte do clube, seria uma mera perda de tempo. A Justiça desportiva portuguesa está inquinada. Provam-no os inúmeros pareceres de catedráticos de Direito, arrasando a presunção de um pomposo professor-assistente, alcandorado ao cargo de disciplinador da Liga. Por isso, nesta altura, mais do que bradar contra a tomada de decisão, por parte do clube, é finalmente chegada a hora de agir...

Algo que o clube, pela inércia demonstrada nos últimos tempos, tem demorado a fazer. Urge uma tomada de posição, musculada, por parte da estrutura directiva. A irredutível aldeia dos gauleses há muito que está a ser atacada, sem ripostar. Chegou a hora da reacção. Contundente. E, para começar, atacar a Liga e a Federação. Onde mais lhe dói. No bolso. Recurso atrás de recursos, até ao fim da linha. Alguém, no meio desta guerra sem quartel, há-de analisar conscientemente os factos, sem estar condicionado por alianças espúlias. A razão está do nosso lado. E que melhor escudo se pode desejar do que este, quando a verdade nos dá forças sobre-humanas para resistir, com estoicismo?

No entanto, seria bom que o clube tirasse uma ilação, disto tudo. Há muito que a tolerância, neste País dominado por atitudes pidescas, deixou de fazer sentido. A corja, que agora sorri ululante, como se o conseguido correspondesse a um troféu de caça, mostra sem qualquer despudor o seu ódio por nós. Como adepto do Dragão, não quero ver mais recepções pomposas, no nosso Estádio, com figuras proeminentes da Liga ou da Federação pavoneando-se nos corredores decorados de azul e branco. Essa gente é nossa inimiga. E merece ser tratada como tal.

Os estágios da Selecção lusa são sempre folclóricos. Devemos ser o único País na Europa que abre telejornais com directos dos treinos, onde meia dúzia de lugares-comuns são comentados, com programas de entretenimento zelosamente dedicados à equipa das quinas, numa euforia prematura e digna de um qualquer território terceiro-mundista. Apanhados no meio do turbilhão mediático, onde em cada esquina existe um microfone e um jornalista prestimoso, os jogadores sentem-se, também eles, capazes de debitarem o que lhes vai na alma. Desnudam-se perante um público ávido. Quaresma aproveitou os seus minutos de fama para, num português pouco perceptível, afirmar ao que ia. Não falou sobre a sua titularidade na Selecção do Acordo Ortográfico. Não. Nem mostrou “garras de ganhar”, embarcando naquele sonho algo utópico de erguer a taça da competição. Também não. Resolveu dissertar sobre o seu futuro. Dissertar será um eufemismo. Limitou-se a um sem número de tiques de vedeta e a proferir, para gáudio da assistência: “Está na hora de sair do FC Porto”.

“Já vais tarde”, retruquei eu, de imediato, algo que me pode provocar alguns dissabores, por parte dos puristas do jogo, defensores intransigentes do espectáculo. Já sei o que aí vem. Acusações de ingratidão, misturadas com argumentação pouco sustentada. Não nos iludamos. Quaresma é um profissional do FC Porto. Pago principescamente. Religiosa e atempadamente. É venerado por adeptos fiéis, seguidores do clube azul e branco, que o acarinham e lhe amparam as poses de “prima-donna”, os enfados, os malabarismos circenses, os egoísmos futebolísticos. E essa gente anónima, sofredora incontinente pelo emblema do Dragão, tudo suporta, num silêncio respeitoso.

Por mim, basta. Depois de Paulo Assunção, o termo mercenário ganhou outra dimensão. O Mustang não difere muito do silencioso médio brasileiro, que orquestrou na sombra a sua saída. Resgatado do exílio dourado na Catalunha, onde não passava de um jovem borbulhoso, suportado com condescendência por parte de adeptos pouco lestos a venerarem os truques de pacotilha, Quaresma renasceu no Porto. Cresceu em maturidade na Invicta. Venceu no Norte. E, numa altura destas, com o clube causticado de forma inclemente por todos os lados, a forma encontrada por Quaresma de “agradecimento” foi esta: “Está na hora de sair do Porto”.

40 milhões nos separam da libertação. E é bom que eles apareçam. Porque, caso contrário, por mim Quaresma passava a próxima temporada no banco. No melhor curso de humildade que existe. Vendo os outros jogar. Existem jogadores que, pela sua postura, personalidade, mística, tornam-se verdadeiros embaixadores do clube. Os seus nomes figurarão sempre na história da agremiação. Serão recordados eternamente pelos adeptos. Outros, ao invés, são meros cometas. Incandescentes no brilho, luminosos no reportório, fascinantes nas trivelas, mas rapidamente esquecidos. Porque lhes falta algo. GRATIDÃO e HUMILDADE. E isso não se compra com os milhões generosamente pagos. É inato. Ou se tem, ou não. E Quaresma, está mais que visto, não tem…

ps - Adquiri o hábito de nunca reagir a quente. É algo contraproducente, quando a razão se deixa tomar pela emoção. Mas sempre soube o que era. O que me move. O que me apaixona. O que me provoca emoções ímpares. Sou, cada vez mais, um fundamentalista. Do Porto. Sempre pelo Porto. Cada vez com mais orgulho. E deixei, faz uns anos, de ser naif. A ingenuidade perdeu-se, faz muito tempo. Como adepto sou rancoroso, quando nos atacam. E sei que, neste mundo do pontapé na bola, agora transformado numa arena belicista, o mero prazer de ver futebol sucumbiu, depois de tanta bílis despejada sobre nós. Seria bom que a memória colectiva perpetuasse este momento. Negro. Para ser relembrado no futuro. Para nunca mais ser esquecido. Porque, friso, nunca vou olvidar quem esteve por detrás disto. Acrescento, a título individual, mais um vilão, na já imensa galeria de mosntruosos nomes que nos atacam. Gilberto Madail, o denominado rei da Federação. Hoje, a camisola da Selecção foi para o lixo. O meu patriotismo sempre foi devotado às cores da minha bandeira. Azul e Branca. Sempre!

ps2 - Durante 10 dias estarei ausente. Umas merecidas e retemperadoras férias. Bem longe deste cantinho à beira-mar plantado. Numa praia de areia branca. Mas orgulhosamente trajando as vestes sagradas: a camisola de eleição vai comigo. Vestida. Como se fosse a minha segunda pele. Para que todos saibam que aqui mora um Dragão.

Esclarecimentos... e recado aos «ratos» e «abutres»!


Apito Final: Pinto da Costa não considera FC Porto fora da "Champions"
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, afirmou hoje que o clube "não se considera fora" da Liga dos Campeões de futebol e ameaçou "pedir responsabilidades e indemnizações a todos os que contribuiram" para a situação.


"O clube não se considera fora (da Liga dos Campeões). Já estamos a trabalhar no recurso, tanto em Portugal como no estrangeiro, concretamente na Suíça. E estamos absolutamente convencidos de que vamos estar na Liga dos Campeões deste ano", disse o líder portista, em entrevista à televisão SIC.

Para Pinto da Costa a decisão, hoje anunciada pela UEFA, de não incluir o FC Porto na "Champions" devido à condenação pela Comissão Disciplinar por tentativa de corrupção de árbitros na Liga portuguesa em 2003/04, era já esperada "pela maneira como as coisas foram comunicadas", apontando o dedo a um jurista da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), João Leal.

"O Conselho de Justiça (da FPF) desdisse-o (João Leal) e rectificou o faxe que tinha sido enviado para a UEFA", defendeu Pinto da Costa, referindo-se a uma primeira comunicação da FPF à UEFA na qual está expresso que não existe hipótese de recurso da condenação do FC Porto.

