05 setembro, 2008

Sistemas

O recente clássico Benfica-FC Porto e as discussões que ele gerou fez-me pensar numa problemática que talvez seja interessante analisar. Quando soube da equipa inicial que Jesualdo Ferreira iria apresentar e da mudança de sistema táctico do habitual 4-3-3 para o 4-1-4-1, devo reconhecer que torci um bocado o nariz e não fiquei lá muito agradado. O certo é que, no meu entender, a forma como o jogo decorreu, veio dar razão ao Professor, uma vez que possibilitou à nossa equipa o controlo do jogo durante a maioria do tempo, domínio em vários períodos, supremacia no meio-campo, liberdade maior entre linhas face ao 4-4-2 clássico de Quique Flores e uma superior quantidade de oportunidades de golo.

Bem sei que esta ideia não é consensual. Muitos criticaram a alteração da estrutura habitual, denunciando o alegado medo e falta de arrojo do nosso técnico sempre que enfrenta jogos grandes. O que eu acho é que, no futebol como em tudo na vida, é sempre bastante fácil falar depois de as coisas acontecerem, somos todos - e muito bem - treinadores de bancada, mas a 'batata quente' está nas mãos de quem tem que tomar decisões. Nesta matéria dos sistemas, julgo que o treinador é preso por ter cão e preso por não ter. Mude ou não o sistema, quando a coisa corre de feição, são tudo elogios; caso contrário, chovem críticas de todos os lados.

Imaginemos que Jesualdo muda o esquema da equipa e a coisa corre mal. O que se diz é que revelou receio, é medroso e demasiado conservador. Que uma equipa como o FC Porto deve actuar sempre da mesma maneira e nunca alterar a sua matriz em função dos adversários. Casos destes bastante badalados foram, por exemplo, as derrotas diante de Arsenal e Chelsea, em Londres, na Champions de há dois anos. Por outro lado, assumamos que o Professor mantém o sistema num qualquer jogo, perante uma equipa que nos dá um 'banho' táctico. Nesse caso, acusámos o técnico de ser demasiado rígido e pouco criativo, de não denotar capacidade de improvisação e adaptação aos diferentes obstáculos, de estar agarrado sempre ao mesmo sistema, de não saber ler o jogo, de não estudar os oponentes, etc, etc. Uma ocasião em que isto sucedeu foi naquela derrota caseira contra o Sporting (golo de Tello), jogo em que jogámos com 3 médios contra 4 dos 'leões' e fomos, por isso, completamente dominados, especialmente nos primeiros 45 minutos, como certamente estarão recordados.

A minha opinião é inequívoca. Um treinador deve ter um modelo de jogo, que não é mais do que uma ideia daquilo que se pretende que a equipa produza colectivamente em campo, devendo manter-se, em qualquer circunstância, fiel ao mesmo. No entanto, acho que é uma atitude inteligente mudar a estrutura da equipa em função do sistema do adversário e das dificuldades que ele pode colocar, sem com isso alterar o modelo. Ou seja, se somos uma equipa que gosta de ser dominadora, de ter a bola, de atacar rápido sempre que possível, devemos tentar fazê-lo em todos os jogos, em qualquer estádio, diante de qualquer equipa; isto tem a ver com o modelo. Mas se se justificar, no sentido de sermos a equipa que o tal modelo preconiza, devemos ser flexíveis e mudar do 4-3-3 para o 4-4-2 ou para o 4-1-4-1 e vice-versa. Isto não é ter medo nem perder a identidade da equipa, é antes ser inteligente e ter capacidade de adaptação.

Defendo, portanto, que, não obstante a continuidade do 4-3-3 como sistema preferencial, é desejável que Jesualdo tenha devidamente sistematizada uma estrutura alternativa e que os jogadores sejam ensinados a praticá-la quando necessário. Sim, estou a pensar no FC Porto de José Mourinho, que ganhou a Taça UEFA e a Liga dos Campeões, com o mesmo modelo de jogo, apenas evoluiu do 4-3-3 para o 4-4-2 losango de uma temporada para a outra.

Do meu ponto de vista, a saída de Quaresma - amarrava a equipa ao 4-4-3 - e as características dos nossos jogadores actuais, potenciam a possibilidade de a alternativa ser o 4-4-2 losango, como, aliás, já li muitos de vós defenderem. A alternância entre o 4-3-3 (sistema preferencial) e o 4-4-2 losango (sistema alternativo), desde que ambos bem sistematizados e com todos os princípios apreendidos pelos intérpretes, só nos pode trazer vantagens, pois seremos, desse modo, uma equipa mais inteligente, mais flexível, menos rígida, logo, mais imprevisível para os nossos rivais.

