sábado, 5 de Janeiro de 2013

Uma rivalidade transformada em guerra...

Publicada por MM sábado, 5 de Janeiro de 2013

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

“O bom entendimento com o Benfica aqui retratado na conversa com Domingos Claudino, uma legenda do clube da Luz”
Revista Dragões, Março 1986

Imagens e frases como estas, vistas à luz dos tempos que correm, são quase anedóticas. Eis uma grande rivalidade desportiva, que actualmente praticamente monopoliza o desporto de alta competição colectivo em Portugal e que progrediu nas últimas décadas para uma autêntica guerra disputada diariamente nos jornais, rádios e internet, muito para além dos recintos desportivos. Aliás as batalhas desportivas, quase sempre vencidas pelo FC Porto, são quase remetidas para segundo plano, numa subversão daqueles que devem ser os princípios que norteiam a actividade de qualquer clube: a luta por vitórias.

Se olharmos apenas para a grande maioria dos opinion makers desportivos e respectivos sound bites repetidos até à exaustão, rapidamente chegaríamos à conclusão de que a ascensão do FC Porto foi forjada a partir da guerra, logo a responsabilidade do clima que se gerou seria sobretudo nossa. Mas será que é mesmo assim?

Após largos anos de domínio vermelho intercalado com uns fogachos verdes, surge em cena uma revolução democrática e a chegada da dupla Pinto da Costa / Pedroto aos comandos do FC Porto. O seu trabalho esteve alicerçado em dois vectores: a criação de um Clube unido e de uma estrutura forte, imune às eternas lutas internas que tanto fragilizaram os nossos propósitos de conquista, e aproveitar a liberdade de expressão para começar a disputar o palco mediático, trazendo para a praça pública as “verdades inconvenientes” que o regime silenciava. Após 1974 já não era possível, por exemplo, discretamente irradiar um Presidente e mais 6 membros da direcção por se insurgirem contra o adiamento de um FC Porto - Sporting, devido ao facto de Travassos ter ficado retido no Aeroporto de Madrid por causa do nevoeiro, como fizeram a Cesário Bonito e seus pares. E assim começou a inversão de ciclo.

Foi portanto aqui, com esta mudança de paradigma e com as “línguas afiadas” de Pedroto e Pinto da Costa que se inquinaram definitivamente as relações? Ao contrário do que muitos querem fazer querer, não foi bem assim. Aliás, a presidência de Pinto da Costa inicia-se com um amigo ao comando dos destinos do clube da Luz, Fernando Martins, sendo esta primeira fase marcada pelo domínio repartido em títulos e finais europeias. Em 1986 ainda era possível ouvir em plena tomada de posse dos órgãos sociais do FC Porto um Presidente da AG do Benfica dizer “trago-vos os cumprimentos de outro grande clube, que muito vos respeita e vos estima”, salientando que a cidade do Porto “já era Portugal quando nós lá em baixo ainda éramos moirama”, sendo interrompido inúmeras vezes pelos aplausos dos sócios do FC Porto!

Surge então aquele que será o factor decisivo para a mudança de mentalidades a sul. Taça dos Campeões 1987 após o bicampeonato 1984-86, a confirmação de um FC Porto europeu, a derradeira prova de que não estávamos na luta pelas “migalhas” do Sporting, o seu querido rival, mas sim para lhes disputar a hegemonia!

A partir desse ano tudo se altera, o desespero apodera-se das hostes vermelhas e Fernando Martins é vencido nas urnas por um tal de João Santos a reboque do “mecenas” Jorge de Brito e a promessa de um Benfica Europeu, milhões foram gastos em jogadores (provocando uma grave crise financeira em troca de 2 campeonatos e duas finais perdinas na TCE) e surgiram personagens como um tal de Gaspar Ramos, cuja agenda era a mesma da do actual presidente: a do ataque sem escrúpulos ao FC Porto. Provoca-se o FC Porto, centra-se o discurso nos árbitros e no “sistema”. Desvia-se o brasileiro Ademir de Guimarães para a Luz quando já tinha tudo apalavrado connosco e rompe-se um pacto de não-agressão, sendo que após a nossa resposta com a contratação de Dito e Rui Águas rompem relações connosco, transferindo para nós as culpas, com o sempre eterno beneplácito dos órgãos de comunicação social. Aliciam e dão elevadas somas de dinheiro a nossos jogadores durante a época (por exemplo Geraldão) mas continuam a insistir na mensagem de que no Norte é que residem os criminosos, lançando o país a ferro e fogo, com a curiosidade de que eram os nossos dirigentes, treinadores e jogadores a serem agredidos em Portimão, Faro, Loulé, Guimarães, Braga entre outras localidades. Criam um mega caso em torno de um FC Porto – Benfica em 1991 e transformam definitivamente o país desportivo numa guerra que dura até hoje.