Segundo Pinto da Costa, a sua defesa junto do Conselho de Justiça da FPF, baseada em quatro pareceres de juristas que põem em causa a utilização de escutas e do testemunho da sua ex-companheira Carolina Salgado em processos disciplinares, vai inverter a decisão da Comissão Disciplinar da Liga portuguesa de clubes e ilibará igualmente a SAD do FC Porto, punida na ocasião com a perda de seis pontos - uma sanção da qual os responsáveis optaram por recorrer.

"Não foi (um erro). Se eu não for castigado, é óbvio que os seis pontos têm que ser repostos. Sabiamos que tínhamos esta possibilidade de juntar a SAD ao nosso recurso, sem ficar pendente das demoras e de os seis pontos caírem no próximo campeonato", continuou.

O presidente dos "dragões" acusou ainda o presidente do rival Benfica, Luís Filipe Vieira, de estar preocupado em ganhar "na secretaria, em vez de ganhar em campo".

"Queremos ganhar dentro do campo e nós ganhámos. Há outros que não estão preocupados em contratar jogadores, como o Sr. Luís Filipe Vieira, que disse que estava era preocupado em ganhar lugares na Liga", disse Pinto da Costa.

Não admitindo o cenário de rejeição do recurso por parte da Comissão de Apelo da UEFA, Pinto da Costa adiantou ainda uma firme intenção: "pedir responsabilidades e indemnizações a todos os que contribuiram para chegarmos até aqui porque a minha obrigação é defender sempre o FC Porto", afirmou, acrescentando que "a procissão ainda vai no adro".

Sobre o seu futuro à frente do clube "azul-e-branco", o líder portista referiu que "os quatro grandes accionistas" lhe "manifestaram todo o seu apoio e não admitem que bata com a porta" e que "as acções até subiram hoje", defendendo que "é claro para toda a gente" que o denominado processo judicial "Apito Dourado" é "direccionado ao FC Porto" e a si próprio.

"Se não fossemos à Liga dos Campeões tínhamos seis milhões (de euros) a menos de receitas. Mas não vamos alterar em nada o nosso plano de equipa de futebol e não vamos apresentar resultados negativos", assegurou, reiterando que Quaresma será, eventualmente, o único activo a vender porque "tem cláusula de rescisão de 40 milhões (de euros)".

Lusa/Fim

# noticia originalmente publicada no noticias sapo em 04Jun2008.

§ querendo visualizar o vídeo integral dessa entrevista exclusiva à SIC, basta clicar aqui.

04 junho, 2008

Perdemos... apenas a primeira batalha!

FC Porto excluído por um ano da Liga dos Campeões
O FC Porto foi excluído por um ano da Liga dos Campeões pela Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA, reunida na manhã desta quarta-feira. Resta agora aos portistas avançarem com o recurso.

O FC Porto foi condenado devido a a alínea d) do ponto 1.04 do Regulamento de Competições da Liga dos Campeões, segundo o qual, para que um clube seja inscrito, «não pode estar ou ter estado envolvido em qualquer actividade relacionada com combinar ou influenciar o desfecho de um jogo, a nível nacional ou internacional».

Recorde-se que o FC Porto foi condenado pelo por dois actos de tentativa de corrupção a árbitros, uma sentença da Liga Portuguesa de Futebol Profissional que não mereceu recurso dos tricampeões nacionais e que colide com à alínea d) do ponto 1.04 do Regulamento de Competições da Liga dos Campeões.

O Conselho de Administração do FC Porto já comunicou a decisão à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM), tendo informado que irá recorrer para a Comissão de Apelo da UEFA. Se a entidade mantiver a decisão, o clube português tem ainda possibilidade de recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto, a mais alta instância de justiça desportiva internacional.

# noticia originalmente publicada no diário digital em 04Jun2008

Mas vamos ganhar esta «guerra»... podem TODOS contar quantos são hoje!!!

Vamos em frente

Fora das quatro linhas o tempo passa e a poeira, devagar bem devagarinho, tende a assentar. Após o nosso amigo Zé Luís, do PdB, se ter dado ao trabalho de esmiuçar as partes significativas do acórdão sobre o FC Porto-E. Amadora, ficamos a saber que o velho ditado na escola onde tu andas-te era eu o Professor continua a fazer todo o sentido.

E como, geralmente, não há duas sem três, alguém mais, de peso, se pronunciou sobre tal assunto. Que cada um tire assim as suas próprias conclusões.

Mas, enquanto meio Portugal andava distraído com a partida em directo do camião TIR para a Suíça (o Transitário agradece) e o outro meio à espera de tal famosa quarta-feira, descobriu-se que com amigos destes não serão necessários inimigos. E, levando em verdade mais algumas linhas, até que não seria de estranhar mais um ditado, talvez um pouco menos popular, este do tipo que para atingir tais fins pouco ou nada importam os métodos.

Tarda em aparecer alguém que, de direito, proteja os cidadãos contra os abusos dos poderes públicos ou privados.

Porém, dentro das quatro linhas e utilizando ainda outro ditado, continua tudo como dantes, Q.G. em Abrantes. Em Abrantes não, foi bem mais perto, em Fânzeres, à esquerda no Soldado Desconhecido. Não mudou aos três mas acabou aos seis e logo vieram as lamúrias e queixinhas do costume. "Não há competição leal no hóquei em patins. É um logro, uma fraude, ainda mais corrupto que no futebol".

Pois claro, continuem a chamar a Polícia e relatem a única infracção possível: a velocidade das bolas a entrarem na Vossa baliza!

Para terminar que fique garantido que o meu lugar anual, para a próxima época, não está para venda e vamos em frente... que atrás vem (sempre muita) gente!

A conspiração contra o campeão (II)

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

continuação de ontem...

6. A mais extraordinária acusação a Pinto da Costa constante do «livro» de Carolina Salgado era a de que ele lhe teria comanditado a execução do dr. Ricardo Bexiga, vereador da oposição na Câmara de Gondomar, a qual ela teria tentado levar a cabo em colaboração com alguns marginais das suas relações. Extraordinária, porque primeiro era preciso acreditar que Pinto da Costa seria capaz de encomendar a morte de alguém; depois, que se preocupasse em fazê-lo por solidariedade política ou pessoal para com Valentim Loureiro, a quem Ricardo Bexiga fazia frente em Gondomar — e logo na altura em que os dois dirigentes desportivos estavam de relações frias; e, enfim, porque quem lhe escreveu o texto não reparou que, com essa «revelação», ela se incriminava a si própria numa tentativa de homicídio. O Ministério Público resolveu não acreditar na história e arquivou sumariamente o assunto, até porque as contradições em que ela caíra (como a de contar que destruíra previamente as câmaras de vigilância do parque de estacionamento onde a agressão teve lugar e que, afinal, nunca existiram), revelaram que a senhora estava, pura e simplesmente, a inventar. O problema é a dualidade de critério: quando se incrimina a si própria, a testemunha Carolina Salgado não merece credibilidade alguma ao MP; quando incrimina Pinto da Costa, já merece toda.

7. O outro «testemunho» relevante de Carolina Salgado, e que, por si só, justificou a reabertura dos processos criminais arquivados e a punição da CD da Liga, foi a de que durante a cena do «cafezinho», Pinto da Costa teria passado um envelope com 500 contos ao árbitro Augusto Duarte — e este teria aceite. Aqui, é preciso acreditar em duas coisas: que o presidente do FC Porto acharia necessário comprar um árbitro para um jogo que já nada interessava (dirão que foi por serviços passados, mas acontece que, nessa época, Augusto Duarte não apitara ainda nenhum jogo do FC Porto: azar, outra vez…); depois, é preciso acreditar que Pinto da Costa, apesar da irresponsabilidade com que misturou a sua vida pessoal com a vida do clube, seria suficientemente estúpido para corromper árbitros diante da namorada conhecida no «Calor da Noite». Mas a dr.ª Maria José Morgado acreditou e o dr. Ricardo Costa também. Resta uma perplexidade jurídica: já vimos que faltava o nexo de causalidade para dar como provada a corrupção; mas resolver o problema através da esperteza da «tentativa de corrupção» é que não se percebe: se ele deu 500 contos ao árbitro e este os aceitou, porquê apenas a tentativa?