Algumas combinações possíveis, do meio-campo para a frente:

Em 4-3-3:
- Pelé, Raúl Meireles, Lucho; Mariano, Lisandro, Rodríguez.
- Fernando, Guarín, Lucho; Tarik, Lisandro, Rodríguez.
- Raúl Meireles, Tomás Costa, Lucho; Tarik, Lisandro, Hulk.
- ...

Em 4-4-2 losango:
- Pelé, Raúl Meireles, Rodríguez, Lucho; Lisandro, Hulk.
- Fernando, Raúl Meireles, Guarín, Lucho; Lisandro, Rodríguez.
- Raúl Meireles, Tomás Costa, Guarín, Lucho; Lisandro, Hulk.
- ...

Nesta simples exposição, está implícito que outra das coisas que defendo é uma gestão equilibrada dos recursos existentes, que leve a uma rotatividade controlada dos jogadores (1 ou 2 de jogo para jogo, nunca 4 ou 5), no sentido de se promover maior frescura do plantel para dar resposta à epoca longa e desgastante, bem como de gerar mais competição interna por um lugar e um melhor ambiente no seio do grupo. Jesualdo Ferreira é um homem qualificado e competente. Estou certo que nos vai levar às vitórias que desejámos nesta temporada.

18 comentários:

  1. Completamente de acordo.
    Um abraço

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  2. Tambem concordo contigo..

    Ha um ditado que diz que " so os burros não mudam de opinião"..
    Temos jogadores capazes de actuar em varios sistemas tacticos, e que talvez rendem mais num sistema diferente do 4-3-3..
    Mas é claro, nao se pode é mudar os sistema em todos os jogos, porque ai ficamos todos baralhados..

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  3. Visitem

    http://maisfcporto.blogspot.com/

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  4. A nossa grande meta este ano deve ser a Europa, lógico que nem me passa pela cabeça descurar o campeonato. Mas é isso que se exige ao Jesualdo e equipa, e sinceramente acredito neles, num bom resultado, vamos ver.
    E uma mentalidade Europeia parece-me que anda pelo que o Bruno expressa neste post. Não tenho por onde discordar.

    Saudações Dragoninas.

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  5. Bruno grande post...
    Apenas acho k mais importante k mudar o sistema é mudar as dinâmicas de jogo, pk um 4x3x3 ou 4x4x2 podem ser mudados facilmente se os jogadores souberem assimilar essas dinâmicas rapidamente durante um jogo de modo a ter sempre o controlo do jogo, que foi akilo k se passou com os GAYotas no sábado.
    Se estivermos atentos ás equipas do Mourinho (o melhor treinador do mundo, na minha opinião) podemos ver k é isso k acontece e k tanto acaba por dificultar as equipas suas adversárias.

    Tri abraços

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  6. Com artigos desta qualidade, até eu, que de futebol só percebo quando o FCP ganha, passarei a perceber de táticas...
    Parabéns!

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  7. Fantástico Bruno!

    Isto sim é falar de futebol, show de bola:)

    Tb concordo q este ano temos soluções diversas para mudar de sistema sempre q necessário e sim, sábado jesualdo esteve bem... Que continue on fire...

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  8. MAIS PORTO:

    TIRAS-TE A IMAGEM DO TOPO DO MEU BLOGUE A DIZER CAMPEÕES F.C.PORTO!!!

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  9. Irriducibili05 setembro, 2008

    só tem que deixar de inventar o jesualdo.mas neste jogo acho que se portou bem tirando só a tirada do raul meireles,de resto ele tem na mao o melhor plantel desde que chegou ao porto...

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  10. Apesar de o título poder ser entendido de outra maneira :-) o post está excelente, de profissional.

    E como o Vitinha disse o ideal seria poder, durante o jogo, utilizar o esquema mais conveniente mesmo até sem mudar um único jogador.
    Isto não é 'inventar', é saber tirar partido da especificidade de cada adversário e do momento do jogo.

    E agora, sem a 'amarração' do Quaresma temos dia 17 como prova de fogo real.