Apesar de todos estes valorosos esforços, estes brilhantes líderes levam o anteriormente hegemónico Benfica à quase falência (mesmo chegando ao ponto de utilizar verbas da RTP para contratar jogadores) e surge em cena um benfiquinha de meia tigela, com jogadores e treinadores ridículos, que tem sido um adversário muito modesto com apenas 2 títulos nacionais contra 13 nossos em 18 anos, para já não falar das nossas conquistas europeias e do domínio em outras modalidades.

Perante estes avassaladores números os nossos rivais arrepiaram caminho e perceberam que em contexto de guerra só conseguiram piorar as coisas? Nada disso, continuaram a eleger tipos como um Vale e Azevedo, que entre críticas ao FC Porto e a Pinto da Costa foi sendo levado em ombros, apesar de andar a fazer um excelente trabalho de destruição total da agremiação. Agora têm o seu presidente com mais longevidade no cargo, o bem-amado Bieira, mais conhecido pelas profecias que nunca se concretizam, qual Maia (ou Maya). E ainda conseguem criar instrumentos de propaganda caceteira como a benficatv, cuja comparação com o nosso Porto Canal é absolutamente reveladora da cultura e identidades actuais dos dois clubes...

Todo este longo texto para quê? Muito simplesmente para desmistificar a ideia de que uns são santos e outros são demónios, como tanto se lê e ouve por ai. Os anos passam mas a memória tem de existir, não queremos guerras mas não viramos a cara à luta quando para tal somos desafiados, não podendo nunca deixar que tracem de nós a imagem de fomentadores de terror, quando simplesmente somos gente decente que não aceita que o maior e o que faz mais barulho é aquele que tem de ganhar, mas sim o MELHOR!

O timing desta crónica não é obviamente inocente, uma vez que neste início de ano de 2013 temos desde já dois importantes confrontos com os rivais, hoje no Hóquei e para a semana no Futebol, duas partidas muito importantes tendo em vista os nossos objectivos de conquista dos respectivos campeonatos. Focados no essencial e concentrados no que melhor sabemos fazer, vamos para já deixá-los falar e vamos lutar pelas vitórias, dando mais dois passos seguros rumo ao que realmente nos interessa: os títulos!

PS: Uma nota muito especial para a Natação do FC Porto pelo inédito penta campeonato da equipa Feminina e pelo honroso 3º lugar da equipa Masculina nos Nacionais de Clubes disputados no final do mês de Dezembro. Esta modalidade, apesar dos problemas gerados pela demolição das nossas piscinas, soube-se reinventar e continuar a produzir campeões e a conquistar importantes resultados para as nossas cores. Parabéns portanto a todos os Atletas, Treinadores e Dirigentes!

5 comentários

  1. Excelente! Gostei muito. Parabéns MM.

    Abraço e BIBÓ NOSSO PORTO!

     
  2. lucho Says:
  3. MM
    Leitura obrigatória.

    Não perco uma crónica. Valor acrescentado para este blog.
    Saudações Portistas!

     
  4. MM Says:
  5. Dragão Azul Forte e Lucho,

    Como grande admirador das vossas contribuições para esta nossa Casa, deixo-vos um agradecimento muito especial pelas vossas palavras!

    Um grande abraço Portista!

     
  6. Vasco Says:
  7. Excelente cronica. Só uma pequena correcção à legenda da fotografia em cima, penso que querem dizer "lenda" e não "legend". Tipico erro de quem escreve muito inglês!

    Abraço e continuação do óptimo trabalho

     
  8. MM Says:
  9. Vasco,

    O texto que aparece junto à foto é a transcrição do que aparece na tal revista Dragões de 1986. De facto, o termo "legenda", embora ache que também possa ser utilizado, podia ter sido substituído por "lenda", mas isso foi a escolha do redactor do texto original :)

    Obrigado pelo teu comentário e elogios, um abraço!

     

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