8. Agora, perguntar-me-ão: e as «meninas» para a equipa de Jacinto Paixão — não acredito também que Pinto da Costa tenha dado ordem para aceder ao pedido? Acredito, sim senhor: acredito nisso, não acredito na explicação que ele deu para a etimologia da palavra «fruta». Então se acredito, não acho que seja um caso de corrupção? Não, não acho. Primeiro, porque não havia necessidade alguma; segundo, porque era prática instalada e corrente.

Se para alguma coisa tem servido o julgamento de Gondomar é para demonstrar que, mesmo ao nível de uma terceira divisão, está instalada a tradição de o clube da casa presentear os árbitros com «lembranças». E as «lembranças», que começam por ser peças simples de ouro e refeições de borla nos restaurantes locais, vão subindo de importância à medida que sobe a importância e riqueza dos clubes anfitriões. Nos processos disciplinares instaurados a árbitros pela FPF e decorrentes das investigações do Apito Dourado, os acusados, segundo relatava o JN de 19.03.08, têm-se defendido com o que o ex-árbitro Jorge Coroado (um dos «peritos» usados pela justiça) revela a propósito no seu livro O último cartão: está lá tudo contado, incluindo os presentes que lhe davam e as «meninas» que lhe ofereceram num jogo internacional. E os jornalistas desportivos de Lisboa sabem muito bem quais são os cabarets da cidade onde era possível encontrar árbitros em companhia de «assessores» dos clubes da capital (normalmente, ex-árbitros), e o que lá estavam eles a fazer. Deixem-se, pois, de hipocrisias: se aquilo foi uma tentativa de corrupção, só não são todos arguidos porque o Apito Dourado resolveu escolher apenas dois alvos para investigação.

9. Acontece que, à excepção de uma breve aparição no julgamento de Gondomar — onde foi facilmente trucidada pelos advogados dos réus — Carolina Salgado nunca foi contraditada com a defesa do FC Porto. Protegida e, supõe-se, exaustivamente «trabalhada» pelo MP, nunca teve de se confrontar com perguntas incómodas num tribunal. E, embora as suas declarações ao MP tenham sido consideradas decisivas, nem sequer foi ouvida, menos ainda contraditada, pela CD da Liga, antes de condenar o FC Porto.

Apesar de, em minha opinião, o FC Porto ter sido sempre mal defendido em todo este processo — jurídica e mediaticamente — não é preciso ser adivinho para prever que uma investigação criminal que basicamente repousa só no testemunho de Carolina Salgado, está condenada ao absoluto fracasso no dia que chegar a julgamento. O Benfica não anda a dormir e também o percebeu. Daí que, ao longo de toda esta época, a sua estratégia se tenha desviado das imensas expectativas alimentadas com a nomeação do «dream team» da dr.ª Maria José Morgado para as expectativas da justiça desportiva. Passou a exigir que o CD da Liga se antecipasse aos tribunais e se encarregasse do julgamento, condenação e pena.

10. E o CD fez-lhe a vontade. Aliás, segundo o seu presidente, já em Janeiro eles estavam prontos a decidir o que decidiram em Maio — antes mesmo de deduzirem acusação e estudarem a defesa. Só que havia prazos a cumprir e os prazos baralharam tudo: quando o CD decidiu tirar seis pontos ao FC Porto, já o Benfica estava a vinte de distância e de nada lhe servia a «justiça».

11. Criou-se então a expectativa — devidamente alimentada pelos jornalistas engajados — de que o FC Porto não resistisse à tentação de recorrer da condenação do CD. Isso, mais a conjugação dos prazos do recurso, permitiria que eventual confirmação da pena remetesse o seu cumprimento para a época que vem e, assim, o FC Porto iniciaria a época com menos seis pontos que o «Glorioso». Sempre era alguma coisa…

Creio que eu e Rui Moreira fomos os únicos portistas a defender que, mesmo assim, o FC Porto deveria ter recorrido. Porque, mesmo quando o combate é desigual e o jogo está viciado, há alturas em que se deve ir a jogo, justamente para mostrar a diferença de carácter. Assim não o entendeu a direcção do FC Porto e logo lhe saltaram em cima os benfiquistas do jornalismo a concluir hipocritamente que, se o clube não tinha recorrido, era porque reconhecia a culpa. Olha que chicos-espertos!

12. Todavia, o Benfica mostrou que tinha a jogada muito bem arquitectada e pronta a ser executada. Assim que se soube que o FC Porto não recorrera, o Benfica passou ao plano B: queixinhas à FPF, para que as reencaminhasse à UEFA, a fim de excluir os portistas da Liga dos Campeões, em benefício do «glorioso» 4.º lugar dos encarnados. E também a FPF lhe fez a vontade: a forma como notifica a UEFA de que «ficou provado que o FC Porto cometeu infracção disciplinar muito grave — corrupção da equipa de arbitragem» (só muito mais à frente esclarecendo que foi «sob forma tentada» e nunca esclarecendo que, sobre os mesmo factos, existe um recurso pendente) — é absolutamente esclarecedora do fim pretendido.

13. Mas a verdade é que, aparentemente, este cenário não foi previsto pela, mais uma vez passiva, defesa do FC Porto. Juridicamente, uma hipotética decisão da UEFA, hoje, que venha de encontro à escabrosa pretensão benfiquista seria uma aberração e um abuso. Qualquer ignorante de Direito sabe que não há retroactividade da lei penal e que a tentativa de chamar a isto, não uma sanção, mas uma condição de inscrição ou coisa que o valha, não passa de um exercício de desonestidade intelectual.

Se a lei da UEFA de 2007 se pudesse aplicar a factos passados, o Milan não teria podido disputar a edição deste ano da Liga dos Campeões e a Juventus não poderia disputar a do ano que vem. O problema está em que todos sabem que as decisões da UEFA são jurídicas nuns casos e politicas noutros — e foi nisso que o Benfica apostou. O FC Porto reúne as condições ideais para uma decisão politica e servida como «exemplo»: é um grande clube em termos desportivos, um histórico da Liga dos Campeões, vencedor da prova há apenas quatro anos — mas é também representante de um país pequeno e de direitos comerciais de menor importância face aos tubarões da Europa. O alvo ideal.

14. Seja qual for a decisão da UEFA, o Apito Dourado está condenado à morte. Fez-se tudo o que se pôde, com um objectivo predeterminado e um alvo prefixado. E o resultado envergonha os seus promotores. Quando toda a poeira assentar, ficará para a história apenas como mais um momento em que a inveja dos medíocres ditou a sua lei. É, em grande parte, a história de Portugal.

in jornal “A BOLA” de 2008.06.04
fonte: "Sou Portista com Orgulho"

A conspiração contra o campeão (I)

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

...

1. Com a entrada do século XXI, a direcção do Benfica tomou a decisão estratégica de lançar mão de todos os meios para impedir que a hegemonia do FC Porto, que se tinha afirmado com clareza nas duas décadas anteriores, se continuasse a prolongar. Por razões várias, mas essencialmente por falta de capacidade de gestão desportiva e falta de paciência para aguardar os resultados de uma mudança paulatina de atitude, o Benfica percebeu que tão cedo não conseguiria derrotar em campo o FC Porto e havia então que tentá-lo por outros meios.