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  11. Bruno, claro como a água. Estamos em perfeita sintonia. Julgo que, no caso do último clássico, Jesualdo mexeu, e bem, na equipa. Longe de a alteração significar medo ou receio pelo opositor, significou apenas que, naquela circunstância, o treinador portista entendeu que o sistema táctico k implementou seria o indicado.

    Os 90 minutos deram-lhe razão. Depois da Supertaça e da onda de críticas, a alteração no habitual 4-3-3 permitiu ao Porto o domínio quase integral da partida, beneficiando de uma maior quantidade de oportunidades de golo...

    Isso significa também, na minha opinião, que os azuis e brancos atingiram o seu grau de maturidade mais elevado. São capazes, de jogo para jogo, de alterar o esquema táctico, mantendo no entanto a unidade fulcral que lhes permite a manutenção da dinâmica de vitória...

    Acredito que o tri será entregue, com maior ou menor dificuldade, pelo nosso timoneiro, como prova cabal da sua competência como treinador.

    Abraço,

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  12. Viva !

    Excelente artigo que promove o futebol e o futebol bem precisa de promoção.

    Muito Obrigado, Bruno Pinto !

    Artigos como os teus são e serão necessários para que, finalmente, se fale de futebol.

    Sim, creio que a maior dificuldade dum treinador é adaptar um jogador a um esquema.

    E que a magia assenta em saber adaptar um onze a um novo esquema antes e durante o jogo. Analise-se de novo o génio de Artur Jorge em Viena !

    Jesualdo Ferreira, por exemplo, soube fazer de Lisandro um autêntico avançado centro.

    Só por isso, para mim, é um grande treinador. É que os avançados centros não se encontram nos quantos da esquina. É verdade que tem falhados golos. O que é normal . Uma progressão nunca é só ascendente. Tem altos e baixos.

    Saber adaptar-se, aos dois esquemas que apresentas, quanto a mim, é sinal de inteligência. E será preciso.

    E como já escrevi penso que Jesualdo Ferreira sabe jogar xadrez. Estou confiante.

    Uma só observação : Porque não integras Candeias ?

    É verdade que nas suposições que apresentas aparece sempre o Lucho. E tens razão. Mas vamos supor ? Se o Lucho não integra, por uma razão ou outra, será que os esquemas serão válidos ?

    É que no fundo, quer o 4 4 3, quer o 4 4 2, tem como peça fundamental o Lucho.

    Ora o Porto, caso sem Lucho, o que não espero, tem jogadores para um 5 3 2. O que pode ser interessante, na Liga Europeia.

    Isto na pior das hipoteses.

    Há uma coisa que atormenta. Porque chamar losango ao que é um quadrado ( veja-se rectangulo). Sem um verdadeiro dez ( como Zidane, Platini ou Deco ) que funciona como a ponta dum compasso, como fazer os arcos de esfera para a abertura de ângulos ?

    Será que Lucho é um verdadeiro 10 ?

    É extremamente difícil ser treinador da bancada.

    Vamos agora ver contra os Turcos. Não me parece uma boa coisa começar o primeiro jogo em casa. Vamos ver !

    Bravo ao projecto concluído da Constituição. Como para o ano vou ao Porto, terá a prioridade das prioridades das visitas . E quero ver como ficou a rua onde nasci !|

    E Viva o Porto !

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  13. Boas a todos,

    PortoMaravilha,

    Optei por integrar aqueles que podem, em qualquer altura, entrar na equipa, e fazer parte da tal rotatividade controlada. Sinceramente acho que temos, nesta temporada, jogadores para isso. Sobre a questão do Candeias que levantas, não me esqueci dele e, não o conhecendo muito bem (apenas o que vi nesta pré-época e no jogo com o Benfica), parece-me ser um extremo talentoso, rápido e que não tem medo de assumir o risco. Simplesmente julgo que estará, porventura, ainda demasiado 'verde' e será uma peça só para sair do banco, porque para assumir a titularidade penso ser ainda muito cedo. Ele está na sua primeira etapa na equipa A, numa fase ainda de aprendizagem, atrás de jogadores como Hélder Barbosa, por exemplo. Penso que, poderá entrar em alguns jogos, mas será difícil constituir-se já como opção para titular, talvez até para o ano possa rodar noutra equipa. Não sei, é a minha opinião, mas nunca se sabe, ele até pode explodir este ano e seria fantástico, era com gosto que o via contrariar-me... :-) Mas não acredito muito. Se reparares, também não coloquei o Rabiola ou o Farías, não porque tenha algo contra eles ou não os ache bons jogadores, mas porque acho que as opções principais são aquelas que referi.

