02 março, 2008

A SIC castigou o FC Porto e a magia do futebol!

A ida do FC Porto à Sertã para a Taça de Portugal (oitavos-de-final), despertou grande interesse na Beira Interior. A edição do semanário Jornal do Fundão, em data de 7 de Fevereiro de 2008, fez desta visita o “Grande Tema” da semana.

Nas duas páginas centrais, o jornalista Filipe Sanches lembra alguns dados que, quanto a mim, devem ser salientados para que se levantem questões pertinentes. Há duas décadas que um grande do futebol Português não ia à Beira Interior para fazer um jogo oficial. Foi em Março de 1988 que o FC Porto esteve pela penúltima vez na Beira Interior. O FC Porto, já com o estatuto de campeão europeu e do mundo, treinado por Ivic, empatou 1-1 contra o Covilhã. Nessa partida esteve Rui Barros como jogador. Agora é treinador adjunto no Dragão. Nesse mesmo ano, o Covilhã acabou por ser despromovido. Mas, coincidência do destino, se, anteriormente, o Covilhã tinha subido para a primeira divisão foi porque tinha um grande jogador, chamado Rui Barros, emprestado, na altura, pelo FC Porto. Ainda hoje, o nome de Rui Barros, associado ao nome do FC Porto, deixa boas lembranças na Beira Interior.

Para o jogo contra o Porto, a direcção do Sertanense mandou construir uma bancada amovível com capacidade para sete mil pessoas. A receita foi importante. Só, como se sabe, esta é dividida entre os dois clubes e a federação. E passo a citar o Jornal do Fundão : “... e por isso não será essa verba que vai salvar a temporada ao clube do Pinhal. Bom para o Sertanense teria sido haver transmissão televisiva (que dá uma receita bem mais choruda) mas a SIC preferiu ficar com os jogos Benfica-Paços de Ferreira e Sporting-Marítimo”.

Em vista do que acabo referir, não posso deixar de pensar que a Federação e a Liga estão a esquecer o papel social do futebol. Salvo erro, o andebol e o basquetebol organizam jogos oficiais em zonas onde não existem equipas de profissão. Os responsáveis dessas modalidades não ficam à espera que um sorteio obrigue os clubes maiores a jogar no interior. Reconheço, contudo, que possam existir contigências no futebol que são diferentes de as de outras modalidades.

O que já não posso reconhecer é a escolha da SIC. Optar por transmitir, em oito jogos, os desafios de dois clubes da capital numa competição que se chama Taça de Portugal é um insulto ao nome de Portugal . Foi um insulto a todas as beirãs e a todos os beirões. Foi um insulto ao futebol. Se jogo havia a transmitir era o Sertanense - FC Porto. Com efeito, o Sertananse foi o clube sensação da Taça de Portugal. Para castigar o FC Porto, castiga-se o futebol?

O “Jornal do Fundão”, semanário onde escreveram e escrevem Carlos Drummond de Andrade, Lídia Jorge ou Saramago..., deixou clara esta mensagem na sua edição de 14 de Fevereiro de 2008, por Filipe Sanches na página 24: “Para contar aos netos: Sertanense e FC Porto permitiram viver a verdadeira magia. Nos dias que correm, só mesmo o futebol tem esta capacidade”.

Talvez os canais de informação e os saudasistas tenham dificuldade em aceitar que seis milhões de benfiquistas é coisa do passado. Por isso, talvez não se queira mostrar terras onde “os mais novos fazem questão de envergar as camisolas azuis-e-brancas” ( p24 op.cit.).

Deixo o debate em aberto !

E Viva o Porto !

4 comentários:

  1. Disseram-me que a Sic deu dinheiro para a transmissão do jogo, mas o Sertanense pensou que o jogo seria a galinha dos ovos de ouro e pediu o triplo que eles davam, além da Sic ter de pagar a bancada e iluminação já que o jogo seria de noite.

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  2. Boas,

    Mais um tema excelente, a provocar o debate. Se a versão correcta for a do Menphis, está então explicado o alheamento das tv's pelo jogo na Sertã...

    Se não for essa, mas sim a habitual cupidez dos media, sempre prontos a valorizar o k provêm dos clubes de Lisboa, aí então é k será caso para bradar aos céus...

    Efectivamente, o mito dos 6 milhões à mt k está enterrado. A capacidade aglutinadora do Porto vê-se, p.e., em kk escola deste País. Onde antes os adeptos do FCP eram uma ilha, isolados num imenso mar vermelho e verde, hoje são um continente, cada vez em maior número...

    A crescente popularidade do Porto sobrevive mesmo a golpes baixos, habituais em peças de imprensa pejorativas ou em nefandos programas televisivos. Basta continuarmos a vencer. As vitórias e sucessivos troféus fazem mais pela causa do Dragão que qualquer campanha de marketing...

    Abraço,

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  3. Pois, o comentário do Menphis, a confirmar-se, explicaria tudo.
    É a habitual falta de visão dos corpos de dirigentes.
    Um exemplo: vejam o Boavista - Porto do ano passado e o de ontem.

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  4. ora bem, é claro que estou a vender o mesmo peixe que me venderam, mas foram pessoas enraizadas na Sertã que me disseram isso. Só a própria Sic ou o clube é que podem confirmar essa situação, mas eu cá acredito que o Sertanense tenha querido se aproveitar. Já se sabe que a Sic se fosse o slb era bem capaz de negociar doutra maneira, mas isso é outra coisa.

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