A primeira medida estratégica foi a tomada de poder na Liga de Clubes, que Luis Filipe Vieira afirmou ser mais importante do que a formação de uma boa equipa de futebol. Para tal, Viera aliou-se a Valentim Loureiro, o verdadeiro dono do tão criticado «sistema» e então de más relações com Pinto da Costa. Juntos passaram a dominar a Direcção da Liga, a Comissão Disciplinar e a Comissão de Arbitragem. Muito embora o FC Porto tenha logo começado a sentir as consequências dessa aliança (foi a época em que só os jogadores do FC Porto é que tinham cotovelos e só a eles se aplicavam os célebres «sumaríssimos»), a verdade é que ela, por si só, não chegou para fazer ajoelhar os portistas. De positivo, para o Benfica, ficou a conquista do campeonato de 2004/05 - aquele que, nos últimos trinta anos, mais se deveu a favores de arbitragem.

A seguir veio a associação do Benfica com o poder político. Primeiro, descobrindo-se que o clube vivia à margem do cumprimento das obrigações fiscais que outros cumpriam e beneciando da complacência da comissão governamental encarregada de fiscalizar as contas dos clubes e que se «esqueceu» de fiscalizar o Benfica. A seguir veio a tremenda ajuda financeira dada pelo então presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, para a construção do novo Estádio da Luz. Enquanto a comunicação social se distraía a noticiar ninharias denunciadas por Rui Rio no Dragão, milhões e milhões eram dados ao Benfica de mão beijada, sem escândalo algum. E, para que não restassem dúvidas da dívida de gratidão contraída, viu-se a Direcção do Benfica, levada por Santana Lopes, a comparecer a um jantar de propaganda eleitoral do PSD durante a campanha legislativa de 2004, na mais descarada manifestação da tão falada promiscuidade entre o futebol e a politica alguma vez vista.

Mesmo assim, não chegou. Havia que fazer mais e foi então que surgiu o «Apito Dourado».

2. Diz o povo que o que nasce torto nunca se endireita e o «Apito Dourado» nasceu torto desde o princípio. Ao escolher colocar sob escuta apenas os telefones de Valentim Loureiro e Pinto da Costa, os investigadores mostraram desde logo ao que vinham e o que visavam com o seu método de «pesca de arrasto». Cabe perguntar, de facto, quem determinou e com que razões que uma investigação ao futebol português apenas se deveria concrentar no FC Porto e no Boavista?

O mais eloquente telefonema de todas as escutas talvez seja aquele em que o presidente do Benfica tem o azar de ser gravado quando telefona para Valentim Loureiro. Aí se torna evidente o grau de cumplicidade entre ambos e a forma tranquila como discutem que árbitro convém ao Benfica para um jogo com o Belenenses. Mas esse processo foi devidamente arquivado, por se entender que não tinha interesse- mesmo em relação à enigmática frase de Luís Filipe Vieira para o major: «Como sabe, tenho outras maneiras de resolver o assunto.»

3. As escutas a Valentim concluíram que ele pressionava os árbitros dos jogos com o Gondomar - peixe mais do que míúdo - e que tentou pressionar árbitros em três jogos do Boavista, nos quais, para azar dos investigadores, o Boavista perdeu dois e empatou um.

Pior sorte tiveram ainda as escutas a Pinto da Costa. Dois anos de telefonemas interceptados concluíram que a equipa de arbitragem de um FC Porto-Estrela da Amadora, chefiada por Jacinto Paixão, pediu umas «meninas» a um intermediário que fez chegar o pedido ao presidente do FC Porto e terá obtido a anuência deste. E que o árbitro Augusto Duarte, na véspera de apitar um Beira-Mar-FC Porto, apareceu, na companhia de um empresário ligado aos portistas, em casa de Pinto da Costa, para tomar um «cafézinho». Mas, azar dos investigadores: os factos reportam-se à época de 2003/04, aquela em que o FC Porto treinado por Mourinho passeou uma tão ampla superioridade, que foi campeão nacional com doze pontos de avanço e campeão europeu; ambos os jogos foram já na parte final do campeonato e nenhum deles influia na classificação de qualquer das equipas envolvidas; e, finalmente, os «experts» consultados não conseguiram ver qualquer influência da arbitragem nos dois jogos, um ganho, outro empatado pelo FC Porto. Faltava assim um elemento jurídico essencial no direito punitivo e que tanto irritou alguns comentadores justiçeiros: o tal nexo de causalidade. Para haver corrupção tem de haver um resultado obtido com essa corrupção. Não havendo resultado, o que fazer? A Comissão Disciplinar da Liga, no seu recente e tão auto-elogiado acórdão, resolveria a questão pelo mal menor: tentativa de corrupção. Uma original tentativa de corrupção, em que é o corrompido que toma a iniciativa de abordar o corruptor…

4. Estava, pois, o apito encravado, para grande desespero da nação, quando entra em cena Carolina Salgado. Três anos antes, ela tinha estado na Luz, entre os Super-Dragões, com um cartaz mal-criado e provocatório que dizia «Ó Orelhas, estou aqui!». Fora de si, Luís Filipe Vieira protagonizaria no final uma insólita conferência de imprensa sobre a vida privada de Pinto da Costa, acusando-o de viver com uma usurpadora no lugar da mulher «legítima». Mas a vida é, sem dúvida, um espectáculo imprevisto e por vezes irónico: a «legítima» de Pinto da Costa, que Vieira protegia, passou a divorciada e voltou a ser «legítima», e a «usurpadora» passou da benção papal a proscrita e desaguou… nos braços do homem a quem chamara «Orelhas».

O presidente do Benfica chegou a participar em reuniões em hotéis com Carolina Salgado e os investigadores da PJ. Arranjaram-lhe quem lhe escrevesse um livro, quem do livro fizesse filme, e asseguraram-lhe meios de rendimento para que ela contasse «tudo o que sabia» ou que dizia saber. Mais tarde, com Maria José Morgado, passou a ser tratada como o tesouro mais precioso, acompanhada, dia e noite, por seguranças a soldo dos contribuintes, para assim se dar também a ideia de que é uma testemunha incómoda e ameaçada. E, graças a ela, o Apito Dourado ganhou um novo fôlego que já parecia perdido. Os processos arquivados por falta de provas ou de consistência foram reabertos, gastaram-se mais uns milhares ou milhões de euros em investigação e animaram-se as hostes justiçeiras.

5. Mas, de novo, verdadeiramente novo, não se apurou mais nada. Era exactamente o mesmo, os mesmo jogos, as mesmas meninas, o mesmo cafézinho. Apenas Carolina Salgado acrescentou dois dados novos: que Pinto da Costa terá recorrido aos seus serviços (!?) para tentar matar (!?) Ricardo Bexiga, vereador da oposição na Câmara de Gondomar, e que, durante a tal cena do «cafézinho», terá passado um envelope com 500 contos em moeda antiga ao árbitro Augusto Duarte. Tudo está pois, dependente, da credibilidade da testemunha Carolina Salgado. A qual, salvo melhor opinião, vale zero: pelo seu curriculum, pelas suas evidentes motivações e pelas suas contradições.

Amanhã há mais.

in jornal “A BOLA” de 2008.06.03
fonte: "Sou Portista com Orgulho"

O cerco aperta-se ao «falso» justiceiro!

FC Porto: Argumentação de Ricardo Costa contestada

A batalha jurídica entre o FC Porto e a Comissão Disciplinar da Liga está ao rubro. Agora, foi a vez do director da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra empunhar armas pelas teses do FC Porto.

A dar mais relevo e impacto a este posicionamento, José de Faria Costa, professor catedrático e personalidade insigne no mundo do Direito Penal e do Processo Penal, recentemente homenageado pelos magistrados de S. Paulo, é superior hierárquico do assistente da FD, Ricardo Costa, o presidente da CD que suspendeu Pinto da Costa, o presidente dos dragões, por dois anos, o que lhe confere uma autoridade, nesta matéria, inquestionável.

Assim, o director contraria, publicamente, o assistente, numa situação curiosa e singular. No parecer elaborado, e que acompanha o recurso do presidente portista para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Faria Costa contesta, veementemente, as teses do assistente da UC, com especial ênfase na inadmissibilidade da validação das escutas efectuadas em inquérito-crime e em sede de processo disciplinar.

