17 agosto, 2012

A democracia foi de férias

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Completa-se neste domingo, dia 19, um mês desde que foi confirmada uma das mais tristes notícias da história do nosso clube, precisamente no dia em que comemorava mais um aniversário. Foi a pior prenda que alguma vez me podiam ter dado, ou melhor, que me obrigaram a aceitar, sem que me tenha sido permitido questioná-la, discuti-la ou até contestá-la, como era feito no tempo da outra senhora.

Recusei-me a acreditar quando, uns dias antes, o sítio oficial do jornal do regime dava conta de que a equipa sénior de basquetebol iria ser suspensa. Era uma brincadeira de mau gosto, um tremendo equívoco que as movimentações recentes – como as reuniões de Moncho López com a SAD para planificar a próxima época ou as renovações dos contratos de Nuno Marçal, André Bessa ou Diogo Correia – só poderiam desmentir e, assim, afundar ainda mais os miseráveis da Travessa da Queimada na lama do descrédito em que se movem quando fala de nós.

Nesse dia, (des)esperei por um desmentido oficial, mas o que ouvimos foi um ensurdecedor e indesculpável silêncio que se prolongou por mais uns dias até uma “fonte oficial do clube” se dignar a admitir à Agência Lusa que afinal aquele boato, pelos vistos, não era um boato e havia ali um enorme fundo de verdade. Ou seja, através do canal oficioso do clube de Carnide, onde escrevem o Serpa, o Delgado, o fedorento e a rameira que tem sobrenome de fruto de seco, soubemos que a equipa sénior de basquetebol tinha chegado ao fim. Um erro lamentável e imperdoável, que exigia a imediata abertura de um inquérito interno de forma a apurar a identidade do bufo e corrê-lo, aos pontapés, do nosso clube.

Mas mais grave, muito mais grave do que isso, foi a forma como a decisão foi tomada por decreto, nos gabinetes, sem que os sócios – o clube, no fundo – tenham sido chamados a pronunciar-se. Se o foram em matérias como a constituição da SAD, as contas do clube ou o aumento do preço das quotas, por que não foram auscultados sobre tão importante medida para o futuro do clube? Medo do debate, medo do contraditório? Pelos vistos, a democracia meteu férias e não voltou.

Sete dias depois, sublinho, sete dias depois, a notícia do pasquim é, finalmente, confirmada e justificada com “a actual conjuntura federativa”, “a forma como o basquetebol tem vindo a ser gerido em Portugal” e “a actual situação económica”. Pouco, muito pouco, para que se possa explicar aos sócios o fim da equipa profissional de uma modalidade que deu mais de 200 títulos ao clube em todos os escalões.

Custava muito convocar uma assembleia-geral extraordinária e dizer “caros associados, o basquetebol continua a dar prejuízo, não se auto-sustenta e as necessárias reduções no orçamento implicam um corte na despesa que não nos permite formar uma equipa minimamente competitiva”? Perante isso, provavelmente teriam o meu voto a favor, porque o que eu quero são vitórias e não andar a lutar com a Ovarense ou com o CAB Madeira pelo segundo lugar.

Soube mais tarde que a intenção primeira era extinguir o hóquei em patins, tendo, porém, esbarrado na resistência de um homem a quem todos devemos as alegrias de um passado recente. Viraram-se para outro lado e encontraram o elo mais fraco, alguém que ali colocaram para receber ordens e não para mandar. E assim mataram o nosso basquetebol e um pedaço de ouro da história do nosso clube. Triste.

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