    Sobre a questão do losango/quadrado, se for para jogar com 4 no meio-campo, na minha opinião, terá sempre de ser um losango. Um quadrado, como o Brasil jogou no Mundial'2006, com 2 atrás e 2 à frente, para mim não funciona. Deixa um espaço enorme entre as duas linhas, deixa outro espaço enorme no corredor central. Se reparares, um losango ocupa muito mais racionalmente o espaço: o 6 e o 10 ocupam o corredor central, os interiores ocupam o espaço entre linhas e, simultaneamente, estão mais perto das alas. Ocupar o espaço de forma racional é um dos aspectos fundamentais no futebol, daí que acho que o quadrado é desajustado.

    Sobre o Lucho, efectivamente, tens toda a razão, ele não é um '10' puro, mas com o losango e pelas suas características acho que se poderia adaptar perfeitamente. Ele é tão inteligente, jogar a '10' não seria grande problema para ele. Meireles, Rodríguez, Guarín e Tomás Costa, penso que serão mais adequados para interiores, na falta de um '10' puro, porque se jogares com o Lucho como interior, nenhum dos outros faz de '10'. O meu sonho era o Lucho a interior direito e o Deco a '10'... Sonhos...

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  14. Ah, ainda sobre o Lucho. Vou rezar para que ele nunca falte, porque ele é um jogador fundamental no FC Porto, é o mais importante de todos, na minha opinião. Fazer rotatividade com ele, só em jogos de grau de dificuldade, à partida, mais baixo. Nesse caso, o jogador que talvez o pudesse substituir notando-se o menos possível, talvez fosse o Guarín, porque será o melhor tecnicamente dos outros médios. Mas não seria a mesma coisa...

    Atenção que isto é só a minha opinião. Durante o defso, disse algures nessa blogosfera que não seria mal pensado contratar um médio criativo, porque objectivamente, não temos nenhuma alternativa que se aproxime de Lucho González.

    Neste caso, há que o fazer descansar, nas segundas partes, quando o resultado o permitir...

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  15. Acho graça aos treinadores de bancada cá do sítio porem-se a especular sobre tácticas (4x3x3,4x4x2)!
    1)Esqueceram-se de referir que o principal motivo que levou o Profe a introduzir alterações na equipa para o jogo contra os benfas,foi o facto de ter o Mariano lesionado e por conseguinte não poder contar com ele.
    2)Qualquer sistema táctico resulta,se entretanto estiver bem ensaiado.Se os automatismos funcionarem.Se a equipa jogar duns para os outros d'olhos fechados.E se existir grande entre-ajuda entre todos os sectores(elementos) da equipa.
    3)Alem disso,um sistema táctico deve sempre ser escolhido em função das características dos melhores jogadores do Plantel.E não forçar jogadores a desempenhar papeis para os quais eles não estão preparados.Depois há jogadores mais versáteis do que outros.Disciplina táctica é só para os menos dotados tècnicamente.Porque num momento de inspiração um jogador talentoso pode resolver o jogo numa jogada individual(slalon).É por isso que os treinadores dão uma certa liberdade a certos jogadores (chamados vagabundos).
    Recordo-me duma ocasião ter sugerido a um treinador do FC Porto(antes da era JMourinho)que colocasse determinado jogador a jogar pela faixa lateral,ao que ele me respondeu,não pode ser porque ele não sabe jogar nas faixas laterais.Isto só para frisar que cada jogador tem características próprias.Se bem que por vezes hajam adaptações que resultem.
    4)Há tambem outro aspecto que gostaria de salientar.Dado que existem adversários que são nitidamente,mais fracos e outros até mais fortes do que o FC Porto,é evidente que não é indiferente jogar sempre da mesma forma contra essas equipas quer sejam fortes ou mais fracas.Noto que por exemplo na Champions League ninguém faz isso.Todo mundo joga em 4x4x2 e por vezes em 4x5x1,sistemas que permitem povoar mais o meio-campo de modo a assegurar em primeiro lugar eficácia defensiva,para a seguir partir com segurança para o contra-ataque.Este sim,o contra-ataque,o sistema mais (venenoso)perigoso do futebol.Não é por acaso que é vulgar ouvir-se dizer que os jogos se ganham e perdem no meio-campo.
    Só equipas como o Real no tempo dos galácticos é que se podiam dar ao luxo de jogar em ataque contínuo.