O especialista em Direito Penal, chega a corrigir, mesmo, o sentido dado a citações de uma das suas obras e que constam em vários acórdãos assinados pelos membros daquele órgão da Liga. Neste ponto, Faria Costa esclarece que, antes da audiência de julgamento, a transcrição de escutas é um mero meio de prova de indícios e não algo que se traduza em factos dados como provados.

É este o caso de Pinto da Costa e de outros visados em processos disciplinares na justiça desportiva que, antes dos julgamentos, estão a ver usadas contra si intercepções efectuadas no âmbito processo Apito Dourado.

No parecer daquele professor doutorado, argumenta-se que o uso de escutas, num processo disciplinar, viola o direito de defesa. Isto pela simples e cristalina razão de que o órgão disciplinar da Liga não dispõe dos suportes magnéticos das intercepções. É que pode dar-se o caso das conversas estarem mal transcritas e nenhum visado poder corrigi-las, no processo disciplinar, sem ouvir as conversas gravadas.

O catedrático salienta, por outro lado, que a informação dos processos-crime pode ser, efectivamente, usada no processo disciplinar.

Todavia, para assentar factos como provados, a CD teria de recorrer a outros meios de prova, legalmente admissíveis, que não as próprias escutas, como, por exemplo, depoimentos. A este propósito, sobre as declarações de testemunhas - como no caso de Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa e um dos suportes mais determinantes das decisões tomadas -, Faria Costa mostra-se contra a atribuição de uma credibilidade total antes da decisão final do julgamento.

Um argumento que serve para concluir que, se um facto for dado como provado num processo-crime, poderá, também, ser classificado como verídico num processo disciplinar.

Refira-se, ainda, que a CD da Liga deu, ontem, por concluídas as suas respostas aos diversos recursos que se encontram no Conselho de Justiça e que, fundamentalmente, assentam nos acórdãos que fundamentaram as suas sentenças.

Entre estas, destacam-se, pela sua relevância, os dois anos de suspensão do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, por tentativa de corrupção e a despromoção do Boavista à Liga de Honra, por coacção a agentes da arbitragem, além de multas significativas.

Para além destes processos mais mediáticos em causa, no CJ estarão recursos - cuja documentação totaliza cerca de cem mil folhas -, do árbitro Augusto Duarte e da União de Leiria, entretanto despromovido, desportivamente ao segundo escalão do futebol profissional, e do seu presidente, João Bartolomeu.

O parecer de Faria Costa junta-se aos de Germano Marques da Silva, membro do Conselho Superior do Ministério Público e professor de Direito Penal, na Universidade Católica, de Manuel Costa Andrade, penalista na UC e que tem defendido uma "redução drástica" do número de escutas telefónicas, na investigação policial e de Damião da Cunha.

São, pois, "pesos pesados" do Direito Penal que defendem as posições de Pinto da Costa contra as interpretações da lei por parte do órgão que tutela a disciplina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

Agora, o conflito vai terminar no CJ, órgão de última instância da justiça futebolística, sem direito a recurso, muito brevemente, numa reunião ainda, sem agenda marcada.

# noticia originalmente publicada no Jornal de Noticias em 03Jun2008

03 junho, 2008

A voz do Capitão e um Porto demolidor

Conseguimos «chegar à fala» com Filipe Santos, o nosso actual capitão da equipa de hóquei em patins. Isto sucedeu ainda antes do play-off, cuja final se iniciou este fim de semana. Ao que julgamos saber os nossos atletas não podem, actualmente, dar entrevistas a blogs por determinação do próprio clube.

Na minha perspectiva, esta forma de actuação é lamentável, uma vez que o nosso único interesse é o de divulgar as modalidades, os nosso heróis, os nossos feitos, coisa que nem sempre o site oficial do Clube faz com a frequência e o destaque com que estes homens mereciam.

Filipe Santos foi Campeão do Mundo de Selecções em 1993 e 2003 e da Europa em 1996 e 98. Pelo Porto foi campeão Nacional por 8 vezes e venceu ainda as Taças Cers de 1994 e 96 além de várias Taças e supertaças. Um verdadeiro coleccionador de trofeus. Foi ainda Dragão de Ouro em 1992 como atleta jovem do ano.

Da conversa com o grande Filipe Santos vou tornar público, por minha iniciativa, vários temas que penso terem grande interesse para nós, adeptos do FC Porto. Começo por destacar que, na opinião do Filipe, o campeonato que mais dificuldades tivemos (dos 6 seguidos que ganhamos até agora) foi o 1º em que na fase final tínhamos 6 pontos a menos e depois ganhamos 9 dos 10 jogos da última fase sem esquecer o 3º (tri) em que depois de andarmos toda a época no 2º lugar conseguimos o 1º posto mesmo na última jornada. Considera o Benfica o principal opositor mas salienta as boas temporadas do J.Viana e da Oliveirense. Sente-se nas «suas palavras» um grande orgulho por ter sucedido ao «grande ícone da modalidade» Tó Neves, como capitão do FC Porto.

Sente mais segurança nos pavilhões desde o episódio lamentável que sucedeu à saída do pavilhão da Luz em 1997 e quando lhe perguntamos qual o melhor jogador da história do clube não hesitou e referiu Vítor Hugo (a minha opinião é idêntica). Quanto ao cinco ideal refere Franklim, Reinaldo Ventura, Filipe Santos, Tó Neves e Vítor Hugo. Que equipa, digo eu...

Filipe considera Livramento (falecido em 1999) um predestinado da modalidade e diz que aprendeu muito com ele na Selecção e no ano 98/99 em que o Porto voltou aos títulos após 8 anos de jejum. Está entusiasmado com «o regresso a casa» quando o Dragão Caixa estiver finalizado e considera que o hóquei em patins já esteve próximo de integrar os jogos Olímpicos (1992) mas a falta de um patrocinador terá obstado a que tal sucedesse. Acredita que a nossa Selecção voltará a ter êxito em breve.

O nosso capitão considera que o hóquei do FC Porto não está menos forte que nas últimas épocas e que nas camadas jovens se está a preparar bem o futuro do nosso Clube. No futuro a médio prazo pondera uma carreira como treinador ou até director desportivo. Na minha opinião o Filipe Santos é uma pessoa que o FC Porto não devia nunca abrir mão. Filipe diz mesmo que sente muito orgulho em defender a nossa camisola e sentir que o consideram «uma bandeira do clube». De vez em quando vai ao Estádio do Dragão ver os colegas do futebol e diz que já conhecia o nosso blog agradecendo o protagonismo que nós lhes concedemos semanalmente.

E pronto, «a conversa» com Filipe Santos ficou aqui resumida. Espero que tenham gostado destas revelações que tornei públicas por não as achar nada inconvenientes. E como prenda para os leitores deste blog, o nosso Capitão fez questão de apontar o golo mais belo da goleada Portista ao Benfica. Um momento sublime que levou ao rubro o pavilhão.

E acrescento ainda que gosto muito, mesmo muito, das modalidades do nosso Clube e lamento que este momento de indecisão quanto à participação na Champions tenha desunido vários Portistas de vários blogues. Era muito melhor que gastassem o seu tempo a comentar os feitos das nossas modalidades. E deixem que o pó assente... E depois falem.

Hóquei: FC Porto esmaga SL Benfica e o hepta está mais perto
1º jogo da Final do play-off (à melhor de 5 jogos, ou seja, 3 vitórias); FC Porto-1-SL Benfica-0.

crónica do FC Porto/Benfica (6-0):

Quando Reinaldo Ventura marcou o 1º golo confesso que previ desde logo uma grande tarde de hóquei em patins. Logo de seguida mais um remate soberbo de Ventura emendado à boca do golo por Emanuel Garcia dava-nos a tranquilidade necessária. Fânzeres estava à pinha (Vítor Baía também compareceu) com um ambiente terrível para os pobres jogadores de encarnado. O apoio aos hexacampeões foi fantástico e contínuo com o pessoal do nosso blog, uma vez mais em grande número. Considero-me um privilegiado por ter estado presente em mais um capítulo de demonstração da nossa clara superioridade neste modalidade, como em outras... Lamenta-se apenas a provocação de alguns dos suplentes do Benfica tentando incendiar o ambiente... Quanto ao jogo é justo também realçar que o Edo Bosch segurou algumas bolas perigosas e por isso este Benfica no próximo sábado a jogar em casa (17h-RTP2) será sempre um adversário a ter em conta, até porque desta feita (ontem foi Mariano) quem não joga é Ventura. Na 2ª parte Ventura de penalty e Filipe Santos com um fabuloso golo aumentaram a diferença para 4-0 para júbilo da plateia azul e branca. No minuto final dois golos de Jorge Silva esmagaram um Benfica que já estava de joelhos a implorar que aquilo terminasse. Foram seis golos para perceberem de vez quem é o hexacampeão! E o hepta está ali, a dois curtos passos. Será que vão bloquear de novo o acesso de Portistas a Lisboa?

Treinador da Semana: Franklim Pais
Jogador da Semana: Reinaldo Ventura

Para técnico da semana, escolho Franklim Pais, por ter colocado o Porto em vantagem no início da final do campeonato de hóquei em patins depois de uma goleada ao Benfica por 6-0, e para jogador da semana, a escolha recai em Reinaldo Ventura, pelos seus 2 golos tendo ainda participado a meias com Emanuel Garcia em mais um dos golos de um score que humilhou os Benfiquistas. Levou um azul que o impede de participar no jogo em Lisboa...

Notas Finais:

No futebol jovem estive no Olival no sábado a ver o empate (2-2) entre Porto e Sporting com os golos azuis a serem marcados por Stephane e Cintra. Lidera o Sporting com 3 pontos de avanço sobre o Porto. Nos Juvenis o Porto está bem posicionado para almejar o título tendo ganho domingo ao Sporting, em casa, por 1-0 com um golo de Pipo. Nos juvenis o Porto lidera com os mesmos pontos do Benfica e no próximo domingo há um decisivo Benfica/Porto. Nos iniciados Benfica e Sporting lideram com 4 pontos de avanço sobre o Porto que perdeu domingo em Alvalade por 1-0. Nos distritais o FC Porto fez o pleno ganhando em escolas, infantis e iniciados.

No basquetebol foi anunciada a dispensa do Professor Babo do comando técnico do FC Porto. Ao Professor Babo, técnico e pessoa que muito admiro os meus desejos de inteiro sucesso na próxima etapa da sua carreira. Se esta foi ou não uma boa decisão, só o futuro o dirá. Penso que o trabalho de Alberto Babo no clube só deve merecer elogios. No basquetebol jovem terminou a época com a fase final de Iniciados ganha pela Sanjoanense (Porto foi 4º).

No bilhar o Porto esteve perto de ser Campeão da Europa mas só conseguiu repetir a sua melhor classificação de sempre (vice-campeão da Europa). No sector feminino acabou a época e o Porto pelo 4º ano consecutivo ganhou todas as competições nacionais.

E pronto, até para a semana.

Saudações azuis e brancas,
Lucho.

Um «fardo» que se foi... um outro, também quer!

Hélder Postiga «leão» por três épocas:
"Oportunidade única para relançar carreira"


Ricardo Quaresma reitera intenção de sair:
"Está na hora de sair. Já manifestei esse desejo (publicamente) várias vezes"

# noticias originalmente publicadas no Sapo Infordesporto de 02Jun2008

02 junho, 2008

Há que investigar...

FC Porto, 6 - SL Benfica, 0

Hóquei em Patins
Nacional da I Divisão, final do play-off, jogo 1
Pavilhão Municipal de Fânzeres, Gondomar

árbitros: Rego Lamela e José Monteiro

FC Porto: Edo Bosch; Pedro Moreira, Filipe Santos «cap.», Emanuel Garcia e Reinaldo Ventura
Jogaram ainda: Ricardo Figueira, Caio, André Azevedo e Jorge Silva
Treinador: Franklim Pais

SL Benfica: Carlos Silva; Ricardo Barreiros, Valter Neves «cap.», Carlitos e Tó Silva
Jogaram ainda: Vítor Hugo e Diogo Rafael
Treinador: Carlos Dantas

Marcadores: Reinaldo Ventura (3m), Emanuel Garcia (11m), Reinaldo Ventura (30m g.p.), Filipe Santos (39m), Jorge Silva (50m) e Jorge Silva (50m).

Disciplina: Cartão amarelo a Carlitos, Valter Neves, Vítor Hugo, Ricardo Barreiros e Jorge Silva. Cartão azul a Carlitos e Reinaldo Ventura.

Sem necessidade de justificar domínio ou explicar hegemonia, os Hexacampeões Nacionais demonstraram no recinto do Pavilhão Municipal de Fânzeres as razões da incontestada liderança azul e branca na modalidade. O resultado final espelha bem a superioridade portista revelada ao longo de toda a partida, num arranque perfeito para a discussão final do Nacional da I Divisão.

Dispensando ensaios desnecessários, os Dragões precisaram de apenas três minutos para colocarem em prática uma superioridade que, desde o arranque da época, e à semelhança do que vem acontencendo nas últimas seis temporadas, surge de forma inequívoca. Reinaldo Ventura foi, então, o jogador em destaque na formação de Franklim Pais, inaugurando o marcador com um disparo do meio da rua, num gesto que já se implementou como imagem de marca do atleta.

Estava lançada a liderança azul e branca, que ganhou contornos ainda mais expressivos com o decorrer do encontro inaugural da derradeira fase da prova. Dez minutos após o primeiro remate certeiro, Ventura voltou a assumir o protagonismo, desta feita dividindo-o com Emanuel Garcia, assinando ambos o segundo tento portista, de forma partilhada, mas igualmente bem sucedida.

O avanço do F.C. Porto nunca foi colocado em causa durante a primeira metade da partida, ainda que o resultado não tenha sofrido alterações até ao descanso. Ainda assim, e para esclarecer qualquer dúvida restante, Reinaldo Ventura (quem mais?), voltou a pegar nas rédeas da partida, construindo, de grande penalidade, o 3-0. Pouco depois, foi a vez de Filipe Santos entrar na história da partida, apontando o quarto golo azul e branco, num avolumar do resultado que ameaçava tornar-se imparável.

Foi já a caminho do apito final que os Dragões deram ainda maior expressão à hegemonia praticada em rinque, num duplo golpe infligido por Jorge Silva, já nos minutos finais da partida, que estabeleceu o resultado final em 6-0, selando o primeiro triunfo portista na derradeira ronda do campeonato, que se decide à melhor de cinco partidas.

O duelo tem nova edição dentro de seis dias, com o segundo encontro marcado para sábado, a partir das 17 horas no Pavilhão da Luz. Os indícios hoje expressos não deixam, contudo, grande margem para incertezas quanto ao mérito de quem há tanto tempo lidera a competição.

Resultados da final do play-off:
FC Porto, 1 - SL Benfica, 0

01Jun
- FC Porto-Benfica, 6-0
07Jun - Benfica-FC Porto, ...
14Jun - FC Porto-Benfica, ...
21Jun - Benfica-FC Porto, ... *
24Jun - FC Porto-Benfica, ... *
* - Se necessário


# texto originalmente publicado no fcporto.pt em 01Jun08

Teorias e Leis

Muito se discutiu acerca da reacção do FC Porto à decisão da Comissão Disciplinar da Liga que puniu o clube com a perca de 6 pontos. Na devida altura deixei bem clara a minha opinião. Não obstante, também gostaria de repudiar e rejeitar a ideia de que o não recurso do FC Porto significaria a aceitação da acusação. De referir que esta ideia foi difundida até à exaustão pelos mesmos de sempre com o intuito de condenar, mesmo antes do processo que decorre nos tribunais civis ter qualquer resultado, o grande causador de todos os males do futebol português: esse “monstro” do FC Porto.