    Abraço

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  16. Parabéns Bruno Pinto, pela forma como expuseste as tuas ideias. No último ano tem-se falado muito do 4-3-3 e 4-4-2 de forma um bocado leviana, sem a análise que o assunto merece.

    O Porto deve continuar a jogar em 4-3-3 nos jogos em que esperamos ter mais posse de bola. Nesses os resultados não justificam alterações. Nos outros, a melhor alternativa é o 4-1-4-1 que Jesualdo apresentou na luz. A época passada não utilizou este esquema porque entre os titulares tinha dois extremos puros, Quaresma e Tarik, não sendo jogadores que fechem os flancos como médios ala. Com Mariano e Rodriguez a titulares o treinador já tem essa possibilidade. Para mim este sistema tem as seguintes vantagens sobre o 4-4-2 losango:

    - É o sistema que menos alterações faz em relação ao 4-3-3 que está rotinado nos jogadores. Numa época em que perdemos 3 titulares temos de aproveitar ao máximo o entrosamento dos jogadores enquanto os novos não se integram completamente.

    - Defensivamente os médios ala ajudam os laterais, permitindo que os 3 médios centro não tenham de sair das suas posições para cobrir as subidas dos laterais adversários. No jogo da supertaça jogámos em 4-3-3, o 1º golo do sporting resultou da exploração de uma destas situações, com o Guarín a ter de ir tapar a subida do Abel, abrindo o espaço no centro para entrar o djaló. Ou o lance do golo do Schalke na época passada, em que o lateral direito dos germânicos subiu para fazer o 2x1 com o Fucile, que não teve ajuda.

    - Dois jogadores nas alas permitem que o Porto tire partido da sua arma mais forte, a transição ofensiva. Em 4-4-2 losango é mais difícil contra-atacar a partir de bolas recuperadas na defesa devido à concentração de jogadores no meio, o que reduz o espaço para circular rapidamente a bola. Facto que é acentuado pela ausência de alas velozes e bons tecnicamente.

    - Ofensivamente o 4-1-4-1, para além de ser mais fácil a distribuição da bola a partir dos defesas, permite jogar mais em largura, aproveitando as zonas onde existem menos defensores. Além disso permite circular rapidamente a bola entre os flancos, obrigando os adversários a desgastarem-se mais a corrigirem os posicionamentos defensivos.

    BTW, creio que a evolução do Porto de Mourinho do 4-3-3 para o 4-4-2 losango se deveu ao facto de não termos extremos no plantel, já que entre as duas épocas saiu o Capucho. No Chelsea regressou ao 4-3-3.

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  17. À colaboração entre o defesa lateral e o médio do seu lado chama-se "asa"(formação)

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  18. Grande artigo e serve, na realidade, para mostrar como dispor os jogadores em campo.
    Disse uma vez Mourinho (e eu concordo em absoluto) que, nos jogos do campeonato português contra equipas mais fracas, o melhor sistema para se jogar é o 4-3-3 pois as outras equipas ficam normalmente muito atrás e assim consegue-se um jogo mais flanqueado e os defesas têm de correr mais. Contra Benfica e Sporting e na Champions o melhor seria jogar em 4-4-2 com um meio campo mais povoado mas com jogadores que também sejam capazes de cair nas alas.
    O problema do Jesualdo é que, no ano passado, só jogava em 4-4-2 contra equipas muito fortes e a razão era apenas o de querer defender e praticamente não atacar. Contra o Shalke jogamos em 4-3-3 mas entrámos mal e nunca mais nos recompusemos apesar de sermos bastante superiores. Um treinador começa por organizar a equipa (em função do adversário mas sem abdicar dos princípios fundamentais que no Porto são ganhar) mas, durante o jogo tem de saber ler as situações e alterar esquema e jogadores em função do desenrolar do jogo. E nesse aspecto Jesualdo Ferreira é muito fraquinho. Gostava que se fizesse um levantamento destes dois anos de Jesualdo para saber em quantos jogos o Porto virou um resultado negativo e isso mostra que tem muita dificuldade em ler o jogo e fazer as alterações necessárias.
    Mais uma vez: para mim Jesualdo Ferreira é um treinador mediano que organiza bastante bem a equipa inicial mas que, em condições adversas, não é capaz de alterar a posicionamento táctico dos jogadores e, normalmente, as substituições são também mal feitas sendo que o jogo da Luz mostrou isso mesmo.

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