Segundo esta teria, os processos judiciais teriam sempre uma resolução muito simples: o facto de uma pessoa recorrer de determinada decisão judicial desfavorável significaria que estivesse inocente, bem como o facto de uma pessoa não recorrer de determinada decisão judicial significaria uma assunção de culpa. Seria então muito simples…

Outra das coisas que me tem percorrido a mente durante estas semanas: a decisão da CD da Liga sobrepôs-se a um processo que decorre nos tribunais civis, o “Apito Dourado”, há mais de 4 anos. Isto é, anos e anos de investigação e o melhor que os iluminados da Liga conseguem provar é que o FC Porto tentou corromper árbitros mas não conseguiu… Irra, até nisso o Benfica é o maior clube de Portugal, isto porque num célebre ano de 1959, o episódio “Calabotesco” de que todos já conhecemos bem os seus contornos, não foi uma tentativa de corrupção mas sim uma autêntica vergonha que deveria ser difundida por esse país fora de modo a se perceber como as “coisas funcionavam no antigamente”…

Na sequência de tudo isso, é levantada a possibilidade da UEFA rejeitar a participação do FC Porto na próxima edição da Liga dos Campeões em virtude do desfecho do “Apito Final”. Claro que segundo as palavras do Sr. Gilberto, o presidente da Federação, este organismo limitou-se a enviar as informações que o organismo europeu pediu, não havendo pressões de outros clubes sequiosos de, perante o miserabilismo que demonstram dentro das quatro linhas, quererem participar à força numa competição que, definitivamente, é para os melhores da Europa, não para equipas a “brincar”!

Acerca disto, só mais uma coisa a dizer: não aceito, não admito, não tolero, nem quero acreditar que os responsáveis jurídicos da SAD do FC Porto não tenham previsto essa situação que agora se coloca em torno da participação do clube na Liga milionária. É certo que todos percebemos que a razão pela qual não se recorreu foram os 6 pontos que se poderiam perder na próxima época e que perdendo-se esta época não trariam grandes consequências, no entanto parece-me óbvio que perder dezenas de milhões de euros é muito mais prejudicial. Quanto a isso estamos conversados.

Finalmente, o episódio “Assunção”. Quanto a isso, apenas algumas coisas a dizer. Segundo li, o Sr. Paulo recorreu a uma lei da FIFA que permite a um jogador com mais de 28 anos, ligado há pelo menos três anos a determinado clube, sair desse mesmo clube mandando-o às urtigas. No caso do Sr. Assunção, ele apenas terá de pagar o equivalente a um ano de salários, o que, segundo ouvi, significará a módica quantia de 600 mil euros. Em suma, esta lei chama-se lei “Webster”, mas poderia muito bem chamar-se a lei das “Aldrabices”. É fantástico…Quando se trata de leis para proteger o espectáculo, diminuir os erros dos árbitros ou a modernização das leis do próprio jogo, os Excelentíssimos senhores da FIFA rejeitam invariavelmente… Quando se trata de leis que apenas fomentam a aldrabice e a falta de respeito aos clubes, que ao fim ao cabo são a essência do futebol, então esses digníssimos senhores aceitam sem pestanejar… Em suma, é uma lei ridícula e sem qualquer sentido…

Se as cores ou a nacionalidade fossem outras...

Federação Portuguesa trama FC Porto na UEFA
Documento enviado pela federação, no passado dia 15 de Maio, é considerado "tendencioso" pela SAD portista

A forma como a Federação Portuguesa de Futebol apresentou à UEFA as decisões do acordão da Comissão Disciplinar da Liga, que condenou o FC Porto e Pinto da Costa no âmbito do processo Apito Final, poderá servir para ajudar o organismo que tutela o futebol europeu a impedir o clube do Dragão de participar na Liga dos Campeões.

O JN teve acesso ao documento enviado no dia 15 de Maio aos serviços jurídicos da UEFA, assinado por João Leal, director do departamento jurídico da FPF, que o FC Porto classifica de tendencioso.

No documento, pode ler-se que a SAD portista foi considerada culpada de cometer "a infracção disciplinar muito grave de corrupção da equipa de arbitragem", surgindo só a seguir no texto que tal se verificou na "forma tentada", e o mesmo se escreve em relação ao presidente da SAD azul e branca.

O documento termina com a informação à UEFA de que o FC Porto não apresentou recurso da decisão e que apenas Pinto da Costa o fez, mas omite que, em caso de sucesso no recurso do presidente da SAD, o Conselho de Justiça da FPF reverterá a decisão da Liga.

O facto de a federação não ter contactado o FC Porto antes de informar a UEFA, optando por não defender um associado, como é normal acontecer neste tipo de situações, está a revoltar os responsáveis portistas, que vão pedir responsabilidades à FPF e colocam mesmo a hipótese de exigir uma indemnização à instituição presidida por Gilberto Madail, caso o Conselho de Justiça venha a dar razão a Pinto da Costa.

No período que antecedeu a comunicação à UEFA, os advogados do FC Porto entraram em contacto com João Leal, que também tem um cargo no Comité do Estatuto de Transferências de Jogadores da UEFA, para saberem como estaria a ser tratado o processo, tendo-lhes sido dito que não existiam razões para preocupação.

Perante o documento, o FC Porto entende que a informação transmitida ao organismo europeu é tendenciosa e que isso pode reflectir-se, em prejuízo do clube, na decisão da próxima quarta-feira,dia em que a UEFA se irá pronunciar sobre a possibilidade de os dragões participarem na "Champions".

Recorde-se que, no caso de suspensão pelo Comité de Controlo e Disciplina, os portistas podem recorrer para o Comité de Apelo (um recurso que terá efeitos suspensivos da decisão inicial), tendo ainda a possibilidade de, se a decisão lhes for novamente desfavorável, recorrer novamente para o Tribunal Arbitral do Desporto, cuja sentença será definitiva. Informamos que a Comissão Disciplinar da Liga decidiu o seguinte: 1. Ficou provado que a "Futebol Clube do Porto - Futebol SAD", sociedade desportiva, cometeu a infracção disciplinar muito grave de "corrupção da equipa de arbitragem", punida pelo artigo 52, parágrafos 2 e 3 do Regulamento Disciplinar de 2003/04, com referência ao parágrafo 1, na forma tentada, com a pena de subtracção de três pontos na classificação geral, derrota no jogo que tentou corromper, substituída por uma multa de cinco mil euros, de acordo com o artigo 37, parágrafo 3 do Regulamento Disciplinar de 2003/04, e por uma multa de 60 mil euros. 2.

Ficou provado que Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, presidente do conselho de administração da "Futebol Clube do Porto - Futebol SAD", cometeu a infracção disciplinar muito grave de "corrupção da equipa de arbitragem", punida pelo artigo 100, parágrafos 1 e 3 do Regulamento Disciplinar de 2003/04, na forma tentada, com a pena de 14 meses de suspensão de exercício de funções oficiais em actividades desportivas e uma multa de quatro mil euros. (...) (...) Também informamos que o FC Porto não apresentou recurso das decisões da Comissão Disciplinar da Liga, pelo que as decisões tomadas contra o FC Porto são finais e vinculativas, pois a data limite para a apresentação de recursos já expirou. Apenas Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, apresentou recurso da decisão da Comissão Disciplinar da Liga.

# noticias originalmente publicadas no Jornal de Noticias em 02Jun2008

01 junho, 2008

Obrigado Lisandro Lopez!

Para mim, a época futebolística que acaba de findar ficou marcada pela descoberta de um grande avançado centro: Lisandro Lopez.

Esta descoberta só foi possível graças ao blog BiBó PoRtO, carago!!. Sem este, eu nunca teria tomado conhecimento da existência do Dragãonettv. Já escrevi sobre a quase ausência de transmissões televisivas dos jogos do FC Porto na Rádio Televisão Portuguesa Internacional. Não vou voltar a falar sobre este assunto.

Em contrapartida, quero deixar, aqui, bem expresso os meus sinceros agradecimentos ao Dragãonettv e, logo, a este Blog por me terem autorizado a ver os jogos do FC Porto no Campeonato Português (espero que para o ano haja mais). E, também, evidentemente, a todas e todos colaboradores deste espaço que me permitem, no dia a dia, acompanhar o FC Porto, quer no futebol, quer nas outras modalidades.

Lisandro Lopez é o exemplo do caso de escola do que deve ser um avançado centro. Ele integra todos os critérios que são pedidos a um avançado centro. E , sem dúvida, o mais importante: a velocidade.

Lisandro Lopez possui velocidade de análise e de apreciação nas várias fases de jogo, tendo uma boa leitura de jogo. É extremamente rápido na execução dos gestos técnicos mais importantes: amortecer, dominar, rotação, passe, ... estas características , aliadas à sua pujança física ou atlética, permitem-lhe ir e entrar em contacto directo com a defesa adversária. Foi assim que o vi ganhar muitos duelos, quer na relva, quer no ar.

Tal como para os grandes avançados centro, a sua altura não é um obstáculo quanto à finalização das jogadas. Também sabe marcar golos de cabeça. A excelência de Lisandro Lopez vem da sua inteligência em saber aliar a velocidade com uma boa leitura do jogo, a técnica e a força.

Como vivemos no mundo da escrita, que mais dizer de um jogador que contribuiu para imortalizar ainda mais o nome FC Porto?

E Viva o Porto!

O que se vai lendo na imprensa... credível!

Catedrático de Coimbra arrasa suspensão de Pinto da Costa
Corre a todo o vapor a defesa do FC Porto no recurso apresentado ao Conselho de Justiça da Federação

Em causa está o caso em que Pinto da Costa foi condenado a dois anos de suspensão pela Comissão Disciplinar da Liga (CD), no âmbito do processo Apito Final.

O JN teve acesso a um dos quatro pareceres pedidos pelos portistas a alguns dos mais conceituados especialistas jurídicos portugueses, assinado por Manuel da Costa Andrade, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, concluindo-se que a estratégia dos dragões para conseguir a absolvição do presidente da SAD assenta em três aspectos fundamentais: a impossibilidade de utilização de escutas telefónicas num processo disciplinar desportivo; a falta de credibilidade das declarações de Carolina Salgado, num contexto de comprometimento com a perseguição ao arguido;a fragilidade do acordão da CD da Liga que serviu para condenar Pinto da Costa.

Ricardo Costa, presidente da CD e professor assistente na mesma Faculdade em que Manuel da Costa Andrade é catedrático, é especialmente visado no parecer, acusado de ter condenado o presidente do FC Porto "sem provas susceptíveis de sustentar, no respeito pelos princípios constitucionais do princípio 'in dubio pro reu', a imputação ao arguido de qualquer facto ilícito, disciplinar ou outro".

As críticas a Ricardo Costa são particularmente duras, entendendo-se no parecer que o acordão da Liga valorou o princípio da presunção de culpa, e não o da presunção de inocência. "Na certeza de que julgar é um exigente exercício de renúncia e despojamento e não a gratificante e narcisista exibição de troféus de caça, sob os holofotes a aureolar um inebriante e 'inesquecível' momento de glória", escreve Manuel da Costa Andrade, referindo-se à conferencia de imprensa em que o presidente da CD da Liga anunciou a condenação de Pinto da Costa. "Já causa mais angústia e quase arrepio a serenidade autocomplacente com que se argumenta que os arguidos não podem negar a existência das conversas interceptadas. Para evitar lastros desproporcionados de hipérbole, limitar-nos-emos ao mínimo".

"E a lembrar que aí está uma afirmação que os Torquemadas da Inquisição não desdenhariam. Também eles fizeram história (triste) sobre a tranquilidade e a serenidade de que os acusados, afinal, não podem negar a existência das conversas", acrescenta o catedrático, num ataque cerrado a Ricardo Costa.

Este parecer, já enviado ao Conselho de Justiça da FPF, juntamente com outro assinado por Damião Cunha, professor de Direito do Processo Penal da Faculdade de Direito do Porto, a que se juntarão mais dois a enviar nos próximos dias, pretende desmontar o acordão, argumentando que, sem a possibilidade de utilização de escutas, restavam à CD as declarações de Carolina Salgado para chegar a uma condenação de Pinto da Costa.

Relativamente à impossibilidade de utilização das escutas telefónicas, Manuel da Costa Andrade escreve que o processo disciplinar da Liga "consegue pela porta de trás o que a Constituição lhe veda pela porta da frente, subvertendo o direito processual penal, degradando-o de um ordenamento preordenado à protecção de direitos fundamentais, num entreposto de contrabando de escutas para o processo disciplinar, e fugindo à vigilância da Constituição da República".

Sobre Carolina Salgado, lê-se no parecer que "não tendo esse depoimento sido controlado pela defesa nem corroborado por outras provas, a sua credibilidade é nula. A sua valoração seria ilegal e inconstitucional. Retiradas as escutas, todo o edifício probatório da CD fica suspenso e preso pelo fio das declarações de Carolina Salgado. Um fio, por sua vez, muito ténue, mesmo irrelevante, sobretudo se desguarnecido da indispensável corroboração que só as escutas poderiam assegurar", diz o catedrático.

UEFA usa versão favorável ao FC Porto
Redacção em inglês admite retroactividade, ao contrário do que acontece em francês a que recorre o organismo europeu

O Comité de Disciplina da UEFA irá avaliar a participação do FC Porto na Liga dos Campeões à luz da versão francesa dos regulamentos e não de acordo com a versão inglesa.

Um pequeno pormenor, mas que pode fazer a diferença - e a favor dos portistas - no que diz respeito à interpretação do artigo 1.04, alínea d) dos critérios de admissão à Liga dos Campeões.

Tudo porque a UEFA está sedeada em território suíço (Nyon), onde se fala a língua francesa.

É que a redacção em francês parece não prever a qualquer retroactividade dos estatutos (o clube "não deve estar envolvido", ou seja, "Il ne doit être impliqué" - "nem directa nem indirectamente numa actividade que influencie de maneira ilícita o resultado de um jogo ao nível nacional ou internacional"), ao contrário da versão em inglês, cuja leitura pode admitir uma interpretação retroactiva ("não pode estar, ou ter estado, envolvido", isto é, "it must not be or have been involved").

Um dos argumentos que o FC Porto vai utilizar para fazer valer o direito a participar na Liga dos Campeões é o facto de a lei não poder ter uma aplicação retroactiva.

Isto é, os factos que condenam o FC Porto reportam-se à época de 2003/04 e a referida alínea do regulamento entrou em vigor em Janeiro de 2007. Segundo alguns especialistas em direito desportivo contactados pelo JN, a tese da não retroactividade da lei pode ter um peso significativo na decisão e será um dos argumentos a esgrimir pelos portistas junto do Comité de Apelo da UEFA ou do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), caso sejam impedidos de participar na Champions na próxima época.

Por outro lado, o acórdão da Comissão Disciplinar da Liga condenou os portistas por "tentativa de corrupção" e não por "corrupção" - que é diferente -, como adianta João Nogueira da Rocha, jurista português membro do TAS, sediado na Suíça.

Esse factor também pode ser importante se o caso chegar ao Comité de Apelo da UEFA ou ao TAS, embora outros especialistas não tenham essa opinião.

# noticias originalmente publicadas no Jornal de Noticias em 01Jun2008